quarta-feira, 1 de abril de 2009

Nunca Uma Viagem Fez Tão Bem Ao Rock.

(Capa de Déjà Vu, 1970).
Começou em 1966 uma viagem que mudaria e ampliaria definitivamente o rock produzido nos Estados Unidos. O cantor, guitarrista e compositor canadense Neil Young em busca de novos rumos em sua vida, convidou o amigo e baixista Bruce Palmer para uma viagem pelas estradas da América em seu Pontiac, ex-funerário que havia comprado em Toronto meses antes da partida.

Young andava insatisfeito com o resultado que sua vida artística havia dado. Tocando no circuito de bares folk canadense, época em que conhecera a The Band - banda que acompanharia Bob Dylan na estrada por longos anos - Joni Mitchell e os futuros parceiros Stephen Stills e Richei Furay, este pilar do rock norte-americano sentia-se esgotado com as pequenas possibilidades de expandir seu talento em sua terra natal.
Sua primeira parada foi em São Francisco. Nesta época, Timothy Leary, o papa do LSD, expandia os horizontes dos jovens distribuindo ácido num ônibus em companhia de Ken Kesey, das bandas Gratefull Dead, Jefferson Airplane e do escritor beatnick Neal Cassady, o motorista do ônibus que levava a turma por uma experiência única em suas vidas.
Young não se adaptou bem em São Francisco e decidiu descer um pouco mais ao sul, indo parar na então adormecida Los Angeles.
Diz a lenda, que Young e Palmer estavam presos num engarrafamento já em Los Angeles, e de repente, encontraram Stills e Furay parados dentro de um carro mais à margem da pista.
Desse encontro surgiu o Buffalo Springfield. As sementes começaram a ser plantadas em solo norte-americano.
Boa parte do repertório era escrito por Young. "I am a child" e "Mr. soul" são dessa época, mas mesmo assim ele ficou em segundo plano por uma questão de guerra de egos com Stills.
Sua voz frágil e o som de sua guitarra distorcida pareciam não agradar muito os ouvidos de seus parceiros.
Não demorou muito, Young saiu e formou a power band de folk music Crosby, Stills, Nash e Young.
Primeiro lançamento: o clássico Déjà Vu (1970). Álbum altamente recomendável por este ser que vos escreve.
São belas as canções ouvidas aqui. Há um revezamento nos vocais onde todos cantam e compõem. O destaque mais uma vez, são as composições e a guitarra de Young.
Temos ainda a participação de Joni Mitchell na maravilhosa "Woodstock".
"Helpless", clássica por excelência, é uma das mais tocantes do álbum, ao lado de "Our house", com Nash nos vocais.
Chamo atenção para o vocal pujante de David Crosby, talvez o melhor cantor do grupo, na instingante "Almost cut my air" e na doce "Déjà Vu".
Um ano antes, Young havia gravado seu primeiro e homônimo álbum que não foi bem recebido pela crítica especializada.
Quatro mese depois, viria à tona o essencial Everybody Knows This Is Nowhere (1969), deixando sua marca cortante de compor e mostrar ao mundo seu instrumental rascante e primoroso.
As bases foram estabelecidas e o rock norte-americano nunca mais foi o mesmo. Outros clássicos foram lançados ao longo dos anos em companhia dos excelentes e fiéis Crazy Horses, ou acompanhado, apenas, por seu violão e piano.
E, às vezes, pelos Stray Gators em alguns momentos de sua longa e frutífera carreira.
Passaram-se muitos anos e a chama deste outsider continua ardendo os corações de seus admiradores e de várias gerações. Sou um desses, graças a Deus.
O prazer em ouvir o som deste velhinho é dos mais sensacionais e marcantes em minha vida. Obrigado Neil young por você existir. O rock não seria o mesmo sem você.
Ouça aqui algumas faixas do bardo canadense que está lançando novo álbum, Fork In The Road, no próximo dia 7 de Abril: http://www.myspace.com/neilyoung.
Dedico este post para quatro Young maníacos. São eles: Tinho Safira, Sérgio Cebola, Miguel Cordeiro e Osvaldo Brahminha.
Visitem a La Verga: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/. Até a próxima.
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