quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Perigo fez a minha cabeça.


(Eu, poucos anos antes de Perigo fazer minha cabeça).
Quando Have you ever seen the rain? estourou nas rádios, eu estudava na escolinha Au Au, que ficava localizada na avenida Centenário. Meu irmão estudava lá, também. Tínhamos um motorista na época - eu não sei qual era o nome verdadeiro dele. Sei que todos chamavam de Perigo.

Perigo era um negro magro, de estatura mediana, cabeleira black power, e o seu humor não era dos melhores. Minha mãe costumava ir com a gente, pois ela trabalhava próximo à escolinha.

O que eu mais curtia no roteiro de nossa casa, que ficava na rua Direita de Santo Antônio além do Carmo - centro histórico de Salvador - era o som que tocava no carro de Perigo.

Creedence Clearwater Revival, Kim Carnes, Commodores, The Beatles, Jackson 5, Dire Straits, Pink Floyd, Rod Stweart, Elton John, Stevie Wonder, entre tantos outros. Eu adorava ir para a escola no carro dele.

Minha mãe insistia em ouvir as estações que costumavam tocar música brasileira, e eu torcia para Perigo não deixar. Eles discutiam, e na maioria das vezes, Perigo ganhava.

Ah, mas a melhor parte de tudo isso, é quando minha mãe não vinha da escola com a gente, pois ela costumava fazer hora extra; então Perigo colocava seu K7 do Creedence contendo Have you ever seen the rain?, Proud Mary, Hey tonight, entre outras pérolas, e seguíamos felizes pelas ruas da cidade.

Quando o sino da escolinha tocava anunciando o término das aulas, eu abria um sorriso enorme, porque sabia que o meu brother motorista, o cara que me colocou no mundo do rock, estaria na portaria nos esperando com seu fusca vinho Fafá de Belém ouvindo o bom e velho rock n'roll.

Anos depois, este estilo musical passou a ser o meu estilo de vida. Agradeço a Perigo, meu brother, que me proporcionou belos momentos de minha infância dentro do seu fusca vinho Fafá de Belém.

Obrigado, Perigo.

Até a próxima.

***

Fui criado ouvindo música brasileira através dos meus tios, tias, e principalmente, minha mãe - que me ensinou a ouvir Roberto Carlos. Sou grato a eles por me apresentarem a nossa rica música popular brasileira.

Curto muito desses artistas até hoje.

Mas naquela época, eu tinha uns seis ou sete anos de idade, Have you ever seen the rain?, do Creedence, batia bem mais forte do que Detalhes, de Roberto e Erasmo - se é que o meu caro leitor me entende.

Creedence Clearwater Revival - Have you ever seen the rain?

sábado, 26 de novembro de 2011

As Dez Mais da Semana.

1. Girls - Love life;
2. Carla Bruni - You belong to me;
3. Tom Waits - Pay me;
4. Arrigo Barnabé & Ney Matogrosso - Mente, mente;
5. Beto Guedes - Canção do novo mundo;
6. The Walkabouts - My diviner;
7. Tricky - Makes me wanna die;
8. Wilco - How to fight loneliness;
9. Grandaddy - The group who couldn't say;
10. John Lennon - Mind games.

domingo, 20 de novembro de 2011

Um show frustrante.

(Ou não. 1973).
O show do Walter Franco, na biblioteca Alceu Amoroso Lima, no sábado passado, foi frustrante. Começou com Serra do luar, então pensei: "O cara vai detonar!" - no bom sentido, é claro. Mas, não detonou.
Estava tudo indo bem quando ele cometeu um grande erro ao convidar seu filho, Daniel Franco, para participar. O cara tocou quatro músicas longas e chatas do seu próprio repertório. O clima ficou tenso. Parte do público saiu antes mesmo do convidado terminar sua "palhinha quilométrica". Eu quase me levanto também, quando lembrei que tinha levado uma dose de vodka, na garrafinha que meu amigo Tony Lopes me deu de presente no ano passado, com o rosto do Bukwoski estampado no rótulo.
Então, dei um gole, o que suavizou bastante, mas não o suficiente para reclamar com Mona, que também ficou chateada. Foi decepcionante pra gente, que havíamos aguardado com ansiedade este momento.
O show fez parte do evento Balada Literária, que neste ano homenageou o poeta Augusto de Campos. O próprio, recitou uns versos de Cabeça - música que encerra o álbum Ou não.
Walter percebeu a dispersão do público e retornou ao palco para fazer um dueto com seu convidado e, discretamente, disse em seu ouvido algo do tipo "essa é a última" - isso ficou claro pra todo mundo.
Daniel se despediu pedindo desculpas - nunca mais assistirei a um show do Walter se eu souber que esse cara vai participar.
Nem vou falar das brincadeiras, sem graça, feita no intervalo das músicas.
Agora, o desapontamento final: depois que seu filho caiu fora, nosso ilustre artista, pessoa ao qual admiro e respeito, perguntou as horas para alguém da plateia, e em seguida, disse que estava chegando a hora. Corei.
O cara cantou umas quatro músicas e se despediu. Parte do público, o que sobrou, se levantou para aplaudi-lo; a outra parte, ao qual me incluo com Mona, ficou sentado aplaudindo sem muita vontade.
Não teve Respire fundo, Vela aberta, Lindo blue, Feito gente e Canalha, entre outras pérolas. Sim, não teve Canalha.
Na saída, Mona comentou comigo: "Pôxa Tá, a gente se diverte muito mais no show da Saco de Ratos, né?". Concordei com ela e fiz um convite para um brinde na Mercearia. Ela aceitou e nossa noite começou a melhorar quando chegamos lá. O final foi ótimo.
Para quem nunca assistiu Walter Franco ao vivo, como eu, esperava muito, muito mais.
Só um detalhe que eu já ia me esquecendo: o cara está em forma, ok?
Cantou e tocou muito bem as poucas músicas da noite sem deixar a peteca cair. Mas como disse no começo do texto, seu grande erro foi ter convidado seu filho para participar. É isso.

Até a próxima.

sábado, 12 de novembro de 2011

As Dez Mais da Semana.

Sonic Youth, os intelectuais da guitarra, estão desembarcando no Brasil para o show que farão logo mais aqui em São Paulo. Não vou poder assisti-los; problemas financeiros afastaram-me desta banda, que eu adoro, desde quando escutei primeira vez os acordes de Schizophrenia, a faixa que abre Sister, no verão de 1989, na cidade de Petrolina, Pernambuco.

Com uma simples homenagem, selecionei dez canções desses nova-iorquinos que fazem minha cabeça até hoje. Espero que você curta.

1. Wish fulfillment;
2. Stones;
3. What we Known;
4. Purr;
5. Teenage riot;
6. Schizophrenia;
7. 100%;
8. Pipeline/Kill time;
9. No way;
10. Orange rolls, angels spit.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

The Walkabouts lança Travels in the Dustland, sério candidato a um dos melhores discos do ano.

Travels in the Dustland, 15° álbum dos The Walkabouts, é sério candidato a um dos cinco mellhores do ano.

Esta banda foi formada em 1984 pela cantora Carla Torgerson e Chris Eckman, o compositor e guitarrista desta que é, em minha opinião, uma das duas melhores bandas de Seattle de todos os tempos - a outra chama-se Screaming Trees - já recomendada aqui.

Em 1984, eu costumava ouvir rock pesado em companhia do meu amigo Fabrício Silva. Nunca imaginei que um dia estaria às 03:00h da madrugada ouvindo esta coleção de pérolas da mais alta estirpe e indicando para os leitores deste blog - é para vocês que eu escrevo. Embora seja uma terapia, e das melhores para mim, escrevo sempre para os meus fieis e queridos leitores.

Este blog existe há quase quatro anos e os números de seguidores e acessos só têm aumentado. O carinho que recebo nas redes sociais, também. Obrigado.

É sempre bom saber que tem gente admirando e elogiando meus trabalhos aqui e na La Verga Del Buenas, meu blog de poemas eróticos. Breve terá um poema novo lá.

Estou sob efeito de rivotril, o que é um ruim para escrever. Mas fiquei tão contagiado e emocionado com este Travels in the Dustland que resolvi indicá-lo agora.

Minhas pálpebras estão semi-cerradas. Minha coluna dói um pouco - aqui não tem cadeira. Escrevo sentado em minha cama e o meu corpo tende a virar sempre para o lado em que está o travesseiro.

Esta maravilha começa com a Carla cantando My diviner. Sua voz é uma das mais belas que já ouvi em toda minha vida. A voz gutural de Chris é outro destaque.

Um som soturno, primoroso e contagiante. Adoro. O mundo pouco sabe sobre eles - uma pena.

Não me recordo de ter visto um disco deles lançado no Brasil - uma lástima!

Suas influências entregam fácil o que você ouvirá daqui a pouco: Neil Young, Scott Walker e Leonard Cohen, entre outros. Sim, dê uma procurada no Youtube ou procure o link que o Filesonic disponibilizou para download no Google.

Não costumo colocar  links aqui para você baixar, porque uma vez, quando postei sobre um lançamento do Manic Street  Preachers, dois dias depois o post foi retirado. Fiquei sem entender e quando fiz o login, apareceu uma mensagem ameaçando excluir meu blog. É por isso que não coloco links aqui.

O sono bateu. O rivotril está começando a bater forte aqui em mim. É inevitável a presença dele na minha farmácia. It's a hard life, baby. Hard life.

Até a próxima.

P.S.: Walter Franco vai tocar na próxima semana para o evento Balada Literárias. O show será no dia 19/11 às 18h. Local: Biblioteca Alceu Amoroso Lima - Zona Leste. Agora, a melhor notícia: entrada franca.