quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Doces Tangerinas.

Eu estava com Tony Lopes fazendo a resenha do fim de semana numa tarde ensolarada de verão, na saudosa São Rock Discos, quando um homem de meia estatura, moreno, usando uma farda azul de mecânico, aparentando quarenta e cinco anos de idade, adentrou a loja à procura de discos de Lucky Dube. Para sorte dele, tínhamos quatro títulos do cantor de reggae.
O sujeito se apresentou como irmão do vendedor de côco que tinha um mercado próximo à loja, numa esquina que ficava perto da casa de Tony. Conversamos um pouco e ele mostrou-se entusiasmado com a gente.
Não demorou muito, deixou transparecer que estava com pressa e pediu pra gente embrulhar os discos. Tony fez o embrulho e entregou em suas mãos. No momento do pagamento, o sujeito disse ter esquecido a carteira e pediu para que um de nós o acompanha-se até o mercado de seu irmão para pegar o dinheiro. Resolvi então acompanhá-lo. Na saída, nosso cliente perguntou por um disco do Michael Bolton. Tínhamos um título e ele resolveu comprá-lo, também.
Cinco discos foram a comprinha do rapaz.
Saímos em direção ao mercado e no caminho ele falava com pressa tentando me confundir com suas histórias. Passamos em frente ao mercado, mas não paramos. Nosso cliente acenou para um rapaz que estava na porta, mas o rapaz não retribuiu o aceno. Achei estranho.
Seguimos então rumo ao Free Shopping do Rio Vermelho, pois era lá que o irmão dele estava esperando-o no escritório do tal mercado.
Próximo ao Free Shopping, tinha um menino vendendo laranjas e tangerinas numa banquinha improvisada em uma viela que dava acesso à praia. Ele pegou umas moedas do bolso da farda e comprou um saco de tangerinas amarelinhas pra mim. Agradeci e seguimos.
"Ele disse que pegaria o dinheiro no mercado... " pensei, mas não disse nada. Eu estava confuso com tanta história que o cara contava. Àquela hora, eu já sabia muito sobre sua vida.
O sujeito passava a imagem de um cara batalhador que segurava a onda da família nas costas. Seu único sustento era uma oficina mecânica que disse ter em sociedade com um amigo.
Chegando em frente ao Free Shopping, fiquei parado segurando o saco de tangerinas enquanto ele subia as escadas que dava acesso à administração do local. Nosso cliente ainda fez um gesto com a mão pedindo que eu o aguardasse. Foi o que fiz.
O tempo ia passando e nada do cara descer. Resolvi subir as escadas e procurá-lo, mas o sujeito não estava mais lá. Peguntei por ele. Em vão.
Lembrei-me que existia um elevador. Este, levava as pessoas à garagem, e consequentemente, à saída dos fundos.
Procurei um orelhão mais próximo e liguei para Tony avisando que a gente tinha sido enganado. Tony disse que imaginou que isso tivesse acontecido devido a minha demora.
Retornei à loja com as tangerinas. Tony estava com cara de derrota atrás do balcão. Eu imaginei que também estava com cara de derrota.
Ofereci uma tangerina, mas ele não quis. Disse que ia pegar os meninos na escola e eu fiquei sozinho na loja chupando as doces tangerinas do nosso "ilustre" cliente.
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