quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Cinco Anos Sem John Peel, O Lendário DJ Inglês.


O lendário DJ, radialista e crítico musical John Robert Parker Ravenscroft, ou simplesmente John Peel, completou cinco anos de morte no último domingo, 25.
John foi responsável por divulgar bandas em começo de carreira no Reino Unido com um certo glamour que faltava a outros profissionais da área.
Não foram poucas as bandas que se apresentaram em seu famoso programa de rádio na BBC inglesa.
As bandas eram escolhidas a dedo pelo próprio John. Echo and The Bunnymen, Bauhaus, New Order, House of Love, Jesus and Mary Chain, The Smiths - foi lá que Morrissey e companhia gravaram boa parte do clássico Hatful of Hollow -, Siouxsie and The Banshees, Nirvana e tantas outras.
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Curti o Big Bands Festival no último fim de semana. Montei uma banquinha de discos em companhia de Tony Lopes, antigo parceiro da São Rock Discos, e rolou uma espécie de revival, com muita cerva, amigos, meninas lindas ao nosso redor - como nos velhos tempos -, e muito som bacana.
Vendemos muitos discos e divulgamos nossos blogs para a rapaziada. Pastel de Miolos, Tom Bloch e Frank Jorge fizeram os melhores shows do sábado. Não fui no domingo.
Parabéns para Rogério Big Brother, o organizador do festival, e toda sua equipe.
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Fui convidado pela escritora/blogueira e gatíssima, Samantha Abreu, para publicar um texto no Versos de Falópio - blog em que ela escreve em companhia de várias blogueiras de diversas partes do país.
Para mim é uma honra participar deste blog devido a qualidade dos escritos das meninas, e dos convidados também.
O texto será publicado no próximo domingo, 01 de novembro. Eis o link: www.versosdefalopio.blogspot.com.
Para esta semana, além deste post, preparei mais três: um videoclipe (não oficial) do Elliott Smith; poema de Neruda e a estreia da nova seção, Disco da Semana.
Esta é a comunidade do On The Rocks no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=53673577. Participe. Até a próxima.

Elliott Smith - Between the Bars (Para Tatiana Coutinho).

Um Poema de Pablo Neruda.

Dedico este post aos meus amigos Tinho e Camila.



Eu te nomeei rainha
Existem mais altas do que tu, mais altas.
Mais puras do que tu, mais puras
Mais belas do que tu, mais belas

Mas tu és a Rainha

Quando vais pelas ruas,
Ninguém te reconhece
Ninguém vê a coroa de cristal,
Ninguém vê o tapete de ouro vermelho que pisas por onde passas,
O tapete que não existe

É apenas aparecer
Cantam todos os rios
em meu corpo, As campanas
estremecem o céu
e um hino enche o mundo

Somente tu e eu,
Somente tu e eu, amor meu
O escutamos.

Disco da Semana.


Estreiando a mais nova seção do On The Rocks, temos a maravilhosa cantora de soul e gospel americana Candi Staton com um dos seus últimos lançamentos, o disco His Hands (2006).
Candi ficou mundialmente conhecida em 1976 com o lançamento do hit Young hearts run free. Seu vozeirão me encantou de cara quando a ouvi pela primeira vez na época em que trabalhava numa loja de discos aqui em Salvador.
O que me chamou atenção, em primeiro lugar, foi a beleza da capa, remetendo as pepitas da Blue Note que eram lançadas neste molde. Depois, o canto potente e sedutor; envolvente.
Candi nasceu em 1940 no Alabama e acaba de lançar seu mais novo disco, Who's Hunting Now?.
Download para His Hands, aqui:

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Frank Jorge em Salvador.

Tá difícil escolher os melhores discos da década. Prometi publicar esta semana, mas não vai dar. Primeiro pensei em dez, agora são quinze e mesmo assim não saiu ainda. Quero colocar apenas um album por artista e é aí que tá o problema. Por exemplo, o Wilco, uma das bandas mais significativas da década tem três ótimos albuns: Yankee hotel foxtrot, A ghost is born e Sky blue sky; então fico com minhas dúvidas cruéis, mas nada que possa afundar a ideia de que tanto gosto de fazer.

Essa mania de listas começou quando eu tinha dezesseis anos de idade e costumava ficar trancado no quarto ouvindo música e pensando nas melhores músicas, bandas, discos e capas; vivia corrigindo a listinha assim que conhecia mais bandas e artistas em carreira solo.
Decidi ali por volta de 2002 que as minhas bandas favoritas jamais sairiam da lista da minha vida, são elas: Jesus and Mary Chain, Rolling Stones, Joy Division, Sonic Youth, Echo and the Bunnymen e o Velvet Underground.
Já tentei encaixar várias vezes o Dinosaur Jr., mas não consegui; assim como o Pavement, Tindersticks, The Who, The Smiths, Ramones, Sex pistols, The Cult, Beatles, Television... A lista é grande!
Até montei uma banda imaginária com Peter Hook (New Order) no baixo e Keith Moon (The Who) na bateria. Desisiti por não conseguir escolher o guitarrista. Até que consegui escalar os cantores: Ian McCulloch (Echo and the Bunnymen) e Ian Astbury (The Cult), revezariam na gravação do disco, e para os shows, Mick Jagger e Ozzy Osbourne fariam o revezamento nos palcos.
É, mas nunca consegui escalar os guitarristas, e como banda de rock sem guitarra não é banda, o projeto afundou.
Nos posts desta semana temos uma homenagem a Rimbaud, um video do meu caro Dão e cartaz do Big Bands no final.
Eu vou pro Big Bands Festival porque quero assistir a estreia solo de Messias, conferir a Pastel de Miolos, Nancy Viegas e, claro, Frank Jorge - o cara que lançou um dos melhores discos da década entre o brasileiros na opinião deste ser que vos escreve.
Escrevo depois sobre o Carteira Nacional de Apaixonado, pode cobrar. Frank toca pela primeira vez em Salvador e o On The Rocks não vai perder essa. Até a próxima.

Arthur Rimbaud (20 de outubro de 1854/10 de novembro de 1891).

Noite do Inferno.
Traguei um bom gole de veneno. - Seja três vezes abençoada minha resolução! - Minhas entranhas ardem. A violência do veneno contrai-me os membros, desfigura-me, arroja-me ao chão. Morro de sede, sufoco não posso gritar. É o inferno, as penas eternas! Vede como o fogo se levanta! Queimo-me, como me convém. Vai demônio!
Eu percebera a conversão ao bem e à felicidade, a salvação. Possa eu descrever a visão, o ar do inferno não tolera os hinos! Eram milhares de criaturas encantadoras, um doce concerto espiritual, a força e a paz, as nobres ambições, e que mais?
As nobres ambições!
E é ainda a vida! - Se a danação é eterna! Um homem que se mutila deliberadamente é um danado, não é? Creio estar no inferno, então estou nele. É a execução do catecismo. Sou escravo do meu batismo. Pais, fizestes a minha desgraça, e também a vossa. Pobre inocente! - O inferno não pode investir contra os pagãos. - É ainda a vida! Mais tardes, serão mais profundas as delícias da danação. Um crime, depressa, que posso cair no vácuo, por imposição da lei humana
Fica em silêncio, cala-te!... Aqui é a vergonha, a reprovação. Satã diz que o fogo é ignóbil, e que minha cólera é terrivelmente estúpida. - Basta!... Erros a que me induziram, magias, perfumes falsificados, músicas pueris. - E dizer que possuo a verdade, que vejo a justiça: tenho um julgamento são e firme, estou pronto para a perfeição... Orgulho! - Meu couro cabeludo se resseca! Piedade, Senhor, tenho medo. Tenho sede, tanta sede! Ah, a infância, o luar quando o sino tocava meia-noite... O diabo está no campanário, nessa hora. Maria! Virgem Santa!... - Minha estupidez causa-me horror.
embaixo não estão as almas honestas, que me desejam o bem?... Vinde...
Tenho um travesseiro sobre a boca, elas me ouvem, são fantasmas. Além do mais, ninguém pensa nunca nos outros. Não se aproximem de mim. Cheiro a carne tostada, é certo.
As alucinações são inumeráveis. É, sem dúvida, o que sempre tive: falta de fé na história, o esquecimento dos princípios. Silenciarei sobre isto: poetas e visionários ficariam enciumados. Sou mil vezes o mais rico, sejamos avaros como o oceano.
Isto, agora! O relógio da vida acabou de parar. Não estou mais no mundo. - A teologia é uma coisa séria, o inferno está certamente embaixo - e o céu no alto. Êxtase, pesadelo, sono em um ninho de chamas.
Quantas burlas na vigília campestre... Satã, Ferdinando, corre com as sementes selvagens... Jesus caminha sobre as sarças purpúreas, sem curvá-las... Jesus caminha sobre as águas irritadas. À luz da lanterna, ele nos surgiu de pé, de branco e de trigueiras tranças, no seio uma onda de esmeralda...
Vou desvendar todos os mistérios: mistérios religiosos ou naturais, morte, nascimento, futuro, passado, cosmogonia, o nada. Sou mestre em fantasmagorias.
Escutai!
Tenho todos os talentos! - Não há ninguém aqui, e há alguém: eu não gostaria de distribuir meu tesouro. - Querem cantos negros, danças de huris? Querem que eu desapareça, mergulhe em busca do anel. Querem? Fabricarei ouro, remédios.
Confiai em mim, então, a fé alivia, guia, cura. Vinde, todos - até as criancinhas - que eu vos posso consolar e entre vós distribuir seu coração, - o coração maravilhoso! - Pobres homens trabalhadores! Não peço orações; seria feliz apenas com a vossa confiança.
- E pensemos em mim. Isto me faz lamentar pouco o mundo. Tenho a sorte de não sofrer mais. Minha vida foi senão doces loucuras, o que é lamentável.
Estamos, delicadamente, fora do mundo. Não se ouve nenhum som. Meu tato desapareceu. Ah! meu castelo, minha porcelana de Saxe, meu bosque de salgueiros. As tardes, as manhãs, as noites, os dias... Como estou cansado!
Eu deveria ter um inferno para a minha cólera, um inferno para o meu orgulho, - e o inferno da carícia; um concerto de infernos.
Morro de cansaço. É o túmulo vou-me para os vermes, horror dos horrores! Satã, farsante, queres dissolver-me com os teus encantos! Protesto. Protesto! um golpe de forçado, uma gota de fogo.
Ah, voltar de novo à vida! Lançar os olhos sobre nossas monstruosidades. E este veneno, este beijo mil vezes maldito! Minha fraqueza, a crueldade do mundo! Meu Deus, piedade, ocultai-me, não estou em condições de proteger-me! - Estou escondido e não o estou.
É o fogo que se segue, com o seu danado.
Tradução de Lêdo Ivo.

Dão - Não vá dizer que vai ficar de fora desse samba.

Festival Big Bands.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Galeria.

Desisti do meu blog visual Deus só protege os bêbados e as crianças. As imagens (pinturas, fotografias e charges) que planejei postar lá, estarão aqui no On The Rocks na volta da seção Galeria.
E para a reestreia desta seção, escolhi umas charges do ilustrador baiano Bruno Aziz. Para conhecer melhor seu trabalho, clique aqui: www.fotolog.com.br/rabiscoland. O rapaz é talentoso e eu garanto diversão do começo ao fim.
Enquanto os dias passam vagarosamente, fico pensando em novos rumos para minha vida que recomeça com força total na próxima semana depois de um longo período afastado de Salvador.
A TV da sala tá ligada. Ouço a narração do jogo Brasil x Venezuela pelas eliminatórias da Copa do Mundo. O narrador Galvão Bueno parece ser um homem múltiplo: comentarista, técnico, jogador, dirigente, juiz e, o que ele menos faz, narrar o jogo. , que cara chato!
Bob Dylan lançou um disco especial com canções natalinas, chama-se: Christmas in the Heart. Lançar discos com este tema é comum entre os artistas gringos. Fiquei curioso para ouvir o velho Dylan cantar sua canções preferidas de natal.
Vi no site El Cabong (ver link ao lado), que algumas revistas da Europa já estão fazendo suas listas com os melhores discos da década e o On The Rocks não vai ficar de fora dessa.
Já comecei a fazer a minha; eis os artistas que já estão lá: Bob Dylan, Johnny Cash, The Strokes e Wilco. Agora, é só aguardar.
O jornalista e escritor Emmanuel Mirdad fez uma homenagem para mim em seu blog (http://www.elmirdad.blogspot.com/), e eu gostei muito. Mirdad, obrigado pelo carinho e pela grande homenagem. Até a próxima.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Obra-Prima.

Songs of Leonard Cohen - Era a época do flower power quando o escritor, poeta e cantor canadense deu seu ar das graças no mundo da música com este álbum gravado em 1968 em companhia de violões, piano e uma sublime orquestra acompanhando seu canto tímido e suas poesias conflitantes.
Cohen começou sua carreira artística por volta de 1955 com o lançamento de seu primeiro livro de poesia Let us compare mythologies.
Muito respeitado pela crítica literária de seu país, ele jamais entraria para o mundo da música se dependesse deles. Sua fama de grande escritor veio em 1966 quando do lançamento de Beautiful Losers - romance que colocaria jornalistas de várias partes do país em seu encalço.
Cohen poderia ter se tornado um dos principais escritores de sua geração não fosse pela inclusão da música Suzanne no álbum In my life da cantora Judy Collins, mudando assim, os rumos de sua carreira artística.
A foto 3x4 que está estampada na capa do álbum fora tirada pelo próprio Cohen através de uma câmera automática, mostrando seu perfil tímido e tenso.
Com uma totalidade de dez canções carregada de espiritualismo conflituoso, tédio e paixões dilacerantes, Songs of Leonard Cohen foi um marco em plena época do paz e amor e da liberdade sexual.
A canção So long, Marianne está entre as cinco mais belas de todos os tempos na opinião deste ser que vos escreve.
Acompanhado por violões, violino, e por um sedutor backing vocal - uma marca em suas músicas -, So long, Marianne vai te caminhando por um terreno propício a devaneios e rios de lágrimas.
Se eu fosse para uma ilha deserta e tivesse que levar apenas cinco discos, este seria um deles, ao lado de Psychocandy, é claro.
Aos setenta e cinco anos de idade, Cohen continua influenciando um séquito de artistas espalhados em toda parte do mundo. I'm your fan, tributo lançado nos anos noventa, é apenas um deles. Estão lá: Nick Cave, Ian McCulloch, Lloyd Cole, Pixies, REM, House of Love, ou seja, todos queridos desta casa.
Hey, that's no way to say goodbye é a canção que escolhi para traduzir aqui pra vocês. A tradução, livre, foi feita por meu amigo Nelsinho Magalhães.
Ei, isso não é jeito de dizer adeus (Leonard Cohen).
Te amei pela manhã
Nossos beijos profundos e quentes
Teu cabelo sobre o travesseiro
Feito uma tempestade dourada adormecida
Muitos amaram antes de nós
Eu sei que não somos novidade
Na cidade e na floresta
Já sorriram como eu e tu
Mas agora são distâncias
E nós dois precisamos experimentar
Teus olhos estão úmidos de tristeza
Ei, isso não é jeito de dizer adeus
Não estou procurando outro
Ao vaguear no meu ritmo
Me leve até a esquina
Nossos passos sempre irão
Sabes que meu amor vai contigo
Assim como o teu fica comigo
É só o modo como ele se move
Feito a vinha das marés e o mar
Mas não vamos falar de amor ou correntes
E coisas que não podemos desatar
Teus olhos estão úmidos de tristeza
Ei, isso não é jeito de dizer adeus.
No post abaixo, uma dica para este fim de semana. Visite Deus só protege os bêbados e as crianças: http://www.deusprotege.blogspot.com/. Até a próxima.

Theatro de Séraphin e Flauer na Boomerangue.


Ouça as bandas aqui: Theatro de Séraphin - www.myspace.com/theatrodeseraphin. Flauer - www.myspace.com/flauer.