domingo, 20 de setembro de 2009

Meus Dias em Cruz das Almas, Cidade das Sombras (Fragmentos).

(Raimundo Fagner, 1976).
Tenho passado belos e estranhos dias aqui em Cruz das Almas, cidade das sombras. Estudo durante o dia, ouço música, leio blogs, escrevo, visito amigos e familiares. Tenho curtido muito esses momentos. Uma das coisas que mais gosto de fazer é sair no final da tarde para comprar o pão. Caminho contente pelas ruas cumprimentando as pessoas e tenho percebido a importância de dar atenção a elas. Essas pessoas nutrem um carinho que é importante pra mim, logo estou me questionando porque não me aproximo mais delas.
Toda vez que venho a Cruz, sinto uma enorme felicidade batendo forte em meu peito. Um peso parece saltar de meus ombros. É gostoso respirar o ar daqui. O clima é agradabilíssimo - mesmo quando passo por aqueles carros com seus terríveis sons zoando em meus ouvidos. Nada parece me incomodar. Beber umas cervas com meus amigos então, nem se fala.
Estive na Casa da Cultura na sexta-feira, 11 de setembro, para conferir a exposição da pintora Gláucia Guerra e assistir o show de Zinaldo Velame - que me presenteou com uma cópia do disco Raimundo Fagner (1976) - mais conhecido pelos fãs como Chave de mim.
Foi ótimo estar na companhia de pessoas amigas. Houve um recital de poesias, mas não recitei. Eu não estava com meus poemas em mão.
O ruim disso tudo é quando penso em retornar a Salvador. Sinto-me nauseado quando penso naquela cidade que outrora era tão querida para mim. Ando de saco cheio de viver lá há tempos. Tentei cair fora no ano passado, mas não deu pra ficar onde eu mais queria viver: Londres. Paciência. Só não sei até quando vou suportar viver em Salvador. Minha mãe mudou-se para o Rio de Janeiro recentemente, talvez seja uma boa dar um giro por lá.
, sentindo um aperto no peito.
Voltando ao assunto do relacionamento com as pessoas.
Isto é uma coisa que eu tenho percebido agora. Hermes Peixoto, o poeta HP, me tratou tão bem na Casa da Cultura, assim como Graça Sena, Hild., Zinaldo, Ian e Nelsinho & é em momentos como esses que percebo melhor as coisas acontecendo ao meu redor.
Nunca pensei que minha presença fosse agradar tanto.
Eu preciso mudar o meu jeito de ser? Dar mais atenção e carinho às pessoas que estão ao meu redor seria uma boa. Eu que já fui chamado de egoísta por algumas mulheres que passaram por minha vida e ainda continuo ouvindo essas coisas de vez em quando.
As noites têm sido terríveis. Acordo no meio da madrugada e demoro a pegar no sono. Pesadelos e mais pesadelos têm tirado minha paciência e meu sagrado soninho. Tenho estranhado a cama, as paredes do quarto, a porta, a escuridão... e vivo pensando na morte.
Minhas companhias nessas horas têm sido uns discos que trouxe comigo. Eu sempre viajo com discos na mochila.
Ouvir Loveless do My Bloody Valentine de madrugada tem sido uma experiência maravilhosa. Não há semelhanças entre o som da guitarra de Kevin Shields e o canto dos pássaros que pousam nas amendoeiras do jardim de tia Anna, mas ambos aliviam minha insônia junto com a luz que entra pela fresta da janela do meu quarto.
"When you sleep" e "Sometimes" estão cada vez melhores.
Neste exato momento, minha amiga Cássia Hazel de São Paulo está lendo estes escritos. Ela chegou no momento certo. Precisava mostrar a alguém e ela apareceu como um anjo aqui na sala de bate-papo do msn.
Vou beber um café.
Após ler a primeira parte deste post, ela me chamou de artista e perguntou se eu já tinha lido Cartas a Théo do Van Gogh. Eu disse que não, mas vou ler em breve; então ela disse que ele sentia as mesmas coisas que a gente nesse momento. Ela tem passado por momentos semelhantes.
Cássia, a emoção do homem é universal - alguém já disse isto antes. Esqueci de te dizer que estou lendo a versão integral de On The Road do Jack Kerouac que vem com quatro ensaios essenciais para um entendimento mais amplo da obra do cara.
On The Road atira estilhaços de poesia para todos os lados, e é justamente desses estilhaços que preciso neste exato momento.
Li este livro pela primeira vez quando tinha dezoito anos. adorando reviver as aventuras desses caras que fizeram a cabeça de várias gerações, inclusive a minha.
Confesso que estou mais aliviado depois que mostrei estes escritos a ela. Logo depois, Bruna Mitrano, minha amiga que mora no Rio de Janeiro, entrou na sala e tudo ficou ótimo. Agradeço de coração a estas duas meninas pelo carinho e atenção.
Sem dúvida alguma, uma das coisas mais legais que me aconteceu nos últimos dias foram os contatos que fiz com o Luís Capucho. Estamos próximos e o post que ele fez em minha homenagem eu simplesmente leio todos os dias. Capucho, obrigado pelo carinho.
Visite o Deus só protege os bêbados e as crianças: www.deusprotege.blogspot.com. Até a próxima.
(My Bloody Valentine, Loveless - 1991).
Postar um comentário