domingo, 25 de abril de 2010

Quarantine The Past: Greatest Hits (1989-1999) do Pavement - uma Paixão em minha Vida.

Foi com um enorme sorriso no rosto que fiquei sabendo da volta do Pavement meses atrás e agora o sorriso retornou quando soube do lançamento desta coletânea lançada pela Matador Records.

Formada em Stockton, Califórnia, no final da década de oitenta, estes caras ergueram a bandeira como mestres do som lo-fi/indie alternativo que perdurou por toda década de noventa.

O forte de Quarantine the Past são as canções dos dois primeiros álbuns da banda.

Seu líder, Stephen Malkmus, fã de The Faces e Lou Reed - há semelhanças no modo de cantar de Malkmus com este cara que esteve à frente do Velvet Underground - é um dos artistas que mais admiro no planeta.

Slanted and Enchanted (1992) o primeiro álbum, pegou em cheio os admiradores dos sons "estranhos", de baixa fidelidade e despretensiosa forma de tocar seus instrumentos. Com dois bateristas, um cantor carismático e guitarras beirando a demência, o Pavement, uma paixão em minha vida, consolidou-se como um dos grupos mais importantes daquela década.

Crooked Rain, Crooked Rain (1994), menos barulho, nem por isso menos áspero, esta chuva perversa me dá água na boca toda vez que lembro das maravilhas espalhadas ao longo do disco: Gold soundz, Range life, Cut your hair e Silence kit, são apenas partes de uma obra fincada nas melancolias que encharcam dolorosos riffs em sensíveis climas melodiosos.

Após o término da banda por diversos motivos, entre eles, as dificuldades em se encontrar, haja visto a longa distância em que seus integrantes viviam, Stephen Malkmus presenteou seus fãs com seu primeiro disco solo homônimo.

Pra falar a verdade, eu não senti a falta do Pavement quando ouvi as belas canções deste sublime disco. Escrevo sobre ele depois.

Agora, os caras estão de volta. Espero que lancem em breve material novo, diferente do que os Pixies fizeram.

Ontem eu estive na casa do meu amigo Tony Lopes para comemorar o aniversário dos seus filhos Tom e Jimi e conversamos muito sobre música, pra variar, é claro, e fiquei sabendo de seu novo e audacioso projeto musical. Acredito que vá mexer com esta inércia em que se encontra Salvador, cidade que tem roqueiros que acreditam que Luiz Caldas é rock. Vá entender... Até a próxima.

Pavement - Range Life (Para Alexandre "Xanxa" Guena).


domingo, 18 de abril de 2010

Lambchop, o Mais Belo Cartão-Postal de Nashville dos Últimos Anos.

O Lambchop, uma das bandas mais legais surgida nas últimas décadas, vem de Nashville, meca da country music mundial. Seus integrantes - que variam entre doze e dezessete (!) músicos - formam o mais belo cartão-postal de lá.
Bebendo na fonte do que há de melhor no funk, country e soul refinado, estes caras fazem um som delicado, brilhante, de um lirismo de arrepiar.
A começar pelo canto emocionado do band leader Kurt Wagner - uma espécie de gênio esquecido na história. Esta verdadeira orquestra formou-se nos longínquos anos noventa, e foi exatamente no começo da década seguinte que eles lançaram o elogiadíssimo Nixon, sua melhor obra.
Segundo a crítica mundial, o Lambchop é o principal divulgador do alt-country - uma espécie de country alternativo, ou, o country dos indies.
Wagner não suporta este termo: "Uma bobagem", disse uma vez numa entrevista.
Josh Rouse é outro ilustre representante deste estilo.
Estou ouvindo Nixon pela segunda vez agora. , que disco lindo. Comprei o meu na época em que trabalhei na São Rock Discos em um natal especial para mim, pois foi neste que trabalhei em companhia do meu caro Jan Balanco.
Jan estava nos ajudando nas festas de fim de ano. Fui eu quem dei a ideia de contratá-lo - já o conhecia de uns tempos atrás. Ele vivia lá na loja batendo papo sobre nossas bandas favoritas - o Pavement é uma delas.
Então, quando dei a ideia de contratá-lo, Tony Lopes, meu parceiro à frente da loja, não hesitou e ele começou na primeira semana de dezembro; o ano era 2003.
Ouvíamos Nixon direto. Mas como ignorar um disco repleto de belas canções como este?
Melhor ainda quando, no happy hour, abríamos nossas cervas e ficávamos por ali admirando as meninas que passavam pela rua...
Nixon é um disco pouco ouvido. Pouco comentado. O falsete de Wagner é marcante e o instrumental de um lirismo raro na história.
The book i haven't read composta em parceria com o mestre Curtis Mayfield, é uma das minhas favoritas. The old gold shoe, faixa que abre Nixon, entrega de cara a principal proposta da banda - seduzir os corações dos românticos, assim como eu.

On The Rocks Recomenda em Dose Dupla.

Paul Verlaine - Para ser Caluniado. Quando criei a La Verga Del Buenas, meu blog de poemas eróticos, muitos leitores pensaram que minha principal fonte de inspiração foram os poemas do Bukowski - teve gente que comparou meus poemas aos dele. Obrigado.

Mas o que ninguém sabe, exceto meu amigo Nelsinho Magalhães, é que minha inspiração maior foram os poemas eróticos do poeta simbolista francês Paul Verlaine.

Eu já conhecia os escritos do Verlaine à época quando comecei a ler Rimbaud, mas estes não me disseram muito.

Foi em 2004, quando dividi apartamento no Rio Vermelho com um pessoal amigo de Cássio, meu irmão, que me deparei com este livro e não vacilei, peguei emprestado e nunca mais devolvi. Aqui está a dica para quem gosta dos meus poemas.

A mais nova edição da revista inglesa Uncut traz na capa Mr. Neil Young. Vale a pena comprá-la pela qualidade das matérias com The Stooges, Ozzy Osbourne e The National, entre outros. Acompanha o cd Search and Destroy. Até a próxima.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Eu não sei prender-me aos meus pensamentos.

(Pintura by Van Gogh).

Para Daniela Machado.

Mesmo que minha fúria seja inconveniente. Mesmo que minhas cobranças ofusquem o brilho que irradiam dos seus olhos. Mesmo que minha rispidez apanhe de tua meiguice. Mesmo que tua simplicidade prevaleça...

Eu não sei prender-me aos meus pensamentos.