sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Paralisado Em Frente À Tv (2° Parte).


O ano era 1987 quando meu amigo Christiano Blumetti, o Moloko, mostrou-me um video-clipe da música Pretty Vacant dos Sex Pistols. Bateu de cara. A banda estava num show, não sei onde, usando roupas rasgadas, cabelos espetados e coloridos. O vocalista John Lydon, o Jonnhy Rotten, parecia que ia dinamitar alguém com sua fúria insana. Atacar todos que estavam ali em sua frente. Era um lugar pequeno e enfumaçado, como era de costume os Pistols tocarem.
Nesta época eu morava em Cruz das Almas. Lá não vendia discos dos Sex Pistols, então viajava para Salvador em busca daquelas músicas furiosas.
Voltava sempre com as mãos vazias. Viajava de novo, e nada!
Meu primeiro contato com as músicas do antológico Never Mind The Bollocks Here's The Sex Pistols, primeiro e único álbum da banda, foi através de um K7 que Nelsinho havia emprestado a mim e a Fabrício Silva nos tempos em que começamos a frequentar a Casa da Cultura Galeno D'Avelírio.
Foi no começo de uma noite de inverno que pegamos este K7 e fomos para a minha casa. Atravessamos a praça Senador Temistócles a passos largos, pois os pingos da chuva começavam a cair sobre nossas cabeças.
As badaladas do sino da igreja da Matriz soavam fortes! Ninguém caminhava em nossa frente.
Parecia até que íamos ouvir o primeiro disco do Black Sabbath, devido a tal cenário.
Ouvimos várias vezes aquele precioso K7 contendo a já citada Pretty Vacant, God Save the Queen, Bodies, entre outras pepitas.
Um som sujo e urgente. Furioso. Querendo destruir tudo e a todos foram as nossas primeiras impressões.
Os Sex Pistols foram a banda punk mais polêmica da história. Anarquizaram a própria rainha Elizabeth II em sua terra natal, Inglaterra.
A banda chegou a passear de barco às margens do rio Tâmisa em Londres para divulgação de Never Mind The Bollocks... com frases provocativas, do tipo: 'god save the queen' em um enorme cartaz com a imagem da majestade e um alfinete espetado em seu nariz.
Provocações em seus shows e em programas de Tv eram constantes. Mudaram várias vezes de gravadora onde o alvo de insultos eram sempre os executivos.
A banda durou pouco tempo. Incomodaram muita gente e saíram do cenário antes que fossem assassinados por algum político ou pelos próprios defensores da rainha.
Jonnhy Roten apanhou várias vezes nas ruas de Londres antes de cair fora para os Estados Unidos logo depois que a banda acabou.
Nunca uma banda havia ousado tanto numa terra tão conservadora como a Inglaterra.
No Future era sua palavra de ordem.
Deram a cara para bater e fizeram história. Aqui no On The Rocks, no quesito punk, esses caras só perdem para um tal de Iggy Pop e seus Stooges. Escrevo sobre eles depois.
Visite o La Verga: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/. Até a próxima.
Postar um comentário