segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Disco da Semana.

Fuzzy (1993), primeiro álbum da banda texana Grant Lee Buffalo, é um desses tesouros esquecidos na história da música. Liderada pelo cantor/compositor Grant Lee Philips, dono de uma bonita voz, Philips canta o amor e, não satisfeito, rende-se ao toque de recolher do seu coração.
Fuzzy me toca por sua sensibilidade. Ora baladas, ora rockers com um acento folk, suas canções que têm predominância acústica, revelão ser este um álbum puro e enérgico.
The shining hour, a faixa de abertura, entusiasma nos primeiros instantes; em seguida, as doces e excitantes Jupiter and teardrop e Fuzzy - que canção! - vão fazer você correr atrás dessa pérola.
O Grant Lee durou apenas seis anos. Nesse período, entre tantas coisas, o mundo estava vivenciando ainda o grunge, ou o que restou após a morte de Kurt Cobain em abril de 1993. O Radiohead dava seus passos rumo ao estrelato que o consagraram anos depois. Dylan lançara The world gone wrong - que ironia. O mundo estava de cabeça para baixo, assim como os dias que seguem. A minha geração perdia Renato Russo, e o Portishead, ao lado do Massive Attack, divulgavam o trip hop.
Em seguida, lançaram mais três grandes discos, mas o mundo parecia ocupado com outras coisas mais "importantes". Não ficou registrado, ao menos para a maioria, a obra que esses caras deixaram. Uma pena.
Fuzzy, sua obra máxima, ficou esse tempo todo perdido em pastos desertos. Nunca foram de lotar estádios e arenas, mas nem por isso deixaram seu legado com menor importância, respeito e admiração pela crítica mundial e fãs dessa qualidade de música. Seres como eu.
Fico por aqui ao som de America snoring com um largo sorriso no rosto. Até a próxima
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