quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Como eu Conheci a Jardim da Saudade.

Salvador, cidade da fantasia, tem muito rock inteligente. Músicos, letristas e cantores talentosos - foi daqui que saiu três fortes candidatos a melhor cantor do rock nacional. São eles: Arthur Ribeiro (ex-Elite Marginal e Treblinka; atual Theatro de Séraphin), Glauber Guimarães (ex-Dead Billies e atual Teclas Pretas) e Ronei Jorge.
Este último, atualmente à frente da banda Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, foi responsável por duas das mais significativas bandas surgidas na cidade nos anos noventa. Primeiro a Saci Tric, com um rock vigoroso, muito bem trabalhado e em perfeita harmonia com as letras do próprio Ronei - chegaram a lançar um disco gravado ao vivo, mais dois raríssimos cassetes.
A segunda foi a Jardim da Saudade, uma das minhas preferidas. Conheci a banda na época em que frequentava a Na Mosca, um misto de loja de discos e bar, das mais legais que conheci em minha vida.
Localizada no Rio Vermelho, próximo ao meu curso profissionalizante de artes cênicas, eu tinha o costume de passar por lá quando terminava as aulas, e principalmente nos fins de semana para ouvir uns sons, beber umas cervas e bater um papo com os caras da loja - Tony Lopes, Dicinho e o próprio Ronei Jorge -, mais os frequentadores (sempre as mesmas caras).
Então, em uma dessas visitas, fui informado pelo próprio Tony da existência da Jardim da Saudade, uma banda montada para durar apenas um mês - e durou!
Pensei que fosse brincadeira dos caras, mas, infelizmente, era verdade.
Primeiro, lançaram um cassete, que se não me falha a memória, tinha cinco músicas. Eu adoro as letras e o clima das canções. Solidão, paixão e melancolia permeiam as gravações desta sublime banda.
Há um misto nas composições. Canções de Tony, baterista (ex-Guerra Fria, TL & Os Sobreviventes, Tristes Tigres; atual Koyotes e Tiltt) com Luisão, piano (ex-Penélope, atual Dois em Um), Nuno, baixista (ex-Saci Tric e atual Estrada Perdida), e Ronei (voz e guitarra).
Outro baixista que fez parte da banda foi o meu amigo e videomaker Alexandre "Xanxa" Guena (ex-Arsene Lupin) e Chico Abreu (Sax e teclados). Para a gravação de a Deus, único disco lançado por eles, a cantora Cláudia Cunha fez participação especial em algumas faixas.
O que me chamou atenção no som da Jardim foi o clima à la Nick Cave e Tindersticks, artistas ao qual sou fã, mais as letras inspiradas e apaixonantes dos seus componentes.
Eu adoro O Deus e o Artesão, Única Dor, As Solidões e Balada da Estrada.
Nessa época, eu morava com minha mãe, o ano era 1997 e ela vivia imitando Ronei pela casa. Até hoje não sei se ela gostava ou se cantava ironizando as canções dos caras.
Eu só saía de casa para o curso depois de ouvir a Jardim. O meu cassete, intitulado Jardim da Saudade, não sei onde foi parar; talvez esteja com meu amigo e compadre Fabrício Silva. Tomara que esteja com ele, pois este tem um valor sentimental muito grande pra mim - embora eu tenha o já clássico e raríssimo a Deus.
Pra quem não sabe, Jardim da Saudade é o nome de um dos cemitérios daqui de Salvador.
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Me comprometi a indicar um disco por semana, mas esta foi terrível para mim. Não tive condições de me dedicar ao On The Rocks da forma como eu mais gosto.
Uma semana estressante. Muito estressante. Postar qualquer coisa aqui para não passar em branco não é a cara deste blog.
A próxima semana vai ser ótima. confiante. Vocês vão ver.
Quero aproveitar para indicar o mais novo blog da Karine Rodrigues (http://www.aquelecarnaval.blogspot.com/). Karine, seja bem-vinda à blogosfera. Até a próxima.
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