sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Como nos Velhos Tempos.

Andei afastado por longos meses do meu toca-discos por pura preguiça. Comodismo também. Depois de muito relutar, coloquei-o para consertar e comprei uma nova agulha, pois a que estava não tinha mais condições de usá-la. Foi difícil encontrá-la, e quando a encontrei, tomei um susto com o preço deste objeto tão valioso pra mim. Foi-se o tempo que se comprava agulha por cinco reais. Paguei vinte e cinco reais e saí da loja na praça da Sé preocupado apenas em chegar em casa para desfrutar dos meus bolachões como nos velhos tempos.
O disco escolhido para a reinaguração foi o primeiro dos Doors que comprei na loja D. Ratão do meu caro Roberto Torres. A edição é alemã, o que me custou caro na época.
A loja ficava na av. Carlos Gomes próxima à Kaya de Edu Pampani e a Coringa de Sérgio e seu fiel escudeiro Denival. Não muito distante dali, existia a Bazar do finado Júnior e a Mundial de uma simpática senhora que não sacava de rock n'roll, mas me atendia muito bem.
Eu morava com minha mãe no Tororó e estas lojas viviam no meu itinerário praticamente todos os dias.
Foi numa bela manhã de 1992 quando saí do colégio e dei uma passada na loja como era de costume. Sempre fui rato de loja de discos e aquele foi um ótimo ano de aquisições musicais.
Só para lembrar alguns LPs que comprei: Exile on main street dos Stones; Radio Ethiopia da Patti Smith; The man who sold the world do Bowie; Zuma do Neil Young; Strange weather da Marianne Faithfull; Heaven up here dos coelhinhos de Liverpool; Magic and loss do Lou Reed; Música para acampamento da Legião Urbana; Sol de primavera de Beto Guedes e o primeiro e único do Nau - grande banda, por sinal.
Eu não trabalhava nessa época, vivia de mesada que tia Anna e Léa, minha mãe, me davam. E ainda tinha tia Gal que trabalhava na Mesbla da av. Sete de Setembro, então eu sempre ia lá pedir uns discos e na maioria das vezes ela me dava.
Então. A loja estava fechada, mas pude ver da porta de vidro a capa do disco. Fui até o trabalho de minha mãe pedir para ela completar a minha grana que estava pouca. Ela reclamou, mas me deu assim mesmo.
Voltei à tarde na loja e ela continuava fechada, então deixei para o dia seguinte. Demorei para pegar no sono naquela noite pensando em colocar minhas mãos naquela obra-prima lançada em 1967 por Jim Morrison e seus asseclas.
Conheci este disco através de Flavinho, meu amigo desde a adolescência e companheiro da única banda que tive, a Posse Magistratus. Ele havia gravado o disco numa fita cassete Scotch de 46 minutos que um amigo dera a ele de presente.
Junto com o primeiro disco dos Doors, Roberto comprara para a loja os dois primeiros do Tom Waits: Closing time e The heart of the saturday night. Fiquei pirado porquê não pude comprá-los. Alguns anos depois eles estariam na minha discoteca em CD.
, que sensação maravilhosa. É como se fosse ontem!
Antes da música começar, ouço uns chiados estalarem. Tsc, tsc, tsc... Respiro fundo. A tensão mistura-se com alívio e prazer e então escuto os seguintes versos: "you know the day destroys the night, night divides the day, tried to run, tried to hide, break on through to the otherside... "
Quando morrer vou sentir falta de alguns momentos e estes que descrevi aqui será um deles. Até a próxima.
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