terça-feira, 26 de julho de 2011

O Legado de uma artista em estado bruto: paixão e intensidade.

Este texto foi escrito por Messias Bandeira, músico e professor da UFBA, e publicado no Jornal A Tarde, Salvador, 24/07/2011.
Poucos artistas conseguem criar um legado ao longo de uma  carreira. Amy Winehouse conseguiu isso com apenas dois discos, tendo construído um patrimônio musical que, se nos parece inacabado, foi tão intenso e rico que dispensa a fita métrica. Os desregramentos de sua vida pessoal retroalimentavam um sistema que, ao mesmo tempo, condena o excesso, mas, às escondidas, celebra o escândalo com o combustível do show business.
Nada disso foi capaz de ofuscar a Amy preciosa da soul music: voz emblemática, performance cativante, presença magnética. Fui a Recife, em janeiro, ver seu show. Uma artista em estado bruto, autêntica. Suas quedas durante a apresentação eram quase que comemoradas por parte da plateia. Outra parte queria carregá-la no colo. Quando ela retornava ao palco - após fugas repentinas -, o público gritava como se fosse sua primeira entrada.
Amy deixa o palco de novo. Desta vez, não voltará, pois ficou presa a uma estrela que percorre o universo: há outros palcos a iluminar.
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