segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Galeria (Fotos Históricas).

(Luís Capucho, eu, Cláudia e Pedro em um boteco na Barra, Salvador - 2010).
A seção Galeria, dessa vez, homenageia meus amigos Luís Capucho, Pedro Paz e a Cláudia Maia, pessoas maravilhosas que Deus colocou em meu caminho.
Eu encontrei o Capucho no ano passado quando estava passando uns tempos na casa de tia Anna em Cruz das Almas. Escrevi um post sobre o assunto e, desde que o encontrei através do google numa pesquisa que fez levar-me ao blog Azul, de propriedade dele, não paramos de nos comunicarmos. Fiquei feliz em saber que ele estava criando muito. Um livro, o Rato, fora lançado em 2007 e eu não fiquei sabendo.
Soube através do próprio Capucho que ele estava gravando um disco com previsão para sair este ano. Nos comunicamos através de comentários nos blogs, no caso, o On The Rocks e o Azul. Logo estávamos batendo papo no msn e fiquei muito contente quando ele me disse que viria passar uns dias aqui. Armei um show e o resto é história.
Meus dias com o Luís Capucho e seus amigos Pedro Paz (a simpatia em pessoa) e a Cláudia Maia (idem) foram maravilhosos; inesquecíveis. Com eles, aprendi que viver pode ser muito bacana e gostoso. Colocar os grilos - que só fazem atrapalhar as nossas trajetórias - de lado e procurar viver da melhor forma possível está me fazendo muito bem.
Eles passaram apenas uma semana aqui, tempo suficiente para perceber como eles são gente fina!
, eles me deixaram bem melhor do que quando eu os conheci. Uma energia boa que emana deles, sabe? Gente, desejo a todos vocês as melhores coisas da vida.
Quero aproveitar para dizer que estou com saudade de todos. Espero vê-los em breve. Aqui está umas fotos que tirei com vocês. Depois posto mais.
(Capucho e eu).

Disco da Semana.

Fuzzy (1993), primeiro álbum da banda texana Grant Lee Buffalo, é um desses tesouros esquecidos na história da música. Liderada pelo cantor/compositor Grant Lee Philips, dono de uma bonita voz, Philips canta o amor e, não satisfeito, rende-se ao toque de recolher do seu coração.
Fuzzy me toca por sua sensibilidade. Ora baladas, ora rockers com um acento folk, suas canções que têm predominância acústica, revelão ser este um álbum puro e enérgico.
The shining hour, a faixa de abertura, entusiasma nos primeiros instantes; em seguida, as doces e excitantes Jupiter and teardrop e Fuzzy - que canção! - vão fazer você correr atrás dessa pérola.
O Grant Lee durou apenas seis anos. Nesse período, entre tantas coisas, o mundo estava vivenciando ainda o grunge, ou o que restou após a morte de Kurt Cobain em abril de 1993. O Radiohead dava seus passos rumo ao estrelato que o consagraram anos depois. Dylan lançara The world gone wrong - que ironia. O mundo estava de cabeça para baixo, assim como os dias que seguem. A minha geração perdia Renato Russo, e o Portishead, ao lado do Massive Attack, divulgavam o trip hop.
Em seguida, lançaram mais três grandes discos, mas o mundo parecia ocupado com outras coisas mais "importantes". Não ficou registrado, ao menos para a maioria, a obra que esses caras deixaram. Uma pena.
Fuzzy, sua obra máxima, ficou esse tempo todo perdido em pastos desertos. Nunca foram de lotar estádios e arenas, mas nem por isso deixaram seu legado com menor importância, respeito e admiração pela crítica mundial e fãs dessa qualidade de música. Seres como eu.
Fico por aqui ao som de America snoring com um largo sorriso no rosto. Até a próxima

Grant Lee Buffalo - Fuzzy (Live in Frankfurt).

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

********F***********l*****o*********r*****e*********s*********e****n******t***r****e*******l***a***
****ç*****a****d******a********s*******n***ã****o******f****a***z****e****m***********s*********e**********n****t*******i*******************d*************************o*******************************
Para ler ao som de Blue by Joni Mitchell.
Escrevi este conto, o primeiro que ouso, há uns quatro meses atrás e só agora resolvi postar aqui para vocês. Sou fã de contos e sempre que descubro um escritor novo através de romances, procuro saber se este tem poemas e contos - minhas paixões.
Aproximou-se pelos cantos da loja. Entrou arrastando uma sandália de couro cru. No pulso, um relógio pifado. Cabelos desgrenhados, olhos fundos carregados de uma beleza irretocável. Seu nome era Beatriz.
Eu já tinha visto ela caminhar olhando para o chão pelas ruas do bairro e percebi pressa e ansiedade em tudo que fazia. Costumava vestir camisetas com estampas de artistas que ela tanto admirava. A de Jim Jarmusch era linda - uma foto em companhia de Tom Waits no banco de uma praça.
Debruçou-se no balcão e entregou um bilhete, o primeiro de uma série, que dizia assim: "Speculo a teu respeito".
Joni Mitchell e o melancólico Blue ecoavam suavemente das caixas de som.
Dia seguinte, já estava com um ar mais tranquilo e entregou o segundo: "Não sou nada disso".
Estávamos mais íntimos nesse momento. Falávamos coisas sobre nossas vidas com mais frequência. Ríamos o tempo todo. Às vezes, ficávamos calados ouvindo o canto suave da Joni olhando um para o outro.
"Você a conhece?", perguntei.
Ela disse que sim e ficamos por ali...
Sorriu. Eu a beijei.
Saiu levando o disco para ouvir em sua casa que ficava próxima do meu trabalho - ela chamava-me carinhosamente de Tharsis.
Beatriz comprava o pão sempre no final da tarde e era de costume passar na loja para ouvir uns discos. Ficava por ali ouvindo música no headphone e balançando a cabeça.
Após uma dessas audições, ela tirou da bolsa o terceiro, o que mais mexeu comigo: "Isto é espelho".
Eu ficava até tarde da noite tentando desvendar as enigmáticas frases que aquela menina ma entregava. Seu olhar dizia-me coisas indecifráveis. Um mundo pouco visitado. Restrito. Nunca bebi tanto em minha vida. Costumava ouvir Blue sozinho trancado no quarto procurando uma resposta, algo que pudesse desvendar e me aproximar mais dela.
Desapareceu por uns tempos sem deixar informação alguma. Quando soube, estava internada no hospital. Havia tomado uma overdose de pílulas para dormir, pois sofria de insônia desde os tempos de criança.
Estava triste quando retornou e, com o s olhos carregados de lágrimas, entregou o quarto bilhete e saiu apressadamente: "Eu o admiro secretamente".
Uma vez apareceu para agradecer pelo Blue e disse em seguida que este é sua melhor companhia nas últimas semanas.
As minhas tardes estavam encantadoras. Deslumbrantes. Não via a hora de chegar a próxima e esta, quando chegou, veio junto o quinto e último: "Flores entrelaçadas não fazem sentido".

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Capucho e Num domingo qualquer.

(Rato, segundo romance de Luís Capucho. Rocco, 2007).

O show de Capucho foi bem legal. Me emocionei bastante. A presença desse cara, em companhia de Pedro e da Cláudia Maia, fizeram-me refletir sobre mim e percebi que ainda não estou recuperado dos meus problemas.
Abandonei o tratamento que venho fazendo no centro espírita, ao qual frequento, e isto não está me fazendo bem.
Passei o feriado afundado no sofá ouvindo Cinema íris, o novo álbum do Capucho que sairá em breve. Ele confiou-me uma cópia, sendo que ainda falta masterizá-lo.
Ouvi "Eu quero ser sua mãe" o dia todo, e não satisfeito, rompi a madrugada em companhia de umas cervas. Que canção linda...
Hoje à noite, vou encontrar-me com eles para acertar o passeio de amanhã, pois só retornam para o Rio de Janeiro no domingo.
Escreverei sobre os meus dias com Capucho e seus amigos, depois. Postei logo abaixo um poema que escrevi faz uns dois meses, mas só agora quis publicá-lo.
Visite a La Verga, meu blog de poemas eróticos: www.lavergadelbuenas.blogspot.com. Até a próxima.
Num domingo qualquer.

Para ler ao som de Mãe.


Num domingo qualquer
eu estava assim meio triste, meio nu

sentindo frio - apesar do sol insistindo em me desarmar
em frente ao chafariz

crianças corriam livres em minha frente, felizes
rumo aos braços de seus pais -

imaginava os meus
nos meus

estava meio triste,
assim
rindo de mim

em frente ao chafariz

sentindo o cheiro do mar esmurrando as pedras do Farol
lembrei-me dos peixinhos
presos, tristes

entre elas

fazia minha terapia
aos domingos
em meio à maresia inebriante
meio triste, meio nu

vivia assim
rindo de mim.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Show de Luís Capucho e Banda de Rock.

(Cartaz by Johanna Gaschler).

É com grande prazer que o On The Rocks apresenta Luís Capucho e Banda de Rock no show que acontecerá no próximo dia 11 de outubro no bar Ali do Lado (Rua da Paciência - Rio Vermelho), às 21h. Ingresso, apenas, R$ 10,00.

Meu contato com o Capucho começou quando, no ano passado, fiz um post dedicado a ele. Senti falta da sua dolorosa e impactante música, cheguei a pensar que o cara tinha desistido de ser cantor e músico para se dedicar à carreira literária. Isso mesmo, o rapaz é escritor de mão cheia.

Cinema Orly (Interlúdio,1999), já um cult literário, e Rato (Rocco, 2007), são os romances lançados até o presente momento.

Para minha surpresa, ele estava trabalhando em cima do seu segundo álbum - sem nome ainda definido. Trocamos comentários em seu blog (http://www.luiscapucho.blogspot.com/) e logo estávamos batendo papo no msn.

Capucho revelou-me ter muita vontade de conhecer Salvador. Quando afirmou que estava de malas prontas, não deu outra: fiz meus contatos por aqui e disse aos meus amigos que faria o show acontecer.

Meu amigo Tony Lopes foi quem deu a ideia de chamar outro artista para tocar junto. Uma banda local para animar a noite, pois a música de Capucho não faz nenhuma concessão comercial - sua voz gutural poderá assustar os desavisados e remeter a um Leonard Cohen ou ao primeiro Tom Waits.

A Banda de Rock, que tem no repertório clássicos do rock no formato acústico, foi a sugerida. Entrei em contato com o músico Cândido Soto (Cascadura, Theatro de Séraphin e Banda de Rock) e fechamos o show. Cândido vai acompanhar Capucho na guitarra, também.

Só para encerrar: Adorei o cartaz feito pela designer Johanna Gaschler, um anjo que Deus colocou em meu caminho. Super talentosa e gente fina. Valeu Johanna!

Para ouvir Capucho, clique aqui: www.myspace.com/luiscapucho. Até lá.

sábado, 2 de outubro de 2010

Disco da Semana.

Renato Godá - Canções para Embalar Marujos (2010). O mais novo álbum de Renato Godá é sério candidato a melhor disco do ano. Mais extenso do que o anterior (já comentado aqui), este é mais elaborado. A produção desta vez está mais precisa e o acento pop que se encontrava no EP, foi por água abaixo.
Acredito que Godá tenha conseguido realizar bem a fórmula música de cabaré, jazz e chanson francesa. Um clima esfumaçado permeia e dá o tom das canções. Eu simplesmente adoro.
Primeiro round, a faixa de abertura, entrega e anuncia o que vem pela frente. Nasci para chorar ficou ótima com sua voz encharcada de bourbon, exalando boêmia para todos os lados. Eu sei, é uma balada de arrebentar o coração dos românticos de plantão; sujeitos como eu, sabe...
Black Jorge me faz levantar da cadeira e ficar dançando pela sala; Dona Maria, a senhora que trabalha aqui em casa, ri e fica sem entender nada. Não precisa Mary, como diria Clarice Lispector: "Não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo entendimento".
O disco segue com Café e cigarros, Chanson D'amour - nesta, Godá divide o vocal com Barbara Carlotti - e quer saber? Ficou ótima. Belíssima.
Canção de um velho marujo tem um acordeon magnífico; cai bem nas madrugadas regada a cervas e afins.
Obsceno amor e C'est la vie vão encerrando esta obra que já entrou para um dos meus álbuns preferidos gravado por um artista brasileiro. Mas ainda falta A cem por hora, canção que tem um quê de jovem guarda à la Robertão nas estradas de Santos, me faz viajar no tempo sem hora marcada para voltar.
Man, você gravou um discaço! Se orgulhe disso, pois é para poucos, ainda mais nos tempos que seguem... Nem vou citar nomes, pois a lista dos medíocres é grande.
O show de Luís Capucho está confirmado. Será no bar Ali do Lado (rua da Paciência, Rio Vermelho) às 21h. A noite será dividida com a Banda de Rock e o ingresso custará, apenas, R$ 10,00.
Colocarei o cartaz assim que estiver pronto. É o Buenas se atrevendo a produzir shows musicais. Tende piedade de mim, senhor!
Visite a La Verga, meu blog de poemas eróticos: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/. Até a próxima.