quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Retrospectiva, Reflexões E Os Mehores Do Ano (2° Parte).


Este não foi um ano de grandes lançamentos musicais. Ao contrário do que imaginei quando soube de alguns lançamentos que estavam por vir e pensando no que havia sido lançado, poucos discos chamaram atenção do On the Rocks neste fatídico 2008.
Eis alguns destaques e observações:
Nick Cave and the Bad Seeds - Dig! Lazarus! Dig!. Mr. Cave em mais um discaço com os fiéis e ótimos Bad Seeds. Mesmo que um dia eles venham lançar um disco no mínimo bom, vão sempre estar por aqui.

Cat Power - Jukebox. Com este segundo álbum de covers a menina Chan Marshall ficou com o título de melhor cantora e mulher mais cool do ano, além de estar entre os primeiros como melhor álbum.
Tindersticks - The Hungry Saw. Esses não deixaram a peteca cair. Aliás, nunca deixam.
Raveonettes - Lust, Lust, Lust. Este foi lançado na Europa no final do ano passado e no restante do mundo no começo deste. Esta dupla de dinamarqueses estão cada vez melhores, com mais personalidade.
Elvis Costello and the Imposters - Momofuku. Homenagem de Costello ao criador do Miojo. Pegada rock e letras inspiradas.
Stephen Malkmus - Real Emotional Trash. Instrumental mais maduro e consistente. Nem sinto falta do Pavement!

Deerhunter - Microcastle. São de Atlanta e este é seu terceiro álbum e o primeiro lançado pelo selo 4AD. Guitarras mórbidas - às vezes não - vocais delicados, atmosfera indie... maravilha!

Bob Mould - District Line. Mould e seu power pop magistral.

Portishead - Third. A volta da banda de Beth Gibbons deve ser lembrado, assim como o The Verve com Fourth - muito bons por sinal.

R.E.M. - Accelerate. É sempre bom ouvir esses caras da Geórgia, inspirados então...

AC/DC - Black Ice. Rockão vigoroso como só eles sabem fazer.

The Kills - Midnight Boom. A música Hook and Line foi uma das mais tocadas pelo dj Buenas este ano.

Kings of Leon - Only By The Nigtht. Este talvez seja seu disco mais ousado. Muito bom.

Willie Nelson and Wynton Marsalis - Two Men With The Blues. Duas feras. Duas lendas. Prepare o drink e ouça.

Oasis, Barry Adamson, Mark Lanegan/Isobel Campbell, The Hold Steady, TV On The Radio e o American Music Club merecem ser lembrados por seus bons trabalhos.

Não escutei o novo do Mercury Rev, prova de que ninguém é perfeito.

Fleet Foxes - queridinhos lá fora - não bateu por aqui!

She and Him e Bon Iver também não.

Revelação - Glasvegas.

Cantor - Mr. Paul Weller.

Trilha Sonora - I'm Not There.
Show - Mudhoney no Pelourinho.

Músicas - Sex on fire do Kings of Leon e All things must pass do Jesus and Mary Chain.

Banda - Jesus and Mary Chain, é claro. Espero ansioso para que eles lancem logo um álbum de inéditas, pois a úlcera está atacada.


Entre os nacionais os destaques são:

Carlos Careqa - À Espera de Tom. Este foi um dos discos que mais ouvi este ano. Só versões de músicas do Tom Waits. Muito bom.

Wander Wildner - La Canción Inesperada. Meus amigos não gostaram muito, mas só em ouvir a voz embriagada do gaúcho, já me satisfaz.

Theatro de Séraphin - Ep. Primeiro lançamento desses baianos veteranos da cena local é, in my opinion, o destaque por essas plagas. Considero Arthur Ribeiro um dos maiores vocalistas de rock que esse país viu nascer. Toda a formação da banda é composta por cobras criadas e acho que os caras estão no caminho certo. Acho.

Sou do Marcelo Camelo é chato e Mallu Magalhães não jogou no meu time. Little Joy - banda/projeto de Amarante com Fabrizio Moretti (The Strokes) - se saíram melhor. São inevitáveis essas comparações.

Quero agradecer aos meus amigos que incentivaram e apoiaram o On The Rocks e a todos vocês, fiéis leitores, pelo carinho. Tenham todos um maravilhoso ano novo. Até a próxima.

(Jesus and Mary Chain em plena forma).

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Retrospectiva, Reflexões E Os Melhores Do Ano.

(Capa de Only by the night, novo álbum do Kings of Lion).
2008 foi um ano ingrato para mim. Passei por uma grande frustração no começo. Não me arrependi de nada que havia feito, mas fiquei muito sentido, triste e angustiado. Não fosse pelo acolhimento de alguns familiares e de todos meus amigos, não sei o que seria de mim. Resumindo o que aconteceu: fiz uma viagem para a Europa que não deu certo.
Quando retornei, viajei para o interior em busca de paz, novas idéias e força para continuar seguindo em frente sem baixar a cabeça prá nada. E foi aí que veio a idéia de construir um blog onde escreveria um pouco a meu respeito e sobre música e literatura, minhas paixões.
O On The Rocks veio ao mundo como uma espécie de terapia no mês de abril, que segundo Rilke, o pior dos meses, o mais terrível.
Aqui fui me desabafando e mostrando as pessoas que nunca havia visto relatos sinceros e fatos marcantes de minha vida. Logo fui conquistando novos amigos e admiradores(as), aos quais chamo-os carinhosamente de meus terapeutas.
Tive alguns momentos de prazer ao longo do ano... mas o final tem sido de solidão e angústias. Acontece sempre nesta data do ano, mas dessa vez veio mais forte e tenho sentido muito. Como se não bastasse, meus filhos não estão comigo. Estão de férias há muitos quilômetros de mim. E isso dói. Dói muito.
Meu irmão está na sala assistindo Cê, o dvd do Caetano Veloso, e neste exato momento ouço versos de London, London que diz: "I'm lonely in London, London is lovely so..."
Que ironia meu Deus!
Pausa.
Aqui descobri blogs cheios de vida e coisas boas para passar. Belos poemas, escritores(as) que merecem um lugar ao sol, escritos de gente com talento surpreendentes.
Pensei em fazer uma lista com os melhores blogs do ano. Desisti agora! Penso que posso desagradar algum de vocês que foram tão carinhosos comigo neste ingrato 2008.
Mas seria uma ingratidão comigo mesmo não destacar o blog Vaga-Lumens como o meu xodó do ano. A poesia de Ca: mila - é assim que ela assina - bateu em mim. Sua escrita, um misto da literatura beatnick com o que há de melhor dos simbolistas franceses, me surpreendeu. Ca: mila é jovem e talentosa. Uma pessoa que tenho com muito carinho.
Para conhecer o Vaga-Lumens, clique aqui: http://www.vaga-lumens.blogspot.com/
Ouça abaixo a música que destaco como a melhor do ano. Chama-se Sex on fire e é do grupo americano Kings of Lion. Ouço-a toda hora. Sex on fire é o tipo de música que me joga prá cima, coisa que estou precisando no momento. Continua no próximo post que será publicado no último dia do ano.
Prá você que acabou de chegar por aqui, este K7 com Sex on Fire foi excluído, pois o site Mixwit não existe mais. Sorry.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A Arte De Nelson Magalhães Filho.

Para ler ao som de Sad eyed lady of the lowlands (Bob Dylan).
(Feridas 2, acrílica s/ tela, 70x50cm. 2008)

Estive na comemoração dos 131 anos da Escola de Belas Artes da UFBA dia desses em companhia do meu amigo e artista plástico Nelsinho Magalhães, que estava expondo com outros professores/artistas da instituição e o texto que está no catálogo apresentando sua arte, chamou-me atenção. Eis aqui:
"Realizar trabalhos de arte, à base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acredito na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita, e ao mesmo tempo, infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas, não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou a um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro".
Verdadeiros versos de um artista talentoso, inquieto, romântico e rebelde por natureza. Uma espécie de autobiografia de bolso. Um relato áspero como um soco no estômago.
Feliz de mim que tenho a companhia desse cara nos momentos inspirados e de angústias também. Toda minha formação literária começou no ateliê dele. Foi lá que comecei a ler Rimbaud, Cortázar, Allan Poe, Dostóievski, Kafka, Caio Fernando, Nelson Rodrigues, Ana Cristina César, Baudelaire, John Fante, Walt Whitman, Kerouac e toda literatura beatnick, Maiacóvski, Fernando Pessoa, João Cabral, Bukowski, Beckett, Verlaine, Florbella Espanca, Clarice Lispector, Pablo Neruda e o maior de todos: Henry Miller, meu santo protetor.
Lembro-me uma vez ouvindo Tom Waits e bebendo umas cervas em seu ateliê, ele levantou-se e pegou três livros na estante, sentou-se e disse: "Você nunca mais vai ser o mesmo depois de ler estes livros". Foram eles: uma biografia de Henry Miller com passagens retiradas de seus romances; O ovo apunhalado de Caio Fernando e Betty Blue, esqueci o nome do autor agora.
Dito e feito. Nunca mais fui o mesmo! Henry Miller fez minha cabeça. Me fez pensar em tudo que estava em minha volta. Era bom ou ruim? Era uma merda. As companhias, o estilo de vida das pessoas e a minha também, os sorrisos ordinários preparados para te foder a qualquer momento. Distanciei-me cada vez mais das pessoas e de tudo. Queria era ficar em meu canto sossegado. Aliás, até hoje é assim: onde tiver um cantinho sem ninguém por perto, estarei por lá. Tornei-me cada vez menos sociável, mas sempre educado e sem perder a elegância, é claro. Ou come diria os Buenas Nelsinho e Luciano Fraga:"Mantendo a linhagem".
Conheci o cara ali por volta de 1989 na casa da cultura Galeno D'avelírio. Era um sábado de manhã, entrei com Fabrício e prá minha surpresa ouvi a introduçao de Hurricane de Bob Dylan. Então perguntei a Fabrício quem era que estava tocando. Ele respondeu:"Deve ser Nelsinho". Era o próprio. Estava no escritório/biblioteca que ficava ao lado do bar Delírio tocando violão. Começamos a conversar e ele me perguntou se gostava de Dylan!
"Adoro!", respondi
Pronto. Descobri que ele tinha o primeiro LP do Echo and The Bunnymen e que gostava dos Smiths. Logo, logo estava frequentando sua casa. Eu devia ser bem chato. Ia direto pedir livros e discos emprestado. Batia na porta e dizia:"Nelsinho, me empreste um livro".
Tempos depois lembrei que ele havia sido meu professor de artes na sexta série. Mas ele não lembra até hoje.
Quase vinte anos depois continuamos amigos, de vez em quando, acontece umas briguinhas, mas nada demais. Na verdade, é só mais um motivo para um brinde no bar de Turíbio - o melhor bar do recôncavo baiano -, é de lá que sai boa parte de nossas idéias mirabolantes.
Um livro que marcou muito nossa amizade foi Pergunte ao Pó de John Fante. Descobri em seu ateliê depois de uma noitada em Turíbio em meio ao pó e as fumaças da estrada.
Ah, os meus poemas não são publicados antes o crivo desse cara. Toda vez ele diz:
"Não mexa em nada".
"Será?", digo
"Publica logo esta porra!", ele brada
Nelsinho é o segundo amigo que homenageio aqui. Outros virão. Preparei ontem à noite um k7 para vocês ouvirem na semana do natal, mas para minha surpresa, não pude fazer a postagem no blog, pois está suspenso até o final do ano. Vocês podem procurar aqui mesmo o último k7 que fiz, aí é só clicar em my page que está logo abaixo da fitinha.
Tem poema novo no La Verga: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/. E, para quem quiser conhecer melhor a arte de Nelsinho, é só clicar: http://www.anjobaldio.blogspot.com/. Até a próxima.
(Feridas 1, acrílica, s/tela, 70x50cm. 2008)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Galeria.


O Galeria deste mês homenageia a célebre Blue Note Records, a mais conceituada e respeitada gravadora de Jazz do planeta.

Fundada pelo alemão Alfred Lion nos Estados Unidos em 1939, de fama "Cool", suas capas devem muito ao talento do designer Reid Miles, seu braço direito.



A fama da Blue Note deve-se muito mais à arte do que à música. Edson Rui, meu amigo e colecionador de discos, uma vez proferiu: "Os discos da Blue Note a gente compra pela capa!"


O Cast da gravadora nunca foi repleto de artistas conhecido do grande público, mas muito admirado pelos seus colecionadores e amantes do Jazz em geral.


O extraordinário saxofonista John Coltrane sempre sonhou em gravar um álbum pelo selo e, reza a lenda, por pouco não conseguiu sua façanha. No dia em que fora conhecer os donos do selo para fechar negócio, o gato que vivia no escritório da gravadora fugiu pela janela. A reunião teve que ser cancelada, por sorte dos admiradores do selo e de Coltrane - ao qual faço parte - uma segunda reunião fora marcada e tudo deu certo. Resultado: o magnífico Blue Train (1957).


Não foram poucos os artistas que gravaram por lá. Consta em seu Cast os maravilhosos: Stanley Turrentine, Hank Mobley, Grant Green, Coltrane, Horace Silver, Lee Morgan, Miles Davis, Lou Donaldson, Sonny Clark, Jimmy Smith, Sonny Rollins e tantos outros.

Preparei este post para os olhos, espero que tenham gostado. Ah, e não esqueçam de visitar o meu blog de poemas: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/. Até mais.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Uma Tarde Memorável.

(Capa do segundo álbum do Led Zeppelin - nosso preferido).

Costumava ouvir música com meu amigo Fabrício Silva nas tardes de segunda a sexta-feira. Éramos fominha. Na radiola 3 em 1 de marca National de tia Fau, curtíamos muito rock pesado: Black Sabbath, Led Zeppelin, AC/DC, Jimi Hendrix...
Meus avós saíam durante a tarde. Vovô Zé-do-Alho costumava jogar cartas com seus amigos e vovó Dai fazia o mesmo com suas filhas casadas. Meu irmão ficava em casa, mas ele não se incomodava com o som alto.
Os velhinhos chegavam no final da tarde. A gente já sabia, então ficávamos atentos olhando pela veneziana da janela da sala da frente. Eles não suportavam som alto.
Um belo dia, vovô Zé chegou antes do horário de costume. Ouvíamos Let There Be Rock do AC/DC e Fabrício me avisou que tinha alguém batendo na porta.
"Não é ninguém", eu disse
Quando para nossa surpresa adentra meu avô gritando irado: "Abaixa esta porcaria sô, faz-se de besta!"
Foi um choque para nós dois. Abaixei imediatamente o som e quando procurei Fabrício, o nego já tinha 'abrido o gás'!
Fiquei sozinho ouvindo os berros do meu avô.
Tínhamos doze ou treze anos. Era divertido nossas reuniões. Boa parte da mesada era gasta com revistas especializadas em música. Conhecíamos todos os programas de video-clipes e das rádios locais.
Respirávamos música rock o tempo todo!
Nunca esqueci aquele dia em que ele chegou em minha casa com uma revista sobre Heavy Metal. Estava com um especial da Bizz com Bruce Dickinson na capa.
Era uma tarde de sábado e o tempo estava nublado...
Chegou com a revista dentro da bermuda para fazer uma surpresa. E que surpresa!
Neste mesmo dia, Fabrício desenhou a capa do Made in Japan do Iron Maiden em minha frente!
"Man, você é foda!", eu disse
E ele com um sorriso faceiro, disse: "Porra nenhuma".
Anos depois entraria para a escola de Belas Artes da UFBA. Ponto para a instituição.
Não posso conter as lágrimas neste momento ouvindo o 'Zeppelin de Chumbo'.
Alguém disse uma vez que o On The Rocks é nostálgico. Ok, e daí?
Escrevo sobre gente que deixou marcas indeléveis em minha vida.
Seja amigos ou ídolos. Ídolos ou amigos?
Já perdi as contas de quando acordava aos sábados e colocava o primeiro disco do Zeppelin para tocar enquanto escovava os dentes.
Ficava ali na morosidade escutando Robert Plant: "Baby, baby, baby i'm gonna leave you..."
Depois enfrentava uma mesa farta... vovó Dai dizia: "Tá, você prefere café ou vitamina?"
Tenho orgulho em dizer essas coisas. Sim, fui criado com vó.
Toda vez que recordo esses momentos, Fabrício e eu damos boas risadas.
Ele costuma dizer: "Eu pulei a janela e você não viu. Minhas pernas tremiam o tempo todo, só parou de tremer quando cheguei em casa."
Sr. Edgar, um antigo vizinho aqui em Salvador, disse-me uma vez: "Meu filho, a gente só leva da vida a vida que a gente leva".
Memorável.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Obra-Prima.

(Horses. Foto by Robert Mapplethorpe).
Meu primeiro contato com a cantora, poetisa e jornalista Patti Smith, foi no longínquo anos oitenta, quando, lendo a revista Bizz, ao qual tinha o maior carinho, deparei-me com Horses (1975) na seção Discoteca Básica. O que me chamou atenção foi a foto da capa com Ms. Smith transmitindo um ar de intelectual/marginal. Fiquei sabendo de suas influências lendo a matéria e pesquisando sua obra dias depois. Patti é fascinada por Rimbaud e Baudelaire. Allen Ginsberg e Bob Dylan. Igual a mim.
Horses, seu primeiro álbum, foi concebido em meados dos anos setenta, época em que ela recitava seus poemas na igreja de St. Mark, no Bowery, em companhia do guitarrista Lenny Kaye, colega de jornalismo musical, e de seu namorado - o fotógrafo Robert Mapplethorpe.
Começou sua carreira profissional escrevendo para a Rolling Stone e a Creem, época em que esta era comandada pelo crítico Lester Bangs, já homenageado aqui. Quero aproveitar o momento para comunicar a todos que o On The Rocks existe pela influência de duas pessoas: Lester e o músico e jornalista, um dos fundadores da revista Bizz, Celso Pucci.
Então, antes mesmo das gravações de Horses, Patti já havia lançado vários livros de poesia, entre eles o Witt, que chegou em minhas mãos meses depois à minha grande descoberta.
Patrícia seria o nome de minha filha caso não tivesse pirado meses antes pela Marianne Faithfull, minha musa inspiradora. Patti Smith e Jane Birkin vêm depois.
Horses começa com Patti declamando um de seus poemas ao som do piano de Richard Sohl: "Jesus morreu pelos pecados de outras pessoas, pelos meus não... espessa, pedra quente - meu pecado é só meu, eles pertencem a mim", e arremete com Gloria do Van Morrison.
Ao som da guitarra de Kaye o ouvinte pode notar claramente a fúria punk correndo solta pelas ruas da Big Apple. Punk com poesia sublime. Era tudo que precisava naquele momento em minha vida.
Horses passou a ser minha trilha sonora quando lia Rimbaud e Allen Ginsberg.
O álbum é intenso do começo ao fim. Cru. Excêntrico. Junky. Desbocado.Comecei a ouvir um pouco de reggae depois de ouvir Redondo Beach, a segunda faixa. Um reggae movido a ácidos e anfetaminas, e um pouco de maconha.
Os ruídos de guitarra de Kaye sufocam o poema denso e arrastado de Birdland.
Break up é uma das mais belas. Impossível não se emocionar com os gritos extasiantes da maior poetisa do rock n'roll, nascida em Chicago e criada em Nova Jersey.
Participam do disco e de sua vida artística até hoje, os fiéis e ótimos músicos: os já citados Lenny Kaye e Richard Sohl (1948-1990) -, Ivan Krall (baixo) e Jay Dee Daugherty (bateria).
Sob a produção de John Cale - ex-Velvet Underground - que já havia produzido o primeiro disco de Nico, Chelsea Girl (1967), Patti disse à época: "Tudo o que estava procurando era alguém que entendesse o lado técnico das coisas. Acabei com um artista totalmente maníaco".
Horses mexeu comigo. E muito. Passava os dias lendo Witt e ouvindo aquele disco maravilhoso sentado no sofá e, ora lendo, ora admirando sua brilhante capa, pensava: "Que mulher é essa?!"
Ficava sem jeito para comunicar ao meus amigos a minha descoberta, eles não iam gostar devido a crueza sonora e sua poesia impactante.
Patti dá continuidade artística ao excelente trabalho desenvolvido pelo Velvet Underground nos idos de 1966/1967 quando estes sacudiram a Big Apple em companhia do artista plástico Andy Warhol e seu espetáculo multi-mídia Up-Tight, mas essa é outra história. Mantenha-se vivo.

(Foto que está em Witt,1973. By R.M.).