quarta-feira, 31 de março de 2010

Ben Webster for Lovers e Paul Weller & Amy Winehouse no Jools Holand.

Ben Webster for Lovers é uma coleção de pepitas altamente indicado para os casais de enamorados que têm no amor o dom supremo. Apenas três dessas pepitas já valem a pena tê-lo na sua coleção de discos. São elas: When i fall in love, My funny valentine e Time after time.
A introdução de My funny valentine que sai do sax aveludado de Webster é de derreter o coração. Comprove, depois me diga.
Nem é semana do dia dos namorados, mas digamos que eu esteja inspirado e por isso resolvi indicar esta pérola aqui pra vocês.
Cool jazz é o que este cara nascido em Kansas City, Missouri, sabe fazer e muito bem.
Um post curto e simples, eu sei. Tímido também, assim como eu. É a correria que rouba meu tempo para escrever do jeito que eu gosto. O próximo post vai ser maior e mais bacana, acredite em mim. Até a próxima.
Paul Weller & Amy Winehouse - I heard it through the grapevine.


quarta-feira, 24 de março de 2010

John Fante Está de Volta às Livrarias do País.

Chega às livrarias do país O vinho da Juventude (Dago Red, no original), livro de contos do meu mestre John Fante. Publicado em 1940, estes treze contos aqui reunidos, mostram a bela e triste juventude de Jimmy Toscana, seu novo alter ego.
Jimmy Toscana não difere muito das características de seu outro alter ego, Arturo Bandini, de Pergunte ao Pó, entre outros livros.
O Vinho da Juventude mostra o cotidiano doloroso de uma criança e seu convívio com sua família num inverno tenebroso.
As marcas que os escritos de Fante deixam no leitor são indeléveis. Eu pensei que nunca fosse conhecer um escritor tão visceral quanto Henry Miller; me apaixonei de cara quando comecei a lê-lo há uns dez anos atrás.
A pungente escrita de Fante está clara em seu primeiro conto, quando este descreve como sua mãe conhecera seu pai e a forma como este usou para pedir a mão de sua mãe em casamente é constrangedor. Seu pai, descendente de italianos, não passa de um carcamano - um termo pejorativo que os americanos davam aos imigrantes italianos naquela época. Dago Red quer dizer, vinho do carcamano.
De escrita apurada, John Fante conquistou-me por seu jeito raro de lidar com a escrita. Comove seu estilo peculiar de entreter o leitor dizendo muito com pouco. Comprove em Um de Nós, onde ele narra a aflição de sua família com a morte de Clito, o primo mais novo de Jimmy Toscana.
O Vinho da Juventude não sai de minha cabeceira. Nem deve.
A Doce Rebeldia de Mônica Montone.

Chego em casa cansado do trabalho quando o porteiro entusiasmado disse-me: "Ei, Buenas, tem uma encomenda pra você". Ouço o grito de gol da torcida que sai do seu radinho de pilhas e logo entendo o entusiasmo do porteiro. O Vitória acabara de fazer o primeiro gol da noite e Camaçari, eis o nome dele, está feliz da vida. "Vem do Rio!", ele disse. "Ok man, obrigado", respondo procurando o nome do remetente que tá escrito com umas letrinhas como se fosse desenhada com maior carinho num envelope côr-de-rosa. Tá lá: Mônica Montone.
Maravilha! Desci as escadas do meu prédio a passos largos, sentei-me no sofá e fiquei por ali admirando a capa do disco da própria Mônica. No encarte, um autógrafo: "Tarcísio, querido, espero que minhas melodias tragam alegria para suas tardes! Beijos, Mônica Montone".
Abri uma cerva, peguei meu discman, apertei o play e ouvi atentamente aquela vozinha doce com um quê de rebeldia alinhando-se bem ao instrumental de sua competente banda.
Mônica traz no seu primeiro rebento fonográfico, uma extensão do que vem fazendo em seu blog que acompanho há mais de dois anos.
São escritos repletos de lirismo que se encaixam bem com o som proporcionado pela banda que a acompanha. As letras aqui, algumas, são divididas com o poeta Claufe Rodrigues, que toca violão e teclados.
O disco tem um quê de demo tape como ela havia me dito dias depois. Sim, eu sei. O som precisa de um melhor aparato, de uma melhor costura. Mas o que ouço aqui não compromete a qualidade do trabalho.
Sem dúvida alguma, a coisa que mais me fascina é a vozinha da Mônica. Canto de menina faceira; de uma doçura, dessas que por mais que ela grite, não incomoda seus ouvidos, muito pelo contrário, acaba acariciando.
Eu gosto de ouvi-lo antes de dormir no headphone do meu discman. Quando dou por mim, o disco acabou.
Acompanha Mônica os músicos Guga Mendonça (guitarras), Rodrigo Sebastian (baixo) e Di Lutgardes (bateria). Fazem participação Arnaldo Brandão e André Cippola.
Mônica, creio que com uma produção melhor, com um estúdio idem, você venha gravar um disco sem deixar nada a dever aos artistas em evidência no momento aqui em nosso país. Sim, suas melodias têm trazido alegria para minhas tardes.
Assista aqui o Videoclipe Te amo de amor. Até a próxima.


quarta-feira, 17 de março de 2010

Tom Waits e Johnny Cash, Dois Artistas da Mais Alta Estirpe.

Tom Waits - Glitter and Doom Live (2010). Este é o mais novo petardo do cantor e poeta beat americano Tom Waits. Da estirpe dos maiores talentos da música do século passado, desses acostumados a perambular por estradas, bares e quartos de motéis barato na melhor tradição romântica à la Rimbaud e Keroruac, Waits presenteia o mundo com este grande álbum gravado ao vivo.
Bebendo da linhagem beat desde o final dos anos sessenta, como se estivesse incorporando um personagem saído das páginas das Flores do Mal de Baudelaire ou do Trópico de Câncer de Mr. Miller, transformando tudo em abandono e solidão, este cara - um dos meus artistas favorito -, presenteia-nos com este perturbador Glitter and Doom Live, um disco para se ouvir em qualquer momento onde os anjos não se atrevam a penetrá-lo.

Johnny Cash, American VI: Ain't no Grave (2010). Epitáfio do patrono da música norte-americana, mais um álbum gravado sob a batuta de Ruck Rubin, Mr. Cash se despede do mundo com este American VI, um atestado de tristeza e solidão.
Pô, depois de ler a biografia em quadrinhos Cash: uma biografia e ouvir este álbum, bateu uma angústia tão grande que me fez pensar nos meus dias de vida - exatamente na semana em que um cão de rua me mordeu na perna direita.
Pior foi quando a enfermeira disse-me que se o cão estivesse com a raiva, a vítima, no caso, eu, não passaria de dez dias de vida.
Eu, que sempre venerei a morte, pude senti-lá de perto pensando estar vivendo meus últimos dias. No fundo foi bom, depois deste acidente, parei de pensar nela e valorizar mais a vida. Principalmente depois de ler as queixas do Mário Bortolloto em seu blog, falando sobre as dores que sente nas costas depois de ser baleado na Praça Roosevelt em São Paulo: "Eu era feliz e não sabia, reclama babaca!".
Bortolotto, eu também vou parar de reclamar. Estar vivo e escrevendo neste momento ao som dos pássaros e cigarras daqui do meu condomínio, é maravilhoso.

As bandas Arapuka e Coveiros do Cover agitam a noite do próximo sábado aqui em Salvador.

Eu garanto diversão do começo ao fim pra quem for a este show que acontece no Dubliners Irish Pub, Barra. As bandas são legais e o repertório compreende pérolas rockers do calibre de artistas como Talking Heads, The Cure, Raul Seixas e The Who. Eu vou, vamos?

Mark Linkous (1962-2010).

Aqui está minha modesta homenagem a dois artistas que tanto admiro, mortos na última semana. Linkous suicídou-se no último dia seis. Este cara, que esteve à frente dos Sparklehorse - na verdade, ele mesmo - foi protagonista por um dos melhores álbuns gravado no ano passado em companhia do produtor Danger Mouse e do cineasta David Lynch, entre outros artistas.

Este álbum, intitulado Dark Night of the Soul acaba de ser lançado oficialmente depois de uma batalha na justiça.

Glauco Villas Boas (1957-2010).

Glauco foi simplesmente um heroi underground de minha adolescência e dos meus amigos Itamar Brito, Fabrício Silva e Flavinho Rebouças. Não foram poucas as vezes que nos reuníamos para ler e comentar as façanhas de um dos seus personagens, o Geraldão, o nosso predileto.

Glauco foi covardemente assassinado, ele e seu filho Raoni, na semana passada. Vocês devem está por dentro do caso.

Adeus Linkous. Adeus Glauco. Obrigado pela existência de vocês. Até a próxima.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sai o Primeiro DVD da Banda Americana Kings of Leon.

Assisti ontem o DVD Live at the O2 da banda americana Kings of Leon. Gravado em Londres na turnê do último e ótimo álbum Only by the night, este DVD comprova o amadurecimento de uma das bandas mais legais surgida na última década.
As primeiras imagens me fez lembrar o DVD do Dr. Feelgood que meu amigo Sérgio Cebola me presentou, há dois anos atrás, no momento em que a câmera mostra imagens ao redor do auditório onde o show foi gravado.
Os caras começam com Notion, canção que está em Only by the night, e em seguida tocam Be somebody e Taper jean girl num cenário repleto de mulheres, ao menos, nas primeiras filas. O local está lotado. O ambiente vai esquentando aos poucos. Como uma locomotiva saindo da estação, o Kings of Leon, banda que surgiu no cenário musical logo após o boom dos Strokes - pensei que não fossem passar do segundo álbum -, vão mostrando o que aprenderam ao longo dos anos.
Maturidade, competência e um pouco de carisma são o suficiente para colocar o público nas mãos, e isso eles fazem muito bem.
Molly's chambers, o primeiro hit da banda, aumenta o êxtase. Em seguida, é a vez de California waiting.
O ambiente pega fogo mesmo quando eles tocam Sex on fire, a minha canção preferida deles. Adoro. Comprove.
Já passam da meia-noite e as garrafinhas das cervas vão se multiplicando em cima da minha mesa. A madrugada promete ser fria. Contraste com o clima do show e do que sinto no momento.
O DVD acaba com umas músicas que não conheço, exceto Manhattan. Não satisfeito, aperto o repeat e fico por ali escolhendo algumas músicas...
Sinto-me nauseado neste momento. Faz calor e eu simplesmente não suporto. A ressaca está sob controle. Eu venci mais uma vez. Tia Fau está na sala assistindo um DVD da Bethânia. Ela canta: "Dentro do mar tem rio..." Acho que tá na hora de cair fora, sinto que as coisas podem piorar a qualquer momento. Vai que ela canta: "É doce morrer no mar..."
Tenho uma ótima notícia para os admiradores (as) do On The Rocks: voltei a ter internet em casa, isso quer dizer que vou poder me dedicar mais aos meus escritos, inclusive na La Verga - já que só escrevo no teclado. Até a próxima.

terça-feira, 2 de março de 2010

Anjos Baldios na Galeria do Conselho.


O artista plástico Nelson Magalhães Filho expõe seus novos trabalhos na Galeria do Conselho, anexo ao Palácio da Aclamação (Campo Grande), nesta quinta-feira, 04 de março, a partir das 19h.
Nelsinho Magalhães, artista inquieto e de talento raro - já homenageado aqui - mostrará ao público presente sua arte expressionista contemporânea repleta de fúria, solidão e caos - não muito diferente dos dias que seguem.
Vou aproveitar para rever meu amigo, bater um papo e brindar o nascimento de Vicente - seu mais novo rebento.
Faz uns três meses que não nos vemos. Nosso último encontro começou na escola de Belas Artes e terminou no bar O Líder onde deliramos mais uma vez e envolvemos entes queridos em nossas pirações numa farra que começou de forma despretensiosa e acabou madrugada adentro mexendo com alguns dos nossos - nunca é diferente. Não vai ser diferente. Até lá.