quarta-feira, 24 de março de 2010

John Fante Está de Volta às Livrarias do País.

Chega às livrarias do país O vinho da Juventude (Dago Red, no original), livro de contos do meu mestre John Fante. Publicado em 1940, estes treze contos aqui reunidos, mostram a bela e triste juventude de Jimmy Toscana, seu novo alter ego.
Jimmy Toscana não difere muito das características de seu outro alter ego, Arturo Bandini, de Pergunte ao Pó, entre outros livros.
O Vinho da Juventude mostra o cotidiano doloroso de uma criança e seu convívio com sua família num inverno tenebroso.
As marcas que os escritos de Fante deixam no leitor são indeléveis. Eu pensei que nunca fosse conhecer um escritor tão visceral quanto Henry Miller; me apaixonei de cara quando comecei a lê-lo há uns dez anos atrás.
A pungente escrita de Fante está clara em seu primeiro conto, quando este descreve como sua mãe conhecera seu pai e a forma como este usou para pedir a mão de sua mãe em casamente é constrangedor. Seu pai, descendente de italianos, não passa de um carcamano - um termo pejorativo que os americanos davam aos imigrantes italianos naquela época. Dago Red quer dizer, vinho do carcamano.
De escrita apurada, John Fante conquistou-me por seu jeito raro de lidar com a escrita. Comove seu estilo peculiar de entreter o leitor dizendo muito com pouco. Comprove em Um de Nós, onde ele narra a aflição de sua família com a morte de Clito, o primo mais novo de Jimmy Toscana.
O Vinho da Juventude não sai de minha cabeceira. Nem deve.
A Doce Rebeldia de Mônica Montone.

Chego em casa cansado do trabalho quando o porteiro entusiasmado disse-me: "Ei, Buenas, tem uma encomenda pra você". Ouço o grito de gol da torcida que sai do seu radinho de pilhas e logo entendo o entusiasmo do porteiro. O Vitória acabara de fazer o primeiro gol da noite e Camaçari, eis o nome dele, está feliz da vida. "Vem do Rio!", ele disse. "Ok man, obrigado", respondo procurando o nome do remetente que tá escrito com umas letrinhas como se fosse desenhada com maior carinho num envelope côr-de-rosa. Tá lá: Mônica Montone.
Maravilha! Desci as escadas do meu prédio a passos largos, sentei-me no sofá e fiquei por ali admirando a capa do disco da própria Mônica. No encarte, um autógrafo: "Tarcísio, querido, espero que minhas melodias tragam alegria para suas tardes! Beijos, Mônica Montone".
Abri uma cerva, peguei meu discman, apertei o play e ouvi atentamente aquela vozinha doce com um quê de rebeldia alinhando-se bem ao instrumental de sua competente banda.
Mônica traz no seu primeiro rebento fonográfico, uma extensão do que vem fazendo em seu blog que acompanho há mais de dois anos.
São escritos repletos de lirismo que se encaixam bem com o som proporcionado pela banda que a acompanha. As letras aqui, algumas, são divididas com o poeta Claufe Rodrigues, que toca violão e teclados.
O disco tem um quê de demo tape como ela havia me dito dias depois. Sim, eu sei. O som precisa de um melhor aparato, de uma melhor costura. Mas o que ouço aqui não compromete a qualidade do trabalho.
Sem dúvida alguma, a coisa que mais me fascina é a vozinha da Mônica. Canto de menina faceira; de uma doçura, dessas que por mais que ela grite, não incomoda seus ouvidos, muito pelo contrário, acaba acariciando.
Eu gosto de ouvi-lo antes de dormir no headphone do meu discman. Quando dou por mim, o disco acabou.
Acompanha Mônica os músicos Guga Mendonça (guitarras), Rodrigo Sebastian (baixo) e Di Lutgardes (bateria). Fazem participação Arnaldo Brandão e André Cippola.
Mônica, creio que com uma produção melhor, com um estúdio idem, você venha gravar um disco sem deixar nada a dever aos artistas em evidência no momento aqui em nosso país. Sim, suas melodias têm trazido alegria para minhas tardes.
Assista aqui o Videoclipe Te amo de amor. Até a próxima.


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