quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Carta de uma filha apaixonada para sua mamãe.


Mamãe,


Como vão vocês? Estou com saudade da senhora e do papai. Ele está melhor da tuberculose? Poxa, me preocupo muito com a saúde dele. Tenho tido pesadelos terríveis e orado bastante; a senhora já melhorou do reumatismo? Espero que sim. Vocês são especiais em minha vida e temo um dia perdê-los.
Vou visitá-los em breve. Estou com uma vontade danada de tomar banho nua na cachoeira - como fazia na minha infância nas manhãs de domingo quando íamos visitar meus tios.
Finalmente conseguimos o empréstimo no banco para a reforma do salão. A Sandrinha, minha sócia, tem um amigo que gerencia há muitos anos um banco aqui perto de casa, então ele facilitou o empréstimo.
Tenho uma ótima notícia para contar-lhes: Reginaldo me pediu em casamento ontem à noite.
Ai mamãe, estou tão feliz!
Reginaldo é o homem que toda mulher gostaria de ter. Ele é inteligente, trabalhador, esforçado e tem uma graninha; prometeu cuidar de mim com muito amor e carinho.
Ontem mesmo, fizemos planos para nossa casinha que sua avó, Dona Véinha, deixou pra ele de presente de casamento.
Uma das coisas que mais gosto e admiro no Reginaldo é a sua lucidez, ao contrário do Buenas - aquele blogueiro louco e bêbado -, lembra dele?
Dia desses eu me esbarrei com ele na rua, mas não dei a menor ousadia. Ele tava com uma mulher nos maiores love e fingi não vê-lo.
Não sei onde eu tava com a cabeça quando me envolvi com aquele homem. Eu dormia na casa dele e era obrigada a ouvir aquela banda insuportável toda noite; uma tal de Jesus e Mary não sei o quê lá. Horrível. Tem um som de guitarra que ninguém merece.
Nesse momento eu tô ouvindo Vitor e Léo que o Reginaldo me deu de presente. Eu vivo ganhando presentes dele; são perfumes, jóias, cd de Lairton e seus teclados, Silvano Salles, dvd de ótimos pagodes...
Sons que estão longe de parecer com os que aquele maluco costuma ouvir. Eu não conseguia mais ir pra casa dele e ficar ouvindo uns troços lá... Tem uma miséria de Tom Waits que parece está bêbado o tempo todo e ele ainda fica lá admirando aquela coisa. Como se não bastasse, ele me deu de presente um disco desse cara! Não passei da segunda faixa.
Uma vez ele saiu com Tinho, aquele amigo dele farrista, e voltou todo mijado!
O elevador ficou todo molhado. Fiquei com vergonha dos porteiros e da síndica do prédio porquê eles me chamaram atenção pelo vexame como se eu tivesse culpa.
O filho da puta no outro dia ainda me pediu pra lavar a calça jeans dele, e eu, abestalhada, lavei.
Não vejo a hora do Reginaldo me conquistar de vez, pois sempre me pego pensando no Buenas... Pior que eu ainda gosto dele e sinto muito a sua falta.
Ele é carinhoso, generoso, tão amável... Ai, fico toda molhadinha quando lembro dele. Nenhum homem me amou tanto... E aquela barbicha... Aquelas mãos...
Lembro da senhora contando como conheceu meu pai e me recordo como conheci o tal Buenas. Foi num show da Jardim da Saudade - uma banda daqui de Salvador que não me agrada muito e só fui porquê sabia que iria encontrá-lo.
A banda é de uns amigos dele. Como ele, só pensam em música, literatura, futebol, farras e mulheres.
O show tava começando quando ele me ofereceu uma vodka. Aceitei e ficamos conversando. De repente, chegou Xanxa - um amigo dele e baixista da banda -, e perguntou se ele tinha escrito algum poema novo pro La Verga. Daí fiquei sabendo dos seus blogs e me interessei pelo assunto. Ele me deu os endereços e guardei-os na bolsa.
Resumindo: Ficamos naquela noite e quando cheguei em casa fui logo ler os blogs. Gostei dos dois, principalmente da La Verga. São poemas eróticos e eu disse a todas minhas amigas que fiquei encantada com aqueles escritos.
Me interessei ainda mais por ele. Namoramos e fui cada vez mais me envolvendo com aquele magrelinho.
Mamãe, tenho uma coisa pra te contar, por favor, não fale pro papai: eu fiz um aborto.
Continua.
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Disco da Semana.


Sune Rose Wagner - Untitled (2009). Este é o primeiro disco solo de Sune Rose Wagner, a outra metade dos Raveonettes (queridinhos aqui do On The Rocks).
Neste registro fonográfico, Sune deixou de lado as distorções que são peculiares no som de sua banda, em que divide a responsabilidade com a maravilhosa Sharin Foo, para investir em melodias suaves e tocantes.
Com tons sombrios e singelos, este ilustre compositor vai aos poucos deixando sua marca ao lado de grandes compositores da atual década, como é o caso de Jason Lytle ( Grandaddy) e Jeff Tweddy (Wilco).
Svinske Maend é uma das mais belas do ano.
Este disco vai entrar com certeza na lista de melhores do ano deste blog. Aguarde.
Conheça a La Verga, meu blog de poemas eróticos: www.lavergadelbuenas.blogspot.com. Até a próxima.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Disco da Semana.


Manic Street Preachers - Journal for plague lovers (2009). Este é o mais novo petardo do Manic Street Preachers, banda formada no País de Gales em 1986 por James Bradfield, Nicky Wire e Sean Moore.
Journal for plague lovers é um disco de rock vigoroso, com letras inspiradas e sonoridade hard. Os integrantes da banda retiraram as letras de um caderno deixado pelo guitarrista Richey James - entregue ao baixista Nicky Wire -, antigo integrante que suicidou-se em 1995 jogando-se da ponte Severen, em Bristol. Seu carro fora encontrado próximo à ponte, e seu corpo jamais encontrado.
Os temas políticos e as críticas sociais continuam afiadas. A pegada, certeira. Rock!
Pô, toda vez que ouço Pretension/Repulsion me lembro do tempo em que ficava ouvindo rock pesado com Fabrício na casa de vovó Dai. A gente costumava se reunir nas tardes para ouvir música e pintar o sete.
Os vizinhos sofriam com a gente. Eu sempre recebia reclamação dos velhinhos, mas como era adolescente e rebelde, não ligava. Não dava a mínima para eles. Eu queria era botar pra fora minhas angústias, minhas dores, e gritar bem alto pra todo mundo ouvir.
Taí um disco que entraria tranquilo em minha lista de melhores da década. Sem dúvida alguma, este é o melhor deles em muitos anos. Journal for plague lovers é um desses discos que te pega de cheio, te joga para cima, te derruba e depois tá tudo bem.
Me and Stephen Hawking, All is vanity, Virginia state epilpetic colony, Williams last words e tantas outras não vão te decepcionar. Vai por mim.
Assista o videoclipe com a música Pretension/Repulsion no post abaixo. Tem novidade na La Verga, meu blog de poemas: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/. Até a próxima.

Manic Street Preachers - Pretension/Repulsion.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Como Eu Conheci a Jardim da Saudade.

Salvador, cidade da fantasia, tem muito rock inteligente. Músicos, letristas e cantores talentosos - foi daqui que saiu três fortes candidatos a melhor cantor do rock nacional. São eles: Arthur Ribeiro (ex-Elite Marginal e Treblinka; atual Theatro de Séraphin), Glauber Guimarães (ex-Dead Billies e atual Teclas Pretas) e Ronei Jorge.
Este último, atualmente à frente da banda Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, foi responsável por duas das mais significativas bandas surgidas na cidade nos anos noventa. Primeiro a Saci Tric, com um rock vigoroso, muito bem trabalhado e em perfeita harmonia com as letras do próprio Ronei - chegaram a lançar um disco gravado ao vivo, mais dois raríssimos cassetes.
A segunda foi a Jardim da Saudade, uma das minhas preferidas. Conheci a banda na época em que frequentava a Na Mosca, um misto de loja de discos e bar, das mais bacanas que conheci em minha vida.
Localizada no Rio Vermelho, próximo ao meu curso profissionalizante de artes cênicas, eu tinha o costume de passar por lá quando terminava as aulas, e principalmente nos fins de semana para ouvir uns sons, beber umas cervas e bater um papo com os caras da loja - Tony Lopes, Dicinho e o próprio Ronei Jorge -, mais os frequentadores (sempre as mesmas caras).
Eu adorava passar por lá.
Então, em uma dessas visitas, fui informado pelo próprio Tony da existência da Jardim da Saudade, uma banda montada para durar apenas um mês - e durou!
Pensei que fosse brincadeira dos caras, mas, infelizmente, era verdade.
Primeiro lançaram um cassete, que se não me falha a memória, tinha cinco músicas. Eu adoro as letras e o clima das canções. Solidão, paixão e melancolia permeiam as gravações desta sublime banda.
Há um misto nas composições. Canções de Tony, baterista (ex-Guerra Fria, TL & Os Sobreviventes, Tristes Tigres; atual Koyotes e Tiltt) com Luisão, piano (ex-Penélope, atual Dois em Um), Nuno, baixista (ex-Saci Tric e atual Estrada Perdida), e Ronei (voz e guitarra).
Outro baixista que fez parte da banda foi meu amigo e videomaker Alexandre "Xanxa" Guena (ex-Arsene Lupin) e Chico Abreu (Sax e teclados). Para a gravação de a Deus, único disco lançado por eles, a cantora Cláudia Cunha fez participação especial em algumas faixas.
O que me chamou atenção no som da Jardim foi o clima à la Nick Cave e Tindersticks, artistas ao qual sou fã, mais as letras inspiradas e apaixonantes dos seus componentes.
Eu adoro O Deus e o Artesão, Única Dor, As Solidões e Balada da Estrada.
Nessa época eu morava com minha mãe, o ano era 1997 e ela vivia imitando Ronei pela casa. Até hoje não sei se ela gostava ou se cantava ironizando as canções dos caras.
Eu só saía de casa para o curso depois de ouvir a Jardim. O meu cassete, intitulado Jardim da Saudade, não sei onde foi parar; talvez esteja com meu amigo e compadre Fabrício Silva. Tomara que esteja com ele, pois este tem um valor sentimental muito grande pra mim - embora eu tenha o já clássico e raríssimo a Deus.
Pra quem não sabe, Jardim da Saudade é o nome de um dos cemitérios daqui de Salvador.
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Me comprometi a indicar um disco por semana, mas esta foi terrível para mim. Não tive condições de me dedicar ao On The Rocks da forma como eu mais gosto.
Uma semana estressante. Muito estressante. Postar qualquer coisa aqui para não passar em branco não é a cara deste blog.
A próxima semana vai ser ótima. confiante. Vocês vão ver.
Quero aproveitar para indicar o mais novo blog da Karine Rodrigues (http://www.aquelecarnaval.blogspot.com/). Karine, seja bem-vinda à blogosfera. Até a próxima.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Cinco Anos Sem John Peel, O Lendário DJ Inglês.


O lendário DJ, radialista e crítico musical John Robert Parker Ravenscroft, ou simplesmente John Peel, completou cinco anos de morte no último domingo, 25.
John foi responsável por divulgar bandas em começo de carreira no Reino Unido com um certo glamour que faltava a outros profissionais da área.
Não foram poucas as bandas que se apresentaram em seu famoso programa de rádio na BBC inglesa.
As bandas eram escolhidas a dedo pelo próprio John. Echo and The Bunnymen, Bauhaus, New Order, House of Love, Jesus and Mary Chain, The Smiths - foi lá que Morrissey e companhia gravaram boa parte do clássico Hatful of Hollow -, Siouxsie and The Banshees, Nirvana e tantas outras.
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Curti o Big Bands Festival no último fim de semana. Montei uma banquinha de discos em companhia de Tony Lopes, antigo parceiro da São Rock Discos, e rolou uma espécie de revival, com muita cerva, amigos, meninas lindas ao nosso redor - como nos velhos tempos -, e muito som bacana.
Vendemos muitos discos e divulgamos nossos blogs para a rapaziada. Pastel de Miolos, Tom Bloch e Frank Jorge fizeram os melhores shows do sábado. Não fui no domingo.
Parabéns para Rogério Big Brother, o organizador do festival, e toda sua equipe.
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Fui convidado pela escritora/blogueira e gatíssima, Samantha Abreu, para publicar um texto no Versos de Falópio - blog em que ela escreve em companhia de várias blogueiras de diversas partes do país.
Para mim é uma honra participar deste blog devido a qualidade dos escritos das meninas, e dos convidados também.
O texto será publicado no próximo domingo, 01 de novembro. Eis o link: www.versosdefalopio.blogspot.com.
Para esta semana, além deste post, preparei mais três: um videoclipe (não oficial) do Elliott Smith; poema de Neruda e a estreia da nova seção, Disco da Semana.
Esta é a comunidade do On The Rocks no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=53673577. Participe. Até a próxima.

Elliott Smith - Between the Bars (Para Tatiana Coutinho).

Um Poema de Pablo Neruda.

Dedico este post aos meus amigos Tinho e Camila.



Eu te nomeei rainha
Existem mais altas do que tu, mais altas.
Mais puras do que tu, mais puras
Mais belas do que tu, mais belas

Mas tu és a Rainha

Quando vais pelas ruas,
Ninguém te reconhece
Ninguém vê a coroa de cristal,
Ninguém vê o tapete de ouro vermelho que pisas por onde passas,
O tapete que não existe

É apenas aparecer
Cantam todos os rios
em meu corpo, As campanas
estremecem o céu
e um hino enche o mundo

Somente tu e eu,
Somente tu e eu, amor meu
O escutamos.

Disco da Semana.


Estreiando a mais nova seção do On The Rocks, temos a maravilhosa cantora de soul e gospel americana Candi Staton com um dos seus últimos lançamentos, o disco His Hands (2006).
Candi ficou mundialmente conhecida em 1976 com o lançamento do hit Young hearts run free. Seu vozeirão me encantou de cara quando a ouvi pela primeira vez na época em que trabalhava numa loja de discos aqui em Salvador.
O que me chamou atenção, em primeiro lugar, foi a beleza da capa, remetendo as pepitas da Blue Note que eram lançadas neste molde. Depois, o canto potente e sedutor; envolvente.
Candi nasceu em 1940 no Alabama e acaba de lançar seu mais novo disco, Who's Hunting Now?.
Download para His Hands, aqui:

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Frank Jorge em Salvador.

Tá difícil escolher os melhores discos da década. Prometi publicar esta semana, mas não vai dar. Primeiro pensei em dez, agora são quinze e mesmo assim não saiu ainda. Quero colocar apenas um album por artista e é aí que tá o problema. Por exemplo, o Wilco, uma das bandas mais significativas da década tem três ótimos albuns: Yankee hotel foxtrot, A ghost is born e Sky blue sky; então fico com minhas dúvidas cruéis, mas nada que possa afundar a ideia de que tanto gosto de fazer.

Essa mania de listas começou quando eu tinha dezesseis anos de idade e costumava ficar trancado no quarto ouvindo música e pensando nas melhores músicas, bandas, discos e capas; vivia corrigindo a listinha assim que conhecia mais bandas e artistas em carreira solo.
Decidi ali por volta de 2002 que as minhas bandas favoritas jamais sairiam da lista da minha vida, são elas: Jesus and Mary Chain, Rolling Stones, Joy Division, Sonic Youth, Echo and the Bunnymen e o Velvet Underground.
Já tentei encaixar várias vezes o Dinosaur Jr., mas não consegui; assim como o Pavement, Tindersticks, The Who, The Smiths, Ramones, Sex pistols, The Cult, Beatles, Television... A lista é grande!
Até montei uma banda imaginária com Peter Hook (New Order) no baixo e Keith Moon (The Who) na bateria. Desisiti por não conseguir escolher o guitarrista. Até que consegui escalar os cantores: Ian McCulloch (Echo and the Bunnymen) e Ian Astbury (The Cult), revezariam na gravação do disco, e para os shows, Mick Jagger e Ozzy Osbourne fariam o revezamento nos palcos.
É, mas nunca consegui escalar os guitarristas, e como banda de rock sem guitarra não é banda, o projeto afundou.
Nos posts desta semana temos uma homenagem a Rimbaud, um video do meu caro Dão e cartaz do Big Bands no final.
Eu vou pro Big Bands Festival porque quero assistir a estreia solo de Messias, conferir a Pastel de Miolos, Nancy Viegas e, claro, Frank Jorge - o cara que lançou um dos melhores discos da década entre o brasileiros na opinião deste ser que vos escreve.
Escrevo depois sobre o Carteira Nacional de Apaixonado, pode cobrar. Frank toca pela primeira vez em Salvador e o On The Rocks não vai perder essa. Até a próxima.

Arthur Rimbaud (20 de outubro de 1854/10 de novembro de 1891).

Noite do Inferno.
Traguei um bom gole de veneno. - Seja três vezes abençoada minha resolução! - Minhas entranhas ardem. A violência do veneno contrai-me os membros, desfigura-me, arroja-me ao chão. Morro de sede, sufoco não posso gritar. É o inferno, as penas eternas! Vede como o fogo se levanta! Queimo-me, como me convém. Vai demônio!
Eu percebera a conversão ao bem e à felicidade, a salvação. Possa eu descrever a visão, o ar do inferno não tolera os hinos! Eram milhares de criaturas encantadoras, um doce concerto espiritual, a força e a paz, as nobres ambições, e que mais?
As nobres ambições!
E é ainda a vida! - Se a danação é eterna! Um homem que se mutila deliberadamente é um danado, não é? Creio estar no inferno, então estou nele. É a execução do catecismo. Sou escravo do meu batismo. Pais, fizestes a minha desgraça, e também a vossa. Pobre inocente! - O inferno não pode investir contra os pagãos. - É ainda a vida! Mais tardes, serão mais profundas as delícias da danação. Um crime, depressa, que posso cair no vácuo, por imposição da lei humana
Fica em silêncio, cala-te!... Aqui é a vergonha, a reprovação. Satã diz que o fogo é ignóbil, e que minha cólera é terrivelmente estúpida. - Basta!... Erros a que me induziram, magias, perfumes falsificados, músicas pueris. - E dizer que possuo a verdade, que vejo a justiça: tenho um julgamento são e firme, estou pronto para a perfeição... Orgulho! - Meu couro cabeludo se resseca! Piedade, Senhor, tenho medo. Tenho sede, tanta sede! Ah, a infância, o luar quando o sino tocava meia-noite... O diabo está no campanário, nessa hora. Maria! Virgem Santa!... - Minha estupidez causa-me horror.
embaixo não estão as almas honestas, que me desejam o bem?... Vinde...
Tenho um travesseiro sobre a boca, elas me ouvem, são fantasmas. Além do mais, ninguém pensa nunca nos outros. Não se aproximem de mim. Cheiro a carne tostada, é certo.
As alucinações são inumeráveis. É, sem dúvida, o que sempre tive: falta de fé na história, o esquecimento dos princípios. Silenciarei sobre isto: poetas e visionários ficariam enciumados. Sou mil vezes o mais rico, sejamos avaros como o oceano.
Isto, agora! O relógio da vida acabou de parar. Não estou mais no mundo. - A teologia é uma coisa séria, o inferno está certamente embaixo - e o céu no alto. Êxtase, pesadelo, sono em um ninho de chamas.
Quantas burlas na vigília campestre... Satã, Ferdinando, corre com as sementes selvagens... Jesus caminha sobre as sarças purpúreas, sem curvá-las... Jesus caminha sobre as águas irritadas. À luz da lanterna, ele nos surgiu de pé, de branco e de trigueiras tranças, no seio uma onda de esmeralda...
Vou desvendar todos os mistérios: mistérios religiosos ou naturais, morte, nascimento, futuro, passado, cosmogonia, o nada. Sou mestre em fantasmagorias.
Escutai!
Tenho todos os talentos! - Não há ninguém aqui, e há alguém: eu não gostaria de distribuir meu tesouro. - Querem cantos negros, danças de huris? Querem que eu desapareça, mergulhe em busca do anel. Querem? Fabricarei ouro, remédios.
Confiai em mim, então, a fé alivia, guia, cura. Vinde, todos - até as criancinhas - que eu vos posso consolar e entre vós distribuir seu coração, - o coração maravilhoso! - Pobres homens trabalhadores! Não peço orações; seria feliz apenas com a vossa confiança.
- E pensemos em mim. Isto me faz lamentar pouco o mundo. Tenho a sorte de não sofrer mais. Minha vida foi senão doces loucuras, o que é lamentável.
Estamos, delicadamente, fora do mundo. Não se ouve nenhum som. Meu tato desapareceu. Ah! meu castelo, minha porcelana de Saxe, meu bosque de salgueiros. As tardes, as manhãs, as noites, os dias... Como estou cansado!
Eu deveria ter um inferno para a minha cólera, um inferno para o meu orgulho, - e o inferno da carícia; um concerto de infernos.
Morro de cansaço. É o túmulo vou-me para os vermes, horror dos horrores! Satã, farsante, queres dissolver-me com os teus encantos! Protesto. Protesto! um golpe de forçado, uma gota de fogo.
Ah, voltar de novo à vida! Lançar os olhos sobre nossas monstruosidades. E este veneno, este beijo mil vezes maldito! Minha fraqueza, a crueldade do mundo! Meu Deus, piedade, ocultai-me, não estou em condições de proteger-me! - Estou escondido e não o estou.
É o fogo que se segue, com o seu danado.
Tradução de Lêdo Ivo.

Dão - Não vá dizer que vai ficar de fora desse samba.

Festival Big Bands.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Galeria.

Desisti do meu blog visual Deus só protege os bêbados e as crianças. As imagens (pinturas, fotografias e charges) que planejei postar lá, estarão aqui no On The Rocks na volta da seção Galeria.
E para a reestreia desta seção, escolhi umas charges do ilustrador baiano Bruno Aziz. Para conhecer melhor seu trabalho, clique aqui: www.fotolog.com.br/rabiscoland. O rapaz é talentoso e eu garanto diversão do começo ao fim.
Enquanto os dias passam vagarosamente, fico pensando em novos rumos para minha vida que recomeça com força total na próxima semana depois de um longo período afastado de Salvador.
A TV da sala tá ligada. Ouço a narração do jogo Brasil x Venezuela pelas eliminatórias da Copa do Mundo. O narrador Galvão Bueno parece ser um homem múltiplo: comentarista, técnico, jogador, dirigente, juiz e, o que ele menos faz, narrar o jogo. , que cara chato!
Bob Dylan lançou um disco especial com canções natalinas, chama-se: Christmas in the Heart. Lançar discos com este tema é comum entre os artistas gringos. Fiquei curioso para ouvir o velho Dylan cantar sua canções preferidas de natal.
Vi no site El Cabong (ver link ao lado), que algumas revistas da Europa já estão fazendo suas listas com os melhores discos da década e o On The Rocks não vai ficar de fora dessa.
Já comecei a fazer a minha; eis os artistas que já estão lá: Bob Dylan, Johnny Cash, The Strokes e Wilco. Agora, é só aguardar.
O jornalista e escritor Emmanuel Mirdad fez uma homenagem para mim em seu blog (http://www.elmirdad.blogspot.com/), e eu gostei muito. Mirdad, obrigado pelo carinho e pela grande homenagem. Até a próxima.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Obra-Prima.

Songs of Leonard Cohen - Era a época do flower power quando o escritor, poeta e cantor canadense deu seu ar das graças ao mundo da música com esta maravilha gravado em 1968 em companhia de violões, piano e uma sublime orquestra acompanhando seu canto tímido e suas poesias conflitantes.
Cohen começou sua carreira artística por volta de 1955 com o lançamento de seu primeiro livro de poesia Let us compare mythologies.
Muito respeitado pela crítica literária de seu país, ele jamais entraria para o mundo da música se dependesse destes. Sua fama de grande escritor veio em 1966 quando do lançamento de Beautiful Losers - romance que colocaria jornalistas de várias partes do país em seu encalço.
Cohen poderia ter se tornado um dos principais escritores de sua geração não fosse pela inclusão da música Suzanne no álbum In my life da cantora Judy Collins, mudando assim, os rumos de sua carreira artística.
Começava ali o status de precursor da corrente cantor/compositor que viria à tona no início dos anos setenta, antecipando Jackson Browne, James Taylor, Randy Newman, entre outros, após o lançamento deste Songs of.
A foto 3x4 que está estampada na capa do álbum fora tirada pelo próprio Cohen através de uma câmera automática, mostrando seu perfil tímido e tenso.
Com uma totalidade de dez canções carregada de espiritualismo conflituoso, tédio e paixões dilacerantes, Songs of Leonard Cohen foi um marco em plena época do paz e amor e da liberdade sexual.
A canção So long, Marianne está entre as cinco mais belas de todos os tempos na opinião deste ser que vos escreve.
Acompanhado por violões, violino, e por um sedutor backing vocal - uma marca em suas músicas -, So long, Marianne vai te caminhando por um terreno propício a devaneios e rios de lágrimas.
Se eu fosse para uma ilha deserta e tivesse que levar apenas cinco discos, este seria um deles, ao lado de Psychocandy, é claro.
Aos setenta e cinco anos de idade, Cohen continua influenciando um séquito de artistas espalhados em toda parte do mundo. I'm your fan, tributo lançado nos anos noventa, é apenas um deles. Estão lá: Nick Cave, Ian McCulloch, Lloyd Cole, Pixies, REM, House of Love, ou seja, todos queridos desta casa.
Hey, that's no way to say goodbye é a canção que escolhi para traduzir aqui pra vocês. A tradução, livre, foi feita por meu amigo Nelsinho Magalhães.
Ei, isso não é jeito de dizer adeus (Leonard Cohen).
Te amei pela manhã
Nossos beijos profundos e quentes
Teu cabelo sobre o travesseiro
Feito uma tempestade dourada adormecida
Muitos amaram antes de nós
Eu sei que não somos novidade
Na cidade e na floresta
Já sorriram como eu e tu
Mas agora são distâncias
E nós dois precisamos experimentar
Teus olhos estão úmidos de tristeza
Ei, isso não é jeito de dizer adeus
Não estou procurando outro
Ao vaguear no meu ritmo
Me leve até a esquina
Nossos passos sempre irão
Sabes que meu amor vai contigo
Assim como o teu fica comigo
É só o modo como ele se move
Feito a vinha das marés e o mar
Mas não vamos falar de amor ou correntes
E coisas que não podemos desatar
Teus olhos estão úmidos de tristeza
Ei, isso não é jeito de dizer adeus.
No post abaixo, uma dica para este fim de semana. Visite Deus só protege os bêbados e as crianças: http://www.deusprotege.blogspot.com/. Até a próxima.

Theatro de Séraphin e Flauer na Boomerangue.


Ouça as bandas aqui: Theatro de Séraphin - www.myspace.com/theatrodeseraphin. Flauer - www.myspace.com/flauer.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sons Que Tocam No Meu Disc Man.

Eu estava conversando com alguns amigos no msn quando minha amiga Tatiana Coutinho entrou na sala de bate-papo e me disse: "Estava pensando em você agora!". Perguntei o que aconteceu e ela respondeu: "Acabou de vazar o novo disco do Raveonettes".
Notícia maravilhosa.
Lá fui eu baixar o disco no link que ela me passou. Deu problema no primeiro download; tentei pela segunda vez em outro link, deu certo. Gracias, Tati.
In and Out of Control é o quinto álbum da dupla dinamarquesa formada pelos talentosos Sune Rose Wagner e Sharin Foo.
Neste que é o mais pop de todos os discos lançados pela dupla, o distanciamento do fantasma Jesus and Mary Chain e a procura de uma identidade própria são seus traços marcantes.
Poucas distorções, vocais doces e um clima ensolarado permeiam esta coleção de pepitas pop, dessas em que você sai assobiando pelas ruas após a audição.
In and Out of Control vai entrar facilmente na lista de melhores do ano do On The Rocks, assim como esta dica logo abaixo. Ouça Raveonettes aqui: www.myspace.com/theraveonettes.

Dinosaur Jr. - Farm (2009). Quem acompanha o On the Rocks desde os primeiros passos sabe muito bem que o Dinosaur Jr. é prata da casa, assim como o Raveonettes. Sou fã e em quanto este blog existir, eles estarão sempre por aqui.

Talvez um pouco melhor do que o anterior, Beyond (2007), Farm mostra a qualidade de seus integrantes em plena forma.

Ouço Pieces, a música de abertura, bem alto em meu disc man e fico imaginando um show dos caras. Guitarra alta e distorcida; baixo, impiedoso; bateria, idem.

E que maravilha de vocal... Totalmente preguiçoso.

O disco vai melhorando com I want you know, Ocean in the way, Over it (veja o videoclipe no my space da banda: www.myspace.com/dinosaurjr).

O meu disc man tá meio acabadinho de tanta porrada que vem tomando ao longo desses sete anos que me acompanha.

Estive um dia desses em uma megastore de um shopping center e perguntei ao vendedor se tinha disc man para vender e, pasmem!, o cara não sabia o que era.

Então ele perguntou ao seu colega e eis o que o colega me disse: "Senhor, eu sou novo na loja, então peço desculpas por não estar bem informado quanto aos lançamentos nessa área".

Eu mereço. Depois de uma dessas só bebendo uma cerva bem gelada.

Visite a La Verga, meu blog de poemas eróticos: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/ Até a próxima.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Uma Poesia de Drummond.

Para Mila Nascimento, aniversariante do dia.
(Estátua do poeta em uma praia do Rio de Janeiro).


Enquanto Conversas.

Enquanto conversas
até o infinito
com Silva Brito
lanço essas dispersas
linhas no papel
e sinto, ressinto
a demora cruel
de você. Não minto.

Visite a La Verga, meu blog de poemas eróticos: www.lavergadelbuenas.blogspot.com. Até a próxima.

domingo, 20 de setembro de 2009

Meus Dias em Cruz das Almas, Cidade das Sombras (Fragmentos).

(Raimundo Fagner, 1976).
Tenho passado belos e estranhos dias aqui em Cruz das Almas, cidade das sombras. Estudo durante o dia, ouço música, leio blogs, escrevo, visito amigos e familiares. Tenho curtido muito esses momentos. Uma das coisas que mais gosto de fazer é sair no final da tarde para comprar o pão. Caminho contente pelas ruas cumprimentando as pessoas e tenho percebido a importância de dar atenção a elas. Essas pessoas nutrem um carinho que é importante pra mim, logo estou me questionando porque não me aproximo mais delas.
Toda vez que venho a Cruz, sinto uma enorme felicidade batendo forte em meu peito. Um peso parece saltar de meus ombros. É gostoso respirar o ar daqui. O clima é agradabilíssimo - mesmo quando passo por aqueles carros com seus terríveis sons zoando em meus ouvidos. Nada parece me incomodar. Beber umas cervas com meus amigos então, nem se fala.
Estive na Casa da Cultura na sexta-feira, 11 de setembro, para conferir a exposição da pintora Gláucia Guerra e assistir o show de Zinaldo Velame - que me presenteou com uma cópia do disco Raimundo Fagner (1976) - mais conhecido pelos fãs como Chave de mim.
Foi ótimo estar na companhia de pessoas amigas. Houve um recital de poesias, mas não recitei. Eu não estava com meus poemas em mão.
O ruim disso tudo é quando penso em retornar a Salvador. Sinto-me nauseado quando penso naquela cidade que outrora era tão querida para mim. Ando de saco cheio de viver lá há tempos. Tentei cair fora no ano passado, mas não deu pra ficar onde eu mais queria viver: Londres. Paciência. Só não sei até quando vou suportar viver em Salvador. Minha mãe mudou-se para o Rio de Janeiro recentemente, talvez seja uma boa dar um giro por lá.
, sentindo um aperto no peito.
Voltando ao assunto do relacionamento com as pessoas.
Isto é uma coisa que eu tenho percebido agora. Hermes Peixoto, o poeta HP, me tratou tão bem na Casa da Cultura, assim como Graça Sena, Hild., Zinaldo, Ian e Nelsinho & é em momentos como esses que percebo melhor as coisas acontecendo ao meu redor.
Nunca pensei que minha presença fosse agradar tanto.
Eu preciso mudar o meu jeito de ser? Dar mais atenção e carinho às pessoas que estão ao meu redor seria uma boa. Eu que já fui chamado de egoísta por algumas mulheres que passaram por minha vida e ainda continuo ouvindo essas coisas de vez em quando.
As noites têm sido terríveis. Acordo no meio da madrugada e demoro a pegar no sono. Pesadelos e mais pesadelos têm tirado minha paciência e meu sagrado soninho. Tenho estranhado a cama, as paredes do quarto, a porta, a escuridão... e vivo pensando na morte.
Minhas companhias nessas horas têm sido uns discos que trouxe comigo. Eu sempre viajo com discos na mochila.
Ouvir Loveless do My Bloody Valentine de madrugada tem sido uma experiência maravilhosa. Não há semelhanças entre o som da guitarra de Kevin Shields e o canto dos pássaros que pousam nas amendoeiras do jardim de tia Anna, mas ambos aliviam minha insônia junto com a luz que entra pela fresta da janela do meu quarto.
"When you sleep" e "Sometimes" estão cada vez melhores.
Neste exato momento, minha amiga Cássia Hazel de São Paulo está lendo estes escritos. Ela chegou no momento certo. Precisava mostrar a alguém e ela apareceu como um anjo aqui na sala de bate-papo do msn.
Vou beber um café.
Após ler a primeira parte deste post, ela me chamou de artista e perguntou se eu já tinha lido Cartas a Théo do Van Gogh. Eu disse que não, mas vou ler em breve; então ela disse que ele sentia as mesmas coisas que a gente nesse momento. Ela tem passado por momentos semelhantes.
Cássia, a emoção do homem é universal - alguém já disse isto antes. Esqueci de te dizer que estou lendo a versão integral de On The Road do Jack Kerouac que vem com quatro ensaios essenciais para um entendimento mais amplo da obra do cara.
On The Road atira estilhaços de poesia para todos os lados, e é justamente desses estilhaços que preciso neste exato momento.
Li este livro pela primeira vez quando tinha dezoito anos. adorando reviver as aventuras desses caras que fizeram a cabeça de várias gerações, inclusive a minha.
Confesso que estou mais aliviado depois que mostrei estes escritos a ela. Logo depois, Bruna Mitrano, minha amiga que mora no Rio de Janeiro, entrou na sala e tudo ficou ótimo. Agradeço de coração a estas duas meninas pelo carinho e atenção.
Sem dúvida alguma, uma das coisas mais legais que me aconteceu nos últimos dias foram os contatos que fiz com o Luís Capucho. Estamos próximos e o post que ele fez em minha homenagem eu simplesmente leio todos os dias. Capucho, obrigado pelo carinho.
Visite o Deus só protege os bêbados e as crianças: www.deusprotege.blogspot.com. Até a próxima.
(My Bloody Valentine, Loveless - 1991).

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Achei de novo o Luís Capucho.

Estava limpando o jardim da casa de tia Anna pela manhã num clima muito agradável quando lembrei-me do cantor, poeta e escritor Luís Capucho. Fiquei por ali colhendo as folhas secas que haviam caído da amendoeira e pensando: "por onde andará o cara?".

Encontrei-me com Nelsinho à noite no bar de Turíbio - sim, estou em Cruz das Almas, cidade das sombras -, e disse-lhe que o próximo post do On The Rocks irá se chamar Por Onde Andará Luís Capucho?
Ele achou melhor que eu procurasse no Google alguma informação antes de escrever o post. Foi o que fiz. Naveguei pela Web ainda naquela noite e descobri que Capucho tá com um blog, o Azul: http://www.luiscapucho.blogspot.com/.
Gostei e comentei em seu blog. Instantes depois, ele respondeu (veja comentário no post anterior).
Fiquei feliz com sua resposta. Vibrei mais ainda quando ele disse que está terminando a gravação de seu segundo álbum, Cinema Íris - uma alusão ao título do seu primeiro romance, Cinema Orly.
Capucho nasceu em Cachoeiro do Itapemirim - você já ouviu falar neste lugar. Ainda na infância, mudou-se para Niterói onde viveu com Dona Luzia num cortiço. Conheci Lua Singela, seu primeiro lançamento fonográfico, em 2003 quando trabalhava na São Rock Discos.
Sua poesia é forte e impactante. Seu canto é dor. Sua música é rock da melhor descendência. Lou Reed, Tom Waits e o poeta maldito Arthur Rimbaud são alguns dos seus principais ídolos.
"Eu gosto daqueles que são maiores Que me parecem ter mais suco Têm maior quantidade de sangue, pra me alimentar.... Eu estou morto de fome... "
Acompanhado por violões, guitarras selvagens e clima ora romântico, ora angustiante, o cara não dar vazão pra gracinhas, nem pra romantismo barato - desses de abertura de novelas e programas de TV.
Suas canções já foram gravadas por vários artistas, entre eles: Pedro Luís e a Parede, Cássia Eller, Patrícia Amaral, Clara Sandroni, Daúde e Wado.
Seus versos poderão incomodar os fracos e medíocres, desses que se acostumam com modismos e versos fáceis de muitos artistas que estão por aí enchendo o bolso de grana e cantando porcaria.
Capucho não se deixa abater por alguns dramas em sua vida, como ele mesmo deixa claro em Algo assim: "Com isso eu era pra estar magoado, deprimido, Com isso eu era pra estar chateado, enlouquecido Eu era pra morrer enforcado tomar veneno, me jogar da ponte Algo assim, algo assim... Em meu juízo final, fui o único juiz Eu resolvi me perdoar, com isso eu fiquei um pouco Cazuza... E quero matar um pouco de inimigo..."
Chama-se Máquina de escrever a minha preferida do disco. Nela, Capucho canta em dueto com Mathilda Kóvak:
"Meu coração é uma máquna de escrever As paixões passam, as canções ficam Os poemas respiram nas prisões... Meu coração é uma máquina de escrever no papel da solidão... Meu coração é uma máquina de escrever, é só você bater pra entrar na minha história".
Seria ótimo se ele fizesse um show em Salvador. No que depender de mim, estou aqui pra dar uma força. E por falar em show, Caetano Veloso vai cantar aqui em Cruz, amanhã. Zii e Zie é o nome do show, e, é claro, On The Rocks vai bater o ponto. Quero agradecer ao meu amigo Dólar pelo convite. Muito bem-vindo, por sinal.
O título do post foi sugerido pelo próprio Capucho.
Para conhecer sua música, clique aqui: www.myspace.com/luiscapucho.
Visite Deus só protege os bêbados e as crianças, meu blog visual: http://www.deusprotege.blogspot.com/. Até a próxima.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Dark Night of the Soul Lavou Minha Alma.

Soube das gravações do Dark Night of the Soul no primeiro semestre e fiquei imaginando o quanto seria bom ouvi-lo assim que fosse lançado. Por problemas judiciais, o disco ainda não foi lançado e corre sérios riscos de não ver a luz do dia este ano.
Sob o comando do produtor Danger Mouse e do cantor, compositor e músico Mark Linkous, o cara que está por trás do Sparklehorse - a banda de um homem só -, Dark Night of the Soul foi gravado com notáveis talentos da música pop mundial.
Cansado de esperar pelo lançamento oficial, aqui estou ouvindo esta pérola que meu amigo Christiano Blumetti baixou um dia desses na Web.
O disco começa com Wayne Coyne (Flaming Lips) cantando Revenge, uma maravilhosa balada nos moldes do que sua banda fez em seus grandes discos. Revenge acalma logo de cara. Sensação semelhante eu senti quando ouvia Atom Heart Mother do Pink Floyd. Toda vez que me estressava, principalmente no colégio, era só colocar o famoso disco da vaca pra tocar e tudo ficava bem.
Houve uma briga no domingo passado com alguns familiares. É, de vez em quando eu quebro o pau com eles. Passado toda a confusão, já era noite quando coloquei Dark Night of the Soul para tocar no meu disc man e tudo ficou bem. Nem parece que eu havia brigado com pessoas tão queridas e importantes em minha criação.
Esse é o poder que a música exerce em minha vida. Já comentei aqui em outros posts. Se tá tudo bem, eu ouço música e as coisas ficam melhores. Se pinta algum grilo, a música tá ali pra resolver esses problemas e me deixar de bem com a vida e com todos.
Revenge ficou pra trás. Me entusiasmei e cheguei a Pain com Iggy Pop cantando uma das músicas mais empolgantes do ano. Como se estivesse na companhia dos seus parceiros de Stooges, Mr. Iggy quase me fez saltar da cadeira e sair pulando pela sala. Só não fiz isso porque acabei de almoçar e aí já viu.
Volto a me concentrar no discaço que é este Dark Night of the Soul e volto a terceira faixa com Jason Lytle (Grandaddy) arrasando com a belíssima Jaykub. Ele arrasa sempre. O problema é que, quando penso que o cara já gastou toda sua munição, ele vem com esta pepita arrancando lágrimas que tento conter, mas não consigo. Jason repete a dose com Everytime i'm with you, a oitava faixa.
Pô, o tempo passa rápido!
Pera aí. Ainda tem Julian Casablancas com Little girl - se as novas canções dos Strokes estiverem nos moldes dessa -, será um grande disco o quarto rebento dos caras.
Aí é que entra o talento dos produtores do disco. Danger e Mark fazem você acreditar que todas estas canções são próprias dos seus convidados. Cada um com sua marca indecifrável.
Angel's harp com Frank Black, me faz pensar que esta foi tirada de algum disco de sua extensa carreira. Demais.
E o que dizer da participação da loiraça Nina Persson (Cardigans) com Daddy's gone e The man who played god?
E Vic Chesnutt enchendo o fim do disco com muita angústia num tom sofrível?
Há mais duas participações que fazem bem na composição do álbum. São eles: Gruff Rhys do The Shins e James Mercer do Super Furry Animals.
No encarte do Dark Night of the Soul, haverá fotos do cineasta David Lynch feitas por ele mesmo. Do jeito que vão as coisas, é capaz dessas fotos saírem sem o disco!

Christiano conseguiu fazer o download pelo seguinte endereço: http://www.4shared.com/. Procure por Danger Mouse and Sparklehorse: Dark Night of the Soul. Ou tente aqui: http://www.mediafire.com/?cl1tk2yyvm5. Desejo boa sorte a todos e peço desculpas pelo atraso do post. On The Rocks tarda, mas não falha. Até a próxima.

(Mark Linkous, David Lynch e Danger Mouse criando mais uma maravilha para seus currículos).

domingo, 23 de agosto de 2009

City Lights Bookstore, A Vanguarda Literária da América.

(Ferlinghetti em frente à City Lights, San Francisco).

A juventude rebelde e boêmia americana viviam em meio a um estagnado e silencioso momento no início da década de cinquenta quando o poeta ítalo-americano Lawrence Ferlinghetti, então com vinte e quatro anos, resolveu abrir uma pequena livraria em San Francisco, cidade que adotara para viver após estudar pintura na Europa.
Esta livraria, que serviu de ponto de encontro de intelectuais e artistas em geral, foi batizada por Ferlinghetti e seu sócio, o artista Shigeyoshi (Shig) Murao, de City Lights Bookstore.
No início, eles apenas vendiam livros. Em 1955, fundaram a editora de mesmo nome e é aí que começa a efervescência na opaca San Francisco da época. O primeiro livro publicado foi Pictures of a Gone World, do próprio Ferlinghetti.
É justamente esta a importância da City Lights, publicar escritores que viviam à margem da sociedade e dos meios literários conservadores. O que não demorou muito para Ferlinghetti e seu sócio terem problemas com a lei.
Alguém havia denunciado a City Lights de obscena por publicar Howl de Allen Ginsberg (no Brasil, Uivo, lançado pela L&PM editores em 1984). Uma cópia fora encontrada com Shig pelo Comitê de Investigações de Atividades Anti-americanas.
Logo após a vitória judicial, Howl vendeu 360 mil exemplares e a City Lights não parou mais de crescer.
Outro fator que fez a City Lights ser uma livraria/editora marginalizada, foi pela questão da qualidade do papel em que os livros eram impressos. Papel de jornal e nunca em capa dura, como era de costume as editoras tradicionais publicarem seus escritores.
O catálogo da City Lights conta com mais de cem títulos, entre os quais, livros de Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Michael McLure, Neal Cassady, Charles Bukowski, Gary Snider, Antonin Artaud, Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud e até poemas de amor de Karl Marx.
É constante até hoje artistas de várias partes do mundo baterem ponto na City Lights sempre que estão de passagem por San Francisco. Bob Dylan é um assíduo frequentador do lugar.
No auge de sua popularidade, Dylan costumava se reunir com os poetas beats nos fins de tarde para um bate papo.
Somente os amigos de Ferlinghetti sabem de uma passagem secreta pros fundos da livraria onde podem ficar por ali sem ser perturbados por fãs e admiradores de suas obras.
Reza a lenda que a amizade de Dylan com Ginsberg começou lá, nos fundos da livraria.
Sem sombra de dúvidas, a City Lights foi determinante por impulsionar a beat generation, publicando seus escritos, e por isso mesmo, sendo conhecida como a vanguarda literária da América por publicar os impublicáveis.
Há um dia no calendário de San Francisco dedicado a Ferlinghetti, é o Ferlinghetti Day - homenagem da cidade a este sublime vanguardista. Pra quem não sabe, minha autobiografia foi inspirada nele.
Eis um pequeno trecho da autobiografia de Ferlinghetti:
Eu sofri um pouco.
Eu já sentei numa cadeira de balanço de aço.
Sou uma lágrima do sol.
Sou a montanha pela qual os poetas trepam.
Eu inventei o alfabeto
depois de olhar o voo das garças
que faziam letras com as pernas.
Eu sou um lago na planície.
Uma palavra numa árvore.
Eu sou uma montanha de poesia.
Sou uma blitz no inarticulado.
Sonhei
que meus dentes caíram
mas a língua viveu
pra contar a história.
Um dia eu chego lá. Compre o primeiro livro de Ferlinghetti que você encontrar pela frente. On The Rocks garante prazer do começo ao fim.
O meu blog visual já está na ativa. Chama-se Deus só protege os bêbados e as crianças: http://www.deusprotege.blogspot.com/. Até a próxima.

(Michael McLure, Bob Dylan e Allen Ginsberg no fundo da City Lights).

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Deus só protege os bêbados e as crianças.

(Eu e minha amiga Cassinha no bar Balcão, Salvador - 2008. Adoro esta foto).
Aqui estou mais uma vez desempregado. Quando montei este blog no ano passado, estava completamente fragilizado naquele momento. Havia tomado uma rasteira do destino e necessitava escrever e compartilhar minhas ideias com outras pessoas. A maior quantidade de pessoas possíveis.
On The Rocks veio ao mundo com o intuito de manter-me vivo e bem, muito bem.
Não me sinto um derrotado com a perda do meu emprego e nem estou fragilizado como no ano passado. Desespero, nem pensar. Se alguém perdeu alguma coisa, esse alguém foi a empresa e não eu. Fodam-se.
Fico pensando em novos rumos... Eu que nunca fiquei parado em canto algum. Vivo sempre procurando, buscando um jeito, uma forma, uma válvula de escape bem bacana pra viver nesse mundo cão.
Mundo este em que eu não pedi pra nascer.
...
Blog é uma coisa viciante. Após o resultado que me agradou bastante com o On The Rocks, resolvi montar a La Verga Del Buenas mostrando a minha veia marginal para escrever poemas eróticos.
Bem, agora estou montando um blog onde vou postar fotografias, pinturas, desenhos e charges, ou seja, será um blog visual. Poderia ser um fotolog, eu sei, mas não curto. Prefiro blog mesmo.
Minha dúvida cruel é quanto ao nome. Eis os prováveis nomes:
1. Fuck you;
2. Tarcísio que não é Meira;
3. Buenas Generation;
4. Deus só protege os bêbados e as crianças; este é o meu preferido
...
Estava lembrando de um momento mágico em minha vida, daqueles que você jamais esquece.
Aqui em Salvador existia antigamente uma loja de discos chamada D. Ratão que ficava localizada na Av. Carlos Gomes, centro da cidade. Roberto era o nome do dono e todo mundo o conhecia como D. Ratão.
Eu costumava aparecer lá nos fins de tarde quando saía do colégio Ypiranga para ficar ouvindo música e bater uns papos com ele e alguns clientes legais que costumavam frequentar sua ótima loja.
Neste dia, eu estava sozinho do lado de fora, pois ele estava conversando com um cliente em particular e eu não queria atrapalhar a conversa - a loja era pequena e se ficasse três pessoas do lado de dentro ficava apertado demais.
Bem, estava no meu cantinho quando de repente ouvi aquela voz fanha acompanhando uma batida no violão que eu nunca tinha escutado. Fiquei arrepiado naquele momento. A Voz e a batida em perfeita sincronia com a orquestração me fez sair da órbita e ficar divagando por uns instantes... Perguntei quem era e ele disse: João Gilberto.
Era o disco João Gilberto - o terceiro de sua carreira. Nem pensei duas vezes. Fui em casa e pedi uma grana a minha mãe, mas ela não tinha. Então, tomei um adiantamento no dia seguinte na Yakult, a primeira empresa em que eu trabalhei, e comprei o disco junto com o primeiro Chega de Saudade. Dias depois, foi a vez do maravilhoso O amor, o sorriso e a flor.
Me orgulho de ter os primeiros três discos do João em vinil. Verdadeiras raridades.
Minha filha Tassinha adorava dormir ao embalo do som do Joãozinho macoinha - o apelido de João Gilberto na época em que começou a tocar violão embaixo de um umbuzeiro em sua cidade natal, Juazeiro, Bahia.
Fico por aqui na certeza de voltar já com meu blog visual funcionando. Até a próxima.

domingo, 9 de agosto de 2009

Cinema Transcendental, Tia Anna e o Meu Primeiro Porre.

Meu primeiro porre foi aos dez anos de idade. Era sexta-feira da paixão e minha família estava reunida, como sempre, na casa de vovó Dai. Estavam todos presentes para um almoço familiar.
Eu bebia uma taça de vinho rosé, vagarosamente, quando o telefone tocou. Era tia Anna, que naquela época morava em Brasília.
Vi minha vó chorar ao telefone quando tia Anna disse a ela que havia almoçado um sanduíche.
Essa notícia pegou-me de surpresa. Todos os meus familiares bebendo e comendo do melhor e tia Anna comendo sanduíche! Fiquei perplexo.
Fui até a geladeira e coloquei mais vinho em minha taça. Repeti este ato várias vezes. Ninguém disse nada, então, quando dei por mim, já tinha bebido meia garrafa de vinho.
Percebi as coisas rodando como nunca havia sentido. Não conseguia andar direito e as pessoas riam quando perceberam que eu estava completamente embriagado.
Coincidentemente, o disco que estava tocando no momento da notícia era Cinema Transcendental do Caetano Veloso - que tia Anna havia comprado meses antes da viagem.
Foi o primeiro disco do Caetano que eu conheci, e é pra mim até hoje, seu melhor registro fonográfico.
Lua de São Jorge, a música de abertura, não me agradava muito, então costumava pular e colocar a seguinte faixa: Oração ao Tempo - onde o disco começa pra mim.
Fui até ao meu quarto. Deitei na cama e comecei a chorar e, em seguida, vomitar. Vomitei muito. No dia seguinte foi terrível. Minha cabeça doia e eu enjoava de tudo que se aproximava de mim.
Que sensação horrível!
Cinema Transcendental é um disco maravilhoso. Menino do Rio é uma canção sedutora e tia Anna adora.
Essa minha tia é diferente das outras. Pra mim é mais do que uma tia. Uma mãe, talvez. Algo espiritual muito forte nos une. Parceira de copos das boas, ela é simplesmente hilária e adora falar putaria.
Tia Anna é fã da La Verga Del Buenas, meu blog de poemas eróticos, que segundo ela, é de pornografia e das mais brabas.
Ela é foda.
Uma das canções que ela mais gosta chama-se Elegia. Esta foi escrita por Péricles Cavalcanti e Augusto de Campos baseando-se no poema do poeta inglês do século XVII, John Donne.
"Deixa que minha mão errante adentre/Atrás, na frente, em cima, embaixo, entre/Minha América, minha terra à vista/Reino de paz, se um homem só a conquista/Minha mina preciosa, meu imprério/Feliz de quem penetre o teu mistério... Todo prazer provem do corpo (como a alma sem corpo) sem vestes/Como encadernação vistosa, feita para iletrados, a mulher se enfeita/Mas ela é um livro místico e somente/A alguns a que tal graça se consente, é dado lê-la/Eu sou um que sabe".
Perfeita.
A versão pra Vampiro de Jorge Mautner é demais. O disco segue com a singela Trilhos Urbanos. Em Louco por Você, Caetano dá um show de lounge music com a maravilhosa A Outra Banda da Terra.
As outras canções - Beleza Pura, Cajuína, Aracaju e Os Meninos Dançam -, atestam ser este nosso álbum preferido, meu e de tia Anna.
Ontem assisti o documentário Coração Vagabundo. Suave e simplesmente hilário - por conta das histórias ditas pelo próprio Caetano -, este filme me fez relaxar bastante. É que os últimos dias têm sido tensos pra mim. Bem...
O primeiro sorriso da plateia vem de quando Tom, um de seus filhos, quando pequeno chegando a Nova York, disse:
"Aqui parece com Santo Amaro".
E o pai responde: "Mas é filho, é parecedíssimo".
Quase me mijo na cadeira do cinema de tanto rir. Ou de quando Caetano e sua equipe chegam a Tóquio e os policiais da imigração revistam sua bagagens e apalpam seus corpos.
"Pô, teve um cara que pegou no meu pau!"
Disse perplexo e sorrindo ao mesmo tempo.
"Ele não machucou. Mas é estranho... eu não conheço o cara".
O cinema veio abaixo.
Caetano é massa. On The Rocks é fã do cara.
Fico por aqui. Desejo aos paipais um belo dia. Até a próxima.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Memoirs at the End of the World.

Descobri a banda americana The Postmarks, dia desses navegando na Web. Memoirs at the End of the World é deste ano e difere um pouco dos anteriores The Postmarks (2007) e By the Numbers (2008), por ser mais calminho, e por isso mesmo, mais encantador. Amadurecimento, talvez seja a palavra certa para definir seu mais novo lançamento.
O que mais me encantou em seu som foi a doce e bela voz da menina Julia Lammerheim. Fiquei horas procurando informações sobre ela, e nada. Julia contempla nossos olhos pousando na capa do álbum Memoirs at the End... e nossos ouvidos com sua deliciosa voz. Passar o fim de semana ouvindo The Postmarks não vai ser nada mal.
Para conhecer melhor o som do The Postmarks, clique aqui: http://www.myspace.com/thepostmarks.
Quem quiser ser meu amigo no Orkut, é só procurar por Tarcísio Buenas, só existe um. Até a próxima.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Sol que a chuva apagou.


"Não se preocupe tanto, é apenas a morte. A morte que lhe aguarda a cada passo, de braços abertos, antenada. A paixão é para poucos, há anos eu sei. Árvores trêmulas, amores alheios que vamos fotografando pelo caminho. Meu irmão pôs Manic Street Preachers em volume quase máximo. Alguém diz que o ônibus tem cheiro de baú guardado. Deve estar acontecendo alguma coisa com a Lua, o Espírito do Mundo, os 09 planetas..."
Assim começa O Sol que a chuva apagou, o mais novo romance da escritora baiana Állex Leilla.
Em formato de envelope de cartas, este livro prima pela poesia que exala de suas páginas ao contar as vivências de alguns jovens pela estrada em turnê com sua banda. Sonhos, desilusões amorosas, companheirismo, preconceito, aquele desejo de firmar-se como ser humano e o saudosismo pela terra distante, contempla o leitor pela riqueza de sua escrita.
Conheci Állex a poucos dias atrás no lançamento do livro de João Filho na livraria Tom do Saber no Rio Vermelho. Fui na incumbência de pegar seu autógrafo pro meu amigo Nelsinho Magalhães. Lá, encontrei o escritor Lima Trindade e, aproveitando, agradeci por ele ter me presenteado com seu livro - em breve, falo sobre este.
Salvador está muito bem representada no quesito literário.
Lima Trindade, João Filho, Adelice Souza, Renata Belmonte, Pablo Sales e Állex Leilla, são alguns desses nomes - espero estar participando em breve deste seleto grupo de talentos.
O Sol que a chuva apagou você ler de uma sentada só. Não por ser um livro de poucas páginas, são quarenta e oito, mas pelo frescor poético que exala dela.
Várias músicas e bandas da mais alta qualidade são citadas ao longo do romance. Bob Dylan, Neil Young, The Byrds, Nick Cave, Pretenders, REM, Barão Vermelho e, claro, Legião Urbana.
O título foi extraído da belíssima música Giz, que está no álbum O Descobrimento do Brasil.
Para conhecer melhor o trabalho da Állex, clique aqui: http://www.allexleilla.blogspot.com/. Até a próxima.