quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Minhas Doces Angelas.


Tenho uma grande admiração pelas cantoras Angela Maria e Angela Ro Ro. Estas doces Angelas são as cantoras que mais tocam-me quando as escuto. Conheci ambas em minha adolescência. Maria, através de vovô Zé, e Ro Ro, bem... não lembro, talvez do rádio.
Vovô Zé tinha o costume de ouvir Angela Maria quando chegava da rua para almoçar, então antes ele bebia uma pinga e ficava na sala escutando bem alto sua cantora preferida enquanto vovó Dai preparava o almoço.
Soava estranho aos meus ouvidos a voz e a orquestração que envolvia aquela música vista por mim e meu irmão como 'música de velho'.
Na época, só ouvia rock n'roll e alguns, poucos, artistas de MPB nas reuniões familiares por conta de minha mãe e tias que adoravam Roberto Carlos, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa.
Torcia o nariz e ficava torcendo para vovó Dai preparar logo o almoço para vovô Zé desligar a vitrola e almoçarmos em paz.
E ainda tinha Nelson Gonçalves e Altemar Dutra aos domingos.
Com o passar do tempo, depois da morte dos meus avós, já na fase adulta, passei a dar mais atenção para essa cantora que outrora achava cafona e chata.
Foi quando lembrei que ainda tinha um LP da Angela na casa que era dos meus avós, o único, pois os outros meu padrinho havia pego para sua coleção.
Era uma coletânea que começava com Tango prá Tereza, e quando consegui pegá-lo e levar para minha casa, foi só emoção.
Nos primeiros acordes, parecia que estava vivendo aqueles tempos maravilhosos que, infelizmente, não pude aproveitar melhor devido ao meu preconceito.
Meu Deus, por que não sentei com vovô Zé na poltrona da sala e conversei com ele sobre essa grande cantora que canta com voz límpida, beleza e emoção?
Ele, provavelmente, recordaria algum momento marcante de sua vida ao som da Angela. Daríamos boas risadas, ou quem sabe, choraríamos juntos. Preconceito dá nisso!
"Hoje, alguém pois a rodar, um disco de Gardel, no apartamento junto ao meu, que tristeza me deu, era todo um passado lindo, a mocidade vindo na parede me dizer, para eu sofrer..."
Chorei quando pus o disco para tocar. Quando dei por mim, minha mãe estava chorando também. Viramos o lado do disco várias vezes...
Cada canção fazia lembrar-me de um momento diferente.
O cheiro da comida... aquele cheirinho de cachaça... o suor do meu irmão jogando bola na varanda...
Que voz linda!
Já Angela Ro Ro, lembro de Caio Fernando Abreu indicando em um de seus livros de contos, para o leitor lê-lo ouvindo esta cantora que é a minha favorita no Brasil.
Seu primeiro disco é um dos melhores gravado em nosso país por uma artista brasileira.
Poesia marginal, romântica, depressiva, rocker... de instrumental riquíssimo, voz apaixonante, Ro Ro influenciou uma geração de artistas no fim dos anos setenta, um deles foi Cazuza, que disse uma vez: "Quero ser a Angela Ro Ro do rock". E foi.
O único problema em ouvir Ro Ro, talvez, seja o de querer beber várias cervas e não querer parar mais, se é que isso seja um problema.
"Eu vivo a vida a vida inteira
A descobrir o que é o amor
Leve pulsar do sol a me queimar..."
Doce Angela. Para muitos, mais uma porra-louca e alcoólatra. Para mim, não.
Ouço sempre.

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