domingo, 28 de junho de 2009

Carta para um amigo à beira da morte.

(Capa de Berlin, 1973).

Meu caro amigo A.A.,
Como você tem passado? Está reagindo bem aos medicamentos? Me preocupo muito com sua saúde. Sei de sua fragilidade para combater os males que te rodeiam e insistem em te afastar de mim. Te considero como um irmão, tu sabes.
Tenho escrito pouco ultimamente, pois estou sem computador em casa e tenho dificuldades para escrever de mão em punho. Não consigo me concentrar e colocar minhas ideias no papel, apesar de ter escrito o poema Balada de um romântico solitário dessa forma - foi necessário que tenha sido assim. Era véspera de São João e estava sozinho em casa, então sentei-me na cama e respirei fundo - o resultado me agradou bastante. Publiquei-o no dia seguinte, sem retoques, no computador do meu trabalho.
A vida anda tranquila por aqui, apesar de ter levado um ponta pé na bunda da minha gatinha, sigo meu caminho sem grandes problemas. Estou escrevendo ao som de Berlin do Lou Reed, sei que é o seu favorito.
Foi você que me apresentou naquele inverno tenebroso quando seu pai falecera vítima de um aneurisma cerebral. Fiquei muito triste por você. Bebemos todos os dias. Lembro você me dizendo que era meu irmão, no balcão daquele bar que você não gosta de frequentar, e só foi por minha causa.
Perdi o vestibular. Vou tentar mais uma vez no final do ano. Este desejo de ingressar na faculdade é recente. Existe faculdade melhor do que a vida que estou acostumado a levar? E a sua que é invejável, existe?
Estou ansioso pelo teu disco de inéditas. Soube que as guitarras já foram gravadas. Então, falta o piano, mórbido e sinistro, e a tua voz, rouca e embriagante.
Sabe aquela música que você fez depois que me viu transando com Verônica no sofá do curso de teatro? Marlene esteve aqui e quebrou o K7 ao meio, estraçalhando a fita todinha. Ela é neurótica.
D. Luchiano vai gravar outra pra mim.Estou escrevendo um poema para uma menina que conheci no recôncavo, mas ela é bobinha. Falei do poema e ela me pediu pra traduzir.
Traduzir? Eu já tô escrevendo em português!
Já comecei a escrever meu livro. O problema é que tenho publicado estes escritos nos meus blogs, pois não consigo arquivá-los. Escrevo e fico ansioso para mostrar logo aos meus leitores. O On The Rocks recebe mais visitas do que a La Verga. Talvez, por divulgá-lo mais. Me sinto outro quando escrevo na La Verga. Meus poemas saem com força. É como se meu caralho estivesse latejando o tempo todo.Já no On The Rocks, sou mais coração. Mais lírico, talvez.
Adoro os comentários da maioria dos leitores. Sinto falta das pessoas que se afastam e raramente aparecem; também fico chateado quando alguém comenta e não se identifica, mesmo quando é para elogiar.
Machuquei minha mão esquerda na semana passada. Recebi cinco dias de atestado, então aproveitei para viajar pelo recôncavo com Tinho - aquele meu amigo que é fã de Neil Young.Como é de costume, fizemos uma viagem fantástica regada a muitas cervas e som, muito som. Mostrei a ele o álbum Summerteeth do Wilco e ele pirou. Passamos por Santo Amaro, Cachoeira, São Félix e Muritiba, até chegarmos em Cruz das Almas. Apresentei o bar de Turíbio a Tinho e ele ficou encantado com as hstórias do bom velhinho.
São cinquenta anos de bar, meu caro. Oitenta e dois anos de vida.
Biritei com Nelsinho, Zinaldo e a turma do bar, além de assitir o ótimo e apocalíptico show de Zé Ramalho na praça.
Você já ouviu falar em Mônica Montone? Rapaz, ela é simplesmente maravilhosa.
Mônica é poeta, atriz e cantora. Está lançando seu primeiro disco agora. Para ouvi-la, vá no www.myspace.com/monicamontone.
Ela é linda, inteligente e talentosa. Você vai gostar de ouvir sua vozinha gostosa e sensual. Lembra daquela vez que a gente ficou idealizando a mulher ideal para ser a mãe dos nossos filhos? Pois é meu caro, Mônica parece ser essa mulher. O problema é que ela não quer ter filhos, mas a gente se vira assim mesmo...
O momento de solidão que tinha tomado conta de mim no começo da semana, está passando. Bebi ontem com Cássio, meu irmão, e acordei com uma ressaca poderosa. Agora estou bem, pronto pra outra.
Assisti na semana passada o documentário Lóki - de alto nível - sobre a vida e obra do Arnaldo Baptista. São duas horas de filme que passa e você não sente. Muito bem amarrado, o diretor mostra de forma magistral a importância da música do cara para nossa cultura.
Agora, vou beber uma vodka, on the rocks, é claro. Te desejo melhoras meu amigo, saúde e forças.
Abraços do seu amigo, irmão,

Tarcísio do Disco.

P.S.: Nelsinho vai ser pai.
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