quarta-feira, 18 de maio de 2011

On The Road, 6ª Parte (Curitiba/Paranaguá).


18 de maio, dia do meu aniversário. Cheguei hoje de manhã de São Paulo. Curitiba continua a mesma com seu frio infernal; daqueles que faz sair um bueiro de sua boca quando solta o ar. Cidade cinzenta, de uma beleza singular, ao menos pros meus olhos.
O povo é estranho - não é dos meus. Prefiro não conversar com eles e ficar na minha. Me estresso facilmente quando peço uma informação pra chegar em algum lugar e ouço algo assim: "Ah, vai aí!", e aponta para o infinito. Ou, quando da primeira vez que estive aqui, perguntei para um velhinho de manhã cedo e dei bom dia antes de pedir uma informação e ele foi simplesmente cru comigo: "Bom dia, você está vendo algum bom dia?". Realmente o tempo estava nublado e fazia muito frio, o que pra mim é ótimo, já pro velhinho...

Paranaguá é uma cidade pacata e o povo é mais solícito. Interior é sempre assim. Em Cruz das Almas, minha terra natal, você é tratado como se fosse de casa, mesmo não sendo.

Viva as diferenças sócio, político e culturais do nosso país.

Minha mãe foi me buscar na rodoviária um pouco atrasada. Ela pensou que eu chegaria à noite e me fez esperar por mais de meia-hora. No problems. Aproveitei o momento para observar os transeuntes. Crianças, jovens, senhoras e senhores vivendo seu pacato cotidiano em meio a casacos, botas, luvas e gorrinhos.

Eu fiz questão de passar este dia especial com ela. Vivi ótimos momentos no Rio de Janeiro, Niterói e São Paulo, e vim brindar com Dona Léa. Saíremos à noite para este aguardado brinde que não acontece há quatro anos. Coisas da vida.

A primeira parte desta já inesquecível viagem termina agora. Retorno em junho para São Paulo e estendo até o Rio, em julho, antes de voltar para Salvador.

Encontrei com Bortolotto e a atriz Wanessa Rudmer na Mercearia São Pedro - reduto de escritores e artistas em geral - que fica na Vila Madalena, na segunda-feira, e pedi para ele autografar Um bom lugar pra morrer, seu último livro de poemas. Brindamos mais uma vez e conversamos sobre minha estadia na cidade.

Em seguida, Rubens Paiva chegou. Deixei os dois conversando e fui em casa pegar o disco do Reverendo T. para presentear este meu novo amigo - um dos melhores escritores da atualidade. Ele adorou o presente e disse que já tinha lido algo sobre o disco e que estava curioso para escutá-lo.

***

Minha mãe é pirada por sapatos. Daqui da sala, posso avistar sua coleção ao lado da cômoda em seu quarto, uns cinquenta pares. É sério.

Publico aqui, a primeira parte de minha autobiografia postado em 18 de maio de 2009, para os recentes leitores do On The Rocks.

Saiba que esta primeira etapa chegou ao seu ápice quando minha mãe estendeu seu braços e me apertou forte no peito.

Obrigado por tudo.

Leia a autobiografia abaixo e assista ao videoclipe de Decades do Joy Division. Hoje, faz trinta e um anos sem Ian Curtis - um dos meus primeiros ídolos.

(Continua).
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