terça-feira, 31 de maio de 2011

Cinco discos para o Dia dos Namorados.

Os antigos leitores do On The Rocks sabem das minhas paixões por listas. Ao longo de três anos de blog, foram cinco: as tradicionais, com os melhores do ano; os cinco maiores cantores cool do planeta e os quinze melhores álbuns da década passada.
Agora, resolvi fazer uma com os cinco melhores álbuns para o Dia dos Namorados, já que esta data esta próxima.
1. John Coltrane & Johnny Hartman - Coltrane/Hartman. Meu caro leitor deve estar pensando: "Esse cara não ouve outra coisa?". Pois é, esta obra-prima é um dos preferidos da casa.
Coltrane/Hartman foi resenhado aqui na inauguração da seção Obra-Prima nos primeiros passos do blog.
Eu amo esse disco. Jonhhy Hartman - o Sinatra negro -, canta as oitos faixas na companhia do sax-tenor John Coltrane, um dos meus, e de um célebre conjunto musical.
Trilha sonora essencial para o dia doze - veja o post completo nos arquivos ao lado; data de abril/maio de 2008.
2. Chet Baker Sings. Meu cantor number one do jazz. Cool, por excelência, Chet esbanja carisma, elegância e beleza sem comparação - em minha opinião, é claro - no mundo desse estilo musical embrionário da África.
O primeiro trabalho que fiz como DJ, foi, somente, com discos do Chet. Foram mais de quatro horas de som, passando por todas as fases do principal influenciador da bossa nova.
3. Leonard Cohen - I'm your man. Já pensou, você dizendo no ouvido dela, bem baixinho: "i'm your man", e ela, toda arrepiadinha: "repete meu amor...".
A essa hora da madrugada, com tudo bagunçado... vinho para um lado, taças para o outro...
(...)
... e a elegância em pessoa cantando seus sublimes versos de amor rompendo as horas num frisson fazendo a lua corar... coitada da lua!
Cohen é perfeito para essas horas.
4. Legião Urbana - O descobrimento do Brasil. Este, na verdade, é para o dia seguinte. Com aquela preguicinha pra sair da cama e você pensando em mais um bis, mas com uma trilha sonora diferente, algo que faça melhorar ainda mais as coisas, com um enorme sorriso estampado no rosto.
"Quem é que vai saber agora, o quanto eu penso em você, com o meu coração?".
Carinhos e mais carinhos depois, o disco acaba, e aí, ela sugere outro.
5. Roberto Carlos. Aos primeiros acordes de Detalhes, se prepare, porque vai começar tudo de novo. Tin tin!
Postarei, amanhã, a continuação do Poema para a mais bela, na La Verga: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/. Até lá.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Carta para Bob Dylan.

 

Como tem passado os dias, meu caro Dylan?
Escrevo esta carta para te parabenizar pelos seus setenta anos de idade; cinquenta desses, prestando bons serviços à arte.
Suas canções foram determinantes para desencadear os rumos férteis dos anos sessenta e você sabe muito bem disso, pois não foram poucos os artistas influenciados por você.
Estava ouvindo nesse instante You've got to hide your love away do quarteto de Liverpool e vejo claramente sua influência no modo como eles passaram a elaborar suas canções depois que te conheceram.
Jagger e Richards já declararam sofrer influências no modo de compor suas canções; Rod Stewart, David Bowie, Eric Clapton, Neil Young, os caras dos Byrds, Bruce Springsteen, Jimi Hendrix e tantos outros.
Hoje de manhã, quando acordei, estava tocando Eu também vou reclamar, do Raul seixas, no rádio, e me lembrando como é vasto a riqueza e influência de sua obra. O mundo inteiro te ouve e te reverencia, Dylan. Tem um trecho da música que diz assim: "Eu já passei por Elvis Presley, imitei Mr. Bob Dylan, eu já cansei de ver o sol se pôr...".
É, meu velho, suas canções bateram forte aqui também. Caetano Veloso fez, nos anos setenta, uma versão de It's all over now, baby blue para Gal Costa cantar divinamente bem; Renato Russo uma vez declarou que seu sonho, quando estava gravando o disco Dois da Legião Urbana, era unir letras em que contava histórias à la Bob Dylan com o romantismo da banda inglesa The Smiths. In my opinion, ele conseguiu.
Zé Ramalho, Belchior, Sá, Rodrix e Guarabira, Marcelo Nova e tantos outros, te agradecem muito por tudo.
Escrevo de uma Lan House aqui em Paranaguá, cidade do interior do Paraná onde minha mãe mora há onze anos.
Comecei esta viagem no final de abril devido a uma necessidade que desejava realizar há alguns anos.
Já passei pelo Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Curitiba. Retorno na primeira semana de junho à Sampa e regresso para Salvador em julho.
Soube, e tomara que seja boato de algum jornalista desavisado, que você não vai gravar mais discos. Rapaz, não faça isso. São poucos os álbuns hoje em dia que valem a pena comprar e curti em casa.
Espero que seja boato e que você nos presentei com um álbum à altura do Modern Times.
Você pretende comemorar esta data com um concerto entre amigos?
Chama Neil que ele vai querer participar. Clapton, Springsteen e Stewart, também. Ah, não se esqueça de chamar a senhora Smith.
Nelsinho, aquele meu amigo louco que mora em Cruz das Almas, cidade das sombras, tem um K7 gravado de um show em Nova York da Patti em que ela canta vários covers. A gente ouve quando vou à Cruz no atêlier dele.
Fico por aqui. O tempo está acabando.
Parafraseando Nitszche, aqui vai uma do Buenas: aproveite seus momentos de dor e felicidade com se fossem uma coisa só, pois só assim, alcançará a felicidade eterna.
Agradeça a Deus pela vida, Dylan.
Um grande abraço,
Tarcísio Buenas.
P.S: Visite a La Verga, meu blog de poemas eróticos: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/.

sábado, 21 de maio de 2011

O Altar das Montanhas de Minas, Sweet Oblivion, Cervas e D. Léa, entre outros.


Não sei como uma pessoa consegue viver sem botecos por perto. Aqui não tem. Para beber em algum, tenho que caminhar um pouco, o que é um problema pra voltar.
Minha mãe consegue viver sem botecos por perto, e olha que D. Léa é minha parceira de copos das antigas. Mas ela consegue.
Calçado com sua sapatilha vermelha, já que esqueci minha sandália em Salvador, escrevo nesta tarde sem nada a fazer, a não ser, beber umas cervas com D. Léa.
Vou comprar umas latinhas no supermercado daqui a pouco. Abastecerei a geladeira e ficarei na minha, curtindo as loirinhas. Minha mãe vai sair com suas amigas para dançar forró. Não gosto de forró e não tenho vontade de passar o São João na minha terra.
Nestas festas juninas aqui em Paranaguá, beberei quentão e comerei pinhão - um troço que em faz lembrar amendoim. É bom. Eu gostei.
Antes, vou a São Paulo mais uma vez. Tenho compromissos e não quero faltar.
Minhas companhias aqui têm sido O Altar das montanhas de Minas, do Jaime Prado Gouvea, livro que tem tomado minhas atenções; uns discos, cervas, vinhos e minha mãe.
Nenhuma mulher me atraiu até agora. As amigas de mãinha giram em torno dos sessenta anos de idade, o que para mim é uma barra.
Escrevi um poema para a La Verga Del Buenas, meu blog de poemas eróticos, e postei ontem.
Eu gostei do poema. Mostrei a Bruna Mitrano pelo Facebook; ela disse que é forte e que me perdi um pouco no final. Pode ter sido mesmo, Bruninha, mas o resultado é satisfatório.
Quem me dera ter a mais bela entre as mais belas aqui comigo agora...
***
Screaming Trees é uma banda de rock de Seattle - terra de Jimi Hendrix, Mudhoney, Nirvana, Walkabouts - minha banda preferida da cidade - e Pearl Jam, entre outras.
Tenho ouvido Sweet Oblivion direto. Sou fã do Mark Lanegan, o vocal encharcado de bourbon da banda.
Adoro as baladas Dollar Bill (ver video abaixo), More or Less, Winter song e os rockões For celebration past e o hit Nearly lost you. Demais.
Eles têm outro discaço, este chama-se Dust. On The Rocks recomenda os dois.
***
Aqui vai uma dica para quem está no Rio de Janeiro: a exposição que comemora os quarenta anos de carreira da Laurie Anderson.
Eu estive lá com Bruna e pirei com as instalações.
Saí intrigado com o texto do papagaio. Ele fica olhando pra você o tempo todo; e de dentro dele sai uma voz cavernosa que me deixou estático.
A exposição acontece no CCBB, centro da cidade. Logo atrás, na Galeria dos Correios, você pode acompanhar de perto a trajetória do poeta português Fernando Pessoa e seus, muitos, heterônimos.
Visite a La Verga: www.lavergadelbuenas.blogspot.com.
Até a próxima.

Screaming Trees - Dollar Bill.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

On The Road, 6ª Parte (Curitiba/Paranaguá).


18 de maio, dia do meu aniversário. Cheguei hoje de manhã de São Paulo. Curitiba continua a mesma com seu frio infernal; daqueles que faz sair um bueiro de sua boca quando solta o ar. Cidade cinzenta, de uma beleza singular, ao menos pros meus olhos.
O povo é estranho - não é dos meus. Prefiro não conversar com eles e ficar na minha. Me estresso facilmente quando peço uma informação pra chegar em algum lugar e ouço algo assim: "Ah, vai aí!", e aponta para o infinito. Ou, quando da primeira vez que estive aqui, perguntei para um velhinho de manhã cedo e dei bom dia antes de pedir uma informação e ele foi simplesmente cru comigo: "Bom dia, você está vendo algum bom dia?". Realmente o tempo estava nublado e fazia muito frio, o que pra mim é ótimo, já pro velhinho...

Paranaguá é uma cidade pacata e o povo é mais solícito. Interior é sempre assim. Em Cruz das Almas, minha terra natal, você é tratado como se fosse de casa, mesmo não sendo.

Viva as diferenças sócio, político e culturais do nosso país.

Minha mãe foi me buscar na rodoviária um pouco atrasada. Ela pensou que eu chegaria à noite e me fez esperar por mais de meia-hora. No problems. Aproveitei o momento para observar os transeuntes. Crianças, jovens, senhoras e senhores vivendo seu pacato cotidiano em meio a casacos, botas, luvas e gorrinhos.

Eu fiz questão de passar este dia especial com ela. Vivi ótimos momentos no Rio de Janeiro, Niterói e São Paulo, e vim brindar com Dona Léa. Saíremos à noite para este aguardado brinde que não acontece há quatro anos. Coisas da vida.

A primeira parte desta já inesquecível viagem termina agora. Retorno em junho para São Paulo e estendo até o Rio, em julho, antes de voltar para Salvador.

Encontrei com Bortolotto e a atriz Wanessa Rudmer na Mercearia São Pedro - reduto de escritores e artistas em geral - que fica na Vila Madalena, na segunda-feira, e pedi para ele autografar Um bom lugar pra morrer, seu último livro de poemas. Brindamos mais uma vez e conversamos sobre minha estadia na cidade.

Em seguida, Rubens Paiva chegou. Deixei os dois conversando e fui em casa pegar o disco do Reverendo T. para presentear este meu novo amigo - um dos melhores escritores da atualidade. Ele adorou o presente e disse que já tinha lido algo sobre o disco e que estava curioso para escutá-lo.

***

Minha mãe é pirada por sapatos. Daqui da sala, posso avistar sua coleção ao lado da cômoda em seu quarto, uns cinquenta pares. É sério.

Publico aqui, a primeira parte de minha autobiografia postado em 18 de maio de 2009, para os recentes leitores do On The Rocks.

Saiba que esta primeira etapa chegou ao seu ápice quando minha mãe estendeu seu braços e me apertou forte no peito.

Obrigado por tudo.

Leia a autobiografia abaixo e assista ao videoclipe de Decades do Joy Division. Hoje, faz trinta e um anos sem Ian Curtis - um dos meus primeiros ídolos.

(Continua).

18 de Maio, Quanto tens por dizer... (3ª Parte).


Para ler ao som de Decades by Joy division.

Sou magro,

mas não sou canalha

Meu caralho é grande
assim como minhas mãos
e meu coração

Bebo o máximo
que meu organismo
pode suportar

Nasci em 1972
ano de glória
de Ziggy Stardust

Parti a testa
aos dois anos de idade
caindo da escada na casa
de meus avós

Ano em que perdi
meu pai
em um acidente
fatal na Br-101

O enterro foi no dia do meu aniversário

A cicatriz me faz
lembrar
desse episódio
até hoje

Tive uma sensação estranha
quando dei meu primeiro
soco no rosto do meu colega
Guaraci

Época em que me apaixonei por Ana Cláudia e Fernanda

Passei por momentos de profunda tristeza
quando vovó Matildes
faleceu
e fomos morar - eu e meu irmão -
em Guapira
longe de nossa mãe

Quando anoitecia era terrível
a luz do candeeiro
me fazia chorar

Ainda na infância
vi minha mãe
transando
com meu padrasto

Fiquei horrorizado!

Pensei em suicídio
aos catorze anos de idade
quando morava em Cruz das Almas,
cidade das sombras

Angústias profundas
quase me ergueram daqui

Não gosto do sol
nem de receber visita surpresa

Considero Bob Dylan, The Beatles e Rolling Stones
os artistas mais influentes da história da música pop mundial

Já parti alguns corações
e muitas mulheres
partiram o meu

O curso de minha vida
poderia ser diferente
não fosse a beat generation - meus herois!

Eu já vendi
iogurte no subúrbio
para alimentar
minha filha

Já trabalhei em uma
repartição pública
e fingi ser
responsável

O que mais me incomodava
no teatro
era o assédio
por parte dos gays

Já cruzei céus e mares
em busca dos meus sonhos

Eles parecem não acabar nunca!

Vivo melhor à noite
e mudo quando é lua cheia

Adoro quando uma mulher
depila a buceta
deixando
o meio cabeludinho

Odeio 'Parabéns pra Você'
e raramente
comemoro
meu aniversário

Sou eternamente
grato
a Orlando
por ele ter me emprestado
Psychocandy
E a Nelsinho
por ter me apresentado
a John Fante e Henry Miller

Filosofia de bar
é comigo
mesmo: "Quem não bebe,
não vê o mundo rodar"

Não gosto de perfume
nem de falar
ao telefone

Nunca tive um fusca
Não vejo graça
em tirar
foto
sorrindo

As tardes de domingo
são tediosas,
por isso bebo
a tarde toda.

Joy Division - Decades.

terça-feira, 17 de maio de 2011

On The Road, 5ª Parte (São Paulo).

                                                                                 (Damis).                 
A primeira etapa da minha viagem está chegando ao fim aqui em São Paulo. Continuarei em junho quando ficarei mais tempo. Umas duas semanas -- tempo suficiente para poder conhecer todos os meus amigos virtuais.
O show da Saco de Ratos foi meu grande momento em terras paulistanas. Curti o som e o cara, que é o escritor, ator e diretor, Mário Bortolotto, o cantor da banda.
Deu trabalho para encontrar o Damis, bar localizado na Rua dos Pinheiros, onde foi realizado o show. Fui andando da rua Jericó, Vila Madalena, após beber umas cervas com Kiko no Tribunal, um bar aqui perto.
Quando cheguei no Damis, Bortolotto estava numa mesa bebendo com amigos na calçada. Me apresentei e ele se lembrou de mim - é que a gente se fala de vez em quando no Facebook. "E aí cara, tudo bem?". Disse que sim e mostrei-lhe o livro DJ, Canções pra tocar no inferno, que trouxe para ele autografar.
Adorei o que escreveu: "Para o brother Tarcísio, que no seu inferno não tenha axé music. Grande abraço, Mário Bortolotto".
Eu comentei que o termo axé, pelo visto, vai me acompanhar eternamente, e ele disse sorrindo: "Se tu é baiano!".
Nos abraçamos e subimos para o começo do show quando a banda estava afinando os instrumentos.
Começou com ele no vocal em companhia de Fábio Brum e Marcelo Watanabe nos violões.
Três músicas depois, Bortolotto anunciou uma do Cascadura e dedicou a mim: "Essa é para o amigo baiano Tarcísio Buenas", e tocou Cantor de Jazz, música dos velhos tempos da banda baiana. Massa.
No intervalo, conversamos um pouco. Agradeci a homenagem e brindamos.
Na segunda parte, tivemos a presença de mais dois músicos: um na bateria improvisada, e o outro, no baixo - não me lembro o nome dos caras.
Por volta de 01:00h da manhã, o show acabou.
Ficamos na porta do bar resenhando a noite quando fui convidado para uma saideira por uma das amigas do Bortolotto.
Agora, começa o inferno da noite.
Uma vez dentro do bar, na empolgação pelo jeito como fui tratado, vacilei e perdi o livro. É óbvio que alguém achou e não quis devolvê-lo.
Saí pirado do bar em companhia das meninas, meu alento naquele fim de noite.
***
Depois de muitos anos, chupei uma cereja madura vinda da mão da mulher mais bela que vi por aqui. Bem-vinda cereja.
Até agora vejo sua mãozinha estendida para mim. Uma belíssima mulher me oferecendo uma cereja madura, provavelmente, de algum pomar do vizinho.
O aroma das cerejas, pêssegos e maçãs eram forte naquele instante e confundiram meus sentidos.
Quase bêbado, me despedi do Bortolotto e fui para casa caminhando pela madrugada fria de Sampa.
Man, por favor, não se esqueça de mandar a foto que tiramos juntos. Fico por aqui ao som da Saco de Ratos cantando Blues no Damis.

(Continua).

sábado, 14 de maio de 2011

On The Road, 4ª Parte (São Paulo).


Faz frio aqui em São Paulo. Me sinto mais à vontade aqui do que no Rio e em Salvador. Sampa me faz lembrar Londres. O clima é dos meus. Céu nublado. Minhas mãos frias estão. Almocei numa padaria aqui na Vila Madalena, onde estou hospedado, na casa de Kiko, meu amigo e de meu irmão; eles são compadres, inclusive.
Kiko não está aqui agora. Saiu para resolver uns negócios na rua.
Acordei tarde. Minha viagem não foi das melhores. Choveu muito no fim da tarde de ontem. Pegamos um engarrafamento na saída da rodoviária. O motorista, muito cauteloso, não correu em momento algum na estrada.
Cheguei por volta de 01:00h da madrugada. Kiko, generoso, foi me pegar na rodoviária. Chegando aqui, dei um giro pelo bairro e conheci alguns botecos, enquanto meu amigo resolveu descansar, pois teve um dia cansativo de trabalho em Campinas.
Liguei pra Lulu Soler, mas não deu pra gente se encontrar. Ela não estava por perto e então preferi ficar por aqui.
Hoje, tem o show da banda Saco de Ratos do escritor Mário Bortolotto no Damis, um bar localizado na Rua dos Pinheiros.
Convidei Lulu e Michelle Martins para me acompanhar. Parece que elas vão. Massa.
Minhas mãos tremem um pouco agora. Tomei um café nesse instante para esquentar. Daqui a pouco, darei outro giro pelo bairro e beberei na Mercearia São Pedro, aqui na esquina.
Visual preto me fascina e aqui é constante. Tanto homens quanto mulheres têm preferência por essa cor. Eu também.
Meu gorro esquenta um pouco minha mente. Os pelos dos meus braços estão em pé agora ao som de Passeio do Belchior.
Ele diz assim: "A eletricidade desta cidade me dá vontade de gritar, que apaixonado que sou". É assim que São Paulo bate forte em mim.
Vou para Paranaguá na terça-feira, véspera do meu aniversário. Mas devo voltar na segunda semana de junho, e depois, ir ao Rio mais uma vez. Adorei o calor humano de lá. Já fizeram até contagem regressiva para o meu retorno.
Costumo dizer que se você planta o bem, bons frutos colherá. Na minha vida é assim.
O show da Angela Roro foi demais. Fui ao camarim cumprimentá-la. Ela me recebeu de braços abertos quando Pedro Paz, meu amigo, disse assim: "Angela, esse aqui é Tarcísio, nosso amigo de Salvador." E ela: "De Salvador? Então é porreta!" E me abraçou. Convidei ela pra ser minha amiga no Facebook, e ela: "Baby, eu não sei mexer naquele troço. Eu gosto do Orkut, porque Orkut é coisa de menininha". Rimos. Outro abraço. Pô, que mulher massa!
Angela é minha cantora preferida no Brasil.
O show do Teenage Fanclub no Circo Voador foi tão bom quanto. Outro que mexeu bastante comigo. Banda carismática, de um talento singular entre as guitar bands do planeta.
Doses de whiskey foram distribuídas na entrada. A banda é escocesa e o festival chama-se Whiskey Festival.
Fiquei bem em frente ao palco ao lado de um pessoal que estavam reunidos em grupo. Me interagi com eles. Minha camiseta do Pavement fala por si só.
Mas sem dúvida alguma, a grande atração da noite foi uma menina que estava usando um vestidinho preto entre o grupo de amigos que estavam ao meu lado. Não resisti, e disse em seu ouvido no término da primeira parte do show: "Eles vão voltar com Everything flowns." E ela, pros amigos: "Então, fodeu aê, eles vão tocar Everything flowns." E pra mim: "Valeu parceiro." Disse e saiu. Que derrota!
Tá na hora de beber a primeira cerva do dia. Tin tin!
(Continua).

segunda-feira, 9 de maio de 2011

On The Road, 3ª Parte (Rio/Niterói).

Ontem, almoçamos na casa da nossa amiga Cláudia Maia nas Laranjeiras. Conheci a Cláudia no ano passado quando armei o show do Capucho em Salvador -- ela estava de férias com os amigos.
Me senti à vontade em sua casa. Cláudia mora em companhia de sua mãe, D. Isolda Maia, uma senhora sarcástica e boa de papo. Ela parece ter gostado de mim. Conversamos muito na hora do almoço sobre música, programas de TV, nomes estranhos de pessoas, entre outros assuntos. Disse a ela que meu blog reserva chama-se Aretuza Simonetta, nome de uma ex-cliente minha, e ela riu. Em seguida, disse que já viu nomes piores ao longo dos seus setenta e nove anos.
O tempo estava quente, por isso não bebi vinho, bebida que adoro, com os meus amigos, e optei pela cerva.
Alguns copos depois, saímos para um passeio. A beleza natural desta cidade é encantadora.
Na volta, bebemos a saideira e tiramos algumas fotos perto da estante onde havia várias fotografias. No canto, à direita, uma imagem me chamou atenção: o sorriso de um homem gordo e barbudo abraçando seus irmãos - era o síndico.
(Continua).

sábado, 7 de maio de 2011

On The Road, 2ª Parte (Niterói).

Manhã preguiçosa aqui em Niterói. Estou na casa de Capucho. Ele está na cozinha preparando o almoço; parece feliz com minha presença. Conversamos o tempo todo. Ele reflete sobre todas as coisas ao seu redor. Me sinto na posição de ouvinte, já que falo pouco - é de minha natureza falar pouco.
Tomei café neste instante. Preguiçosamente teclo este post de Niterói. Daqui a pouco, abrirei uma cerva e as coisas tomarão outra atmosfera. Capucho está bebendo vinho; tem evitado gelado por causa da sua garganta - maluquice dele, pois vejo claramente que está tudo bem.
Mais tarde, irei conhecer a feira do Lavradio na Lapa. Vou me encontrar com Bruna e Aline Aimeé - outra blogueira que conheci por aqui no primeiro ano do On The Rocks.
Minha passagem pelo Rio está começando a me dar saudade. Bruna foi simplesmente fofa comigo, embora ela não goste da palavra "fofa" tenho que confessar que foi. Sorry, Bruna.
A fragilidade dela foi uma coisa que me deixou preocupado. Complicações com sua saúde deixaram esta coisinha fofa com medo dos novos rumos em sua vida.
Ontem foi um dia cansativo devido a viagem de Cosmos - um lugar que pouca gente conhece - para Niterói com uma mochila pesada nas costas. Descuidei um pouco no trajeto e perdi o ponto que deveria descer. Sem problemas, caminhei pelas ruas do centro tomando informações e me deparei com um velhinho que caiu em minha frente na Praça XV. Pô, deu trabalho para levantá-lo, pois ele era pesado e minha mochila nas costas atrapalhou um pouco. Uma mulher negra de estatura baixa e bem magrinha me ajudou a levantar o velhinho que disse-me: "Meu filho, esta foi a segunda queda que tomei hoje. Muito obrigado". "Cuidado", eu disse, e segui em direção à barca que estava com uma fila quilométrica.
Minha noitada na Lapa em companhia de Joana e Sissa foi massa. Bebi em vários bares e no final jogamos sinuca até o dia amanhecer. Ganhei de 3 x 2 das meninas, que decidiram jogar, as duas, contra mim.
A Lapa é um Rio Vermelho melhorado - bairro boêmio de Salvador - com um leque maior e melhor de opções para a balada.
Dei um giro ontem à noite pelos bares daqui e percebi uma tranquilidade nas ruas que não senti no Rio. Menos agito, mais legal para caminhar. Serenidade foi o que senti aqui.
Vou para São Paulo na próxima sexta-feira depois do show do Teenage Fanclub. Estou muito sentido porque não vou poder conhecer Camila Vardarac, uma das minhas poetas favorita. Ela está viajando e só chegará no sábado. Camila, eu não vou poder te esperar, pois o tempo urge e preciso continuar minha trajetória com parada final em Paranaguá (PR).
Capucho está ouvindo Caetano cantar: "Tudo em volta está deserto, tudo certo, tudo certo como dois e dois são cinco". É por aí.
A Balada do Café Triste, da escritora americana Carson McCullers, foi um dos livros que trouxe na mochila, mas não tive tempo ainda pra ler, exceto umas passagens com a Bruna. Esta leitura está registrada em seu Notebook e, quem sabe, eu mostre um dia para vocês?
(Continua).

terça-feira, 3 de maio de 2011

On The Road (Rio de Janeiro).



(29 de abril).
A densa tarde que despenca da Baía de Guanabara embaça meus olhos. O chopp não esquenta. No Boteco Belmonte, meu olhar romântico das coisas não me surpreende: um belo céu cinzento em minha frente. O garçom me disse que não há mais ingressos para o clássico do fim de semana. Marquei com ele no domingo. "Chegue antes das quatro, senão você não vai achar lugar para sentar", disse-me arrumando a mesa de um casal que havia saído há poucos instantes. "Ok man".
Caminhei em direção ao prédio onde o Rei mora: passei pela frente onde reside o autor de Detalhes -- Joana, minha amiga das antigas, está ouvindo Bortolotto cantar este clássico da música popular brasileira. Adorei a versão suja. Um blues de arrepiar foi o que fez a Saco de Ratos. Quero vê-los ao vivo na próxima semana em São Paulo.
Se tudo der certo, assistirei ao show do Teenage Fanclub no Circo Voador, dia 12. Não quero criar expectativas. Prefiro assim.
A cidade maravilhosa me agrada -- como sempre. Adoro o Rio. Gosto do sotaque dos cariocas e do gingado das meninas. Maravilhosas, assim como sua terra natal.
A Urca, bairro onde estou hospedado, foi criado há muitos anos para abrigar funcionários das Forças Armadas e do Cassino. Aqui residem coronéis, capitães, tenentes...
O bairro é bacana. Tranquilo. Passa uma sensação de conforto que as cidades do interior têm. As ruas são estreitas e os moradores têm aquele ar de bon vivant.
Acordo, abro a janela do quarto e vejo o bondinho do Pão de Açúcar deslizando feito cerol no barbante em minha frente. Um morro de pedras enorme. O Boteco Flor da Urca está cheio. Bebi lá ontem. Um bar estilo O Líder; na parede, um texto do João Donato elogiando a comida do local. Gostei também do filezinho com fritas. É muito bom quando peço uma cerva e o garçom traz sem me perguntar a marca, e esta cerva é justamente a minha preferida. Das populares, prefiro Antarctica.

(Ficarei por aqui até segunda-feira, pois tem muita gente ainda para visitar).
(03 de maio).
Faz frio aqui em Cosmos. Bruna Mitrano está na sala encantada com a música do Luís Capucho. Cinema Íris, o segundo disco do cara, será lançado no segundo semestre. Falei com ele no domingo e decidi que passarei o próximo fim de semana na casa dele em Niterói. Aqui onde Bruna reside parece cidade do interior e isso é muito bom. Acalma os ânimos.
Amanhã, comprarei, finalmente, o ingresso para o show do Teenage Fanclub - uma das minhas guitar bands favorita. Antes, tem Marcelo Camelo, mas este não me interessa.
"Eu quero ser sua mãe" toca nesse instante. Me emociono toda vez que a ouço.

Bruna não pode beber mais, isto quer dizer que estou sem companhia para uns goles. Beber sozinho não é problema. Eu gosto.
Minha estadia desta vez aqui no Rio difere muito das outras quando vim em companhia de Gil Bad Boy. Eu só andava com ele, pois não conhecia ninguém aqui na época. Bad conhece muito bem a cidade maravilhosa, então eu não tinha problemas em sair com ele.
Desta vez, sem companhia para me acompanhar durante o dia, já que as pessoas têm seus compromissos, como em todo lugar, é claro, tenho que me virar sozinho pelas ruas subindo e descendo de ônibus, metrôs e trens. Bem melhor assim, pois fixo melhor os lugares, já que não tenho guia turístico.
(Continua).