sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Se Eu Fosse Guitarrista, Queria Ser Como J. Mascis.

(Green Mind,1991).
Sou fã do modo peculiar como J. Mascis toca guitarra. Estilo: começa agora sabe Deus quando vai acabar. À frente dos colossais Dinosaur Jr., um dos pilares do rock alternativo norte-americano, Mascis chama atenção não só pelo modo como toca sua guitarra, mas também como canta. A impressão que tenho é a de que ele acabou de acordar e entrou em estúdio para gravar suas músicas no melhor estilo bicho-preguiça.
O Dinosaur Jr. foi formado em meados dos anos oitenta por Mascis e Murph (baterista) após terminarem o colegial em Boston. Para o baixo, convidaram Lou Barlow e foram logo chamando atenção dos universitários, rádios alternativas e celebridades como o pessoal do Sonic Youth.
Thurston Moore, guitarrista do Sonic Youth, chegou a montar uma banda à época com Mascis, chamado Velvet Monkeys.
O som do Dinosaur Jr. trafega entre o punk folk e o country arrebenta-quarteirões, como os próprios integrantes definem.
Após três álbuns lançados de forma independente, e com a saída de Lou - que formara o Sebadoh em seguida -, Mascis e seus comparsas lançaram o elogiadíssimo Green Mind (1991) por uma major. O que veio somar com o sucesso que foi a gravação da cover "Just Like Heaven" do The Cure e a participação no tributo a Neil Young, The Bridge.
A versão que os caras fizeram para "Lotta Love" é simplesmente arrasadora e insana.
Green Mind, que tem uma bela capa - uma das prediletas do On The Rocks - é mais acessível do que os anteriores, mas não menos emocionante. Seu estilo de tocar guitarra continua o mesmo.
Barulho, distorções e melodia a serviço dos sons que vieram pra ficar na história, emocionar e seduzir ouvidos mais atentos e aptos a embarcar no marasmo deste grande guitar man.
Clique aqui e assista ao video-clipe de Out There: http://www.youtube.com/watch?v=tbVKykdP7fY. Até a próxima.

(J. Mascis à frente do Dinosaur Jr).

Meme.

Recebi do blog Nas Horas E Horas E Meias do meu caro Fred Matos este Meme.
1 - Agarrar o livro mais próximo;
2 - Abrir na página 161;
3 - Procurar 5° frase completa;
4 - Colocar a frase no blog;
5 - Repassar pra 5 pessoas.
O livro mais próximo é As Flores do Mal de Charles Baudelaire. Na página 161 a 5° frase, ou melhor, o 5° verso diz:
"Anjo todo alegria, ignorais a desgraça?"
Minhas cinco vítimas são:
Nelson Magalhães Filho (www.anjobaldio.blogspot.com).

sábado, 24 de janeiro de 2009

Na Estrada Entre Sonhos E Canções.


O ano era 1995 e os Rolling Stones estavam no Brasil divulgando a Voodoo Lounge Tour. Pela primeira vez a maior banda de rock n'roll do planeta, depois do Jesus and Mary Chain, é claro, tocaria por aqui. O tão sonhado acontecimento estava há muitos quilômetros de mim, e o pior, totalmente sem grana para viajar de Salvador ao Rio de Janeiro para assisti-los.
Foi minha mãe que teve a ideia de fazer uma lista e pedir uma grana para amigos e familiares, o que acabou dando certo.
Viajei de ônibus em companhia de Gil Bad Boy, meu único amigo que teve a ousadia de enfrentar tal desafio pela estrada afora.
O roteiro foi escolhido por mim. Seguiríamos pelo estado de Minas Gerais, ao invés do Espirito Santo, que era outra alternativa. Sempre tive vontade de conhecer o interior de Minas e aproveitei o momento para saciar tal vontade.
Minas passa uma sensação de espontaneidade, tranquilidade e de aconchego.
Pela janela do ônibus imaginava de onde vinha tamanha inspiração dos artistas locais. Montanhas, serras, caprinos e bovinos formavam uma paisagem bastante propícia para a criação.
Ficava pensando no trem azul de Lô Borges quando via um trilho, mas ele nunca aparecia e as pedras remetiam a Pedras rolando, a mais bela canção de Beto Guedes.
Pedras rolando encerra o lado A de Sol de Primavera, seu terceiro álbum. Toda vez que colocava este disco para ouvir começava sempre com ela e só depois ouvia as outras canções. Cruzada e Pela claridade da nossa casa são outras pepitas escondidas no álbum.
O marco da geração mineira é sem dúvida Clube da Esquina, um cruzamento da melhor música brasileira com a criatividade e genialidade dos Beatles.
Tavito, um dos músicos que toca no Clube, tem uma música - das mais lindas e melancólicas do nosso país - que diz assim: "Será que algum dia eles vêm, cantar as canções que a gente quer ouvir..."
Na capa, dois meninos, um negro e um branco, fotografados numa estrada qualquer do interior mineiro. Símbolo de criação e esperança jovem em plena ditadura militar.
Pérolas é o que ouvimos aqui. Nada será como antes é matadora. No sentido de dizer que o que passou, passou. Renovaremos tudo e sejamos sempre felizes.
A força do álbum são as composições de Milton Nascimento, Lô Borges, Fernando Brant e Ronaldo Bastos.
A equipe de músicos não fica atrás: Wagner Tiso, Toninho Horta, Rubinho, Beto Guedes (voz e violão), Eumir Deodato e Paulo Moura (regente), entre outros, transformam canções como um porta-voz para uma geração encantadora, sonhadora e guerreira.
E os Stones estavam a poucos instantes de mim.
Palco: Maracanã. O mesmo que vi Zico e sua seleção rubro-negra fazer os meus olhos escorrerem de lágrimas e emoção ao longo da minha infância.
Após os shows de Spin Doctors (argh!), Barão Vermelho e Rita Lee (fantástica), os Stones sobem ao palco timidamente como se fossem uma bandinha qualquer. Começam com Not fade away com Mick Jagger tocando gaita. Pouca luz, poucos movimentos... e de repente entra Tumbling dice!
O mundo parou em minha frente. Não sentia meus pés. Meus olhos não piscavam.
Puta que pariu!
Luzes à tona e todo mundo gritando e pulando como se estivéssemos em cima de um tapete que alguém tivesse acabado de sacudi-lo.
Keith Richards, meu guitarrista preferido, revelou ser realmente o cara que empurra Mick Jagger para extasiar todo um séquito de fãs e mostrar ao mundo porque eles são a maior banda do planeta, depois do Jesus and Mary Chain, é claro
Valeu cada passo, cada sonho, cada dinheiro gasto.
Tenho recebido e-mails e scraps de leitores pedindo uma resenha sobre o novo disco do Frank Jorge e do Flaming Lips. O problema é que não sei se estes discos foram lançados oficialmente, pois um colega de blog - Charles do Rock for Masses -, teve seu blog excluído pela Domino Records por ter disponibilizado algumas faixas do novo do Franz Ferdinand. Então, aguardem, por favor. Esta é a comunidade do On The Rocks no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=53673577. Até a próxima.

domingo, 18 de janeiro de 2009

On The Rocks Recomenda.


Minha viagem a Cruz das Almas no último fim de semana foi uma verdadeira overdose de poesia, e das melhores. Da mais pungente, densa e provocativa dos últimos anos. Elas estão repousadas no livro Vaga Lumes do poeta Luciano Fraga.
Muito satisfeito com minha presença e de outros amigos, D. Luchiano, como costumo chamá-lo carinhosamente, promoveu uma catarse poetica em seu lançamento.
Em princípio, lembrando e recitando a poesia de Luizinho, grande poeta e conterrâneo que faleceu jovem em desastre de moto, depois, ressaltando em seu discurso pré-autógrafos que a poesia está em cada um de nós, basta cada um colocar pra fora.
"D. Buenas - é assim que ele me chama - a poesia chega a nós em um fio condutor. Ela está por vir e quando a gente menos espera, explode em cada um de nós", até no discurso o cara é foda.
Simples, humilde e visivelmente emocionado pela presença de seus convidados, esse cara me proporcionou um belo e já saudoso fim de semana.
Bebi muitas cervejas e dei alguns goles em seu copo de whisky perturbador.
Tenho o costume de acessar seu blog de poesias toda semana na intenção de aprender e construir melhor os meus poemas: http://www.versoseperversos.blogspot.com/
No palco tivemos a presença de Zinaldo Velame e Ian Ferreira, artistas talentosos que proporcionaram aos convidados da noite um belo show com canções próprias e de artistas do calibre de Arrigo Barnabé e Walter Franco.
Voltei pra casa debaixo de chuva, pirado e comovido pelo momento que me foi proporcionado. E ainda arrumei uma paquera!
Eu mereço.
D. Luchiano, obrigado por tudo. Buenas!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Blog, A Melhor Coisa Que Criaram Nos Últimos Anos.


Estava conversando dia desses com uma amiga sobre essa maravilha chamado Blog e chegamos a conclusão de que foi a melhor coisa que criaram nos últimos anos. O papo começou quando comentei que era um prazer muito grande prá mim comunicar-me com pessoas que tenho carinho e admiração através dos meus blogs, gente que nunca vi em minha vida, mas é como se estivesse entre eles há muito tempo.
Citei como seria o relacionamento da poeta Ana Cristina César com seus leitores/admiradores e ficamos imaginando as dificuldades de comunicação. Aqui, graças, não temos estas dificuldades.
A comunicação é de imediato com retorno, idem. Fico contente com o retorno que tenho recebido com meus blogs, e confesso: fico apreensivo e um pouco tenso quando os comentários demoram a chegar, principalmente por parte dos blogueiros e leitores que batem ponto aqui e no La Verga Del Buenas.Tenho trocado umas ideias com algumas dessas pessoas pelo msn e posso notar claramente que estou bem acompanhado. As amizades tem surgido de forma inusitada.
Costumo passar dias imaginando a vida que cada um de vocês levam. É sério.
Tipo: "Ela (ou ele) é feliz? Será que vive bem? Como estão seus relacionamentos? Será que gostam do que fazem? E de mim, será que eles curtem mesmo o que escrevo e o que indico?"
É estranho e ao mesmo tempo bacana. Ontem estava com meu amigo Luciano Fraga num churrasco na casa dele e conversamos muito sobre esta relação com vocês.
A Blogosfera toma muito do nosso tempo e chegamos a conclusão de que essa relação é essencial. De como as pessoas se revelam e chegam até nós, cada um do seu jeito.
Tenho uma amiga que tem um blog que seu círculo social não sabe. Amigas, namorado e principalmente a família não pode saber da existência do seu blog por serem conservadores demais.
Ficamos batendo papo no msn por longas horas e a sensação que dar é a de quê nos conhecemos há muito tempo devido a nossa cumplicidade. Ela confia em mim, então fala-me coisas que jamais escreveria em seu blog com seu nome de verdade.
São bagaceiras - como ela mesma diz - e não ficaria bem prá ela conviver com isto sabendo que as pessoas que vivem ao seu redor saberiam. Principalmente coisas do passado.As mulheres se soltam mais, se liberam mais nos bate papos.
Não tenho problemas em falar de mim mesmo. Aliás, vocês já devem ter percebido. Acho que essas trocas de informações sinceras fazem com que elas confiem mais e por isso se jogam mais. Tenho visto cada coisa...
Blogs são fios condutores que nos levam para bem longe, na certeza de encontrarmos abrigo em algum cantinho para ficarmos.
Assim como a poesia, não é D. Luchiano?
Por aqui cheguei há pouco tempo e tem valido essas trocas de ideias e carinhos constantes. Quero que todos saibam que adoro meus blogs e eles representam muito do que sou. Sem disfarces.
Este post saiu diferente do que é de costume - quando escrevo sobre música e literatura -, é que estava precisando dizer essas coisas. Até a próxima.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O Bardo Britânico Richard Hawley.

O britânico Richard Hawley, nascido em Sheffield, é do tipo de cantor que te conquista logo de cara pelas capas, voz encantadora e estilo cool à la Bryan Ferry. Conheci suas canções quando trabalhava na São Rock, meu primeiro emprego como vendedor de discos.

O álbum Lowedges acabara de ser lançado no Brasil, então ficamos intrigados, eu e Tony Lopes, dono da loja e fiel parceiro dos bares que circundavam a loja, com a capa e o visual do cara: um misto de Elvis Presley com Roy Orbison. Passávamos o dia escutando este bardo britânico.
Nunca mais havia escutado um cantor com uma voz tão tocante.
Engraçado é que não sabíamos nada sobre ele, então perguntávamos aos clientes mais chegados alguma informação.
Foi Guido André, um dos nossos clientes especias e companheiro do choppinho de fim de tarde, que comunicou ser Hawley um veterano do cenário britânico. Ele havia começado sua carreira nos Longpigs e em seguida tocou guitarra numa turnê com o Pulp, de Jarvis Cocker, seu amigo e fiel companheiro de música.
Quero aproveitar o momento e agradecer a Guido pela correção no post sobre a Blue Note. Foram publicadas duas capas do John Coltrane, mas só Blue Train foi gravado por lá. Lush Life pertence ao selo Prestige. Sorry.
A estréia solo foi no começo da década com o álbum Late Night Final (2002), mas foi com Lowedges (2003), que o nossso querido cantor romântico chamou atenção da crítica de seu país. E que capa! A exemplo das outras, são simplesmente belíssimas.
Por desacerto nosso, havia chegado apenas uma única cópia na loja, o que não demorou a vender. O problema foi para conseguir outro depois, devido ao débito que tínhamos com a gravadora - a Sum Records.
Procurei em outras lojas da cidade e não encontrei.
Tive que amargar por uns tempos estressantes para conseguir outro. Dessa vez uma cópia importada, muito mais cara por sinal, mas com a qualidade de impressão bem melhor.
Outros maravilhosos discos vieram. São eles: Coles's Corner (2005) e Lady's Bridge (2007) - este foi, em minha opinião, o melhor lançamento daquele ano.
A canção The Ocean - que está em Cole's Corner - é uma das mais belas dos últimos anos e a sua versão para Some candy talking - descobri a pouco na Web - do Jesus and Mary Chain, é de cair o queixo.
Um trovador solitário, no melhor estilo baladeiro, confessando todo seu sentimento para sua amada. Está é uma de suas características que mais me chamou atenção.
Sua música é para ser apreciada como um bom vinho. Sorvê-la lentamente e de preferência em companhia de uma mulher. Sem o mínimo de pressa, é claro. Beijos e declarações de amor caem bem.
On The Rocks aguarda ansiosamente para este ano mais um álbum de Hawley. Click aqui para assistir ao video-clipe da canção Valentine: http://www.youtube.com/watch?v=XVihcsjZKL4
Tem post novo no La Verga: www.lavergadelbuenas.blogspot.com