quarta-feira, 17 de março de 2010

Tom Waits e Johnny Cash, Dois Artistas da Mais Alta Estirpe.

Tom Waits - Glitter and Doom Live (2010). Este é o mais novo petardo do cantor e poeta beat americano Tom Waits. Da estirpe dos maiores talentos da música do século passado, desses acostumados a perambular por estradas, bares e quartos de motéis barato na melhor tradição romântica à la Rimbaud e Keroruac, Waits presenteia o mundo com este grande álbum gravado ao vivo.
Bebendo da linhagem beat desde o final dos anos sessenta, como se estivesse incorporando um personagem saído das páginas das Flores do Mal de Baudelaire ou do Trópico de Câncer de Mr. Miller, transformando tudo em abandono e solidão, este cara - um dos meus artistas favorito -, presenteia-nos com este perturbador Glitter and Doom Live, um disco para se ouvir em qualquer momento onde os anjos não se atrevam a penetrá-lo.

Johnny Cash, American VI: Ain't no Grave (2010). Epitáfio do patrono da música norte-americana, mais um álbum gravado sob a batuta de Ruck Rubin, Mr. Cash se despede do mundo com este American VI, um atestado de tristeza e solidão.
Pô, depois de ler a biografia em quadrinhos Cash: uma biografia e ouvir este álbum, bateu uma angústia tão grande que me fez pensar nos meus dias de vida - exatamente na semana em que um cão de rua me mordeu na perna direita.
Pior foi quando a enfermeira disse-me que se o cão estivesse com a raiva, a vítima, no caso, eu, não passaria de dez dias de vida.
Eu, que sempre venerei a morte, pude senti-lá de perto pensando estar vivendo meus últimos dias. No fundo foi bom, depois deste acidente, parei de pensar nela e valorizar mais a vida. Principalmente depois de ler as queixas do Mário Bortolloto em seu blog, falando sobre as dores que sente nas costas depois de ser baleado na Praça Roosevelt em São Paulo: "Eu era feliz e não sabia, reclama babaca!".
Bortolotto, eu também vou parar de reclamar. Estar vivo e escrevendo neste momento ao som dos pássaros e cigarras daqui do meu condomínio, é maravilhoso.

As bandas Arapuka e Coveiros do Cover agitam a noite do próximo sábado aqui em Salvador.

Eu garanto diversão do começo ao fim pra quem for a este show que acontece no Dubliners Irish Pub, Barra. As bandas são legais e o repertório compreende pérolas rockers do calibre de artistas como Talking Heads, The Cure, Raul Seixas e The Who. Eu vou, vamos?

Mark Linkous (1962-2010).

Aqui está minha modesta homenagem a dois artistas que tanto admiro, mortos na última semana. Linkous suicídou-se no último dia seis. Este cara, que esteve à frente dos Sparklehorse - na verdade, ele mesmo - foi protagonista por um dos melhores álbuns gravado no ano passado em companhia do produtor Danger Mouse e do cineasta David Lynch, entre outros artistas.

Este álbum, intitulado Dark Night of the Soul acaba de ser lançado oficialmente depois de uma batalha na justiça.

Glauco Villas Boas (1957-2010).

Glauco foi simplesmente um heroi underground de minha adolescência e dos meus amigos Itamar Brito, Fabrício Silva e Flavinho Rebouças. Não foram poucas as vezes que nos reuníamos para ler e comentar as façanhas de um dos seus personagens, o Geraldão, o nosso predileto.

Glauco foi covardemente assassinado, ele e seu filho Raoni, na semana passada. Vocês devem está por dentro do caso.

Adeus Linkous. Adeus Glauco. Obrigado pela existência de vocês. Até a próxima.
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