sábado, 24 de janeiro de 2009

Na Estrada Entre Sonhos E Canções.


O ano era 1995 e os Rolling Stones estavam no Brasil divulgando a Voodoo Lounge Tour. Pela primeira vez a maior banda de rock n'roll do planeta, depois do Jesus and Mary Chain, é claro, tocaria por aqui. O tão sonhado acontecimento estava há muitos quilômetros de mim, e o pior, totalmente sem grana para viajar de Salvador ao Rio de Janeiro para assisti-los.
Foi minha mãe que teve a ideia de fazer uma lista e pedir uma grana para amigos e familiares, o que acabou dando certo.
Viajei de ônibus em companhia de Gil Bad Boy, meu único amigo que teve a ousadia de enfrentar tal desafio pela estrada afora.
O roteiro foi escolhido por mim. Seguiríamos pelo estado de Minas Gerais, ao invés do Espirito Santo, que era outra alternativa. Sempre tive vontade de conhecer o interior de Minas e aproveitei o momento para saciar tal vontade.
Minas passa uma sensação de espontaneidade, tranquilidade e de aconchego.
Pela janela do ônibus imaginava de onde vinha tamanha inspiração dos artistas locais. Montanhas, serras, caprinos e bovinos formavam uma paisagem bastante propícia para a criação.
Ficava pensando no trem azul de Lô Borges quando via um trilho, mas ele nunca aparecia e as pedras remetiam a Pedras rolando, a mais bela canção de Beto Guedes.
Pedras rolando encerra o lado A de Sol de Primavera, seu terceiro álbum. Toda vez que colocava este disco para ouvir começava sempre com ela e só depois ouvia as outras canções. Cruzada e Pela claridade da nossa casa são outras pepitas escondidas no álbum.
O marco da geração mineira é sem dúvida Clube da Esquina, um cruzamento da melhor música brasileira com a criatividade e genialidade dos Beatles.
Tavito, um dos músicos que toca no Clube, tem uma música - das mais lindas e melancólicas do nosso país - que diz assim: "Será que algum dia eles vêm, cantar as canções que a gente quer ouvir..."
Na capa, dois meninos, um negro e um branco, fotografados numa estrada qualquer do interior mineiro. Símbolo de criação e esperança jovem em plena ditadura militar.
Pérolas é o que ouvimos aqui. Nada será como antes é matadora. No sentido de dizer que o que passou, passou. Renovaremos tudo e sejamos sempre felizes.
A força do álbum são as composições de Milton Nascimento, Lô Borges, Fernando Brant e Ronaldo Bastos.
A equipe de músicos não fica atrás: Wagner Tiso, Toninho Horta, Rubinho, Beto Guedes (voz e violão), Eumir Deodato e Paulo Moura (regente), entre outros, transformam canções como um porta-voz para uma geração encantadora, sonhadora e guerreira.
E os Stones estavam a poucos instantes de mim.
Palco: Maracanã. O mesmo que vi Zico e sua seleção rubro-negra fazer os meus olhos escorrerem de lágrimas e emoção ao longo da minha infância.
Após os shows de Spin Doctors (argh!), Barão Vermelho e Rita Lee (fantástica), os Stones sobem ao palco timidamente como se fossem uma bandinha qualquer. Começam com Not fade away com Mick Jagger tocando gaita. Pouca luz, poucos movimentos... e de repente entra Tumbling dice!
O mundo parou em minha frente. Não sentia meus pés. Meus olhos não piscavam.
Puta que pariu!
Luzes à tona e todo mundo gritando e pulando como se estivéssemos em cima de um tapete que alguém tivesse acabado de sacudi-lo.
Keith Richards, meu guitarrista preferido, revelou ser realmente o cara que empurra Mick Jagger para extasiar todo um séquito de fãs e mostrar ao mundo porque eles são a maior banda do planeta, depois do Jesus and Mary Chain, é claro
Valeu cada passo, cada sonho, cada dinheiro gasto.
Tenho recebido e-mails e scraps de leitores pedindo uma resenha sobre o novo disco do Frank Jorge e do Flaming Lips. O problema é que não sei se estes discos foram lançados oficialmente, pois um colega de blog - Charles do Rock for Masses -, teve seu blog excluído pela Domino Records por ter disponibilizado algumas faixas do novo do Franz Ferdinand. Então, aguardem, por favor. Esta é a comunidade do On The Rocks no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=53673577. Até a próxima.
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