sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Dica Para Este Fim De Semana.


Bob Mould - District Line ( 2008 ) - O sétimo disco de carreira solo de Mr. Mould é disparado um dos melhores lançamentos deste ano. Indico, caro leitor, para você desfrutar do melhor power-rock como nos velhos tempos em que Mr. Mould esteve à frente do seminal Hüsker Du, banda em que ele montou nos anos 80 e, em seguida, já no começo dos 90, o Sugar.

Prefiro ouvi-lo solo. Gosto do mix power com baladas certeiras.

Já fui contestado, por amigos, quando afirmei que os Pixies foram influenciados pelo Hüsker Du através de seu som vigoroso. Enxergo semelhanças entre estas bandas. Ouso dizer que está no Hüsker Du as raízes da banda de Frank Black.

Disseram-me: "Pixies não parece com nada".

"Tá, tudo bem. Vamos continuar bebendo que é melhor", eu disse.

Acho divertido esse tipo de discussão em mesa de bar. Sempre acaba bem, ao menos entre meus amigos.

Melhor assim.

Ouça The silence between us e Stupid now bem alto!

Compre District Line e torne o ano de 2008 menos ordinário. Assim tem sido prá mim. Até mais.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

On The Rocks Recomenda.

"Como outras companhias seletas de mortais, os músicos de jazz têm sua própria demonologia. Talvez os espíritos mais malignos sejam os críticos, seguidos de perto por quase todos os empresários e a maioria dos funcionários de gravadoras. Mas um círculo especial nesse inferno é reservado aos donos de boate. Os críticos são imbatíveis em sua ignorância; os empresários são mentirosos incuráveis e os executivos das gravadoras nunca mostram números verdadeiros. Mas os donos de boate, assim reza a lenda, possuem todas essas características perniciosas e, de quebra, não possuem o menor interesse pela música".

Introdução assinado por Nat Hentoff.
Assim começa o livro Ao Vivo No Village Vanguard (Cosac Naify,2006), de Max Gordon, sobre o fascinante mundo do jazz e da folk music norte-americana.
Max chegou na terra prometida ainda na juventude em companhia de sua mãe e de seus irmãos, vindos da Lituânia, para encontrar seu pai que mudara-se em busca de uma vida melhor para sua família no pós-guerra.
Foi com muito esforço que Max, por incentivo de Anne, uma garçonete que ele conhecera em Nova York, e seu fiel amigo Harry Simon, que ele fundou nos anos trinta esta célebre boate que abrigou diversos nomes da cena musical no Greenwich Village, como Leadbelly, Judy Holliday, Sonny Rollins, Miles Davis, Charlie Mingus, entre outras feras.
Max relata com detalhes o começo e o apogeu do Village Vanguard. Das dificuldades e de como era prazeroso fazer parte daqueles momentos de rara beleza.
Poder sentar-se na mesa e beber várias garrafas de vinho em companhia de gente como Thelonious Monk, Dinah Washington, Woody Guthrie...
Testemunhar de perto o florescimento de um estilo musical fascinante até hoje.
Minha amiga Michelle Prado é pesquisadora musical e uma das mais apaixonadas pelo jazz. Aprendi muito com ela. Obrigado Michelle pelo empréstimo deste livro maravilhoso.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A Doce Sabedoria De Mário Quintana.

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.

Mário Quintana.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Obra-Prima.

Por Caio Fernando Abreu.

O Estado de São Paulo, 23/4/87.

O lançamento do Nau confirma aquela sensação de que há, mesmo, algo novo no ar.
Para quem conhece os discos dos grupos Fellini, Violeta de Outono, Patife band, ou espera as gravações do Luni, de Os Mulheres Negras, ou das cantoras como Ná Ozetti, Suzana Salles, Caludia Wonder, Laura Finocchiaro - o lançamento do Nau (CBS) deixa bem claro que alguma coisa está acontecendo na música paulistana. Uma coisa nova e vigorosa, sintonizada ao mesmo tempo com o pop internacional e brasileiro - nesse caminho capaz de ligar The Smiths a Rita Lee, Cazuza e Talking Heads. Saídos dos porões do underground da cidade, recém eles começaram a chegar às gravadoras. Por parte destas, prudentemente, é claro. Por parte deles, de peito aberto.
Peito aberto porque trazem uma nova estética. Pouco importa que essa estética seja ou não comercial - importa mais jogar para fora a voz dessa geração feita jovem no meio da nuvem de Chernobyl e do vírus da Aids. Pouco importa ainda se essa estética (pós-tudo?) for cansada. O disco do nau é lindo - e transpira cansaço. seja através das letras ("Nos perdemos entre contos/ poeira de máquinas/ multidões se atropelando/ num mundo sem espaço" - em Novos Pesadelos; ou "A vida passa num piscar de olhos/ a vida pára num sinal escuro/ e eu queria ter as soluções" - em Balada) ou das guitarras de Zique, do contrabaixo de Beto Birger e a bateria de Mauro Sanchez. Não um cansaço apático, mas cheio de lucidez e ansiedade criativa: "Eu quero beber/ tirar minha roupa mostrar tudo/ tudo vir a saber" em O Que Eu Quero é Você.
Do meio do som limpo, preciso, sensual (remetendo às vezes tanto aos bons solos de guitarra dos anos 60 quanto àquele som aparentemente monótono dos Smiths) - emerge a voz gemida de Vange Leonel. E no pós-tudo dessa estética marcada pelo neo-existencialismo dark, vale imitar com bom humor a voz de Vandreléia ( em Bom Sonho) ou dilacerar a garganta feito a louca musa Janis Joplin. Apoiada no feeling do blues, nesse repertório que passeia pelo funk, pelo heavy-metal, ou pela valsa, incorporando todas as influências, Vange pode cuspir palavras como uma roqueira ou sussurrar macio feito uma Maísa renascida meio punk. Talvez ela seja a melhor intérprete dessa nova geração - e para concordar com isso basta ouvir o longo lamento de Nada.
Talvez esse primeiro trabalho do Nau se ressinta um pouco da repetição. Não é aquele tipo de disco que você vira e revira na vitrola. Angustia. Há sempre um clima imposto, geralmente dramático (como na linda Linha Esticada, de Laura Finocchiaro e Cilmara Bedaque) e nem sempre suportável. Mas o vigor e a sinceridade explosiva de Zique, Beto, Mauro e principalmente de Vange Leonel tornam o nau obrigatório. No mínimo, para quem quiser confirmar aquela desconfiança de que tem, mesmo, algo acontecendo.
Este texto que publico agora, é mais uma homenagem que faço a Caio Fernando. Feliz daquele que já tenha ouvido esta obra-prima da música.
O primeiro disco do Nau pegou-me de surpresa a exatos dezesseis anos atrás quando ouvi pela primeira vez.
Me considero um felizardo, ao lado de Tony Lopes e de Nelsinho Magalhães, outros grandes admiradores dessa extinta grande banda.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Caio Fernando Abreu.

Ando com saudades de Caio Fernando. De sua obra. Dos tempos em que descobri-lo. Foi através da peça teatral Companheiro, um diálogo com dois personagens em crise de relacionamento. A peça foi encenada pelos atores Hild Senna e Nelson Magalhães Filho. A direção foi dos próprios atores. Hoje, meus amigos.

A Casa da Cultura Galeno D'Avelírio era o cenário de muitas descobertas e de boas novas companhias. Foi lá que descobri não só Caio Fernando, mas muitos escritores que mexeram muito comigo. Júlio Cortázar foi outra grande descoberta. Escrevo sobre ele depois.

A obra de Caio Fernando fala sobre sexo, medo, morte, solidão. Seus escritos entravam em minha mente como uma luva, se encaixando perfeitamente em meus neurônios. O primeiro livro que li foi Os Dragões Não Conhecem O Paraíso, que havia sido lançado há pouco tempo. Era 1990 e tinha o conto Dama da Noite.

Uma mulher da noite relatando suas vivências para um jovem playboy bem nascido de um bairro classe média alta. Iguais a este, conhecia vários. Já a dama da noite, foi a primeira, e nunca conheci uma igual a ela. A dama machucava o playboy com seus relatos e ele nem sentia. Um burguês babaca, babando para sair com a dama da noite e poder contar para seus amiguinhos a aventura que havia feito com uma mulher bonita e gostosona.

Logo fiz amizade com os atores e eles me emprestaram todos os livros que tinham em sua coleção. O Ovo Apunhalado, Morangos Mofados, Por Onde Andará Dulce Veiga... foram tantos!

Uma escrita econômica, firme e certeira. Daquelas que te toca sem muitos rodeios.

A Casa da Cultura era um verdadeiro oásis na pacata Cruz das Almas. Bons momentos, belas recordações e aqui estou homenageando este escritor gaúcho que completaria 60 anos em 12 de setembro deste ano. Caio faleceu em 25 de fevereiro de 1996, vítima da Aids.

Está tudo planejado:

se amanhã o dia for cinzento,

se houver chuva

ou se houver vento,

se eu estiver cansado

dessa antiga melancolia

cinza fria

sobre as coisas

conhecidas pela casa

a mesa posta

e gasta

está tudo planejado

apago as luzes, no escuro

e abro o gás

de-fi-ni-ti-va-men-te

ou então

visto minhas calças vermelhas

e procuro uma festa

onde possa dançar rock

até cair.

Texto inédito, de maio de 1982. Publicado na revista Bravo de fevereiro de 2006.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Jogos, Trapaças, Prêmios, Cerveja E Duelo De DJs Na Casa Azul.


Acontece nesta sexta-feira, 08/08, a abertura dos Jogos Olímpicos na Casa Azul.
Cinco djs estarão competindo. São 40 min. para cada dj animar a festa com seu set list. O público vota em seguida à apresentação do dj com placas bi face nas cores verde e vermelha que receberá na entrada da festa.
Haverá um placar complementar para que o público possa votar com notas de 5 a 10.
Às 02:30h sairá o resultado. O dj vencedor vai ganhar um prêmio e comemorará com sua torcida até o final da festa.
Haverá também diversos jogos espalhados pela casa: dominó, totó, palitinho, baralho, dado, etc. Todos joguinhos que combinam bem com cerveja.
Os djs participantes são: Buenas, Jedernight, Marina Novelli, Nadia Vladi, Stax.
Serviço:
Local: Casa Azul (Rua Caetano Moura, 37 - Federação, entrada de São Lázaro).
Data: 08/08/08.
Horário: 22:00h.
Valor: R$ 10,00 (meia entrada até às 22:30h).