domingo, 7 de dezembro de 2008

Uma Tarde Memorável.

(Capa do segundo álbum do Led Zeppelin - nosso preferido).

Costumava ouvir música com meu amigo Fabrício Silva nas tardes de segunda a sexta-feira. Éramos fominha. Na radiola 3 em 1 de marca National de tia Fau, curtíamos muito rock pesado: Black Sabbath, Led Zeppelin, AC/DC, Jimi Hendrix...
Meus avós saíam durante a tarde. Vovô Zé-do-Alho costumava jogar cartas com seus amigos e vovó Dai fazia o mesmo com suas filhas casadas. Meu irmão ficava em casa, mas ele não se incomodava com o som alto.
Os velhinhos chegavam no final da tarde. A gente já sabia, então ficávamos atentos olhando pela veneziana da janela da sala da frente. Eles não suportavam som alto.
Um belo dia, vovô Zé chegou antes do horário de costume. Ouvíamos Let There Be Rock do AC/DC e Fabrício me avisou que tinha alguém batendo na porta.
"Não é ninguém", eu disse
Quando para nossa surpresa adentra meu avô gritando irado: "Abaixa esta porcaria sô, faz-se de besta!"
Foi um choque para nós dois. Abaixei imediatamente o som e quando procurei Fabrício, o nego já tinha 'abrido o gás'!
Fiquei sozinho ouvindo os berros do meu avô.
Tínhamos doze ou treze anos. Era divertido nossas reuniões. Boa parte da mesada era gasta com revistas especializadas em música. Conhecíamos todos os programas de video-clipes e das rádios locais.
Respirávamos música rock o tempo todo!
Nunca esqueci aquele dia em que ele chegou em minha casa com uma revista sobre Heavy Metal. Estava com um especial da Bizz com Bruce Dickinson na capa.
Era uma tarde de sábado e o tempo estava nublado...
Chegou com a revista dentro da bermuda para fazer uma surpresa. E que surpresa!
Neste mesmo dia, Fabrício desenhou a capa do Made in Japan do Iron Maiden em minha frente!
"Man, você é foda!", eu disse
E ele com um sorriso faceiro, disse: "Porra nenhuma".
Anos depois entraria para a escola de Belas Artes da UFBA. Ponto para a instituição.
Não posso conter as lágrimas neste momento ouvindo o 'Zeppelin de Chumbo'.
Alguém disse uma vez que o On The Rocks é nostálgico. Ok, e daí?
Escrevo sobre gente que deixou marcas indeléveis em minha vida.
Seja amigos ou ídolos. Ídolos ou amigos?
Já perdi as contas de quando acordava aos sábados e colocava o primeiro disco do Zeppelin para tocar enquanto escovava os dentes.
Ficava ali na morosidade escutando Robert Plant: "Baby, baby, baby i'm gonna leave you..."
Depois enfrentava uma mesa farta... vovó Dai dizia: "Tá, você prefere café ou vitamina?"
Tenho orgulho em dizer essas coisas. Sim, fui criado com vó.
Toda vez que recordo esses momentos, Fabrício e eu damos boas risadas.
Ele costuma dizer: "Eu pulei a janela e você não viu. Minhas pernas tremiam o tempo todo, só parou de tremer quando cheguei em casa."
Sr. Edgar, um antigo vizinho aqui em Salvador, disse-me uma vez: "Meu filho, a gente só leva da vida a vida que a gente leva".
Memorável.
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