terça-feira, 3 de maio de 2011

On The Road (Rio de Janeiro).



(29 de abril).
A densa tarde que despenca da Baía de Guanabara embaça meus olhos. O chopp não esquenta. No Boteco Belmonte, meu olhar romântico das coisas não me surpreende: um belo céu cinzento em minha frente. O garçom me disse que não há mais ingressos para o clássico do fim de semana. Marquei com ele no domingo. "Chegue antes das quatro, senão você não vai achar lugar para sentar", disse-me arrumando a mesa de um casal que havia saído há poucos instantes. "Ok man".
Caminhei em direção ao prédio onde o Rei mora: passei pela frente onde reside o autor de Detalhes -- Joana, minha amiga das antigas, está ouvindo Bortolotto cantar este clássico da música popular brasileira. Adorei a versão suja. Um blues de arrepiar foi o que fez a Saco de Ratos. Quero vê-los ao vivo na próxima semana em São Paulo.
Se tudo der certo, assistirei ao show do Teenage Fanclub no Circo Voador, dia 12. Não quero criar expectativas. Prefiro assim.
A cidade maravilhosa me agrada -- como sempre. Adoro o Rio. Gosto do sotaque dos cariocas e do gingado das meninas. Maravilhosas, assim como sua terra natal.
A Urca, bairro onde estou hospedado, foi criado há muitos anos para abrigar funcionários das Forças Armadas e do Cassino. Aqui residem coronéis, capitães, tenentes...
O bairro é bacana. Tranquilo. Passa uma sensação de conforto que as cidades do interior têm. As ruas são estreitas e os moradores têm aquele ar de bon vivant.
Acordo, abro a janela do quarto e vejo o bondinho do Pão de Açúcar deslizando feito cerol no barbante em minha frente. Um morro de pedras enorme. O Boteco Flor da Urca está cheio. Bebi lá ontem. Um bar estilo O Líder; na parede, um texto do João Donato elogiando a comida do local. Gostei também do filezinho com fritas. É muito bom quando peço uma cerva e o garçom traz sem me perguntar a marca, e esta cerva é justamente a minha preferida. Das populares, prefiro Antarctica.

(Ficarei por aqui até segunda-feira, pois tem muita gente ainda para visitar).
(03 de maio).
Faz frio aqui em Cosmos. Bruna Mitrano está na sala encantada com a música do Luís Capucho. Cinema Íris, o segundo disco do cara, será lançado no segundo semestre. Falei com ele no domingo e decidi que passarei o próximo fim de semana na casa dele em Niterói. Aqui onde Bruna reside parece cidade do interior e isso é muito bom. Acalma os ânimos.
Amanhã, comprarei, finalmente, o ingresso para o show do Teenage Fanclub - uma das minhas guitar bands favorita. Antes, tem Marcelo Camelo, mas este não me interessa.
"Eu quero ser sua mãe" toca nesse instante. Me emociono toda vez que a ouço.

Bruna não pode beber mais, isto quer dizer que estou sem companhia para uns goles. Beber sozinho não é problema. Eu gosto.
Minha estadia desta vez aqui no Rio difere muito das outras quando vim em companhia de Gil Bad Boy. Eu só andava com ele, pois não conhecia ninguém aqui na época. Bad conhece muito bem a cidade maravilhosa, então eu não tinha problemas em sair com ele.
Desta vez, sem companhia para me acompanhar durante o dia, já que as pessoas têm seus compromissos, como em todo lugar, é claro, tenho que me virar sozinho pelas ruas subindo e descendo de ônibus, metrôs e trens. Bem melhor assim, pois fixo melhor os lugares, já que não tenho guia turístico.
(Continua).
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