terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sons Que Tocam No Meu Disc Man.

Eu estava conversando com alguns amigos no msn quando minha amiga Tatiana Coutinho entrou na sala de bate-papo e me disse: "Estava pensando em você agora!". Perguntei o que aconteceu e ela respondeu: "Acabou de vazar o novo disco do Raveonettes".
Notícia maravilhosa.
Lá fui eu baixar o disco no link que ela me passou. Deu problema no primeiro download; tentei pela segunda vez em outro link, deu certo. Gracias, Tati.
In and Out of Control é o quinto álbum da dupla dinamarquesa formada pelos talentosos Sune Rose Wagner e Sharin Foo.
Neste que é o mais pop de todos os discos lançados pela dupla, o distanciamento do fantasma Jesus and Mary Chain e a procura de uma identidade própria são seus traços marcantes.
Poucas distorções, vocais doces e um clima ensolarado permeiam esta coleção de pepitas pop, dessas em que você sai assobiando pelas ruas após a audição.
In and Out of Control vai entrar facilmente na lista de melhores do ano do On The Rocks, assim como esta dica logo abaixo. Ouça Raveonettes aqui: www.myspace.com/theraveonettes.

Dinosaur Jr. - Farm (2009). Quem acompanha o On the Rocks desde os primeiros passos sabe muito bem que o Dinosaur Jr. é prata da casa, assim como o Raveonettes. Sou fã e em quanto este blog existir, eles estarão sempre por aqui.

Talvez um pouco melhor do que o anterior, Beyond (2007), Farm mostra a qualidade de seus integrantes em plena forma.

Ouço Pieces, a música de abertura, bem alto em meu disc man e fico imaginando um show dos caras. Guitarra alta e distorcida; baixo, impiedoso; bateria, idem.

E que maravilha de vocal... Totalmente preguiçoso.

O disco vai melhorando com I want you know, Ocean in the way, Over it (veja o videoclipe no my space da banda: www.myspace.com/dinosaurjr).

O meu disc man tá meio acabadinho de tanta porrada que vem tomando ao longo desses sete anos que me acompanha.

Estive um dia desses em uma megastore de um shopping center e perguntei ao vendedor se tinha disc man para vender e, pasmem!, o cara não sabia o que era.

Então ele perguntou ao seu colega e eis o que o colega me disse: "Senhor, eu sou novo na loja, então peço desculpas por não estar bem informado quanto aos lançamentos nessa área".

Eu mereço. Depois de uma dessas só bebendo uma cerva bem gelada.

Visite a La Verga, meu blog de poemas eróticos: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/ Até a próxima.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Uma Poesia de Drummond.

Para Mila Nascimento, aniversariante do dia.
(Estátua do poeta em uma praia do Rio de Janeiro).


Enquanto Conversas.

Enquanto conversas
até o infinito
com Silva Brito
lanço essas dispersas
linhas no papel
e sinto, ressinto
a demora cruel
de você. Não minto.

Visite a La Verga, meu blog de poemas eróticos: www.lavergadelbuenas.blogspot.com. Até a próxima.

domingo, 20 de setembro de 2009

Meus Dias em Cruz das Almas, Cidade das Sombras (Fragmentos).

(Raimundo Fagner, 1976).
Tenho passado belos e estranhos dias aqui em Cruz das Almas, cidade das sombras. Estudo durante o dia, ouço música, leio blogs, escrevo, visito amigos e familiares. Tenho curtido muito esses momentos. Uma das coisas que mais gosto de fazer é sair no final da tarde para comprar o pão. Caminho contente pelas ruas cumprimentando as pessoas e tenho percebido a importância de dar atenção a elas. Essas pessoas nutrem um carinho que é importante pra mim, logo estou me questionando porque não me aproximo mais delas.
Toda vez que venho a Cruz, sinto uma enorme felicidade batendo forte em meu peito. Um peso parece saltar de meus ombros. É gostoso respirar o ar daqui. O clima é agradabilíssimo - mesmo quando passo por aqueles carros com seus terríveis sons zoando em meus ouvidos. Nada parece me incomodar. Beber umas cervas com meus amigos então, nem se fala.
Estive na Casa da Cultura na sexta-feira, 11 de setembro, para conferir a exposição da pintora Gláucia Guerra e assistir o show de Zinaldo Velame - que me presenteou com uma cópia do disco Raimundo Fagner (1976) - mais conhecido pelos fãs como Chave de mim.
Foi ótimo estar na companhia de pessoas amigas. Houve um recital de poesias, mas não recitei. Eu não estava com meus poemas em mão.
O ruim disso tudo é quando penso em retornar a Salvador. Sinto-me nauseado quando penso naquela cidade que outrora era tão querida para mim. Ando de saco cheio de viver lá há tempos. Tentei cair fora no ano passado, mas não deu pra ficar onde eu mais queria viver: Londres. Paciência. Só não sei até quando vou suportar viver em Salvador. Minha mãe mudou-se para o Rio de Janeiro recentemente, talvez seja uma boa dar um giro por lá.
, sentindo um aperto no peito.
Voltando ao assunto do relacionamento com as pessoas.
Isto é uma coisa que eu tenho percebido agora. Hermes Peixoto, o poeta HP, me tratou tão bem na Casa da Cultura, assim como Graça Sena, Hild., Zinaldo, Ian e Nelsinho & é em momentos como esses que percebo melhor as coisas acontecendo ao meu redor.
Nunca pensei que minha presença fosse agradar tanto.
Eu preciso mudar o meu jeito de ser? Dar mais atenção e carinho às pessoas que estão ao meu redor seria uma boa. Eu que já fui chamado de egoísta por algumas mulheres que passaram por minha vida e ainda continuo ouvindo essas coisas de vez em quando.
As noites têm sido terríveis. Acordo no meio da madrugada e demoro a pegar no sono. Pesadelos e mais pesadelos têm tirado minha paciência e meu sagrado soninho. Tenho estranhado a cama, as paredes do quarto, a porta, a escuridão... e vivo pensando na morte.
Minhas companhias nessas horas têm sido uns discos que trouxe comigo. Eu sempre viajo com discos na mochila.
Ouvir Loveless do My Bloody Valentine de madrugada tem sido uma experiência maravilhosa. Não há semelhanças entre o som da guitarra de Kevin Shields e o canto dos pássaros que pousam nas amendoeiras do jardim de tia Anna, mas ambos aliviam minha insônia junto com a luz que entra pela fresta da janela do meu quarto.
"When you sleep" e "Sometimes" estão cada vez melhores.
Neste exato momento, minha amiga Cássia Hazel de São Paulo está lendo estes escritos. Ela chegou no momento certo. Precisava mostrar a alguém e ela apareceu como um anjo aqui na sala de bate-papo do msn.
Vou beber um café.
Após ler a primeira parte deste post, ela me chamou de artista e perguntou se eu já tinha lido Cartas a Théo do Van Gogh. Eu disse que não, mas vou ler em breve; então ela disse que ele sentia as mesmas coisas que a gente nesse momento. Ela tem passado por momentos semelhantes.
Cássia, a emoção do homem é universal - alguém já disse isto antes. Esqueci de te dizer que estou lendo a versão integral de On The Road do Jack Kerouac que vem com quatro ensaios essenciais para um entendimento mais amplo da obra do cara.
On The Road atira estilhaços de poesia para todos os lados, e é justamente desses estilhaços que preciso neste exato momento.
Li este livro pela primeira vez quando tinha dezoito anos. adorando reviver as aventuras desses caras que fizeram a cabeça de várias gerações, inclusive a minha.
Confesso que estou mais aliviado depois que mostrei estes escritos a ela. Logo depois, Bruna Mitrano, minha amiga que mora no Rio de Janeiro, entrou na sala e tudo ficou ótimo. Agradeço de coração a estas duas meninas pelo carinho e atenção.
Sem dúvida alguma, uma das coisas mais legais que me aconteceu nos últimos dias foram os contatos que fiz com o Luís Capucho. Estamos próximos e o post que ele fez em minha homenagem eu simplesmente leio todos os dias. Capucho, obrigado pelo carinho.
Visite o Deus só protege os bêbados e as crianças: www.deusprotege.blogspot.com. Até a próxima.
(My Bloody Valentine, Loveless - 1991).

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Achei de novo o Luís Capucho.

Estava limpando o jardim da casa de tia Anna pela manhã num clima muito agradável quando lembrei-me do cantor, poeta e escritor Luís Capucho. Fiquei por ali colhendo as folhas secas que haviam caído da amendoeira e pensando: "por onde andará o cara?".

Encontrei-me com Nelsinho à noite no bar de Turíbio - sim, estou em Cruz das Almas, cidade das sombras -, e disse-lhe que o próximo post do On The Rocks irá se chamar Por Onde Andará Luís Capucho?
Ele achou melhor que eu procurasse no Google alguma informação antes de escrever o post. Foi o que fiz. Naveguei pela Web ainda naquela noite e descobri que Capucho tá com um blog, o Azul: http://www.luiscapucho.blogspot.com/.
Gostei e comentei em seu blog. Instantes depois, ele respondeu (veja comentário no post anterior).
Fiquei feliz com sua resposta. Vibrei mais ainda quando ele disse que está terminando a gravação de seu segundo álbum, Cinema Íris - uma alusão ao título do seu primeiro romance, Cinema Orly.
Capucho nasceu em Cachoeiro do Itapemirim - você já ouviu falar neste lugar. Ainda na infância, mudou-se para Niterói onde viveu com Dona Luzia num cortiço. Conheci Lua Singela, seu primeiro lançamento fonográfico, em 2003 quando trabalhava na São Rock Discos.
Sua poesia é forte e impactante. Seu canto é dor. Sua música é rock da melhor descendência. Lou Reed, Tom Waits e o poeta maldito Arthur Rimbaud são alguns dos seus principais ídolos.
"Eu gosto daqueles que são maiores Que me parecem ter mais suco Têm maior quantidade de sangue, pra me alimentar.... Eu estou morto de fome... "
Acompanhado por violões, guitarras selvagens e clima ora romântico, ora angustiante, o cara não dar vazão pra gracinhas, nem pra romantismo barato - desses de abertura de novelas e programas de TV.
Suas canções já foram gravadas por vários artistas, entre eles: Pedro Luís e a Parede, Cássia Eller, Patrícia Amaral, Clara Sandroni, Daúde e Wado.
Seus versos poderão incomodar os fracos e medíocres, desses que se acostumam com modismos e versos fáceis de muitos artistas que estão por aí enchendo o bolso de grana e cantando porcaria.
Capucho não se deixa abater por alguns dramas em sua vida, como ele mesmo deixa claro em Algo assim: "Com isso eu era pra estar magoado, deprimido, Com isso eu era pra estar chateado, enlouquecido Eu era pra morrer enforcado tomar veneno, me jogar da ponte Algo assim, algo assim... Em meu juízo final, fui o único juiz Eu resolvi me perdoar, com isso eu fiquei um pouco Cazuza... E quero matar um pouco de inimigo..."
Chama-se Máquina de escrever a minha preferida do disco. Nela, Capucho canta em dueto com Mathilda Kóvak:
"Meu coração é uma máquna de escrever As paixões passam, as canções ficam Os poemas respiram nas prisões... Meu coração é uma máquina de escrever no papel da solidão... Meu coração é uma máquina de escrever, é só você bater pra entrar na minha história".
Seria ótimo se ele fizesse um show em Salvador. No que depender de mim, estou aqui pra dar uma força. E por falar em show, Caetano Veloso vai cantar aqui em Cruz, amanhã. Zii e Zie é o nome do show, e, é claro, On The Rocks vai bater o ponto. Quero agradecer ao meu amigo Dólar pelo convite. Muito bem-vindo, por sinal.
O título do post foi sugerido pelo próprio Capucho.
Para conhecer sua música, clique aqui: www.myspace.com/luiscapucho.
Visite Deus só protege os bêbados e as crianças, meu blog visual: http://www.deusprotege.blogspot.com/. Até a próxima.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Dark Night of the Soul Lavou Minha Alma.

Soube das gravações do Dark Night of the Soul no primeiro semestre, e fiquei imaginando o quanto seria bom ouvi-lo assim que fosse lançado. Por problemas judiciais, o disco ainda não foi lançado e corre sérios riscos de não ver a luz do dia este ano.
Sob o comando do produtor Danger Mouse e do cantor, compositor e músico Mark Linkous, o cara que está por trás do Sparklehorse - a banda de um homem só -, Dark Night of the Soul foi gravado com notáveis talentos da música pop mundial.
Cansado de esperar pelo lançamento oficial, aqui estou ouvindo esta pérola que meu amigo Christiano Blumetti baixou um dia desses na Web.
O disco começa com Wayne Coyne (Flaming Lips) cantando Revenge, uma maravilhosa balada nos moldes do que sua banda fez em seus grandes discos. Revenge acalma logo de cara. Sensação semelhante eu senti quando ouvia Atom Heart Mother do Pink Floyd. Toda vez que me estressava, principalmente no colégio, era só colocar o famoso disco da vaca para tocar e tudo ficava bem.
Houve uma briga no domingo passado com alguns familiares. É, de vez em quando eu quebro o pau com eles. Passado toda a confusão, já era noite quando coloquei Dark Night of the Soul para tocar no meu disc man e tudo ficou bem. Nem parece que eu havia brigado com pessoas tão queridas e importantes em minha criação.
Esse é o poder que a música exerce em minha vida. Já comentei aqui em outros posts. Se tá tudo bem, eu ouço música e as coisas ficam melhores. Se pinta algum grilo, a música tá ali pra resolver esses problemas e me deixar de bem com a vida e com todos.
Revenge ficou pra trás. Me entusiasmei e cheguei a Pain com Iggy Pop cantando uma das músicas mais empolgantes do ano. Como se estivesse na companhia dos seus parceiros de Stooges, Mr. Iggy quase me fez saltar da cadeira e sair pulando pela sala. Só não fiz isso porque acabei de almoçar e aí já viu.
Volto a me concentrar neste discaço e ouço a terceira faixa com Jason Lytle (Grandaddy) arrasando com a belíssima Jaykub. Ele arrasa sempre. O problema é que, quando penso que o cara já gastou toda sua munição, ele vem com esta pepita arrancando lágrimas que tento conter, mas não consigo. Jason repete a dose com Everytime i'm with you, a oitava faixa.
Pô, o tempo passa rápido!
Pera aí. Ainda tem Julian Casablancas com Little girl - se as novas canções dos Strokes estiverem nos moldes dessa -, será um grande disco o quarto rebento dos caras.
Aí é que entra o talento dos produtores do disco. Danger e Mark fazem você acreditar que todas estas canções são próprias dos seus convidados. Cada um com sua marca indecifrável.
Angel's harp com Frank Black, me faz pensar que esta foi tirada de algum disco de sua extensa carreira. Demais.
E o que dizer da participação da loiraça Nina Persson (Cardigans) com Daddy's gone e The man who played god?
E Vic Chesnutt enchendo o fim do disco com muita angústia num tom sofrível?
Há mais duas participações que fazem bem na composição do álbum. São eles: Gruff Rhys do The Shins e James Mercer do Super Furry Animals.
No encarte do Dark Night of the Soul, haverá fotos do cineasta David Lynch feitas por ele mesmo. Do jeito que vão as coisas, é capaz dessas fotos saírem sem o disco!

Christiano conseguiu fazer o download pelo seguinte endereço: http://www.4shared.com/. Procure por Danger Mouse and Sparklehorse: Dark Night of the Soul. Ou tente aqui: http://www.mediafire.com/?cl1tk2yyvm5. Desejo boa sorte a todos e peço desculpas pelo atraso do post. On The Rocks tarda, mas não falha. Até a próxima.

(Mark Linkous, David Lynch e Danger Mouse criando mais uma maravilha para seus currículos).