sábado, 4 de outubro de 2008

Cowboy Junkies, Uma Banda Classe A.


Eles começaram em Toronto, Canadá, em meados dos anos oitenta, seguindo a cartilha do fino blues e da mais delicada e simples country music norte-americana.

Michael Timmins, o fundador da banda, perambulou por muitos lugares procurando inspiração para a formação de um grupo que pretendia montar com seus irmãos Peter e Margo Timmins.

Viajou para Nova York em 1980 em busca da efervescência que sacudiu a grande maçã no final dos anos setenta, mas decepcionou-se com uma cena morna e de pouca inspiração.

Em seguida, foi para Londres onde Michael teve a sensação de que algo havia acontecido, interessando-se apenas, pelo Birthday Party de Nick Cave.

Cansado de perambular pelo mundo, retornou à sua cidade natal, Toronto, e fascinando-se pelo blues, montou com seus irmãos e o amigo Alan Anton, os Cowboy Junkies.

Em seu primeiro registro fonográfico, lançaram o álbum Whites off earth now (1986), gravado sob a abóboda de uma igreja pelo seu próprio selo, Latent. Aqui fica evidente a influência do blues.

Foram contratados pela RCA/BMG-Ariola onde gravaram o sublime The trinity session (1988). Singelo e acústico, o disco foi logo chamando atenção da crítica norte-americana de onde chuvas de elogios não faltaram à época do lançamento.

A banda sempre caprichou nas covers. Para este foram selecionadas: "Sweet Jane" do Velvet Underground e "I'm so lonesome i could cry" de Hank Williams.

O disco começa com Margo cantando "Mining for gold" à capela, e depois com um som simples, econômico e contagiante com "Misguided Angel".

"I don't get it" remete o ouvinte às origens do blues com seu solo de gaita matador. Ouça e perceba com seus próprios ouvidos. "Walking after midnight" e "Postcard blues" seguem a mesma linha. Brilhante.

Se você não se rendeu ainda, ouça: "To love is to bury" uma das mais belas canções que ouvi naquela época. Mesmo assim, se você não se sensibilizou com estas belas canções, desista. Este disco não foi feito para você.

Outros belos discos foram lançados, como: The caution horses (1990) e Black eyed man (1992). A banda continua na ativa. Vale a pena dar uma conferida em sua obra.

Este The trinity session foi um dos muitos LPs que comprei na extinta Kaya, a melhor loja de discos ao qual pisei meus pés aqui em Salvador.

Do antenado e carismático Edu Pampani e seu escudeiro Messias, passar na Kaya era item obrigatório quando vinha a Salvador, ou quando, já morando aqui, após o término das aulas no 2 de Julho.

A loja funcionava no térreo de um casarão na ladeira de Santa Teresa no histórico bairro 2 de Julho ocupando três salas. A primeira era a seção de livros e HQ's, e a segunda, dos discos de vinil. Camisetas, incensos e cartões postais ocupavam a terceira sala. Ah, e tinha o bid, um cigarrinho enrolado na própria folha. Costumava chamá-lo carinhosamente de erva indiana. Bukowski adorava. Soube disso lendo Hollywood, romance onde ele conta sua trajetória para criar o roteiro do filme Barfly.

Boa parte de minha mesada ficava por lá. Não foi diferente quando comecei a trabalhar. Recebia o salário no fim do mês e seguia sorridente a caminho da minha loja de discos preferida.

Foi lá que comprei Ziggy Stardust (importado), Psychocandy, Sister, Rocket to Russia, Rust never sleeps, Radio Ethiopia, Strange weather, Songs for Drella, Instinct... foram tantos!

Dos poucos que escapou das minhas mãos, e fico sentido até hoje, foi Isn't anything do My Bloody Valentine. Estava sem grana no dia, então deixei 'escondido' atrás de uns discos pensando que ninguém fosse achar. Como fui ingênuo...

Tempos depois veio a era do cd e tudo mudou. Messias saiu e as coisas nunca mais foram as mesmas.

Bons tempos. Às vezes, sinto-me um velho ao ficar recordando momentos como este. Mas não é de bons momentos que a vida da gente deveria ser?
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