quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A NAVE Traz Bonnie 'Prince' Billy Para Salvador.

(Cartaz by Silvis).
A NAVE - a festa mais badalada da cidade - existe há três anos, sempre proporcionando aos seus fiéis freqüentadores um cast com os melhores Dj's daqui e de várias partes do país. Não foram poucos os convidados que botaram fogo na pista mais insana da noite soteropolitana: Carlos Eduardo Miranda, Lúcio Ribeiro, Rodrigo Lariú e este ser que vos escreve, é claro, foram alguns destes Dj's.
Pela primeira vez, os produtores da NAVE Jan Balanco e Luciano Matos, trazem uma atração internacional. Desta vez o projeto/banda Bonnie 'Prince' Billy, um dos precursores do movimento que convencionou-se a chamar de alt-country.
Wil Oldham, o cara que está por trás deste projeto, lançou seu primeiro disco em 1993 e já usou vários pseudônimos, como: Palace Brothers, Palace Music, Palace Song, Palace e até o próprio nome, em "Joya" (1997).
Muito respeitado no cenário alternativo americano, Oldham desenvolveu um estilo bastante influenciado por Leonard Cohen, Velvet Underground e Bob Dylan.
De atmosfera intimista, suas canções ora flertam com o lúgubre ora com o cômico.
Abrindo a noite se apresentam o duo Dois em Um, novo projeto de Luisão Pereira - ex-Penélope - e a violoncelista Fernanda Monteiro.
On The Rocks agradece aos deuses pelo trabalho dos competentes e antenados Jan Balanco e Luciano Matos pela nova empreitada, na certeza de um dia, quem sabe, estar na primeira fila de um show do Stephen Malkmus em mais uma festa NAVE. Sonhar não faz mal a ninguém. Até mais.

sábado, 22 de novembro de 2008

O Caçador Das Bolachas Perdidas.

Por Michele Prado.
(Johnny Hartman, um dos maiores cantores do mundo na opinião do On The Rocks , Michele e Jorge 'Cravinho' Cravo).
Viver entre discos sempre me proporcionou muitas alegrias. Sem dúvida uma das maiores foi quando certo dia, uma figura pequena, que parecia extremamente frágil ao menor toque, apareceu na loja me procurando. Primeiro pensei se tratar de algum cliente, mas quando dei as costas por um momento, percebi que seus olhos miravam abaixo a linha do equador e pensei: "Que velhinho safado!". Foi então que ele se apresentou : "É você a menina que gosta de jazz? Meu nome é Jorge Cravo e trouxe uns presentes pra você".

Assim, sem mais nem menos, ele me presenteou com dois livros de suas lembraças e uma trilha sonora especialmente escolhida para minha leitura: 'Mais Lembranças' e ' O Caçador das Bolachas Perdidas'.

Todos que gostam de música, discos e dos detalhes da vida que nos passam despercebidos, podem se deliciar com estes livros. Contando suas peripécias, desde os anos 30, esta figura magnífica nos presenteia com risos e lágrimas: sua amizade com Johnny Hartman, o 'foda-se' que ouviu de Sarah Vaughan ao acordá-la muito cedo, correspondências trocadas com Billie Holiday e o velho amigo de infância, estranhíssimo segundo sua mãe, João Gilberto, que lhe mostrou em primeira mão algumas músicas que iriam revolucionar para sempre a música brasileira. Relembra seus calos nas pontas dos dedos, de tanto catar discos nas lojas do mundo e a maratona com suas roupas especiais para escondê-los de sua esposa ao voltar para o hotel. Todo seu amor pela música está lá.

Ainda hoje recebe seus amigos em seu apartamento para maldizerem as gravadoras, relembrarem as gravações maravilhosas perdidas ou não regravadas e a mediocridade musical generalizada.

Cravinho é de um tempo que disco era cultura e não arquivo. Eu também. Talvez por isso nossa diferença de idade de 50 anos não foi obstáculo para nos aproximarmos.

Obrigada Cravinho. O mundo é melhor com você.


Quero aproveitar para divulgar meu novo blog: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/, onde vou publicar meus poemas e de meus amigos. Até mais.

domingo, 16 de novembro de 2008

Poema de fim de tarde de um dia ensolarado.

Dedico este poema a blue angel.



Para ler ao som de Nick Cave - Into my arms.

penso nela todos os dias
fico pensando em sua visita
imaginando coisas prováveis de acontecer...
tenho medo de machucar a mim e a você,
então penso somente nas coisas boas
aquelas trocas de idéias pela calçada à beira mar
em um fim de tarde de um dia ensolarado
não gosto do sol!
desta vez não percebi seu brilho batendo em minha testa
sem filtro solar
nada parecia incomodar-me naquele momento
nem aquele idiota dando-me a notícia que meu time
havia perdido de goleada para o time da mulher dele
você parece tão leve
foi me conquistando aos poucos...
disse-me que havia saído do estágio
respirei fundo e perguntei: "então você vem mesmo?"
"não sei ainda", ela disse
fico imaginando de novo sua vinda...
bebendo sua bebida quente preferida
- para acalorar a alma e distrair o frio -
enquanto ela anda pela rua estrela solitária
à procura de cigarros
em botequins fétidos de um bairro cercado de
vizinhos velhos e ranzinzas
apresso os passos e chego há tempo
sua caipirinha está pronta
ela parece sentir-se bem com minha presença
- mazzy star vem na contra-mão com a bela
hope sandoval sussurrando bem baixinho seus
melancólicos versos de amor -
disse-me que não é fotogênica
com um rostinho tão lindo, como não?
sobrancelhas carregadas
lábios doces e delicados
revelou-me não ter paixões
"aliás, sim
sim"
parecia com medo de revelar-me algo
quero publicar seu nome
"não,
por enquanto
prefiro ficar no anonimato"
adorei o "por enquanto".

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Efraim Medina Reyes, O Melhor Escritor Da Atualidade.


Considero o escritor colombiano Efraim Medina Reyes o melhor da atualidade. Conheci sua obra há uns dois anos atrás através do meu amigo Nelsinho Magalhães, este, como sempre, dando grandes dicas literárias.
Os sonhos do Efraim é montar a empresa Fracasso Ltda , cujo lema reza: "Onde for necessário um fracasso, lá estaremos", e montar uma dupla de ataque com Romário e Maradona.
Bem, sobre este, acho difícil.
Mas difícil mesmo é não seduzir-se com sua narração irreverente, hilária, ousada e crua.
Comecei com Era uma vez o amor, mas tive que matá-lo. Poema em prosa em que conta a vida do personagem Rep, seu alter-ego.
Em meio a confusões, relacionamentos mal resolvidos - perambula pelas estradas em busca de seu grande amor - e falta de dinheiro, Rep vai levando uma vida ordinária em uma cidade latino-americana descrita por ele mesmo como: "Pequena, bonita e hedionda".

Impressionou-me as histórias com imagens surreais. Ora sobre o relacionamento de amor e ódio envolvendo Sid e Nancy, ora por criar uma narração fictícia sobre o suicídio de Kurt Cobain. O cara convence qualquer coisa que escreve.

Li Era uma vez o amor... duas vezes. Agora estou lendo Técnicas de masturbação entre Batman e Robin (Poema supercool baseado na técnica do dedo polegar, introduzida na América por Bruce Lee, Ciro Díaz, Bruno Mazoldi e The Velvet Underground).

O livro tem passagens assim: "Dia e noite deixamos sonhos de amor, nossas loucuras e ilusões diante da tevê enquanto acumulamos desleixo, gordura e remorsos".

"Quando entrei esta noite no meu quarto e encontrei você nua suspeitei que poderia estar tramando alguma coisa e pensei em dissuadi-la... O cheiro do seu corpo me pareceu familiar... Tremia como cachorro magro em dia chuvoso. A sensação que tive ao afundar em você foi que uma força me arrastava para o vazio onde havia pavorosas criaturas... Suponho que Janis tinha a alma podre porque nem os anjos podem cantar assim".

"Acredito na poesia, sei que essa lucidez bem usada nos faz mais intensos".

"Todo artista traz dentro o deus morte que mata".

"A sexualidade do homem é plana, basta-lhe esfregar-se um pouco. O sexo da mulher é um labirinto e ela está perdida dentro dele. Ela enfia seu sexo na mente do homem para refletir ali, mas o homem enlouquece ou foge. Se o homem tenta encontrar a mulher no labirinto, será presa fácil do minotauro".

Foi lendo Efraim que comecei a escrever poemas. Se presta para alguma coisa, não sei, só sei que tenho dedicado boa parte do meu tempo a eles. Tem valido esse tempo.

Tem um quase pronto, escrito, especialmente, para uma mulher. Assim que terminá-lo prometo publicar aqui para vocês.

Não deixem de ler o Efraim.

"Vou viver até onde for possível e se a coisa ficar difícil eu me suicido".

Até o próximo post.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Paul Weller Na Uncut.


A Uncut magazine deste mês traz Mr. Paul Weller estampado na capa. O ex-cantor e compositor do The Jam, uma das bandas mais importantes surgida na Inglaterra nos anos setenta, incorporando o movimento mod, que teve como precursor o The Who nos anos sessenta, fala de seu mais novo álbum, 22 Dreams, lançado recentemente no Brasil, além de fazer uma retrospectiva de sua carreira solo e com o The Jam.
A Uncut traz ainda uma entrevista com Leonard Cohen, saciando a curiosidade de um séquito de fãs do velho bardo canadense. Matérias com New Order, Flaming Lips, Fleetwood Mac e resenhas com Joy Division, Nick Cave, entre outros. Acompanha um CD.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Minhas Doces Angelas.


Tenho uma grande admiração pelas cantoras Angela Maria e Angela Ro Ro. Estas doces Angelas são as cantoras que mais tocam-me quando as escuto. Conheci ambas em minha adolescência. Maria, através de vovô Zé, e Ro Ro, bem... não lembro, talvez do rádio.
Vovô Zé tinha o costume de ouvir Angela Maria quando chegava da rua para almoçar, então antes ele bebia uma pinga e ficava na sala escutando bem alto sua cantora preferida enquanto vovó Dai preparava o almoço.
Soava estranho aos meus ouvidos a voz e a orquestração que envolvia aquela música vista por mim e meu irmão como 'música de velho'.
Na época, só ouvia rock n'roll e alguns, poucos, artistas de MPB nas reuniões familiares por conta de minha mãe e tias que adoravam Roberto Carlos, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa.
Torcia o nariz e ficava torcendo para vovó Dai preparar logo o almoço para vovô Zé desligar a vitrola e almoçarmos em paz.
E ainda tinha Nelson Gonçalves e Altemar Dutra aos domingos.
Com o passar do tempo, depois da morte dos meus avós, já na fase adulta, passei a dar mais atenção para essa cantora que outrora achava cafona e chata.
Foi quando lembrei que ainda tinha um LP da Angela na casa que era dos meus avós, o único, pois os outros meu padrinho havia pego para sua coleção.
Era uma coletânea que começava com Tango prá Tereza, e quando consegui pegá-lo e levar para minha casa, foi só emoção.
Nos primeiros acordes, parecia que estava vivendo aqueles tempos maravilhosos que, infelizmente, não pude aproveitar melhor devido ao meu preconceito.
Meu Deus, por que não sentei com vovô Zé na poltrona da sala e conversei com ele sobre essa grande cantora que canta com voz límpida, beleza e emoção?
Ele, provavelmente, recordaria algum momento marcante de sua vida ao som da Angela. Daríamos boas risadas, ou quem sabe, choraríamos juntos. Preconceito dá nisso!
"Hoje, alguém pois a rodar, um disco de Gardel, no apartamento junto ao meu, que tristeza me deu, era todo um passado lindo, a mocidade vindo na parede me dizer, para eu sofrer..."
Chorei quando pus o disco para tocar. Quando dei por mim, minha mãe estava chorando também. Viramos o lado do disco várias vezes...
Cada canção fazia lembrar-me de um momento diferente.
O cheiro da comida... aquele cheirinho de cachaça... o suor do meu irmão jogando bola na varanda...
Que voz linda!
Já Angela Ro Ro, lembro de Caio Fernando Abreu indicando em um de seus livros de contos, para o leitor lê-lo ouvindo esta cantora que é a minha favorita no Brasil.
Seu primeiro disco é um dos melhores gravado em nosso país por uma artista brasileira.
Poesia marginal, romântica, depressiva, rocker... de instrumental riquíssimo, voz apaixonante, Ro Ro influenciou uma geração de artistas no fim dos anos setenta, um deles foi Cazuza, que disse uma vez: "Quero ser a Angela Ro Ro do rock". E foi.
O único problema em ouvir Ro Ro, talvez, seja o de querer beber várias cervas e não querer parar mais, se é que isso seja um problema.
"Eu vivo a vida a vida inteira
A descobrir o que é o amor
Leve pulsar do sol a me queimar..."
Doce Angela. Para muitos, mais uma porra-louca e alcoólatra. Para mim, não.
Ouço sempre.