quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Obra-Prima.

Adoro esta seção, uma pena que não sei aproveitá-la melhor devido a minha preguiça em escolher um álbum digno para ser descrito aqui. Não é qualquer um que deve ser publicado, afinal, a seção chama-se Obra-Prima.
Foram apenas três discos que descrevi aqui ao longo de quase dois anos de blog. São eles: Coltrane & Hartman de John Coltrane e Johnny Hartman; Horses da Patti Smith e Songs of Leonard Cohen.
Discos que adoro e recomendo sem medo de errar. Você pode até não gostar, mas tenha certeza que são essenciais para a história da música, cada um em seu segmento, com sua influência e beleza que transcendem a arte, a vida.
O escolhido desta vez foi o terceiro rebento dos Faces, banda formada na Inglaterra no final dos anos sessenta após a dissolução dos Small Faces com a saída de Stevie Marriott. Os remanescentes Ronnie Lane (baixo), Kenny Jones (bateria) e Ian McLagan (teclados), convocaram o cantor Rod Stewart e o guitarrista Ron Wood que haviam saído do Jeff Beck Group e estavam desocupados.
Após lançarem First Step (1970) e Long Player (1971) - muito bons, por sinal -, a banda crava definitivamente suas marcas na história do rock n'roll com o sublime A Nod is as Good as a Wink... To a Blind Horse (1971).
O disco começa com Miss Judy's Farm, parceria de Stewart e Wood, apenas mais uma das muitas maravilhas que fizeram juntos. As melodias retiradas da guitarra de Wood e o doce e ao mesmo tempo hard vocal de Stewart - um dos maiores cantores de rock de todos os tempos -, nunca estiveram tão bem.
A Nod is a Good... segue com rockões de tirar o fôlego, desses que você não consegue ficar parado - eu não consigo. Fico sempre agitado toda vez que ouço.
Stay with me, a quinta faixa, é um dos rocks mais empolgantes já feitos na história. E o que dizer de Love lives here?
A presença do teclado de Ian McLagan é de extrema importância para o desenvolvimento do punch que o som da banda proporciona em companhia do essencial baixo de Lane e a vigorosa guitarra de Wood.
A cover de Memphis, Tennessee de Chuck Berry está ok. As composições de Lane não ficam atrás dos demais companheiros de banda.
Os Faces foram realmente uma grande banda de rock n'roll. Foi Kenny Jones quem substituiu Keith Moon no The Who após a sua morte e Ron Wood foi tocar nos Rolling Stones depois da saída de Mick Taylor.
Caro leitor, observe a influência que as melodias de Wood proporcionam à banda de Jagger & Cia, especialmente em Black and Blue, disco que não teria sua rara beleza não fosse a presença do rapaz - sorry, Keith.
A banda acabou em 1974 deixando uma lacuna aberta nos frutíferos anos setenta. Stewart priorizou a sua promissora carreira solo. Não tenho notícias do paradeiro de McLagan e Ronnie Lane. Até a próxima.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

On The Rocks Recomenda.

Mamãe não voltou do supermercado (Editora Alaúde, 2006), é o primeiro romance do escritor, dramaturgo e diretor londrinense Mário Bortolotto, um cara com culhões. A mãe de Caio, o narrador da história, é assassinada com dois tiros na testa quando voltava do supermercado. Seu filho o aguardava em casa quando foi avisado por um dos seus amigos. Ele não vai ao enterro; prefere ficar distante enquanto seus quatro primos bêbados carregam o caixão da velha deixando-o cair duas vezes.
Esta é apenas uma das muitas passagens sarcásticas da narração.
Caio, um sujeito impávido, cínico e depravado, decide sair à procura dos assassinos de sua mãe que morrera com um pacote de café e uma lata de ervilhas na mão. "A vida dela não foi mesmo das mais dignas, mas morrer segurando uma latinha de ervilhas, isso já é demais", comenta o narrador.
Este personagem que curti bastante, logo estará metido em várias confusões após detonar uma boate com uma banana de dinamites à caça dos culpados.
O cenário e as situações nas quais ele se envolve não é das melhores: assalto a ônibus, estupro, cadeia, puteiros, crimes passionais, caos, lama e sangue aguardam o rapaz num desfecho surpreendente de uma história que se passa por Londrina, Foz do Iguaçu, Cuiabá, Ourinhos e São Paulo - entre outras cidades do país.
Leitura de um fôlego só, Bortolotto me fez viajar por um submundo peculiar ao dos livros de Jack Kerouac, Efraim Medina Reyes e Pedro Juan Gutiérrez. On The Rocks recomenda de olhos fechados.
Esta é a comunidade deste blog no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=53673577. Até a próxima.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Conversando com uma Garota de Programa e o Fim de Semana.


Foi numa quinta-feira à noite depois de beber algumas cervas com Cássio, meu irmão, no bar de Seu Adriano, que eu decidi procurar uma casa de massagem para conversar com uma garota de programa. Tomei informações com dois taxistas que estavam parados no ponto esperando por passageiros. Eles me deram o endereço e então segui adiante, sozinho. O local fica nas imediações do Rio Vermelho, uma casa aparentemente em construção, com piscina e um bar razoável.
Tava um pouco tenso - sempre fico em lugares estranhos -, então pedi uma cerva e fiquei à beira da piscina esperando por T. - é assim que vou chamá-la. Foi a dona do estabelecimento quem a chamou. Logo apareceu uma mulher linda em minha frente, loira, se apresentou e então a convidei para sentar-se. Ela sentou-se em minha frente e em seguida cruzou as pernas. Estava com um vestidinho colado no corpo, seus olhos verdes e intensos não piscavam, não saíam do foco - eu. Perguntei se eram naturais, ela disse que sim.
Ofereci uma cerva. Ela não quis. "Não bebo em serviço", disse. "Ok", respondi. Perguntei o valor do programa e ela respondeu: "Cento e cinquenta, uma hora".
Reclamei do tempo e ela disse que uma hora dava pra muita coisa.
"Estou aqui até amanhã. A partir de sábado à noite, estarei em outro lugar fazendo strip. Anote meu número, eu atendo por fora e aí o tempo pode ser maior".
Seu novo emprego é numa boate muito famosa aqui em Salvador - prefiro não revelar o nome do lugar.
Anotei o número e perguntei de onde ela era. "Sou de Teresina, Piauí", respondeu com um sotaque de menina faceira.
Estava relaxado neste momento quando minha verga começou a se desenvolver dentro do meu jeans. Ela percebeu e olhou discretamente enquanto eu dava mais um gole na cerva.
"Você é linda", eu disse. Ela sorriu e perguntou se eu era escritor. "Blogueiro", respondi. "Você tem cara de intelectual", sorri.
Anotei escondido o link da La Verga, pois a dona estava por perto e ela disse que poderia ser um problema escrever 'bilhetinhos' para as garotas.
T. guardou o link e se despediu dizendo que ia visitar a La Verga: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/.
No som do bar rolava Tim Maia cantando "Hoje o céu está tão lindo..." E realmente estava.
Paguei oito reais na cerva, long neck, e caí fora. Não sei por quê, lembrei-me do Renato Godá no caminho. Sua música é sedutora, assim como este universo que acabei de descrever aqui. Descobri a música do cara no final do ano passado, e eu, romântico por natureza, abracei-a na hora. Veja o videoclipe logo abaixo.
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, tive um ótimo fim de semana. Saí com meu amigo Xanxa, estávamos com saudade das nossas noites no Rio Vermelho. Algumas cervas no Pós-tudo serviu para decidirmos onde iríamos. A Boomerangue foi o local escolhido. Tava rolando a Nave, minha festa preferida da cidade. Encontramos com Ronei e logo rolou um flashback do rock na Bahia. Aproveitei para dizer a Ronei que a mellhor coisa que ele fez em sua vida artística foi ter gravado um disco com a Jardim da Saudade. Ele riu e me chamou de cult. Massa, man.
Aqui está o link da Jardim da Saudade criado por minha amiga Tatiana Coutinho: http://www.mediafire.com/?wwnzyyettfm.
Para completar o clima maravilhoso, surgiu aquela gata em minha frente...
"Você é Tarcísio do On The Rocks?", disse que sim e conversamos um pouco. "Eu adoro o seu blog... ". "Eu também", respondi.
"Sou amiga de Jefferson - o DJ que tava tocando -, foi ele que me indicou...". Ofereci uma cerva, ela aceitou e então ficamos por ali conversando...
Fechando com chave de ouro, bebi umas cervas ontem à noite com Cássio, meu irmão, e Nanci, minha cunhada, pelos bares em companhia de alguns caranguejos e do ótimo atendimento de Ana, a garçonete do bar.
Estávamos conversando sobre relacionamentos entre casais quando perguntei a Ana se ela é casada: "Não, tenho alergia", respondeu sorrindo. Até a próxima.

Renato Godá - Démodé.