quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Retrospectiva e os Melhores Discos do Ano.

Minha memória não anda boa ultimamente. Na lista de melhores discos da década cometi um erro imperdoável por não incluir os seguintes discos: Lowedges do Richard Hawley; Last man standing do rocker Jerry Lee Lewis e o That old lucky sun do não menos rocker Brian Wilson. Sorry.
Outra falha foi a de não mencionar outras ótimas leituras que fiz este ano. O marginal O amor é uma coisa feia, livro em que fui presenteado pelo próprio autor, Gustavo Rios; Geração beat do Claudio Willer e Todo DJ já sambou, da jornalista Claudia Assef, presente de Mila, minha ex-namorada.
Espero não esquecer de nenhum lançamento deste ano maravilhoso para a música e seus amantes. Ano em que vimos Dylan e seus comparsas presentearem o mundo com o ensolarado e magistral Together through life e a menina Hope Sandoval dar o ar das graças com o belo Through the devil softly.
Os caras do Pearl Jam voltarem a fazer o que sabem de melhor; rock conciso, forte e direto - sem firulas.
O meu querido Richard Hawley com o melancólico e distante Truelove's gutter e os coelhinhos de Liverpool com Fountain fizeram bem em manterem-se presente em minha vida num ano interessantíssimo.
Não gostaria de apontar o melhor e sim os melhores. Mas inevitável não declarar que os discos que mais mexeram comigo foram estes aí:
Wilco - The album. Belíssimo retorno de Jeff Tweddy e companhia às canções como nos velhos tempos.
Sune Rose Wagner - Untitled. O mais tocante. Primeiro disco solo da outra metade dos Raveonettes, Sune Rose não deixou nada a dever ao seu passado glorioso ao lado da menina Sharin Foo.
Danger Mouse e Sparklehorse - Dark night of the soul. Me pegou de cheio. Vários talentos reunidos num só petardo de amolecer a nuca. Massa!
Jason Lytle - Yours truly, the commuter. Esse abusou. Presenteando seus fãs com pepitas como só ele sabe fazer, Jason foi o artista que mais mencionei aqui no On The Rocks este ano.
Pô, tô todo arrepiado escrevendo este post ao som de One wing, melhor, sabendo que daqui a pouco vou ouvir You and i, canção em que Jeff Tweddy divide os vocais com Feist. Antes, bem no meio, tem Bull black nova. Maravilha.
Minha grande descoberta entre os nacionais foi sem dúvida alguma o Renato Godá com este disco que ele gravou em 2005/2006, mas que só foi lançado agora. Godá é um desses músicos que adoram bares e cabarés. Sua música exala boêmia pura.
Vou poupar comentários sobre ele, pois fui convidado pelo meu amigo Luciano Fraga para escrever em uma coluna no jornal que ele está preparando para janeiro. Este jornal cultural vai circular pelo sul da Bahia e norte de Minas Gerais. Estou ansioso para ver meus escritos na coluna de um jornal que promete e o disco do Godá vai ser a minha estreia. Mantenha-se vivo e verá.
Caetano Veloso - Zii e Zie. Sou um dos poucos que conheço que fala de Caetano sem medo de ser apedrejado por aí. Engraçado como são as coisas... Meteram o pau no cara só porque ele chamou o presidente Lula de cafona, analfabeto e que não sabe falar. Caetano, palmas pra ti e Ziie e Zie, que é denso e ousado como poucos artistas sabem fazer. Eu também meto o pau no presidente Lula, mas como não sou famoso, ninguém diz nada.
Fechando a lista, chamo atenção para o primeiro disco da cantora, escritora/blogueira e atriz Mônica Montone e pro segundo do meu caro Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta - Frascos, comprimidos e compressas. Dois artistas inquietos e talentosos que ainda vão dar muito o que falar.
Faltou a música do ano!
Morning light do Gliss e Over it do Dinosaur Jr foram as que mais ouvi, e sem deixar de dizer que o último do Sonic Youth, The eternal, continua sobre minha cabeceira - não poderia deixar de mencioná-lo. Assim como as encantadoras Melody Gardot e Madeleine Peiroux - eu não disse que minha memória não anda boa ultimamente? Já ia esquecendo dessas meninas tão maravilhosas!
Desejo a todos meus queridos leitores, e aos meus detratores também, é claro, um ano de muita sorte, saúde, paz e felicidades. Até a próxima.

sábado, 26 de dezembro de 2009

2009 Foi Um Ano Interessante.

Este ano foi melhor do que o fatídico 2008. Me fez acreditar mais em mim e no que quero daqui pra frente. Um ano marcante por boas leituras e amores que deixaram suas marcas indeléveis - uma em especial me fez afundar no sofá várias vezes em menos de quatro meses.
A poesia impactante de Luciano Fraga abriu o ano com caminhos menos espinhosos, ao contrário do ano passado que foi decepcionante pra mim.
Em seguida, a leitura de O último leitor do mexicano Davi Toscana me guiou por um deserto não muito distante daqui, através de seus personagens enigmáticos e apaixonantes, preparando o terreno para um romance que até hoje me faz recordar seus belos momentos...
Foi maravilhoso reviver as histórias contadas pelo Kerouac na bíblia beat On the road em sua versão integral. Relembrar histórias que fizeram minha cabeça aos dezoito anos foi maravilhoso!
Fechando o ano com chave de ouro, o sedutor Cartas, memórias e recordações da Paula Dip sobre o Caio F. (ver post anterior) me conduziu por ótimas recordações de um passado não muito distante...
Fiquei de escrever este post ontem, mas é que acordei com uma ressaca poderosa e quando ela se foi, Cássio, meu irmão, me convidou para acompanhá-lo em mais alguns copos, o que fiz sem pestanejar - jamais faria uma desfeita para uma pessoa tão querida por mim.
Sempre gostei de me presentear no natal e neste não foi diferente. Aqui estou escrevendo ao som do álbum branco daqueles caras de Liverpool numa edição remasterizada e de luxo.
No próximo post, que será no dia 31, sai a já tradicional lista com os melhores discos do ano. Até lá.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pro Dia Nascer Feliz.


Ando bastante atarefado com meu novo trabalho. É com muito prazer que tenho feito minhas obrigações diárias, pois gosto do que faço e não tenho do que reclamar. A única coisa que me incomoda é de não ter tempo para escrever nos meus blogs, deixando-os para segundo plano e isto me deixa um pouco triste. Mesmo quando há tempo para escrever, falta assunto e então não sai nada devido ao tempo que gasto com o meu trabalho.
O único momento que tenho para relaxar um pouco é à noite e quando chego não tenho estímulo pra nada.
Pela manhã logo após o café, fico ali deitado na cama em companhia do livro da jornalista Paula Dip sobre o Caio Fernando Abreu, meu escritor brasileiro preferido, e aproveito para curtir um pouco suas vivências com o Caio. Trata-se de recordações de quando se conheceram na redação de um jornal quando eram colegas de trabalho, passando por troca de cartas e muitas revelações sobre o temperamento e de como o Caio lidava com as pessoas que viviam ao seu redor.
Mas logo, logo, já estou me arrumando para trabalhar e os escritos da Paula saem me perseguindo por um bom tempo... Reflito sobre as revelações da personalidade do meu escritor preferido, suas manias e de quando conheci sua obra quando morava em Cruz durante a adolescência.
Vender emoção e passar adiante minhas experiências parece ser meu ofício.
, o tempo passa rápido. Agora mesmo, estou escrevendo olhando para o relógio e lembrando que não almocei ainda. Deixo para o natal o próximo post, pois é quando vou folgar e finalmente me dedicar mais aos meu blogs. Até a próxima.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Um Conto Natalino da brincando de deus.

(Cartaz by Silvis).
Aqui estou com um enorme sorriso no rosto desejando que chegue logo o próximo dia dezoito para eu poder brindar com meus amigos no show natalino da brincando de deus - minha banda preferida por essas plagas.
Após quatro anos afastados dos palcos, a brincando de deus retorna para uma espécie de confraternização entre amigos na Boomerangue - Rio Vermelho -, às 23h.
Sou suspeito para falar sobre a banda, pois foram raros os shows que não pude ir. Às vezes por estar fora da cidade, às vezes por falta de grana... Sei que raramente faltei.
Um dos shows que senti muito não ter assistido foi o que eles fizeram em Cruz das Almas, minha cidade natal. Falta de grana e tempo foram os motivos para não poder viajar até Cruz.
Influenciada pelo Velvet Underground, Sonic Youth, My Bloody Valentine e The Smiths, a brincando de deus já lançou cinco discos - incluindo dois compactos.
A banda tem um jeito especial de ser. Parecem terem saído direto de Londres para Salvador. As letras são escritas em inglês e a sonoridade da banda me faz lembrar aquele ar que senti há pouco tempo atrás.
Eu recomendo de coração a todos que leem o On The Rocks a participar desta confraternização ao som da melhor banda surgida por essas plagas em muitos anos.
Leia abaixo um poema de Caio Fernando Abreu. Até a próxima.

Nos Poços, Um Poema de Caio Fernando Abreu.

Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói. Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

The Sadistics, o Evento Indie do Ano.

Acontece nesta sexta-feira, 11/12, The Sadistics - o evento indie do ano para apresentar ao grande público os curtas do cineasta baiano Alexandre Guena, mais conhecido como Xanxa. A idealização do projeto é de Xanxa e do Espaço Unibanco Glauber Rocha - local onde se realizará o evento.
Serão apresentados à partir das 21:00h os curtas mais recentes deste jovem cineasta, em seguida haverá um bate-papo com ele, os atores e sua equpe técnica.
A festa se estenderá pelo foyer do cinema onde haverá apresentações das bandas The Futchers, Show Coletivo Muito Barulho Por Nada e mais cinco djs, são eles: Messias, Big Bross, Persie, Marccela Vegah e Buenas - este ser que vos escreve.
Confira abaixo o mais recente videoclipe de Messias GB (brincando de deus) dirigido por Xanxa.
A festa começa às 21:00h e se estenderá até às 05:00h. Ingressos: R$ 5,00. A festa promete, apareça. Até a próxima.

The Machines Are My Family.

sábado, 28 de novembro de 2009

Os Melhores Discos Da Década.


Recuperado de uma pesada semana etílica, aqui estou com a prometida lista de melhores discos da década. Acabei optando pelo gosto pessoal e deixando de lado os relevantes. Não estou muito preocupado com esse negócio de relevância para a década. O que importa para mim é apontar aqui os discos mais queridos por este ser que vos escreve. E não foi fácil. Muitos discos bons ficaram de fora, como é o caso da menina Amy Winehouse e seu Back to Black; o bom velhinho Neil Young com o político Living with War; o hypado In Rainbows do incensado Radiohead; You Are the Quarry do Morrissey; Yoshimi Battles the Pink Robots do Flaming Lips; Siberia do Echo and The Bunnymen, entre outros. Vamos lá.
15) Johnny Cash - American IV: The man comes around (2003). O bom velhinho Cash abre a lista com o belo e triste American IV - um dos clássicos em que gravou sob a produção de Rick Rubin e músicos convidados. Ouça: Hurt e Bridge over trouble water.
14) Morphine - The Night (2000). Mark Sandman deixou um legado como poucos na música contemporânea. À frente do Morphine, com um estilo próprio de tocar - seu baixo tinha apenas duas cordas -, Mark seduziu meus ouvidos logo no começo da década com seu jeito envolvente de cantar e tocar. Baixo, sax, percussão e uma sedutora voz é o que ouvimos aqui.
Convide aquela gata para um bate papo regado a vinho e ao som de The Night. Duvido que você vá se arrepender. Vá por mim. Ouça: The Night, Top floor, botom buzzer e Rope on fire.
13) Lambchop - Nixon (2000). Kurt Wagner, cantor e compositor do Lambchop, principal banda representante do alt-country - termo batizado pela crítica norte-americana como uma espécie de country alternativo -, é o cara que está por trás desta grande banda. Em companhia de treze músicos de Nashville, Kurt Wagner proporcionou uma bela obra fincada em instrumentação suave e de canto idem. Sedução é a melhor palavra para descrever o som do Lambchop. A década começou bem.

12) Queens of the Stone Age - Songs for the Deaf (2002). Este é matador. Rock poderoso como poucos fizeram nos últimos anos. Nick Olivieri e Josh Homme em companhia de Dave Groll (Foo Fighters, Nirvana, Them Crooked Vultures) e Mark Lanegan (Screaming Trees), proporcionaram um grande marco para a década. Desses de quando você olhar para trás vai se lembrar muito bem. Ouça: No one knows e Go with the flow.
11) Sonic Youth - The Eternal (2009). Como disse no começo deste post, esta lista é de gosto pessoal, então não poderia faltar os mestres da distorção e queridinhos do On The Rocks. Aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, Lee, Thurston, Kim e Steve, lançaram este petardo sonoro e maravilhoso para se ouvir em companhia de amigos bebendo umas cervas gelada e saborosa. Ouça todas.
10) Kings of Leon - Only by the Night (2007). Uma das mais legais bandas surgida nos últimos anos, o Kings of Leon só lançou discos no mínimo, bom. O som da banda vem de uma herança de grande respeito no rock: Allman Brothers e Creedence Clearwater Revival são apenas duas delas e estes caras não fizeram feio, muito pelo contrário, não deixaram a peteca cair em nenhum momento. Ouça: Sex on fire bem alto.
9) White Stripes - De Stijl (2000). Considero Jack White o artista da década e este segundo disco do White Stripes - banda em que divide a responsabilidade com a baterista Meg White -, é apenas um dos seus cartões postais. De Stijl é um álbum de transição entre o rústico (como o disco de estreia) e o bem trabalhado White blood cells, seu terceiro lançamento.
As bandas Raconteurs e Dead Weather são mais duas ótimas que este grande guitarrista produziu para a década. Escrevo sobre ele depois. Ouça: Fique à vontade.
8) Dinosaur Jr - Beyond (2007). Beyond marca a volta dos seminais Dinosaur Jr ao mundo da música. J Mascis, Lou Barlow e Murph deixaram sua marca registrada com um brilhante álbum. Compondo canções arrepiantes, com seu estilo que lhe é peculiar, Mascis deixou aqui o seu legado, como se dissesse: aqui está a minha contribuição, agora faça a sua. Ouça: Almost ready, This is all i came to do e Been there all the time.
7) Wilco - Yankee Hotel Foxtrot (2002). Este por pouco não vê a luz do dia. Foi difícil para Jeff Tweddy e seus amigos de banda conseguirem uma gravadora para lançá-lo. Não fosse a Nonesuch - subsidiária da Warner -, talvez houvesse um atraso no lançamento e, quem sabe, desanimando os integrantes da banda a tal ponto de terminar com sua história ali mesmo.
O Wilco é uma das bandas mais importantes para a década, pois não foi só este Yankee Hotel Foxrot que fez a diferença. Outras maravilhas foram lançadas depois. A Ghost is Born, Sky Blue Sky e o mais recente Wilco (The Album) atestam isto. Ouça: Ashes of american flags, depois, todas.
6) Grandaddy - Sumday (2003). Este é um dos mais belos, a começar pela capa. Que coisa linda! Jason Lytle, o cantor e compositor, estava inspirado quando compôs Sumday. Aliás, inspiração é o que não falta para este rapaz que vive numa cidadezinha interiorana chamada Modesto (EUA), verdadeira fonte de água límpida - suas canções parecem emergir da fonte destas águas.
Água esta, semelhante as de Caldas do Jorro - cidade onde passei meu carnaval de 2004 ao som do Grandaddy, entre outras bandas. Se as estradas do sertão falassem... Ouça todas.

5) Interpol - Turn on the Bright Lights (2002). Sob as sombras das bandas darks que surgiram no final da década de setenta no planeta, sem deixar os amiradores desse estilo de música decepcionado, esta banda de Nova York produziu uma belíssima obra obscura e singela ao mesmo tempo. Ouça todas.

4) Nick Cave and The Bad Seeds - No More Shall We Part (2001). O príncipe das trevas marca presença aqui com esta coleção de pepitas românticas como só ele sabe fazer. Eu avisei: é uma lista pessoal e como sou fã do cara, é lógico que incluiria uma de suas muitas maravilhas em minha lista. Obrigado Nick. Ouça todas.

3) Stephen Malkmus (2001). O líder do Pavement não poderia começar sua carreira solo de forma tão brilhante. São doze canções e você ouve sem querer pular nenhuma faixa. Costumo dizer que esta é a sua obra definitiva, mesmo somando com os álbuns de sua antiga banda. Ouça todas.

2) Bob Dylan - Modern Times (2006). Você não pensou que o porta-voz de várias gerações fosse ficar de fora desta lista, não é verdade? Mr. Dylan está cada vez melhor. Compondo e tocando com sua afiada banda, o bom velhinho me surpreende a cada ano quando lança suas aguardadas obras. Prova disto é o mais recente e ensolarado Together Through Life que vai estar na lista de melhores do ano deste blog. Ouça todas.

1) The Strokes - Is This It (2001). Esta foi a banda que trouxe de volta o espírito rock n'roll para a atual década. Envolvendo ótimas influências, misturando no mesmo caldeirão Velvet Underground e Stooges, entre outros, estes caras de Nova York chamaram a atenção do mundo com seu estilo e postura como há muito não víamos no rock. Adoro Is This It. Guardo-o com muito carinho em minha discoteca.

Espero que você tenha gostado. Esta é a comunidade do On The Rocks no Orkut, querendo participar, será um prazer: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=53673577. Até a próxima.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Carta de uma filha apaixonada para sua mamãe.


Mamãe,


Como vão vocês? Estou com saudade da senhora e do papai. Ele está melhor da tuberculose? Poxa, me preocupo muito com a saúde dele. Tenho tido pesadelos terríveis e orado bastante; a senhora já melhorou do reumatismo? Espero que sim. Vocês são especiais em minha vida e temo um dia perdê-los.
Vou visitá-los em breve. Estou com uma vontade danada de tomar banho nua na cachoeira - como fazia na minha infância nas manhãs de domingo quando íamos visitar meus tios.
Finalmente conseguimos o empréstimo no banco para a reforma do salão. A Sandrinha, minha sócia, tem um amigo que gerencia há muitos anos um banco aqui perto de casa, então ele facilitou o empréstimo.
Tenho uma ótima notícia para contar-lhes: Reginaldo me pediu em casamento ontem à noite.
Ai mamãe, estou tão feliz!
Reginaldo é o homem que toda mulher gostaria de ter. Ele é inteligente, trabalhador, esforçado e tem uma graninha; prometeu cuidar de mim com muito amor e carinho.
Ontem mesmo, fizemos planos para nossa casinha que sua avó, Dona Véinha, deixou pra ele de presente de casamento.
Uma das coisas que mais gosto e admiro no Reginaldo é a sua lucidez, ao contrário do Buenas - aquele blogueiro louco e bêbado -, lembra dele?
Dia desses eu me esbarrei com ele na rua, mas não dei a menor ousadia. Ele tava com uma mulher nos maiores love e fingi não vê-lo.
Não sei onde eu tava com a cabeça quando me envolvi com aquele homem. Eu dormia na casa dele e era obrigada a ouvir aquela banda insuportável toda noite; uma tal de Jesus e Mary não sei o quê lá. Horrível. Tem um som de guitarra que ninguém merece.
Nesse momento eu tô ouvindo Vitor e Léo que o Reginaldo me deu de presente. Eu vivo ganhando presentes dele; são perfumes, jóias, cd de Lairton e seus teclados, Silvano Salles, dvd de ótimos pagodes...
Sons que estão longe de parecer com os que aquele maluco costuma ouvir. Eu não conseguia mais ir pra casa dele e ficar ouvindo uns troços lá... Tem uma miséria de Tom Waits que parece está bêbado o tempo todo e ele ainda fica lá admirando aquela coisa. Como se não bastasse, ele me deu de presente um disco desse cara! Não passei da segunda faixa.
Uma vez ele saiu com Tinho, aquele amigo dele farrista, e voltou todo mijado!
O elevador ficou todo molhado. Fiquei com vergonha dos porteiros e da síndica do prédio porquê eles me chamaram atenção pelo vexame como se eu tivesse culpa.
O filho da puta no outro dia ainda me pediu pra lavar a calça jeans dele, e eu, abestalhada, lavei.
Não vejo a hora do Reginaldo me conquistar de vez, pois sempre me pego pensando no Buenas... Pior que eu ainda gosto dele e sinto muito a sua falta.
Ele é carinhoso, generoso, tão amável... Ai, fico toda molhadinha quando lembro dele. Nenhum homem me amou tanto... E aquela barbicha... Aquelas mãos...
Lembro da senhora contando como conheceu meu pai e me recordo como conheci o tal Buenas. Foi num show da Jardim da Saudade - uma banda daqui de Salvador que não me agrada muito e só fui porquê sabia que iria encontrá-lo.
A banda é de uns amigos dele. Como ele, só pensam em música, literatura, futebol, farras e mulheres.
O show tava começando quando ele me ofereceu uma vodka. Aceitei e ficamos conversando. De repente, chegou Xanxa - um amigo dele e baixista da banda -, e perguntou se ele tinha escrito algum poema novo pro La Verga. Daí fiquei sabendo dos seus blogs e me interessei pelo assunto. Ele me deu os endereços e guardei-os na bolsa.
Resumindo: Ficamos naquela noite e quando cheguei em casa fui logo ler os blogs. Gostei dos dois, principalmente da La Verga. São poemas eróticos e eu disse a todas minhas amigas que fiquei encantada com aqueles escritos.
Me interessei ainda mais por ele. Namoramos e fui cada vez mais me envolvendo com aquele magrelinho.
Mamãe, tenho uma coisa pra te contar, por favor, não fale pro papai: eu fiz um aborto.
Continua.
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Disco da Semana.


Sune Rose Wagner - Untitled (2009). Este é o primeiro disco solo de Sune Rose Wagner, a outra metade dos Raveonettes (queridinhos aqui do On The Rocks).
Neste registro fonográfico, Sune deixou de lado as distorções que são peculiares no som de sua banda, em que divide a responsabilidade com a maravilhosa Sharin Foo, para investir em melodias suaves e tocantes.
Com tons sombrios e singelos, este ilustre compositor vai aos poucos deixando sua marca ao lado de grandes compositores da atual década, como é o caso de Jason Lytle ( Grandaddy) e Jeff Tweddy (Wilco).
Svinske Maend é uma das mais belas do ano.
Este disco vai entrar com certeza na lista de melhores do ano deste blog. Aguarde.
Conheça a La Verga, meu blog de poemas eróticos: www.lavergadelbuenas.blogspot.com. Até a próxima.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Disco da Semana.


Manic Street Preachers - Journal for plague lovers (2009). Este é o mais novo petardo do Manic Street Preachers, banda formada no País de Gales em 1986 por James Bradfield, Nicky Wire e Sean Moore.
Journal for plague lovers é um disco de rock vigoroso, com letras inspiradas e sonoridade hard. Os integrantes da banda retiraram as letras de um caderno deixado pelo guitarrista Richey James - entregue ao baixista Nicky Wire -, antigo integrante que suicidou-se em 1995 jogando-se da ponte Severen, em Bristol. Seu carro fora encontrado próximo à ponte, e seu corpo jamais encontrado.
Os temas políticos e as críticas sociais continuam afiadas. A pegada, certeira. Rock!
Pô, toda vez que ouço Pretension/Repulsion me lembro do tempo em que ficava ouvindo rock pesado com Fabrício na casa de vovó Dai. A gente costumava se reunir nas tardes para ouvir música e pintar o sete.
Os vizinhos sofriam com a gente. Eu sempre recebia reclamação dos velhinhos, mas como era adolescente e rebelde, não ligava. Não dava a mínima para eles. Eu queria era botar pra fora minhas angústias, minhas dores, e gritar bem alto para todo mundo ouvir.
Taí um disco que entraria tranquilo em minha lista de melhores da década. Sem dúvida alguma, este é o melhor deles em muitos anos. Journal for plague lovers é um desses discos que te pega de cheio, te joga para cima, te derruba e depois tá tudo bem.
Me and Stephen Hawking, All is vanity, Virginia state epilpetic colony, Williams last words e tantas outras não vão te decepcionar. Vai por mim.
Assista ao videoclipe com a música Pretension/Repulsion no post abaixo. Tem novidade na La Verga, meu blog de poemas: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/. Até a próxima.

Manic Street Preachers - Pretension/Repulsion.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Como eu Conheci a Jardim da Saudade.

Salvador, cidade da fantasia, tem muito rock inteligente. Músicos, letristas e cantores talentosos - foi daqui que saiu três fortes candidatos a melhor cantor do rock nacional. São eles: Arthur Ribeiro (ex-Elite Marginal e Treblinka; atual Theatro de Séraphin), Glauber Guimarães (ex-Dead Billies e atual Teclas Pretas) e Ronei Jorge.
Este último, atualmente à frente da banda Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, foi responsável por duas das mais significativas bandas surgidas na cidade nos anos noventa. Primeiro a Saci Tric, com um rock vigoroso, muito bem trabalhado e em perfeita harmonia com as letras do próprio Ronei - chegaram a lançar um disco gravado ao vivo, mais dois raríssimos cassetes.
A segunda foi a Jardim da Saudade, uma das minhas preferidas. Conheci a banda na época em que frequentava a Na Mosca, um misto de loja de discos e bar, das mais legais que conheci em minha vida.
Localizada no Rio Vermelho, próximo ao meu curso profissionalizante de artes cênicas, eu tinha o costume de passar por lá quando terminava as aulas, e principalmente nos fins de semana para ouvir uns sons, beber umas cervas e bater um papo com os caras da loja - Tony Lopes, Dicinho e o próprio Ronei Jorge -, mais os frequentadores (sempre as mesmas caras).
Então, em uma dessas visitas, fui informado pelo próprio Tony da existência da Jardim da Saudade, uma banda montada para durar apenas um mês - e durou!
Pensei que fosse brincadeira dos caras, mas, infelizmente, era verdade.
Primeiro, lançaram um cassete, que se não me falha a memória, tinha cinco músicas. Eu adoro as letras e o clima das canções. Solidão, paixão e melancolia permeiam as gravações desta sublime banda.
Há um misto nas composições. Canções de Tony, baterista (ex-Guerra Fria, TL & Os Sobreviventes, Tristes Tigres; atual Koyotes e Tiltt) com Luisão, piano (ex-Penélope, atual Dois em Um), Nuno, baixista (ex-Saci Tric e atual Estrada Perdida), e Ronei (voz e guitarra).
Outro baixista que fez parte da banda foi o meu amigo e videomaker Alexandre "Xanxa" Guena (ex-Arsene Lupin) e Chico Abreu (Sax e teclados). Para a gravação de a Deus, único disco lançado por eles, a cantora Cláudia Cunha fez participação especial em algumas faixas.
O que me chamou atenção no som da Jardim foi o clima à la Nick Cave e Tindersticks, artistas ao qual sou fã, mais as letras inspiradas e apaixonantes dos seus componentes.
Eu adoro O Deus e o Artesão, Única Dor, As Solidões e Balada da Estrada.
Nessa época, eu morava com minha mãe, o ano era 1997 e ela vivia imitando Ronei pela casa. Até hoje não sei se ela gostava ou se cantava ironizando as canções dos caras.
Eu só saía de casa para o curso depois de ouvir a Jardim. O meu cassete, intitulado Jardim da Saudade, não sei onde foi parar; talvez esteja com meu amigo e compadre Fabrício Silva. Tomara que esteja com ele, pois este tem um valor sentimental muito grande pra mim - embora eu tenha o já clássico e raríssimo a Deus.
Pra quem não sabe, Jardim da Saudade é o nome de um dos cemitérios daqui de Salvador.
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Me comprometi a indicar um disco por semana, mas esta foi terrível para mim. Não tive condições de me dedicar ao On The Rocks da forma como eu mais gosto.
Uma semana estressante. Muito estressante. Postar qualquer coisa aqui para não passar em branco não é a cara deste blog.
A próxima semana vai ser ótima. confiante. Vocês vão ver.
Quero aproveitar para indicar o mais novo blog da Karine Rodrigues (http://www.aquelecarnaval.blogspot.com/). Karine, seja bem-vinda à blogosfera. Até a próxima.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Cinco Anos Sem John Peel, O Lendário DJ Inglês.


O lendário DJ, radialista e crítico musical John Robert Parker Ravenscroft, ou simplesmente John Peel, completou cinco anos de morte no último domingo, 25.
John foi responsável por divulgar bandas em começo de carreira no Reino Unido com um certo glamour que faltava a outros profissionais da área.
Não foram poucas as bandas que se apresentaram em seu famoso programa de rádio na BBC inglesa.
As bandas eram escolhidas a dedo pelo próprio John. Echo and The Bunnymen, Bauhaus, New Order, House of Love, Jesus and Mary Chain, The Smiths - foi lá que Morrissey e companhia gravaram boa parte do clássico Hatful of Hollow -, Siouxsie and The Banshees, Nirvana e tantas outras.
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Curti o Big Bands Festival no último fim de semana. Montei uma banquinha de discos em companhia de Tony Lopes, antigo parceiro da São Rock Discos, e rolou uma espécie de revival, com muita cerva, amigos, meninas lindas ao nosso redor - como nos velhos tempos -, e muito som bacana.
Vendemos muitos discos e divulgamos nossos blogs para a rapaziada. Pastel de Miolos, Tom Bloch e Frank Jorge fizeram os melhores shows do sábado. Não fui no domingo.
Parabéns para Rogério Big Brother, o organizador do festival, e toda sua equipe.
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Fui convidado pela escritora/blogueira e gatíssima, Samantha Abreu, para publicar um texto no Versos de Falópio - blog em que ela escreve em companhia de várias blogueiras de diversas partes do país.
Para mim é uma honra participar deste blog devido a qualidade dos escritos das meninas, e dos convidados também.
O texto será publicado no próximo domingo, 01 de novembro. Eis o link: www.versosdefalopio.blogspot.com.
Para esta semana, além deste post, preparei mais três: um videoclipe (não oficial) do Elliott Smith; poema de Neruda e a estreia da nova seção, Disco da Semana.
Esta é a comunidade do On The Rocks no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=53673577. Participe. Até a próxima.

Elliott Smith - Between the Bars (Para Tatiana Coutinho).

Um Poema de Pablo Neruda.

Dedico este post aos meus amigos Tinho e Camila.



Eu te nomeei rainha
Existem mais altas do que tu, mais altas.
Mais puras do que tu, mais puras
Mais belas do que tu, mais belas

Mas tu és a Rainha

Quando vais pelas ruas,
Ninguém te reconhece
Ninguém vê a coroa de cristal,
Ninguém vê o tapete de ouro vermelho que pisas por onde passas,
O tapete que não existe

É apenas aparecer
Cantam todos os rios
em meu corpo, As campanas
estremecem o céu
e um hino enche o mundo

Somente tu e eu,
Somente tu e eu, amor meu
O escutamos.

Disco da Semana.


Estreiando a mais nova seção do On The Rocks, temos a maravilhosa cantora de soul e gospel americana Candi Staton com um dos seus últimos lançamentos, o disco His Hands (2006).
Candi ficou mundialmente conhecida em 1976 com o lançamento do hit Young hearts run free. Seu vozeirão me encantou de cara quando a ouvi pela primeira vez na época em que trabalhava numa loja de discos aqui em Salvador.
O que me chamou atenção, em primeiro lugar, foi a beleza da capa, remetendo as pepitas da Blue Note que eram lançadas neste molde. Depois, o canto potente e sedutor; envolvente.
Candi nasceu em 1940 no Alabama e acaba de lançar seu mais novo disco, Who's Hunting Now?.
Download para His Hands, aqui:

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Frank Jorge em Salvador.

Tá difícil escolher os melhores discos da década. Prometi publicar esta semana, mas não vai dar. Primeiro pensei em dez, agora são quinze e mesmo assim não saiu ainda. Quero colocar apenas um album por artista e é aí que tá o problema. Por exemplo, o Wilco, uma das bandas mais significativas da década tem três ótimos albuns: Yankee hotel foxtrot, A ghost is born e Sky blue sky; então fico com minhas dúvidas cruéis, mas nada que possa afundar a ideia de que tanto gosto de fazer.

Essa mania de listas começou quando eu tinha dezesseis anos de idade e costumava ficar trancado no quarto ouvindo música e pensando nas melhores músicas, bandas, discos e capas; vivia corrigindo a listinha assim que conhecia mais bandas e artistas em carreira solo.
Decidi ali por volta de 2002 que as minhas bandas favoritas jamais sairiam da lista da minha vida, são elas: Jesus and Mary Chain, Rolling Stones, Joy Division, Sonic Youth, Echo and the Bunnymen e o Velvet Underground.
Já tentei encaixar várias vezes o Dinosaur Jr., mas não consegui; assim como o Pavement, Tindersticks, The Who, The Smiths, Ramones, Sex pistols, The Cult, Beatles, Television... A lista é grande!
Até montei uma banda imaginária com Peter Hook (New Order) no baixo e Keith Moon (The Who) na bateria. Desisiti por não conseguir escolher o guitarrista. Até que consegui escalar os cantores: Ian McCulloch (Echo and the Bunnymen) e Ian Astbury (The Cult), revezariam na gravação do disco, e para os shows, Mick Jagger e Ozzy Osbourne fariam o revezamento nos palcos.
É, mas nunca consegui escalar os guitarristas, e como banda de rock sem guitarra não é banda, o projeto afundou.
Nos posts desta semana temos uma homenagem a Rimbaud, um video do meu caro Dão e cartaz do Big Bands no final.
Eu vou pro Big Bands Festival porque quero assistir a estreia solo de Messias, conferir a Pastel de Miolos, Nancy Viegas e, claro, Frank Jorge - o cara que lançou um dos melhores discos da década entre o brasileiros na opinião deste ser que vos escreve.
Escrevo depois sobre o Carteira Nacional de Apaixonado, pode cobrar. Frank toca pela primeira vez em Salvador e o On The Rocks não vai perder essa. Até a próxima.

Arthur Rimbaud (20 de outubro de 1854/10 de novembro de 1891).

Noite do Inferno.
Traguei um bom gole de veneno. - Seja três vezes abençoada minha resolução! - Minhas entranhas ardem. A violência do veneno contrai-me os membros, desfigura-me, arroja-me ao chão. Morro de sede, sufoco não posso gritar. É o inferno, as penas eternas! Vede como o fogo se levanta! Queimo-me, como me convém. Vai demônio!
Eu percebera a conversão ao bem e à felicidade, a salvação. Possa eu descrever a visão, o ar do inferno não tolera os hinos! Eram milhares de criaturas encantadoras, um doce concerto espiritual, a força e a paz, as nobres ambições, e que mais?
As nobres ambições!
E é ainda a vida! - Se a danação é eterna! Um homem que se mutila deliberadamente é um danado, não é? Creio estar no inferno, então estou nele. É a execução do catecismo. Sou escravo do meu batismo. Pais, fizestes a minha desgraça, e também a vossa. Pobre inocente! - O inferno não pode investir contra os pagãos. - É ainda a vida! Mais tardes, serão mais profundas as delícias da danação. Um crime, depressa, que posso cair no vácuo, por imposição da lei humana
Fica em silêncio, cala-te!... Aqui é a vergonha, a reprovação. Satã diz que o fogo é ignóbil, e que minha cólera é terrivelmente estúpida. - Basta!... Erros a que me induziram, magias, perfumes falsificados, músicas pueris. - E dizer que possuo a verdade, que vejo a justiça: tenho um julgamento são e firme, estou pronto para a perfeição... Orgulho! - Meu couro cabeludo se resseca! Piedade, Senhor, tenho medo. Tenho sede, tanta sede! Ah, a infância, o luar quando o sino tocava meia-noite... O diabo está no campanário, nessa hora. Maria! Virgem Santa!... - Minha estupidez causa-me horror.
embaixo não estão as almas honestas, que me desejam o bem?... Vinde...
Tenho um travesseiro sobre a boca, elas me ouvem, são fantasmas. Além do mais, ninguém pensa nunca nos outros. Não se aproximem de mim. Cheiro a carne tostada, é certo.
As alucinações são inumeráveis. É, sem dúvida, o que sempre tive: falta de fé na história, o esquecimento dos princípios. Silenciarei sobre isto: poetas e visionários ficariam enciumados. Sou mil vezes o mais rico, sejamos avaros como o oceano.
Isto, agora! O relógio da vida acabou de parar. Não estou mais no mundo. - A teologia é uma coisa séria, o inferno está certamente embaixo - e o céu no alto. Êxtase, pesadelo, sono em um ninho de chamas.
Quantas burlas na vigília campestre... Satã, Ferdinando, corre com as sementes selvagens... Jesus caminha sobre as sarças purpúreas, sem curvá-las... Jesus caminha sobre as águas irritadas. À luz da lanterna, ele nos surgiu de pé, de branco e de trigueiras tranças, no seio uma onda de esmeralda...
Vou desvendar todos os mistérios: mistérios religiosos ou naturais, morte, nascimento, futuro, passado, cosmogonia, o nada. Sou mestre em fantasmagorias.
Escutai!
Tenho todos os talentos! - Não há ninguém aqui, e há alguém: eu não gostaria de distribuir meu tesouro. - Querem cantos negros, danças de huris? Querem que eu desapareça, mergulhe em busca do anel. Querem? Fabricarei ouro, remédios.
Confiai em mim, então, a fé alivia, guia, cura. Vinde, todos - até as criancinhas - que eu vos posso consolar e entre vós distribuir seu coração, - o coração maravilhoso! - Pobres homens trabalhadores! Não peço orações; seria feliz apenas com a vossa confiança.
- E pensemos em mim. Isto me faz lamentar pouco o mundo. Tenho a sorte de não sofrer mais. Minha vida foi senão doces loucuras, o que é lamentável.
Estamos, delicadamente, fora do mundo. Não se ouve nenhum som. Meu tato desapareceu. Ah! meu castelo, minha porcelana de Saxe, meu bosque de salgueiros. As tardes, as manhãs, as noites, os dias... Como estou cansado!
Eu deveria ter um inferno para a minha cólera, um inferno para o meu orgulho, - e o inferno da carícia; um concerto de infernos.
Morro de cansaço. É o túmulo vou-me para os vermes, horror dos horrores! Satã, farsante, queres dissolver-me com os teus encantos! Protesto. Protesto! um golpe de forçado, uma gota de fogo.
Ah, voltar de novo à vida! Lançar os olhos sobre nossas monstruosidades. E este veneno, este beijo mil vezes maldito! Minha fraqueza, a crueldade do mundo! Meu Deus, piedade, ocultai-me, não estou em condições de proteger-me! - Estou escondido e não o estou.
É o fogo que se segue, com o seu danado.
Tradução de Lêdo Ivo.

Dão - Não vá dizer que vai ficar de fora desse samba.

Festival Big Bands.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Galeria.

Desisti do meu blog visual Deus só protege os bêbados e as crianças. As imagens (pinturas, fotografias e charges) que planejei postar lá, estarão aqui no On The Rocks na volta da seção Galeria.
E para a reestreia desta seção, escolhi umas charges do ilustrador baiano Bruno Aziz. Para conhecer melhor seu trabalho, clique aqui: www.fotolog.com.br/rabiscoland. O rapaz é talentoso e eu garanto diversão do começo ao fim.
Enquanto os dias passam vagarosamente, fico pensando em novos rumos para minha vida que recomeça com força total na próxima semana depois de um longo período afastado de Salvador.
A TV da sala tá ligada. Ouço a narração do jogo Brasil x Venezuela pelas eliminatórias da Copa do Mundo. O narrador Galvão Bueno parece ser um homem múltiplo: comentarista, técnico, jogador, dirigente, juiz e, o que ele menos faz, narrar o jogo. , que cara chato!
Bob Dylan lançou um disco especial com canções natalinas, chama-se: Christmas in the Heart. Lançar discos com este tema é comum entre os artistas gringos. Fiquei curioso para ouvir o velho Dylan cantar sua canções preferidas de natal.
Vi no site El Cabong (ver link ao lado), que algumas revistas da Europa já estão fazendo suas listas com os melhores discos da década e o On The Rocks não vai ficar de fora dessa.
Já comecei a fazer a minha; eis os artistas que já estão lá: Bob Dylan, Johnny Cash, The Strokes e Wilco. Agora, é só aguardar.
O jornalista e escritor Emmanuel Mirdad fez uma homenagem para mim em seu blog (http://www.elmirdad.blogspot.com/), e eu gostei muito. Mirdad, obrigado pelo carinho e pela grande homenagem. Até a próxima.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Obra-Prima.

Songs of Leonard Cohen - Era a época do flower power quando o escritor, poeta e cantor canadense deu seu ar das graças no mundo da música com este álbum gravado em 1968 em companhia de violões, piano e uma sublime orquestra acompanhando seu canto tímido e suas poesias conflitantes.
Cohen começou sua carreira artística por volta de 1955 com o lançamento de seu primeiro livro de poesia Let us compare mythologies.
Muito respeitado pela crítica literária de seu país, ele jamais entraria para o mundo da música se dependesse deles. Sua fama de grande escritor veio em 1966 quando do lançamento de Beautiful Losers - romance que colocaria jornalistas de várias partes do país em seu encalço.
Cohen poderia ter se tornado um dos principais escritores de sua geração não fosse pela inclusão da música Suzanne no álbum In my life da cantora Judy Collins, mudando assim, os rumos de sua carreira artística.
A foto 3x4 que está estampada na capa do álbum fora tirada pelo próprio Cohen através de uma câmera automática, mostrando seu perfil tímido e tenso.
Com uma totalidade de dez canções carregada de espiritualismo conflituoso, tédio e paixões dilacerantes, Songs of Leonard Cohen foi um marco em plena época do paz e amor e da liberdade sexual.
A canção So long, Marianne está entre as cinco mais belas de todos os tempos na opinião deste ser que vos escreve.
Acompanhado por violões, violino, e por um sedutor backing vocal - uma marca em suas músicas -, So long, Marianne vai te caminhando por um terreno propício a devaneios e rios de lágrimas.
Se eu fosse para uma ilha deserta e tivesse que levar apenas cinco discos, este seria um deles, ao lado de Psychocandy, é claro.
Aos setenta e cinco anos de idade, Cohen continua influenciando um séquito de artistas espalhados em toda parte do mundo. I'm your fan, tributo lançado nos anos noventa, é apenas um deles. Estão lá: Nick Cave, Ian McCulloch, Lloyd Cole, Pixies, REM, House of Love, ou seja, todos queridos desta casa.
Hey, that's no way to say goodbye é a canção que escolhi para traduzir aqui pra vocês. A tradução, livre, foi feita por meu amigo Nelsinho Magalhães.
Ei, isso não é jeito de dizer adeus (Leonard Cohen).
Te amei pela manhã
Nossos beijos profundos e quentes
Teu cabelo sobre o travesseiro
Feito uma tempestade dourada adormecida
Muitos amaram antes de nós
Eu sei que não somos novidade
Na cidade e na floresta
Já sorriram como eu e tu
Mas agora são distâncias
E nós dois precisamos experimentar
Teus olhos estão úmidos de tristeza
Ei, isso não é jeito de dizer adeus
Não estou procurando outro
Ao vaguear no meu ritmo
Me leve até a esquina
Nossos passos sempre irão
Sabes que meu amor vai contigo
Assim como o teu fica comigo
É só o modo como ele se move
Feito a vinha das marés e o mar
Mas não vamos falar de amor ou correntes
E coisas que não podemos desatar
Teus olhos estão úmidos de tristeza
Ei, isso não é jeito de dizer adeus.
No post abaixo, uma dica para este fim de semana. Visite Deus só protege os bêbados e as crianças: http://www.deusprotege.blogspot.com/. Até a próxima.