sexta-feira, 22 de abril de 2011

3 Anos de On The Rocks.

Fevereiro de 2008. Embarco para a Europa com o propósito de realizar um grande sonho: morar em Londres. No aeroporto, estavam meus dois filhos e minha ex-mulher aguardando meu voo, que seria tenso até o fim. Odeio viajar de avião.
Minha primeira estadia no velho mundo foi em Lisboa. Lá, passei duas ótimas semanas em companhia do meu primo Léo e de sua esposa, Nena. Havia também Gina, amiga nossa, e seu filhinho - não me recordo o nome do menino. Lembro-me que era super carinhoso.
Em terras portuguesas, só chegava em casa tarde da noite. Andava o tempo todo pelas ruas, conhecendo uma cidade agradável, com um clima idem.
A primeira impressão que tive dos portugueses, foi que eles não parecem ter paciência com brasileiros. No meu primeiro dia caminhando pelo centro da cidade, perguntei a um senhor que estava debruçado no balcão de uma banca de revistas, onde ficava a FNAC mais próxima, e ele respondeu: "Eu sei, mas não vou dizer." "Por que o senhor não vai me dizer?", e ele, sorrindo, disse: "Porque eu não quero, ora". "Tudo bem", eu disse e sair em direção a outra banca, quando ele gritou: "Dobra a primeira a direita e segue em frente". Filho da puta. Bate, depois assopra.
Mas Lisboa era só uma rápida visita, meu sonho estava prestes a se realizar.
Na minha despedida, bebemos vários vinhos e algumas cervas pra fechar a noite. Acordei cedo no dia seguinte e segui rumo ao aeroporto. Cheguei em cima da hora do voo; correndo, troquei meus Euros por Libras e fiz o check-in.
Na fila, vários olhares atravessados pra mim. Fiquei na minha. O voo foi ótimo, ao contrário do Salvador-Lisboa que foi hipertenso - não consegui fechar os olhos um só instante. Só imaginava coisas horríveis!
O avião demorou para pousar. Então, pude avistar da janela um pouco daquela terra cinzenta. Pra variar, o tempo estava fechado. Totalmente nublado. Era março, fim do inverno.
Agora começa o pesadelo.
Os caras parece que não foram com a minha cara, ou precisavam barrar alguém, já que todos que estavam no meu voo entraram. Fiquei tenso quando o guarda da imigração me encheu de perguntas. Preocupado em falar alguma besteira, ou cair em alguma contradição, já que eu estava sem o visto de entrada, pedi para o guarda chamar um tradutor.
Uma brasileira simpática apareceu. Uma senhora com uns cinquenta e cinco anos mais ou menos de idade ficou ao meu lado traduzindo minhas respostas. Não satisfeito com minhas respostas, fui encaminhado para uma sala (uma cela na verdade) e fui submetido a mais duas entrevistas num total de dezessete horas detido. Tentei falar com minha sobrinha que morava lá na época, mas desisti quando lembrei que os aparelhos são grampeados.
Na sala, tinha mais cinco pessoas de vários lugares do mundo, entre eles, uma colombiana que vivia me fazendo perguntas sobre o Brasil e a meu respeito - acho que ela tava com segundas intenções comigo, pois não tirava os olhos de mim. Tentei explicar a ela que estávamos sendo filmados, mas ela não parecia se importar com isso e volta e meia sentava ao meu lado.
Após duas entrevistas, e sabendo que seria deportado - eles alegaram falta de provas que eu estava de férias, o que era verdade, pois havia saído da empresa aqui, justamente para fazer essa viagem - resolvi dormir. Apoiei minha cabeça em cima do meu casaco e chorei.
* * *
Os caras me mandaram para Lisboa. Chegando lá, havia uma esperança que ficaria por lá. Para minha surpresa, após trinta minutos na imigração, um policial se aproximou e pediu para que eu pegasse minha bagagem e seguiu comigo até um camburão da polícia que estava me aguardando. Perguntei para onde estava indo e a resposta foi: "O senhor vai voltar para o Brasil". Procurei saber por quê não podia ficar em Lisboa, e ouvi o seguinte: "O senhor não conseguiu entrar em Londres, por isso, não vai poder ficar aqui".
Instantes depois, eu estava dentro do avião e prestes a fazer o voo mais ingrato da minha vida.
* * *
Caro leitor, procurando uma saída para curar minha grande frustração, resolvi criar um blog onde eu pudesse me interagir com pessoas do mundo inteiro indicando discos e livros - minhas paixões - para não pirar. Precisava me fazer presente. Me sentir uma pessoa com algo para mostrar. Daí, comecei a escrever crônicas e poemas, aqui e na La Verga, meu blog de poemas eróticos.
Foi exatamente no dia 22 de abril de 2008 que o On The Rocks veio ao mundo. Este foi criado em Cruz das Almas na casa de tia Anna, em companhia do meu amigo Nelsinho Magalhães.
* * *
Quero agradecer a todos vocês pelo carinho e confiança - não foram poucas as pessoas que se abriram comigo em salas de bate-papo e redes socias. Alguns namoros surgiram aqui, agradeço também a essas três iluminadas que Deus colocou em meu caminho. As amizades, então, nem preciso falar.
Finalmente, vou poder viajar agora para conhecer algumas pessoas importantes que abriram os braços quando mais precisei. Infelizmente, como disse antes aqui mesmo, não vou poder conhecer todos, pois não tenho grana para viajar por todo o país. Compensarei esta falha, na próxima viagem. Obrigado a todos.
Agora, vou abrir um vinho. Sozinho, vou curtir um pouco do meu pupilo e aproveitar para visitar os blogs de vocês. Longa vida. Tin Tin. Buenas!
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