quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Retrospectiva, Reflexões E Os Mehores Do Ano (2° Parte).


Este não foi um ano de grandes lançamentos musicais. Ao contrário do que imaginei quando soube de alguns lançamentos que estavam por vir e pensando no que havia sido lançado, poucos discos chamaram atenção do On the Rocks neste fatídico 2008.
Eis alguns destaques e observações:
Nick Cave and the Bad Seeds - Dig! Lazarus! Dig!. Mr. Cave em mais um discaço com os fiéis e ótimos Bad Seeds. Mesmo que um dia eles venham lançar um disco no mínimo bom, vão sempre estar por aqui.

Cat Power - Jukebox. Com este segundo álbum de covers a menina Chan Marshall ficou com o título de melhor cantora e mulher mais cool do ano, além de estar entre os primeiros como melhor álbum.
Tindersticks - The Hungry Saw. Esses não deixaram a peteca cair. Aliás, nunca deixam.
Raveonettes - Lust, Lust, Lust. Este foi lançado na Europa no final do ano passado e no restante do mundo no começo deste. Esta dupla de dinamarqueses estão cada vez melhores, com mais personalidade.
Elvis Costello and the Imposters - Momofuku. Homenagem de Costello ao criador do Miojo. Pegada rock e letras inspiradas.
Stephen Malkmus - Real Emotional Trash. Instrumental mais maduro e consistente. Nem sinto falta do Pavement!

Deerhunter - Microcastle. São de Atlanta e este é seu terceiro álbum e o primeiro lançado pelo selo 4AD. Guitarras mórbidas - às vezes não - vocais delicados, atmosfera indie... maravilha!

Bob Mould - District Line. Mould e seu power pop magistral.

Portishead - Third. A volta da banda de Beth Gibbons deve ser lembrado, assim como o The Verve com Fourth - muito bons por sinal.

R.E.M. - Accelerate. É sempre bom ouvir esses caras da Geórgia, inspirados então...

AC/DC - Black Ice. Rockão vigoroso como só eles sabem fazer.

The Kills - Midnight Boom. A música Hook and Line foi uma das mais tocadas pelo dj Buenas este ano.

Kings of Leon - Only By The Nigtht. Este talvez seja seu disco mais ousado. Muito bom.

Willie Nelson and Wynton Marsalis - Two Men With The Blues. Duas feras. Duas lendas. Prepare o drink e ouça.

Oasis, Barry Adamson, Mark Lanegan/Isobel Campbell, The Hold Steady, TV On The Radio e o American Music Club merecem ser lembrados por seus bons trabalhos.

Não escutei o novo do Mercury Rev, prova de que ninguém é perfeito.

Fleet Foxes - queridinhos lá fora - não bateu por aqui!

She and Him e Bon Iver também não.

Revelação - Glasvegas.

Cantor - Mr. Paul Weller.

Trilha Sonora - I'm Not There.
Show - Mudhoney no Pelourinho.

Músicas - Sex on fire do Kings of Leon e All things must pass do Jesus and Mary Chain.

Banda - Jesus and Mary Chain, é claro. Espero ansioso para que eles lancem logo um álbum de inéditas, pois a úlcera está atacada.


Entre os nacionais os destaques são:

Carlos Careqa - À Espera de Tom. Este foi um dos discos que mais ouvi este ano. Só versões de músicas do Tom Waits. Muito bom.

Wander Wildner - La Canción Inesperada. Meus amigos não gostaram muito, mas só em ouvir a voz embriagada do gaúcho, já me satisfaz.

Theatro de Séraphin - Ep. Primeiro lançamento desses baianos veteranos da cena local é, in my opinion, o destaque por essas plagas. Considero Arthur Ribeiro um dos maiores vocalistas de rock que esse país viu nascer. Toda a formação da banda é composta por cobras criadas e acho que os caras estão no caminho certo. Acho.

Sou do Marcelo Camelo é chato e Mallu Magalhães não jogou no meu time. Little Joy - banda/projeto de Amarante com Fabrizio Moretti (The Strokes) - se saíram melhor. São inevitáveis essas comparações.

Quero agradecer aos meus amigos que incentivaram e apoiaram o On The Rocks e a todos vocês, fiéis leitores, pelo carinho. Tenham todos um maravilhoso ano novo. Até a próxima.

(Jesus and Mary Chain em plena forma).

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Retrospectiva, Reflexões E Os Melhores Do Ano.

(Capa de Only by the night, novo álbum do Kings of Lion).
2008 foi um ano ingrato para mim. Passei por uma grande frustração no começo. Não me arrependi de nada que havia feito, mas fiquei muito sentido, triste e angustiado. Não fosse pelo acolhimento de alguns familiares e de todos meus amigos, não sei o que seria de mim. Resumindo o que aconteceu: fiz uma viagem para a Europa que não deu certo.
Quando retornei, viajei para o interior em busca de paz, novas idéias e força para continuar seguindo em frente sem baixar a cabeça prá nada. E foi aí que veio a idéia de construir um blog onde escreveria um pouco a meu respeito e sobre música e literatura, minhas paixões.
O On The Rocks veio ao mundo como uma espécie de terapia no mês de abril, que segundo Rilke, o pior dos meses, o mais terrível.
Aqui fui me desabafando e mostrando as pessoas que nunca havia visto relatos sinceros e fatos marcantes de minha vida. Logo fui conquistando novos amigos e admiradores(as), aos quais chamo-os carinhosamente de meus terapeutas.
Tive alguns momentos de prazer ao longo do ano... mas o final tem sido de solidão e angústias. Acontece sempre nesta data do ano, mas dessa vez veio mais forte e tenho sentido muito. Como se não bastasse, meus filhos não estão comigo. Estão de férias há muitos quilômetros de mim. E isso dói. Dói muito.
Meu irmão está na sala assistindo Cê, o dvd do Caetano Veloso, e neste exato momento ouço versos de London, London que diz: "I'm lonely in London, London is lovely so..."
Que ironia meu Deus!
Pausa.
Aqui descobri blogs cheios de vida e coisas boas para passar. Belos poemas, escritores(as) que merecem um lugar ao sol, escritos de gente com talento surpreendentes.
Pensei em fazer uma lista com os melhores blogs do ano. Desisti agora! Penso que posso desagradar algum de vocês que foram tão carinhosos comigo neste ingrato 2008.
Mas seria uma ingratidão comigo mesmo não destacar o blog Vaga-Lumens como o meu xodó do ano. A poesia de Ca: mila - é assim que ela assina - bateu em mim. Sua escrita, um misto da literatura beatnick com o que há de melhor dos simbolistas franceses, me surpreendeu. Ca: mila é jovem e talentosa. Uma pessoa que tenho com muito carinho.
Para conhecer o Vaga-Lumens, clique aqui: http://www.vaga-lumens.blogspot.com/
Ouça abaixo a música que destaco como a melhor do ano. Chama-se Sex on fire e é do grupo americano Kings of Lion. Ouço-a toda hora. Sex on fire é o tipo de música que me joga prá cima, coisa que estou precisando no momento. Continua no próximo post que será publicado no último dia do ano.
Prá você que acabou de chegar por aqui, este K7 com Sex on Fire foi excluído, pois o site Mixwit não existe mais. Sorry.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A Arte De Nelson Magalhães Filho.

Para ler ao som de Sad eyed lady of the lowlands (Bob Dylan).
(Feridas 2, acrílica s/ tela, 70x50cm. 2008)

Estive na comemoração dos 131 anos da Escola de Belas Artes da UFBA dia desses em companhia do meu amigo e artista plástico Nelsinho Magalhães, que estava expondo com outros professores/artistas da instituição e o texto que está no catálogo apresentando sua arte, chamou-me atenção. Eis aqui:
"Realizar trabalhos de arte, à base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acredito na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita, e ao mesmo tempo, infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas, não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou a um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro".
Verdadeiros versos de um artista talentoso, inquieto, romântico e rebelde por natureza. Uma espécie de autobiografia de bolso. Um relato áspero como um soco no estômago.
Feliz de mim que tenho a companhia desse cara nos momentos inspirados e de angústias também. Toda minha formação literária começou no ateliê dele. Foi lá que comecei a ler Rimbaud, Cortázar, Allan Poe, Dostóievski, Kafka, Caio Fernando, Nelson Rodrigues, Ana Cristina César, Baudelaire, John Fante, Walt Whitman, Kerouac e toda literatura beatnick, Maiacóvski, Fernando Pessoa, João Cabral, Bukowski, Beckett, Verlaine, Florbella Espanca, Clarice Lispector, Pablo Neruda e o maior de todos: Henry Miller, meu santo protetor.
Lembro-me uma vez ouvindo Tom Waits e bebendo umas cervas em seu ateliê, ele levantou-se e pegou três livros na estante, sentou-se e disse: "Você nunca mais vai ser o mesmo depois de ler estes livros". Foram eles: uma biografia de Henry Miller com passagens retiradas de seus romances; O ovo apunhalado de Caio Fernando e Betty Blue, esqueci o nome do autor agora.
Dito e feito. Nunca mais fui o mesmo! Henry Miller fez minha cabeça. Me fez pensar em tudo que estava em minha volta. Era bom ou ruim? Era uma merda. As companhias, o estilo de vida das pessoas e a minha também, os sorrisos ordinários preparados para te foder a qualquer momento. Distanciei-me cada vez mais das pessoas e de tudo. Queria era ficar em meu canto sossegado. Aliás, até hoje é assim: onde tiver um cantinho sem ninguém por perto, estarei por lá. Tornei-me cada vez menos sociável, mas sempre educado e sem perder a elegância, é claro. Ou come diria os Buenas Nelsinho e Luciano Fraga:"Mantendo a linhagem".
Conheci o cara ali por volta de 1989 na casa da cultura Galeno D'avelírio. Era um sábado de manhã, entrei com Fabrício e prá minha surpresa ouvi a introduçao de Hurricane de Bob Dylan. Então perguntei a Fabrício quem era que estava tocando. Ele respondeu:"Deve ser Nelsinho". Era o próprio. Estava no escritório/biblioteca que ficava ao lado do bar Delírio tocando violão. Começamos a conversar e ele me perguntou se gostava de Dylan!
"Adoro!", respondi
Pronto. Descobri que ele tinha o primeiro LP do Echo and The Bunnymen e que gostava dos Smiths. Logo, logo estava frequentando sua casa. Eu devia ser bem chato. Ia direto pedir livros e discos emprestado. Batia na porta e dizia:"Nelsinho, me empreste um livro".
Tempos depois lembrei que ele havia sido meu professor de artes na sexta série. Mas ele não lembra até hoje.
Quase vinte anos depois continuamos amigos, de vez em quando, acontece umas briguinhas, mas nada demais. Na verdade, é só mais um motivo para um brinde no bar de Turíbio - o melhor bar do recôncavo baiano -, é de lá que sai boa parte de nossas idéias mirabolantes.
Um livro que marcou muito nossa amizade foi Pergunte ao Pó de John Fante. Descobri em seu ateliê depois de uma noitada em Turíbio em meio ao pó e as fumaças da estrada.
Ah, os meus poemas não são publicados antes o crivo desse cara. Toda vez ele diz:
"Não mexa em nada".
"Será?", digo
"Publica logo esta porra!", ele brada
Nelsinho é o segundo amigo que homenageio aqui. Outros virão. Preparei ontem à noite um k7 para vocês ouvirem na semana do natal, mas para minha surpresa, não pude fazer a postagem no blog, pois está suspenso até o final do ano. Vocês podem procurar aqui mesmo o último k7 que fiz, aí é só clicar em my page que está logo abaixo da fitinha.
Tem poema novo no La Verga: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/. E, para quem quiser conhecer melhor a arte de Nelsinho, é só clicar: http://www.anjobaldio.blogspot.com/. Até a próxima.
(Feridas 1, acrílica, s/tela, 70x50cm. 2008)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Galeria.


O Galeria deste mês homenageia a célebre Blue Note Records, a mais conceituada e respeitada gravadora de Jazz do planeta.

Fundada pelo alemão Alfred Lion nos Estados Unidos em 1939, de fama "Cool", suas capas devem muito ao talento do designer Reid Miles, seu braço direito.



A fama da Blue Note deve-se muito mais à arte do que à música. Edson Rui, meu amigo e colecionador de discos, uma vez proferiu: "Os discos da Blue Note a gente compra pela capa!"


O Cast da gravadora nunca foi repleto de artistas conhecido do grande público, mas muito admirado pelos seus colecionadores e amantes do Jazz em geral.


O extraordinário saxofonista John Coltrane sempre sonhou em gravar um álbum pelo selo e, reza a lenda, por pouco não conseguiu sua façanha. No dia em que fora conhecer os donos do selo para fechar negócio, o gato que vivia no escritório da gravadora fugiu pela janela. A reunião teve que ser cancelada, por sorte dos admiradores do selo e de Coltrane - ao qual faço parte - uma segunda reunião fora marcada e tudo deu certo. Resultado: o magnífico Blue Train (1957).


Não foram poucos os artistas que gravaram por lá. Consta em seu Cast os maravilhosos: Stanley Turrentine, Hank Mobley, Grant Green, Coltrane, Horace Silver, Lee Morgan, Miles Davis, Lou Donaldson, Sonny Clark, Jimmy Smith, Sonny Rollins e tantos outros.

Preparei este post para os olhos, espero que tenham gostado. Ah, e não esqueçam de visitar o meu blog de poemas: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/. Até mais.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Uma Tarde Memorável.

(Capa do segundo álbum do Led Zeppelin - nosso preferido).

Costumava ouvir música com meu amigo Fabrício Silva nas tardes de segunda a sexta-feira. Éramos fominha. Na radiola 3 em 1 de marca National de tia Fau, curtíamos muito rock pesado: Black Sabbath, Led Zeppelin, AC/DC, Jimi Hendrix...
Meus avós saíam durante a tarde. Vovô Zé-do-Alho costumava jogar cartas com seus amigos e vovó Dai fazia o mesmo com suas filhas casadas. Meu irmão ficava em casa, mas ele não se incomodava com o som alto.
Os velhinhos chegavam no final da tarde. A gente já sabia, então ficávamos atentos olhando pela veneziana da janela da sala da frente. Eles não suportavam som alto.
Um belo dia, vovô Zé chegou antes do horário de costume. Ouvíamos Let There Be Rock do AC/DC e Fabrício me avisou que tinha alguém batendo na porta.
"Não é ninguém", eu disse
Quando para nossa surpresa adentra meu avô gritando irado: "Abaixa esta porcaria sô, faz-se de besta!"
Foi um choque para nós dois. Abaixei imediatamente o som e quando procurei Fabrício, o nego já tinha 'abrido o gás'!
Fiquei sozinho ouvindo os berros do meu avô.
Tínhamos doze ou treze anos. Era divertido nossas reuniões. Boa parte da mesada era gasta com revistas especializadas em música. Conhecíamos todos os programas de video-clipes e das rádios locais.
Respirávamos música rock o tempo todo!
Nunca esqueci aquele dia em que ele chegou em minha casa com uma revista sobre Heavy Metal. Estava com um especial da Bizz com Bruce Dickinson na capa.
Era uma tarde de sábado e o tempo estava nublado...
Chegou com a revista dentro da bermuda para fazer uma surpresa. E que surpresa!
Neste mesmo dia, Fabrício desenhou a capa do Made in Japan do Iron Maiden em minha frente!
"Man, você é foda!", eu disse
E ele com um sorriso faceiro, disse: "Porra nenhuma".
Anos depois entraria para a escola de Belas Artes da UFBA. Ponto para a instituição.
Não posso conter as lágrimas neste momento ouvindo o 'Zeppelin de Chumbo'.
Alguém disse uma vez que o On The Rocks é nostálgico. Ok, e daí?
Escrevo sobre gente que deixou marcas indeléveis em minha vida.
Seja amigos ou ídolos. Ídolos ou amigos?
Já perdi as contas de quando acordava aos sábados e colocava o primeiro disco do Zeppelin para tocar enquanto escovava os dentes.
Ficava ali na morosidade escutando Robert Plant: "Baby, baby, baby i'm gonna leave you..."
Depois enfrentava uma mesa farta... vovó Dai dizia: "Tá, você prefere café ou vitamina?"
Tenho orgulho em dizer essas coisas. Sim, fui criado com vó.
Toda vez que recordo esses momentos, Fabrício e eu damos boas risadas.
Ele costuma dizer: "Eu pulei a janela e você não viu. Minhas pernas tremiam o tempo todo, só parou de tremer quando cheguei em casa."
Sr. Edgar, um antigo vizinho aqui em Salvador, disse-me uma vez: "Meu filho, a gente só leva da vida a vida que a gente leva".
Memorável.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Obra-Prima.

(Horses. Foto by Robert Mapplethorpe).
Meu primeiro contato com a cantora, poetisa e jornalista Patti Smith, foi no longínquo anos oitenta, quando, lendo a revista Bizz, ao qual tinha o maior carinho, deparei-me com Horses (1975) na seção Discoteca Básica. O que me chamou atenção foi a foto da capa com Ms. Smith transmitindo um ar de intelectual/marginal. Fiquei sabendo de suas influências lendo a matéria e pesquisando sua obra dias depois. Patti é fascinada por Rimbaud e Baudelaire. Allen Ginsberg e Bob Dylan. Igual a mim.
Horses, seu primeiro álbum, foi concebido em meados dos anos setenta, época em que ela recitava seus poemas na igreja de St. Mark, no Bowery, em companhia do guitarrista Lenny Kaye, colega de jornalismo musical, e de seu namorado - o fotógrafo Robert Mapplethorpe.
Começou sua carreira profissional escrevendo para a Rolling Stone e a Creem, época em que esta era comandada pelo crítico Lester Bangs, já homenageado aqui. Quero aproveitar o momento para comunicar a todos que o On The Rocks existe pela influência de duas pessoas: Lester e o músico e jornalista, um dos fundadores da revista Bizz, Celso Pucci.
Então, antes mesmo das gravações de Horses, Patti já havia lançado vários livros de poesia, entre eles o Witt, que chegou em minhas mãos meses depois à minha grande descoberta.
Patrícia seria o nome de minha filha caso não tivesse pirado meses antes pela Marianne Faithfull, minha musa inspiradora. Patti Smith e Jane Birkin vêm depois.
Horses começa com Patti declamando um de seus poemas ao som do piano de Richard Sohl: "Jesus morreu pelos pecados de outras pessoas, pelos meus não... espessa, pedra quente - meu pecado é só meu, eles pertencem a mim", e arremete com Gloria do Van Morrison.
Ao som da guitarra de Kaye o ouvinte pode notar claramente a fúria punk correndo solta pelas ruas da Big Apple. Punk com poesia sublime. Era tudo que precisava naquele momento em minha vida.
Horses passou a ser minha trilha sonora quando lia Rimbaud e Allen Ginsberg.
O álbum é intenso do começo ao fim. Cru. Excêntrico. Junky. Desbocado.Comecei a ouvir um pouco de reggae depois de ouvir Redondo Beach, a segunda faixa. Um reggae movido a ácidos e anfetaminas, e um pouco de maconha.
Os ruídos de guitarra de Kaye sufocam o poema denso e arrastado de Birdland.
Break up é uma das mais belas. Impossível não se emocionar com os gritos extasiantes da maior poetisa do rock n'roll, nascida em Chicago e criada em Nova Jersey.
Participam do disco e de sua vida artística até hoje, os fiéis e ótimos músicos: os já citados Lenny Kaye e Richard Sohl (1948-1990) -, Ivan Krall (baixo) e Jay Dee Daugherty (bateria).
Sob a produção de John Cale - ex-Velvet Underground - que já havia produzido o primeiro disco de Nico, Chelsea Girl (1967), Patti disse à época: "Tudo o que estava procurando era alguém que entendesse o lado técnico das coisas. Acabei com um artista totalmente maníaco".
Horses mexeu comigo. E muito. Passava os dias lendo Witt e ouvindo aquele disco maravilhoso sentado no sofá e, ora lendo, ora admirando sua brilhante capa, pensava: "Que mulher é essa?!"
Ficava sem jeito para comunicar ao meus amigos a minha descoberta, eles não iam gostar devido a crueza sonora e sua poesia impactante.
Patti dá continuidade artística ao excelente trabalho desenvolvido pelo Velvet Underground nos idos de 1966/1967 quando estes sacudiram a Big Apple em companhia do artista plástico Andy Warhol e seu espetáculo multi-mídia Up-Tight, mas essa é outra história. Mantenha-se vivo.

(Foto que está em Witt,1973. By R.M.).

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A NAVE Traz Bonnie 'Prince' Billy Para Salvador.

(Cartaz by Silvis).
A NAVE - a festa mais badalada da cidade - existe há três anos, sempre proporcionando aos seus fiéis freqüentadores um cast com os melhores Dj's daqui e de várias partes do país. Não foram poucos os convidados que botaram fogo na pista mais insana da noite soteropolitana: Carlos Eduardo Miranda, Lúcio Ribeiro, Rodrigo Lariú e este ser que vos escreve, é claro, foram alguns destes Dj's.
Pela primeira vez, os produtores da NAVE Jan Balanco e Luciano Matos, trazem uma atração internacional. Desta vez o projeto/banda Bonnie 'Prince' Billy, um dos precursores do movimento que convencionou-se a chamar de alt-country.
Wil Oldham, o cara que está por trás deste projeto, lançou seu primeiro disco em 1993 e já usou vários pseudônimos, como: Palace Brothers, Palace Music, Palace Song, Palace e até o próprio nome, em "Joya" (1997).
Muito respeitado no cenário alternativo americano, Oldham desenvolveu um estilo bastante influenciado por Leonard Cohen, Velvet Underground e Bob Dylan.
De atmosfera intimista, suas canções ora flertam com o lúgubre ora com o cômico.
Abrindo a noite se apresentam o duo Dois em Um, novo projeto de Luisão Pereira - ex-Penélope - e a violoncelista Fernanda Monteiro.
On The Rocks agradece aos deuses pelo trabalho dos competentes e antenados Jan Balanco e Luciano Matos pela nova empreitada, na certeza de um dia, quem sabe, estar na primeira fila de um show do Stephen Malkmus em mais uma festa NAVE. Sonhar não faz mal a ninguém. Até mais.

sábado, 22 de novembro de 2008

O Caçador Das Bolachas Perdidas.

Por Michele Prado.
(Johnny Hartman, um dos maiores cantores do mundo na opinião do On The Rocks , Michele e Jorge 'Cravinho' Cravo).
Viver entre discos sempre me proporcionou muitas alegrias. Sem dúvida uma das maiores foi quando certo dia, uma figura pequena, que parecia extremamente frágil ao menor toque, apareceu na loja me procurando. Primeiro pensei se tratar de algum cliente, mas quando dei as costas por um momento, percebi que seus olhos miravam abaixo a linha do equador e pensei: "Que velhinho safado!". Foi então que ele se apresentou : "É você a menina que gosta de jazz? Meu nome é Jorge Cravo e trouxe uns presentes pra você".

Assim, sem mais nem menos, ele me presenteou com dois livros de suas lembraças e uma trilha sonora especialmente escolhida para minha leitura: 'Mais Lembranças' e ' O Caçador das Bolachas Perdidas'.

Todos que gostam de música, discos e dos detalhes da vida que nos passam despercebidos, podem se deliciar com estes livros. Contando suas peripécias, desde os anos 30, esta figura magnífica nos presenteia com risos e lágrimas: sua amizade com Johnny Hartman, o 'foda-se' que ouviu de Sarah Vaughan ao acordá-la muito cedo, correspondências trocadas com Billie Holiday e o velho amigo de infância, estranhíssimo segundo sua mãe, João Gilberto, que lhe mostrou em primeira mão algumas músicas que iriam revolucionar para sempre a música brasileira. Relembra seus calos nas pontas dos dedos, de tanto catar discos nas lojas do mundo e a maratona com suas roupas especiais para escondê-los de sua esposa ao voltar para o hotel. Todo seu amor pela música está lá.

Ainda hoje recebe seus amigos em seu apartamento para maldizerem as gravadoras, relembrarem as gravações maravilhosas perdidas ou não regravadas e a mediocridade musical generalizada.

Cravinho é de um tempo que disco era cultura e não arquivo. Eu também. Talvez por isso nossa diferença de idade de 50 anos não foi obstáculo para nos aproximarmos.

Obrigada Cravinho. O mundo é melhor com você.


Quero aproveitar para divulgar meu novo blog: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/, onde vou publicar meus poemas e de meus amigos. Até mais.

domingo, 16 de novembro de 2008

Poema de fim de tarde de um dia ensolarado.

Dedico este poema a blue angel.



Para ler ao som de Nick Cave - Into my arms.

penso nela todos os dias
fico pensando em sua visita
imaginando coisas prováveis de acontecer...
tenho medo de machucar a mim e a você,
então penso somente nas coisas boas
aquelas trocas de idéias pela calçada à beira mar
em um fim de tarde de um dia ensolarado
não gosto do sol!
desta vez não percebi seu brilho batendo em minha testa
sem filtro solar
nada parecia incomodar-me naquele momento
nem aquele idiota dando-me a notícia que meu time
havia perdido de goleada para o time da mulher dele
você parece tão leve
foi me conquistando aos poucos...
disse-me que havia saído do estágio
respirei fundo e perguntei: "então você vem mesmo?"
"não sei ainda", ela disse
fico imaginando de novo sua vinda...
bebendo sua bebida quente preferida
- para acalorar a alma e distrair o frio -
enquanto ela anda pela rua estrela solitária
à procura de cigarros
em botequins fétidos de um bairro cercado de
vizinhos velhos e ranzinzas
apresso os passos e chego há tempo
sua caipirinha está pronta
ela parece sentir-se bem com minha presença
- mazzy star vem na contra-mão com a bela
hope sandoval sussurrando bem baixinho seus
melancólicos versos de amor -
disse-me que não é fotogênica
com um rostinho tão lindo, como não?
sobrancelhas carregadas
lábios doces e delicados
revelou-me não ter paixões
"aliás, sim
sim"
parecia com medo de revelar-me algo
quero publicar seu nome
"não,
por enquanto
prefiro ficar no anonimato"
adorei o "por enquanto".

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Efraim Medina Reyes, O Melhor Escritor Da Atualidade.


Considero o escritor colombiano Efraim Medina Reyes o melhor da atualidade. Conheci sua obra há uns dois anos atrás através do meu amigo Nelsinho Magalhães, este, como sempre, dando grandes dicas literárias.
Os sonhos do Efraim é montar a empresa Fracasso Ltda , cujo lema reza: "Onde for necessário um fracasso, lá estaremos", e montar uma dupla de ataque com Romário e Maradona.
Bem, sobre este, acho difícil.
Mas difícil mesmo é não seduzir-se com sua narração irreverente, hilária, ousada e crua.
Comecei com Era uma vez o amor, mas tive que matá-lo. Poema em prosa em que conta a vida do personagem Rep, seu alter-ego.
Em meio a confusões, relacionamentos mal resolvidos - perambula pelas estradas em busca de seu grande amor - e falta de dinheiro, Rep vai levando uma vida ordinária em uma cidade latino-americana descrita por ele mesmo como: "Pequena, bonita e hedionda".

Impressionou-me as histórias com imagens surreais. Ora sobre o relacionamento de amor e ódio envolvendo Sid e Nancy, ora por criar uma narração fictícia sobre o suicídio de Kurt Cobain. O cara convence qualquer coisa que escreve.

Li Era uma vez o amor... duas vezes. Agora estou lendo Técnicas de masturbação entre Batman e Robin (Poema supercool baseado na técnica do dedo polegar, introduzida na América por Bruce Lee, Ciro Díaz, Bruno Mazoldi e The Velvet Underground).

O livro tem passagens assim: "Dia e noite deixamos sonhos de amor, nossas loucuras e ilusões diante da tevê enquanto acumulamos desleixo, gordura e remorsos".

"Quando entrei esta noite no meu quarto e encontrei você nua suspeitei que poderia estar tramando alguma coisa e pensei em dissuadi-la... O cheiro do seu corpo me pareceu familiar... Tremia como cachorro magro em dia chuvoso. A sensação que tive ao afundar em você foi que uma força me arrastava para o vazio onde havia pavorosas criaturas... Suponho que Janis tinha a alma podre porque nem os anjos podem cantar assim".

"Acredito na poesia, sei que essa lucidez bem usada nos faz mais intensos".

"Todo artista traz dentro o deus morte que mata".

"A sexualidade do homem é plana, basta-lhe esfregar-se um pouco. O sexo da mulher é um labirinto e ela está perdida dentro dele. Ela enfia seu sexo na mente do homem para refletir ali, mas o homem enlouquece ou foge. Se o homem tenta encontrar a mulher no labirinto, será presa fácil do minotauro".

Foi lendo Efraim que comecei a escrever poemas. Se presta para alguma coisa, não sei, só sei que tenho dedicado boa parte do meu tempo a eles. Tem valido esse tempo.

Tem um quase pronto, escrito, especialmente, para uma mulher. Assim que terminá-lo prometo publicar aqui para vocês.

Não deixem de ler o Efraim.

"Vou viver até onde for possível e se a coisa ficar difícil eu me suicido".

Até o próximo post.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Paul Weller Na Uncut.


A Uncut magazine deste mês traz Mr. Paul Weller estampado na capa. O ex-cantor e compositor do The Jam, uma das bandas mais importantes surgida na Inglaterra nos anos setenta, incorporando o movimento mod, que teve como precursor o The Who nos anos sessenta, fala de seu mais novo álbum, 22 Dreams, lançado recentemente no Brasil, além de fazer uma retrospectiva de sua carreira solo e com o The Jam.
A Uncut traz ainda uma entrevista com Leonard Cohen, saciando a curiosidade de um séquito de fãs do velho bardo canadense. Matérias com New Order, Flaming Lips, Fleetwood Mac e resenhas com Joy Division, Nick Cave, entre outros. Acompanha um CD.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Minhas Doces Angelas.


Tenho uma grande admiração pelas cantoras Angela Maria e Angela Ro Ro. Estas doces Angelas são as cantoras que mais tocam-me quando as escuto. Conheci ambas em minha adolescência. Maria, através de vovô Zé, e Ro Ro, bem... não lembro, talvez do rádio.
Vovô Zé tinha o costume de ouvir Angela Maria quando chegava da rua para almoçar, então antes ele bebia uma pinga e ficava na sala escutando bem alto sua cantora preferida enquanto vovó Dai preparava o almoço.
Soava estranho aos meus ouvidos a voz e a orquestração que envolvia aquela música vista por mim e meu irmão como 'música de velho'.
Na época, só ouvia rock n'roll e alguns, poucos, artistas de MPB nas reuniões familiares por conta de minha mãe e tias que adoravam Roberto Carlos, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa.
Torcia o nariz e ficava torcendo para vovó Dai preparar logo o almoço para vovô Zé desligar a vitrola e almoçarmos em paz.
E ainda tinha Nelson Gonçalves e Altemar Dutra aos domingos.
Com o passar do tempo, depois da morte dos meus avós, já na fase adulta, passei a dar mais atenção para essa cantora que outrora achava cafona e chata.
Foi quando lembrei que ainda tinha um LP da Angela na casa que era dos meus avós, o único, pois os outros meu padrinho havia pego para sua coleção.
Era uma coletânea que começava com Tango prá Tereza, e quando consegui pegá-lo e levar para minha casa, foi só emoção.
Nos primeiros acordes, parecia que estava vivendo aqueles tempos maravilhosos que, infelizmente, não pude aproveitar melhor devido ao meu preconceito.
Meu Deus, por que não sentei com vovô Zé na poltrona da sala e conversei com ele sobre essa grande cantora que canta com voz límpida, beleza e emoção?
Ele, provavelmente, recordaria algum momento marcante de sua vida ao som da Angela. Daríamos boas risadas, ou quem sabe, choraríamos juntos. Preconceito dá nisso!
"Hoje, alguém pois a rodar, um disco de Gardel, no apartamento junto ao meu, que tristeza me deu, era todo um passado lindo, a mocidade vindo na parede me dizer, para eu sofrer..."
Chorei quando pus o disco para tocar. Quando dei por mim, minha mãe estava chorando também. Viramos o lado do disco várias vezes...
Cada canção fazia lembrar-me de um momento diferente.
O cheiro da comida... aquele cheirinho de cachaça... o suor do meu irmão jogando bola na varanda...
Que voz linda!
Já Angela Ro Ro, lembro de Caio Fernando Abreu indicando em um de seus livros de contos, para o leitor lê-lo ouvindo esta cantora que é a minha favorita no Brasil.
Seu primeiro disco é um dos melhores gravado em nosso país por uma artista brasileira.
Poesia marginal, romântica, depressiva, rocker... de instrumental riquíssimo, voz apaixonante, Ro Ro influenciou uma geração de artistas no fim dos anos setenta, um deles foi Cazuza, que disse uma vez: "Quero ser a Angela Ro Ro do rock". E foi.
O único problema em ouvir Ro Ro, talvez, seja o de querer beber várias cervas e não querer parar mais, se é que isso seja um problema.
"Eu vivo a vida a vida inteira
A descobrir o que é o amor
Leve pulsar do sol a me queimar..."
Doce Angela. Para muitos, mais uma porra-louca e alcoólatra. Para mim, não.
Ouço sempre.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Quatro Discos Para Este Fim De Semana.

Tindersticks - The Hungry Saw. A banda de Stuart Staples, vocal e letrista dos Tindersticks, banda de Nottingham, Inglaterra, volta em grande forma com o sétimo álbum de carreira, que, in my opinion, está entre os três melhores trabalhos desde que começaram nos longínquos anos noventa.
O som do Tindersticks é para ser ouvido com muita atenção e sem pressa. Com vocal soturno, casando perfeitamente com um som denso e atmosférico, a banda de Staples encontra algum parentesco quando comparado ao mestre da cavernas, o australiano Nick Cave, um dos preferidos do On The Rocks.
The hungry saw foi lançado no primeiro semestre deste ano, mas nunca é tarde para indicar mais um belo álbum destes craques da melancolia.


Glasvegas. Este é o primeiro e homônimo álbum dos escoceses do Glasvegas. Surgiram em 2001, ao longo destes anos, lançaram seis compactos após serem descobertos por Alan McGhee - fundador do selo Creation Records - lendário por lançar bandas importantes do rock britânico, como: Jesus and Mary Chain, My Bloody Valentine e Oasis.
No som do Glasvegas, que vem despertando a curiosidade da crítica britânica, há um misto de Phil Spector, The Clash e a urgência punk surgido no final dos anos setenta, e a microfonia dos Reid Bros.
Uma grata surpresa! Quero agradecer ao meu amigo Tinho Safira pela apresentação destes caras que vão dar muito o que falar. Só falta agora marcarmos um encontro etílico ao som do Glasvegas.


Taken By Trees - Open Field (2007). O único não lançamento deste pacote, é o mais novo projeto da menina Victoria Bergsman, que deu um tempo com os Concretes, sua banda formada na Suécia há alguns anos atrás.
Victoria encantou-me com sua voz doce e delicada, há uns dias atrás quando estava pesquisando na web. Deparei-me com a capa do seu único álbum que me chamou atenção.
De instrumental simples e bem acabado, poderia ter entrado em minha lista de melhores de 2007 caso tivesse ouvido na época.
Victoria já colaborou com seus conterrâneos do Peter, Björn and John. Foi Björn que produziu suas primeiras demo tapes.

Oasis - Dig Out Your Soul. Este é o mais novo petardo dos irmãos Gallagher, que, juro, pensei que não fossem fazer nada de bom depois do resultado do anterior Don't believe the truth (2005), um álbum morno que deixou muito a desejar, não lembrando nem um pouco clássicos do passado, como: Definitely maybe (1994) e (What's the story) morning glory? (1996).
Engraçado é que comecei a gostar de Don't believe... depois que ouvi Dig out your soul, que parece continuação do disco anterior, só que melhorado.
Maduro e inspirados, os caras de Manchester, Inglaterra, seguem rumo ao pódio dos maiores do rock na certeza de ficarem entre os primeiros. Até mais.

sábado, 25 de outubro de 2008

Pobre Imprensa Rica.

(... Das Barrancas do Rio Gavião (1973), primeiro disco de Elomar).

A edição brasileira da revista Rolling Stone publicou no ano passado uma lista com os cem melhores discos da música brasileira, entre diversos estilos - MPB, samba, rock, pop, rap -, o segundo álbum dos Novos Baianos, Acabou chorare (1972), foi eleito em primeiro lugar. Houve excessos e descaso no critério de seleção dos álbuns, como por exemplo, vários títulos de um único artista.
Elomar Figueira Mello não teve nenhum álbum mencionado. Cantor, músico, poeta e arquiteto, nasceu na cidade de Vitória da Conquista-Ba.
De formação erudita, apesar de cantar canções populares de cunho social e romântico, Elomar canta entre outros temas as vicissitudes do homem, a vida como terrível ofício e a falta de esperanças do povo "sertanezo".
Em seus versos riquíssimos de poesia com características ancestrais, como na música "O rapto de Juana do Tarugo": "Ó senhora dos Sarsais, minha alma só teme ao Rei dos reis, Deixa a alcôva vem-me à janela, Ó senhora dos Sarsais, Só por vosso amor e nada mais, Desça da torre Naíla donzela...". Em outros momentos, problemas atuais falam mais alto como em Campo Branco: "Campo Branco minhas penas, Que pena secô, Todo bem qui nóis tinha, Era a chuva era o amô, Num tem nada não, Nóis dois vai penando assim, Campo lindo ai qui tempo ruim, Tu sem chuva e a tristeza em mim".
Hoje, dezenas de pessoas morrem por estes motivos em diversas cidades do norte/nordeste, principalmente as crianças. A falta de chuvas constantes tornando as terras impróprias para o plantio e o descaso das autoridades - competentes (?) - dificultam a sobrevivência deste povo tão sofrido.
Não vejo nos jornais diários, principalmente do sul do país que ditam as informações comumente postas em nossos veículos de comunicação, notícias sobre estes fatos. Mas vejo como massificam a questão da violência urbana. Pessoas inocentes morrem diariamente por "bala perdida", sequestros seguido de morte, assaltos à mão-armada... Enfim, assuntos corriqueiros do nosso dia-a-dia.
E por que eles não noticiam as mortes de dezenas de pessoas do norte/nordeste do país vítimas de subnutrição e descaso das autoridades?
A banda de rap Racionais MC's contextuam a questão da violência urbana e são chamados de gênios - não sei quem foi o imbecil que deu-lhes este título -, e entram na lista da Rolling Stone com dois álbuns: Sobrevivendo no inferno (1998) e Nada como um dia após o outro (2002).
E Elomar, poeticamente e musicalmente mais rico do que os rappers, por que não teve nenhum álbum mencionado?
A omissão de alguns fatos reais e desprezo com algum dos nossos principais artistas, por parte da imprensa, é sinceramente uma das coisas que mais incomodam o On The Rocks.