terça-feira, 27 de setembro de 2011

Rua Guaianazes, meu novo endereço.


Aqui na rua Guaianazes, centro da cidade, há um misto de povos do mundo inteiro como nunca vi por metro quadrado em toda minha vida: coreanos, nigerianos, peruanos, mexicanos - entre outros estrangeiros -, misturados a brasileiros de todas as regiões do país, principalmente do nordeste, convivem em meio à miséria estampada na cara dos crakeiros da região que se agrupam à noite para se iludirem em grupo.
No domingo à noite, quando cheguei para morar no apartamento de número 73, que fica em cima do mercado de uma senhora - que agora chamo carinhosamente de tia -, vi uma cena que me chocou: mais de cem jovens enrolados em cobertores, e descalços, delirando pelas ruas como se estivessem em uma passarela debaixo de holofotes e câmeras ávidas por algo rentável para elas.
A passos longos, dobrei a esquina e em seguida entrei no prédio de fachada escura e poucos andares.
O apartamento, com três quartos, é limpo, espaçoso e bem arejado. Divido, este, com Augusto, Gilson e Linda, a cadela pitbull dos caras. Que coisa, hein?
No giro que dei hoje pelas ruas do centro, tive uma sensação estranha: parecia que eu não estava em meu país, e sim no exterior - ouvi várias línguas em conversas paralelas e apressadas. Pessoas se esbarravam umas nas outras como se estivessem prestes a alcançar um prêmio ou procurando uma saída pelas portas dos fundos.
Dialetos de várias partes do mundo chegavam aos meus ouvidos. Percebi olhares cansados e muita tensão no ar.
Com uma chave no bolso e uma agradável sensação de que, chegando em casa, colocaria minha cabeça confortavelmente no travesseiro e relaxaria, elaborando assim meus próximos planos para continuar à procura do meu primeiro emprego em terras paulistanas, caminhei vagarosamnte até a rua 24 de Maio para comer duas fatias de pizza mussarella (meu almoço) que são vendidas numa Pizzaria localizada em frente à Galeria do Rock.
***
Falei um pouco sobre minha vida para Augusto, o proprietário do apartamento, e ele confiou a mim umas coisas sobre sua vida - me pareceu um cara legal.
No final da conversa, disse-me que estava vendo meu esforço para conseguir um lugar ao sol e resolveu diminuir o valor do aluguel - este foi reduzido em cinquenta reais.
Agradeci e retornei emocionado para o meu quarto.
Alguém uma vez me disse que se você planta o bem, bons frutos colherá - na minha vida sempre foi assim. Não me surpreendi com a atitude dele, pois esta não é a primeira vez que isso acontece, mas me emociono sempre.
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Dois probleminhas: um já foi solucionado.
No domingo à noite, quando saí do meu quarto depois de beber umas cervas, não pude mijar porque Augusto estava tomando banho - no apartamento só tem um banheiro -, então como estava muito apertado, tive que descer para mijar em um dos bares que fica aqui ao lado.
Cheguei e fui logo pedindo uma cerva, pra disfarçar, e entrei no banheiro. Mijei, e em seguida, me dirigi ao balcão para beber a saideira da noite.
Hoje, quando acordei, sair em busca de um penico para guardar embaixo da minha cama, pois só assim resolveria este probleminha. Achei um no mercado da tia - custou cinco reais.
 O outro: resolver minha vida com Linda. Farei o possível para ficar amigo dela - o que será muito bom para nós dois.
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Até a próxima.

P.S.: Fiquei parado por uns instantes na esquina da Ipiranga com a Av. São João e nada aconteceu em meu coração. Absolutamente nada.

sábado, 24 de setembro de 2011

À Procura de um Lugar ao Sol.


Os dias não têm sido fáceis aqui em São Paulo, cidade que escolhi para viver. Eu já esperava por isso. Tenho escrito pouco, quase nada, e isto me incomoda bastante. Escrever é uma necessidade para mim.
O círculo anda se estreitando. Vejo um funil em minha frente a me amedrontar. Mas eu não estou só. Tenho a família Miguel, especialmente Mônica (Mona), Cristiano Rebouças (Kiko) e Mário Bortolotto - bebemos um dia desses na Mercearia e ele me deu umas dicas de emprego. Kiko me apoia o tempo todo; assim como Mona, que mostrou-se estar comigo para o que der e vier - um amor de pessoa que Deus colocou em meu caminho.
Ontem, quando procurávamos um imóvel para eu morar, ela me disse que os gays aqui em São Paulo chamam as mulheres de Mona.
(Sorrimos).
Então, eu disse que Henry Miller, um dos meus escritores preferido, tinha uma Mona - quando eu comecei a ler o Miller, em 1993, desejei a partir daquele momento que um dia eu teria uma Mona -, mas ela já sabia dessa história. Essas coisas não preocupam a gente, e por isso mesmo, vou continuar a chamá-la assim, porque é assim que eu gosto.
Não achamos nada que me interessasse. Bebemos uma cerva no final da tarde enquanto decidíamos o roteiro de hoje. Saíremos daqui a pouco, pois a batalha continua.
Para não perder o costume, quero indicar o livro de contos A balada do café triste, da escritora norte-americana Carson McCullers, já comentada aqui.
Conhecida como a John Fante de saias, Carson é, ao lado da escritora Flannery O'Connor, precursora do gênero gótico na literatura americana.
Sete são os contos que aparecem na Balada - repleto de personagens solitários, descrentes da vida, amargurados e infelizes.
Eu poderia citar vários aqui. Tristeza e solidão habitam as almas desses seres descritos com delicadeza e sentimento.
Vejo traços semelhantes com os contos do Dylan Thomas e as peças do Tennessee Williams. Personagens angustiantes que conheço muito bem.
Fico por aqui na esperança de dias melhores. Eles estão vindo por aí, assim espero.

Até a próxima.

P.S.: Excepcionalmente hoje, não teremos As Dez Mais da Semana.

sábado, 17 de setembro de 2011

As Dez Mais da Semana.

1. Echo and The Bunnymen - The cutter;
2. Mick Jagger - Hard woman;
3. Wilco - I might;
4. Roberto Carlos - A namorada;
5. Ceremony - Stars fall;
6. Bob Dylan - The death of Emmett Till;
7. Tom Waits - Hope i don't fall in love with you;
8. Pixies - I can't forget;
9. Milton Nascimento e Lô Borges - Nada será como antes;
10. Lou Reed & Metallica - Sweet Jane.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Fábio Góes lança novo álbum no Teatro da Vila.

O cantor e compositor Fábio Góes estará lançando seu mais novo álbum O Destino Vestido de Noiva, no Teatro da Vila - aqui na Vila Madalena, ao lado de minha casa, nesta quinta-feira, às 20h. Entrada pelo estacionamento.
O Teatro da Vila fica na rua Jericó, 256. Ingresso: pague quanto vale.
Fábio estará acompanhado dos músicos André Lima (teclados), Dudinha (baixo), e Luís André Gigante (bateria).
Apareça.

domingo, 4 de setembro de 2011

A Caixa Preta de Charles Bukowski e As Coleções do Pink Floyd e The Jesus and Mary Chain.

A caixa preta do velho safado já está disponível nas melhores livrarias do país via L&PM Pocket. A coleção compreende cinco livros já publicados no formato tradicional. São eles: Misto-quente, Crônicas de um amor louco, Fabulário geral do cotidiano, Factótum e Pulp.
Pulp, seu último romance, é o único que não li. Bom motivo pra economizar uma grana e comprar este box, que pra mim, é especial. Especial porque sou colecionador de discos e livros dos artistas que me dizem alguma coisa - a ponto de transformar minha visão de mundo -, permitindo ser este um lugar melhor para se viver.
Eu tenho o Misto-Quente aqui na minha estante; os outros, li emprestado dos meus amigos há muito tempo. O box está me dando uma vontade de reler todos eles. O problema é a grana que está curta e tem outros lançamentos que estão mexendo comigo...

A coleção completa do Pink Floyd, remasterizada, em digipacks, com tratamento semelhante a que foi dada aos discos dos Beatles, promete. Ainda neste mês, sairá Dark Side of the Moon, e em seguida, toda a extensa e genial obra da banda inglesa.

O selo britânico Edsel está lançando no final deste mês a coleção completa do The Jesus and Mary Chain em caixinhas especiais para seus ilustres fãs, com dois cds e um dvd, cada.
As novas edições de Psychocandy (o disco da minha vida), Darklands, Automatic, Honey's dead, Stoned & Dethroned e Munki - ao lado da minha mudança pra São Paulo ainda neste mês - transformarão os ares, minha vida e meu destino.

Até a próxima.

(Os irmãos William e Jim Reid - os caras que estão à frente do The Jesus and Mary Chain).

sábado, 3 de setembro de 2011

Bad as Me, o Mais Novo Álbum de Tom Waits, e As Dez Mais da Semana.

Bad as Me, o mais novo álbum do cantor, compositor e ator norte-americano Tom Waits, será lançado no próximo mês. O disco, que tem parceria com sua esposa Kathleen Brennan, conta com a participação de vários músicos ao qual Waits está acostumado a gravar.
Ouvi a canção Bad as Me e gostei muito. Sou suspeito, eu sei, e me empolgo toda vez que esse cara lança algo.

As Dez Mais da Semana:

1. Tom Waits - Bad as me;
2. Stephen Malkmus and The Jicks - Tigers;
3. Wilco - I might;
4.The Walkmen - On the water;
5. Roberto Carlos - A namorada;
6. Ira! - Entre seus rins;
7. Drugstore - Standing still;
8. Richard Hawley - The ocean;
9. Sonic Youth - I'm not there;
10. Tom Waits - Closing time.