sábado, 28 de novembro de 2009

Os Melhores Discos Da Década.


Recuperado de uma pesada semana etílica, aqui estou com a prometida lista de melhores discos da década. Acabei optando pelo gosto pessoal e deixando de lado os relevantes. Não estou muito preocupado com esse negócio de relevância para a década. O que importa para mim é apontar aqui os discos mais queridos por este ser que vos escreve. E não foi fácil. Muitos discos bons ficaram de fora, como é o caso da menina Amy Winehouse e seu Back to Black; o bom velhinho Neil Young com o político Living with War; o hypado In Rainbows do incensado Radiohead; You Are the Quarry do Morrissey; Yoshimi Battles the Pink Robots do Flaming Lips; Siberia do Echo and The Bunnymen, entre outros. Vamos lá.
15) Johnny Cash - American IV: The man comes around (2003). O bom velhinho Cash abre a lista com o belo e triste American IV - um dos clássicos em que gravou sob a produção de Rick Rubin e músicos convidados. Ouça: Hurt e Bridge over trouble water.
14) Morphine - The Night (2000). Mark Sandman deixou um legado como poucos na música contemporânea. À frente do Morphine, com um estilo próprio de tocar - seu baixo tinha apenas duas cordas -, Mark seduziu meus ouvidos logo no começo da década com seu jeito envolvente de cantar e tocar. Baixo, sax, percussão e uma sedutora voz é o que ouvimos aqui.
Convide aquela gata para um bate papo regado a vinho e ao som de The Night. Duvido que você vá se arrepender. Vá por mim. Ouça: The Night, Top floor, botom buzzer e Rope on fire.
13) Lambchop - Nixon (2000). Kurt Wagner, cantor e compositor do Lambchop, principal banda representante do alt-country - termo batizado pela crítica norte-americana como uma espécie de country alternativo -, é o cara que está por trás desta grande banda. Em companhia de treze músicos de Nashville, Kurt Wagner proporcionou uma bela obra fincada em instrumentação suave e de canto idem. Sedução é a melhor palavra para descrever o som do Lambchop. A década começou bem.

12) Queens of the Stone Age - Songs for the Deaf (2002). Este é matador. Rock poderoso como poucos fizeram nos últimos anos. Nick Olivieri e Josh Homme em companhia de Dave Groll (Foo Fighters, Nirvana, Them Crooked Vultures) e Mark Lanegan (Screaming Trees), proporcionaram um grande marco para a década. Desses de quando você olhar para trás vai se lembrar muito bem. Ouça: No one knows e Go with the flow.
11) Sonic Youth - The Eternal (2009). Como disse no começo deste post, esta lista é de gosto pessoal, então não poderia faltar os mestres da distorção e queridinhos do On The Rocks. Aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, Lee, Thurston, Kim e Steve, lançaram este petardo sonoro e maravilhoso para se ouvir em companhia de amigos bebendo umas cervas gelada e saborosa. Ouça todas.
10) Kings of Leon - Only by the Night (2007). Uma das mais legais bandas surgida nos últimos anos, o Kings of Leon só lançou discos no mínimo, bom. O som da banda vem de uma herança de grande respeito no rock: Allman Brothers e Creedence Clearwater Revival são apenas duas delas e estes caras não fizeram feio, muito pelo contrário, não deixaram a peteca cair em nenhum momento. Ouça: Sex on fire bem alto.
9) White Stripes - De Stijl (2000). Considero Jack White o artista da década e este segundo disco do White Stripes - banda em que divide a responsabilidade com a baterista Meg White -, é apenas um dos seus cartões postais. De Stijl é um álbum de transição entre o rústico (como o disco de estreia) e o bem trabalhado White blood cells, seu terceiro lançamento.
As bandas Raconteurs e Dead Weather são mais duas ótimas que este grande guitarrista produziu para a década. Escrevo sobre ele depois. Ouça: Fique à vontade.
8) Dinosaur Jr - Beyond (2007). Beyond marca a volta dos seminais Dinosaur Jr ao mundo da música. J Mascis, Lou Barlow e Murph deixaram sua marca registrada com um brilhante álbum. Compondo canções arrepiantes, com seu estilo que lhe é peculiar, Mascis deixou aqui o seu legado, como se dissesse: aqui está a minha contribuição, agora faça a sua. Ouça: Almost ready, This is all i came to do e Been there all the time.
7) Wilco - Yankee Hotel Foxtrot (2002). Este por pouco não vê a luz do dia. Foi difícil para Jeff Tweddy e seus amigos de banda conseguirem uma gravadora para lançá-lo. Não fosse a Nonesuch - subsidiária da Warner -, talvez houvesse um atraso no lançamento e, quem sabe, desanimando os integrantes da banda a tal ponto de terminar com sua história ali mesmo.
O Wilco é uma das bandas mais importantes para a década, pois não foi só este Yankee Hotel Foxrot que fez a diferença. Outras maravilhas foram lançadas depois. A Ghost is Born, Sky Blue Sky e o mais recente Wilco (The Album) atestam isto. Ouça: Ashes of american flags, depois, todas.
6) Grandaddy - Sumday (2003). Este é um dos mais belos, a começar pela capa. Que coisa linda! Jason Lytle, o cantor e compositor, estava inspirado quando compôs Sumday. Aliás, inspiração é o que não falta para este rapaz que vive numa cidadezinha interiorana chamada Modesto (EUA), verdadeira fonte de água límpida - suas canções parecem emergir da fonte destas águas.
Água esta, semelhante as de Caldas do Jorro - cidade onde passei meu carnaval de 2004 ao som do Grandaddy, entre outras bandas. Se as estradas do sertão falassem... Ouça todas.

5) Interpol - Turn on the Bright Lights (2002). Sob as sombras das bandas darks que surgiram no final da década de setenta no planeta, sem deixar os amiradores desse estilo de música decepcionado, esta banda de Nova York produziu uma belíssima obra obscura e singela ao mesmo tempo. Ouça todas.

4) Nick Cave and The Bad Seeds - No More Shall We Part (2001). O príncipe das trevas marca presença aqui com esta coleção de pepitas românticas como só ele sabe fazer. Eu avisei: é uma lista pessoal e como sou fã do cara, é lógico que incluiria uma de suas muitas maravilhas em minha lista. Obrigado Nick. Ouça todas.

3) Stephen Malkmus (2001). O líder do Pavement não poderia começar sua carreira solo de forma tão brilhante. São doze canções e você ouve sem querer pular nenhuma faixa. Costumo dizer que esta é a sua obra definitiva, mesmo somando com os álbuns de sua antiga banda. Ouça todas.

2) Bob Dylan - Modern Times (2006). Você não pensou que o porta-voz de várias gerações fosse ficar de fora desta lista, não é verdade? Mr. Dylan está cada vez melhor. Compondo e tocando com sua afiada banda, o bom velhinho me surpreende a cada ano quando lança suas aguardadas obras. Prova disto é o mais recente e ensolarado Together Through Life que vai estar na lista de melhores do ano deste blog. Ouça todas.

1) The Strokes - Is This It (2001). Esta foi a banda que trouxe de volta o espírito rock n'roll para a atual década. Envolvendo ótimas influências, misturando no mesmo caldeirão Velvet Underground e Stooges, entre outros, estes caras de Nova York chamaram a atenção do mundo com seu estilo e postura como há muito não víamos no rock. Adoro Is This It. Guardo-o com muito carinho em minha discoteca.

Espero que você tenha gostado. Esta é a comunidade do On The Rocks no Orkut, querendo participar, será um prazer: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=53673577. Até a próxima.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Carta de uma filha apaixonada para sua mamãe.


Mamãe,


Como vão vocês? Estou com saudade da senhora e do papai. Ele está melhor da tuberculose? Poxa, me preocupo muito com a saúde dele. Tenho tido pesadelos terríveis e orado bastante; a senhora já melhorou do reumatismo? Espero que sim. Vocês são especiais em minha vida e temo um dia perdê-los.
Vou visitá-los em breve. Estou com uma vontade danada de tomar banho nua na cachoeira - como fazia na minha infância nas manhãs de domingo quando íamos visitar meus tios.
Finalmente conseguimos o empréstimo no banco para a reforma do salão. A Sandrinha, minha sócia, tem um amigo que gerencia há muitos anos um banco aqui perto de casa, então ele facilitou o empréstimo.
Tenho uma ótima notícia para contar-lhes: Reginaldo me pediu em casamento ontem à noite.
Ai mamãe, estou tão feliz!
Reginaldo é o homem que toda mulher gostaria de ter. Ele é inteligente, trabalhador, esforçado e tem uma graninha; prometeu cuidar de mim com muito amor e carinho.
Ontem mesmo, fizemos planos para nossa casinha que sua avó, Dona Véinha, deixou pra ele de presente de casamento.
Uma das coisas que mais gosto e admiro no Reginaldo é a sua lucidez, ao contrário do Buenas - aquele blogueiro louco e bêbado -, lembra dele?
Dia desses eu me esbarrei com ele na rua, mas não dei a menor ousadia. Ele tava com uma mulher nos maiores love e fingi não vê-lo.
Não sei onde eu tava com a cabeça quando me envolvi com aquele homem. Eu dormia na casa dele e era obrigada a ouvir aquela banda insuportável toda noite; uma tal de Jesus e Mary não sei o quê lá. Horrível. Tem um som de guitarra que ninguém merece.
Nesse momento eu tô ouvindo Vitor e Léo que o Reginaldo me deu de presente. Eu vivo ganhando presentes dele; são perfumes, jóias, cd de Lairton e seus teclados, Silvano Salles, dvd de ótimos pagodes...
Sons que estão longe de parecer com os que aquele maluco costuma ouvir. Eu não conseguia mais ir pra casa dele e ficar ouvindo uns troços lá... Tem uma miséria de Tom Waits que parece está bêbado o tempo todo e ele ainda fica lá admirando aquela coisa. Como se não bastasse, ele me deu de presente um disco desse cara! Não passei da segunda faixa.
Uma vez ele saiu com Tinho, aquele amigo dele farrista, e voltou todo mijado!
O elevador ficou todo molhado. Fiquei com vergonha dos porteiros e da síndica do prédio porquê eles me chamaram atenção pelo vexame como se eu tivesse culpa.
O filho da puta no outro dia ainda me pediu pra lavar a calça jeans dele, e eu, abestalhada, lavei.
Não vejo a hora do Reginaldo me conquistar de vez, pois sempre me pego pensando no Buenas... Pior que eu ainda gosto dele e sinto muito a sua falta.
Ele é carinhoso, generoso, tão amável... Ai, fico toda molhadinha quando lembro dele. Nenhum homem me amou tanto... E aquela barbicha... Aquelas mãos...
Lembro da senhora contando como conheceu meu pai e me recordo como conheci o tal Buenas. Foi num show da Jardim da Saudade - uma banda daqui de Salvador que não me agrada muito e só fui porquê sabia que iria encontrá-lo.
A banda é de uns amigos dele. Como ele, só pensam em música, literatura, futebol, farras e mulheres.
O show tava começando quando ele me ofereceu uma vodka. Aceitei e ficamos conversando. De repente, chegou Xanxa - um amigo dele e baixista da banda -, e perguntou se ele tinha escrito algum poema novo pro La Verga. Daí fiquei sabendo dos seus blogs e me interessei pelo assunto. Ele me deu os endereços e guardei-os na bolsa.
Resumindo: Ficamos naquela noite e quando cheguei em casa fui logo ler os blogs. Gostei dos dois, principalmente da La Verga. São poemas eróticos e eu disse a todas minhas amigas que fiquei encantada com aqueles escritos.
Me interessei ainda mais por ele. Namoramos e fui cada vez mais me envolvendo com aquele magrelinho.
Mamãe, tenho uma coisa pra te contar, por favor, não fale pro papai: eu fiz um aborto.
Continua.
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Disco da Semana.


Sune Rose Wagner - Untitled (2009). Este é o primeiro disco solo de Sune Rose Wagner, a outra metade dos Raveonettes (queridinhos aqui do On The Rocks).
Neste registro fonográfico, Sune deixou de lado as distorções que são peculiares no som de sua banda, em que divide a responsabilidade com a maravilhosa Sharin Foo, para investir em melodias suaves e tocantes.
Com tons sombrios e singelos, este ilustre compositor vai aos poucos deixando sua marca ao lado de grandes compositores da atual década, como é o caso de Jason Lytle ( Grandaddy) e Jeff Tweddy (Wilco).
Svinske Maend é uma das mais belas do ano.
Este disco vai entrar com certeza na lista de melhores do ano deste blog. Aguarde.
Conheça a La Verga, meu blog de poemas eróticos: www.lavergadelbuenas.blogspot.com. Até a próxima.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Disco da Semana.


Manic Street Preachers - Journal for plague lovers (2009). Este é o mais novo petardo do Manic Street Preachers, banda formada no País de Gales em 1986 por James Bradfield, Nicky Wire e Sean Moore.
Journal for plague lovers é um disco de rock vigoroso, com letras inspiradas e sonoridade hard. Os integrantes da banda retiraram as letras de um caderno deixado pelo guitarrista Richey James - entregue ao baixista Nicky Wire -, antigo integrante que suicidou-se em 1995 jogando-se da ponte Severen, em Bristol. Seu carro fora encontrado próximo à ponte, e seu corpo jamais encontrado.
Os temas políticos e as críticas sociais continuam afiadas. A pegada, certeira. Rock!
Pô, toda vez que ouço Pretension/Repulsion me lembro do tempo em que ficava ouvindo rock pesado com Fabrício na casa de vovó Dai. A gente costumava se reunir nas tardes para ouvir música e pintar o sete.
Os vizinhos sofriam com a gente. Eu sempre recebia reclamação dos velhinhos, mas como era adolescente e rebelde, não ligava. Não dava a mínima para eles. Eu queria era botar pra fora minhas angústias, minhas dores, e gritar bem alto para todo mundo ouvir.
Taí um disco que entraria tranquilo em minha lista de melhores da década. Sem dúvida alguma, este é o melhor deles em muitos anos. Journal for plague lovers é um desses discos que te pega de cheio, te joga para cima, te derruba e depois tá tudo bem.
Me and Stephen Hawking, All is vanity, Virginia state epilpetic colony, Williams last words e tantas outras não vão te decepcionar. Vai por mim.
Assista ao videoclipe com a música Pretension/Repulsion no post abaixo. Tem novidade na La Verga, meu blog de poemas: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/. Até a próxima.

Manic Street Preachers - Pretension/Repulsion.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Como eu Conheci a Jardim da Saudade.

Salvador, cidade da fantasia, tem muito rock inteligente. Músicos, letristas e cantores talentosos - foi daqui que saiu três fortes candidatos a melhor cantor do rock nacional. São eles: Arthur Ribeiro (ex-Elite Marginal e Treblinka; atual Theatro de Séraphin), Glauber Guimarães (ex-Dead Billies e atual Teclas Pretas) e Ronei Jorge.
Este último, atualmente à frente da banda Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, foi responsável por duas das mais significativas bandas surgidas na cidade nos anos noventa. Primeiro a Saci Tric, com um rock vigoroso, muito bem trabalhado e em perfeita harmonia com as letras do próprio Ronei - chegaram a lançar um disco gravado ao vivo, mais dois raríssimos cassetes.
A segunda foi a Jardim da Saudade, uma das minhas preferidas. Conheci a banda na época em que frequentava a Na Mosca, um misto de loja de discos e bar, das mais legais que conheci em minha vida.
Localizada no Rio Vermelho, próximo ao meu curso profissionalizante de artes cênicas, eu tinha o costume de passar por lá quando terminava as aulas, e principalmente nos fins de semana para ouvir uns sons, beber umas cervas e bater um papo com os caras da loja - Tony Lopes, Dicinho e o próprio Ronei Jorge -, mais os frequentadores (sempre as mesmas caras).
Então, em uma dessas visitas, fui informado pelo próprio Tony da existência da Jardim da Saudade, uma banda montada para durar apenas um mês - e durou!
Pensei que fosse brincadeira dos caras, mas, infelizmente, era verdade.
Primeiro, lançaram um cassete, que se não me falha a memória, tinha cinco músicas. Eu adoro as letras e o clima das canções. Solidão, paixão e melancolia permeiam as gravações desta sublime banda.
Há um misto nas composições. Canções de Tony, baterista (ex-Guerra Fria, TL & Os Sobreviventes, Tristes Tigres; atual Koyotes e Tiltt) com Luisão, piano (ex-Penélope, atual Dois em Um), Nuno, baixista (ex-Saci Tric e atual Estrada Perdida), e Ronei (voz e guitarra).
Outro baixista que fez parte da banda foi o meu amigo e videomaker Alexandre "Xanxa" Guena (ex-Arsene Lupin) e Chico Abreu (Sax e teclados). Para a gravação de a Deus, único disco lançado por eles, a cantora Cláudia Cunha fez participação especial em algumas faixas.
O que me chamou atenção no som da Jardim foi o clima à la Nick Cave e Tindersticks, artistas ao qual sou fã, mais as letras inspiradas e apaixonantes dos seus componentes.
Eu adoro O Deus e o Artesão, Única Dor, As Solidões e Balada da Estrada.
Nessa época, eu morava com minha mãe, o ano era 1997 e ela vivia imitando Ronei pela casa. Até hoje não sei se ela gostava ou se cantava ironizando as canções dos caras.
Eu só saía de casa para o curso depois de ouvir a Jardim. O meu cassete, intitulado Jardim da Saudade, não sei onde foi parar; talvez esteja com meu amigo e compadre Fabrício Silva. Tomara que esteja com ele, pois este tem um valor sentimental muito grande pra mim - embora eu tenha o já clássico e raríssimo a Deus.
Pra quem não sabe, Jardim da Saudade é o nome de um dos cemitérios daqui de Salvador.
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Me comprometi a indicar um disco por semana, mas esta foi terrível para mim. Não tive condições de me dedicar ao On The Rocks da forma como eu mais gosto.
Uma semana estressante. Muito estressante. Postar qualquer coisa aqui para não passar em branco não é a cara deste blog.
A próxima semana vai ser ótima. confiante. Vocês vão ver.
Quero aproveitar para indicar o mais novo blog da Karine Rodrigues (http://www.aquelecarnaval.blogspot.com/). Karine, seja bem-vinda à blogosfera. Até a próxima.