segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Melhores do Ano (2ª parte).



Nacionais.

Músicas.

5) Violeta de Outono - Dia azul;
4) Renato Godá - Eu não mereço o seu amor;
3) Fábrica de Animais - Ano novo em Bagdá;
2) The Cigarettes - Love Concept alpha;
1) Saco de Ratos - Balada do velho quarteirão.

Videos.

5) Renato Godá - Eu não mereço o seu amor (http://www.youtube.com/watch?v=XNYbNGLMXGA);
4) Banda Sueter - Como se fosse um heroi (https://www.youtube.com/watch?v=4p7-hhW3rLM);
3) Saco de Ratos - Balada do velho quarteirão (video no post abaixo);
2) Reverendo T. & Os Discípulos Descrentes - Muito prazer (https://www.youtube.com/watch?v=pBh94XtsSCU);
1) The Cigarettes - Love concept alpha (video no post abaixo).

Bandas.

3) Fábrica de Animais.
2) Saco de Ratos.
1) The Cigarettes.

Banda Revelação.

The Gins.

Shows.

2) Arnaldo Baptista no Sesc Pompeia.
1) The Cigarettes no Espaço Cultural Walden.

Discos.

5) Violeta de Outono - Espectro;
4) Luís Capucho - Cinema Íris;
3) Saco de Ratos - Saco de Ratos 2;
2) Fábrica de Animais;
1) The Cigarettes.

Bar: Mercearia São Pedro (Vila Madalena).

Internacionais.

Músicas.

5) Beach House - Myth;
Jack White - Weep themselves to sleep;
4) Paul Banks - Summertime is coming;
3) Melody's Echo Chamber - I follow you;
2) Lee Ranaldo - Off the Wall;
1) ZZ Top - Over you.

Videos.

5) Mark Lanegan - The graveddiger's song;
4) Alabama Shakes - You ain't alone;
3) Neil Young - Ramada inn;
2) Melody's Echo Chamber - I follow you;
1) Lee Ranaldo - Off the wall.

Bandas.

3) The Raveonettes.
2) Dinosaur Jr.
1) Rolling Stones.

Banda Revelação.

Alabama Shakes.

Shows.

Man or Astro Man? na Virada Cultural.
Franz Ferdinand na Praça do Ypiranga.

Discos.

10) Bob Dylan - Tempest;
9) Richard Hawley - Standing at the sky's edge;
8) Ian McCulloch - Pro patria mori;
Bob Mould - Silver age;
7) Mark Lanegan - Blues funeral;
6) ZZ Top - La futura;
5) Leonard Cohen - Old ideas;
4) Lee Ranaldo - Between the times and the tides;
3) Alabama Shakes - Boys and girls;
2) Neil Young - Psychedelic Pill;
1) Patti Smith - Banga.

Agora, eu vou tomar café com chocottone. Desejo a todos um ano novo repleto de realizações.
E lembrem-se: há sempre uma luzinha no fim do túnel. Acredite.




The Cigarettes - Love concept alpha by Ricardo Spencer.

Saco de Ratos - Balada do velho quarteirão by Grima Grimaldi.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Obra-Prima.


Eu sempre tive o hábito de passar os domingos em casa. Nunca gostei de visitar alguém, nem de ser visitado. Principalmente quando é visita surpresa. Nunca bata em minha porta e venha com essa: "Surpresa, Buenas!". Por favor. Meu humor, que não é dos melhores, vai piorar. Não gostei de ir à praia (aliás, gostava quando eu era criança e minha mãe levava a gente, eu e meu irmão, pra pescar no Farol da Barra) nem ao shopping. Praia, só no fim de tarde quando o sol está bem fraquinho e as pessoas, a maioria, já foram embora. Assim que eu gosto. De beber minha cerva sossegado em companhia de quem vale a pena. Aqueles que não se incomodam com meus hábitos pouco convencionais. Os que não me chamam de louco. Sou louco, pra uns, por fazer o que vale a pena pra ser feliz. Daí a incompreensão. Então eu gosto de ficar em casa assistindo uns documentários e ouvindo música bebendo minhas cervas. Ou vinho. Depende do tempo lá fora. O que faz a diferença aqui dentro. Depende. Tudo depende. Dos discos que eu gosto de ouvir quando a cerva sobe pro juízo é o primeiro do Barão Vermelho. Um disco de rock tosco gravado em quatro canais. Ou será oito? Não me lembro. É nesse que tem Down em mim, Billy negão, Por aí, Rock em geral, Ponto fraco, Todo amor que houver nessa vida, entre outras loucuras com Cajú berrando poesia crua. Visceral. Intensa. Muito foda esse "filhinho-de-papai da zona sul". É assim que os detratores de Cazuza o chamam para denegrir a sua imagem. Seu talento. Deve ser mesmo um incômodo pros babacas ser rico, rocker e poeta talentoso com muita grana pra gastar. Nunca entendi por quê o poeta tem que ser o pobre fodido de bolso. O que vaga por aí trabalhando em troca de comida e bebida. De um lugar pra dormir (essas coisas que falam sobre o poeta marginal). Um poeta marginal pode morar na cobertura do Leblon. Frequentar grandes festas nos endereços mais quentes e não ser babaca como Lobão, que é só blá blá blá. Só discurso. Marcelo Nova é filho de médico e nem por isso cantou em cima de trio elétrico "vamos sair do chão, galera". Bem, a história desse cara você conhece. De Raul Seixas e Renato Russo, também. O primeiro disco do Barão é uma obra-prima. Isto se deve em boa parte ao talentoso poeta Cajú e seu canto escrachado. Rebelde. Mais um filhinho-de-papai a deixar sua marca indelével em nossas vidas. Em nossa história. Sempre tardão da noite esse disco toca em meus domingos encharcado de cervas e amor. Muito amor.

Até a próxima.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Melhores do Ano (1ª parte).


Aqui está a primeira parte com os melhores livros que eu li  em 2012 independente do ano de lançamento (em ordem alfabética pelo autor). A continuação sairá no último dia do ano. Mas isso você já sabe. Até lá.

1) Cassiano Antico - Fratura exposta;
2) Jack Kerouac - Big Sur;
3) João do Rio - A alma encantadora das ruas;
4) Jennifer Egan - A visita cruel do tempo;
5) Lawrence Ferlinghetti - O amor nos tempos de fúria;
6) Leonard Cohen - A brincadeira favorita;
7) Luís Capucho - Mamãe me adora;
8) Mário Bortolotto - Bagana na chuva;
9) Neil Young - A autobiografia;
10) Raymond Carver - 68 contos.




Todo ano é sempre a mesma coisa. Eu ouço In the hot sun of a christmas day há uns vinte anos na véspera do natal e fico imaginando como deve ter sido triste pra Caê aquele momento cinzento em sua vida longe dos seus amigos e familiares. Lembro que esta bela e triste canção foi a primeira que peguei pra traduzir quando comecei a estudar inglês fora do colegial. Traduzi limpando minhas lágrimas numa véspera de natal na casa dos meus avós paternos. Eu fui criado ouvindo esse cara, entre outros talentos da música popular brasileira. Adoro Cinema transcendental e este disco gravado em Londres na época do exílio em 1971. Mesma Londres que me deportou em 2008 dando uma rasteira em minha vida, que, não fosse meus entes queridos que me acolheram, provavelmente não estaria aqui escrevendo este texto numa cidade litorânea do Paraná. O máximo que pude curti dessa viagem foram meus quinze dias em Lisboa em companhia dos meus primos Léo e Nena que foram super gentis comigo. Tá no sangue. É foda. Pra não pirar de vez quando retornei ao Brasil, montei o On the Rocks após ter assistido o filme Quase famosos e em seguida a La Verga Del Buenas, meu blog de textos eróticos (este me deu mais dor de cabeça até hoje do que prazer). Acredite.

Felicidades.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Galeria Especial.



12 parodies of Sonic Youth's "Goo" album cover: www.buzzfeed.com/perpetua/12-parodies-of-sonic-youths-goo-album-cover.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

On The Rocks Recomenda.


Faz um calor dos infernos agora. Meu humor, que não é dos melhores, piora a cada momento. O único alívio é quando abro a geladeira e recebo aquele ar gelado em minha cara passando uma sensação de que está tudo bem.

As coisas só começaram a melhorar mesmo depois que ouvi as novas canções do velhinho rabugento.

Eu tava conversando com meu caro Antônio Manoel sobre o Psychedelic Pill, novo álbum de Neil Young, que ele me disse ter comprado e ficado surpreso com o tempo de Driftin' back, a faixa de abertura. Eu já sabia que esta é quilométrica (são 27 min.) e comentei com ele que tenho o disco baixado mas que não tinha escutado ainda. Daí que ele questionou: "Mas você não indicou lá no blog?". "Sim, mas é que eu não preciso ouvir Neil Young pra poder indicar". Ele riu.

Imagino que Driftin' back ocupe todo o lado A do LP, que é triplo, por sinal.

Voltando a esta grande canção. Quando soube do tempo dela, pensei: "Lá vem o velhinho rabugento enchendo o saco logo no começo". Me enganei, caro leitor. Esta é, disparada, uma das melhores do ano. Poderosa por excelência, Driftin' back não cansa. Os caras não deixam a peteca cair em momento algum. Toda vez que acabo de ouvir o disco, volto  pra mais uma ouvidinha.

É o bom e velho Neil arrasando mais uma vez em companhia dos seus fieis escudeiros: os Crazy Horses.

A gente se vê na lista de melhores do ano.

Até a próxima.

P.S.: Ficou parecendo que em Psychedelic Pill só tem uma música, não foi? Mas não se engane: o disco é ótimo. Vá por mim.

Ah, e esse velhinho nunca enche o saco.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Da época em que eu tirava onda do que não era.


Na época das férias eu ia para a praia com Neum, meu irmão, e Lu, meu primo e amigo que partiu pra outra em 2004 vítima de um acidente de carro - semelhante ao meu pai que morreu com apenas 23 anos de idade batendo com um caminhão na estrada -, então a gente ia para a praia de Stella Maris com a prancha emprestada de um primo mais velho só pra impressionar e chamar atenção das gatinhas. Eu e Lu tínhamos treze anos, e Neum, doze. A gente revezava com a prancha embaixo do braço pra desfilar na frente delas. Lembro que toda vez que uma colava na gente pra perguntar por quê não caíamos na água, eu respondia dizendo que tive febre na noite passada e que minha garganta estava um pouco inflamada. Mentira pura. Eu não conseguia me apoiar em cima da prancha, nem do skate; vivia tomando queda e uma vez quase parto a testa na casa de tia Lucinha por pura teimosia (eu sempre fui teimoso).

Não à toa estou morando sozinho em São Paulo longe dos meus familiares - por eles eu jamais sairia de Salvador. Bem, quem sabe da minha vida sou eu.

Acontece que como a gente não caía na água porque ninguém sabia surfar e o lance era só de onda, ficávamos conversando com elas na areia e de vez em quando o papo rendia e pegávamos os telefones delas e combinávamos encontros nos shoppings, cineminha e tal. Mas sobre esse lance de tirar onda de uma coisa que eu não era durou até os meus quinze anos justamente quando mergulhei de cabeça no rock e em seguida na literatura beat. Aí sim: nada de tirar onda. Eu já era rocker usando jeans colado no corpo e meu all star cano longo exibindo orgulhosamente minhas camisetas com estampas das bandas da minha vida. Hoje, aos quarenta anos, nada mudou. Continuo me vestindo do mesmo jeito sem tirar onda de nada. É que eu sou assim mesmo e faço coleção de camisetas. Na semana passada, para aumentar esta coleção, comprei uma do Lou Reed e uma do The Jesus and Mary Chain, mais uma, e já tô de olho em uma dos Tindersticks e outra do Nick Cave. Minha coleção de tênis all star só faz aumentar também e me esquecendo de como é que se tira onda de uma coisa que eu não sou. Hoje, eu não finjo mais nada. Bebo várias cervas sem ressaca moral no dia seguinte; sem me culpar de nada. Fiz, tá feito. Tentei comer uma amiga, não deu, sem problemas. Não suporto Dorival Caymmi e Ariano Suassuna e não tô nem aí para as críticas. Odeio literatura de cordel e repentistas (coisinhas insuportáveis) e nem por isso deixo de ser nordestino e admirar minha terra, minha gente. Jim Jarmusch é o meu cineasta preferido e gente como Pelé e Ayrton Senna não me dizem nada.

Para Jack Kerouac o que importa é o primeiro pensamento. É por isso que eu não retoco meus textos. Meu mestre, o maior escritor que esse planeta viu nascer, falou, tá falado. O mais terno do mundo. Um anjo que sofreu neste mundo cão por não compreender a vida burra e escrota que a humanidade carrega nas costas.

Comprei na semana passada Amor nos tempos de fúria, romance do Lawrence Ferlinghetti escrito em 1988, mas só agora lançado no Brasil. Ele está ali ao lado da vela que acendi para o rei dos beats. Vou começar a devorá-lo, já.

Até a próxima.

P.S.: As músicas do Lulu Santos e Eduardo Duzek marcaram esta época de tiração de onda de surfista paquerador das gatinhas.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Dez cantores que vão embarcar no foguete do Buenas com passagem só de ida.

(Dorival Caymmi, feliz da vida).

Acordei com uma ressaca quase poderosa. Felizmente, lembrei-me que tenho uma lista pra postar com os dez cantores que eu não suporto, e isso me anima pra caramba.  

Dez cantores que vão embarcar no foguete do Buenas com passagem só de ida.

10) Carlos Lyra, o bostético Esse pensa que tem alguma importância para a música popular brasileira. Um rascunho mal feito de Lúcio Alves, o maior cantor daquela merda de música burguesa da zona sul carioca. Carlinhos, você é convidado especial e não precisa pagar a passagem.

9) Compadre Washington - Quando esse cidadão surgiu cantando em cima de um trio com uma dançarina com carinha de safada e aquela bunda empinada, eu pensei na época: "Lascou! Essa peste vai pegar". E pegou mesmo. Se alguém tivesse dito pra ele, assim: "Compadre, tu fica melhor animando festa de criança, pô". Pois é, ninguém disse isso a ele e o resto dessa história você deve saber.

8) Jorge Vercilo - O cover do Djavan foi o convidado pra servir os ilustres passageiros a bordo do meu foguete. Vai com Deus, man.

7) Chitãozinho e Xororó - Na dúvida de quem canta pior, mando os dois. Ah, Xororó, vai no colo do Chitãozinho.

6) Reginaldo Rossi - Esse queria ser o Roberto Carlos do nordeste. Figura, viu? Mas vai assim mesmo.

5) Bel Marques - Quando eu trabalhava em uma loja de discos em Salvador, tinha sempre o desprazer de passar o dvd do "Chicrete" pros gringos malas assistirem antes de comprar e jamais esqueci do começo desse dvd. Bel cantando em cima do trio em companhia de Carlinhos Brown: "É no jéjé, é no jéjé... (assim mesmo, aberto), é no jéjé, é no jéjé...". Meus olhos lacrimejam nesse instante. Que emocionante. E não esqueça: "É no jéjé, é no jéjé...". Aff...

4) Chico César - Vou poupar a tartaruguinha. Deixa quieto.

3) Mano Brown - Racista, considerado gênio pela mídia bunda-mole desse país, ele pensa que só os negros sofreram/sofrem. Ô, meu caro, os branquinhos também sentem dor. Otário, o terceiro lugar é seu.

2) Dorival Caymmi, o preguiçoso - O cara que criou a mística de que baiano é preguiçoso. Dizia amar a Bahia "que é linda" e passou grande parte da vida no Rio de Janeiro. Baiano adora a cidade maravilhosa, tanto que até o governador é carioca.

1) Vander Lee, o imbatível - A coisinha mais nefasta e irritante que ouvi em toda minha vida. Esse vai no bico do foguete, porque se houver algum atrito com um meteoro, será o primeiro a sobrar.

Em breve, a lista com as cantoras. Sim, "a diva, a maior cantora que esse país viu nascer", está nela. Aguarde.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

As Dez Mais do Mês.


1. Paul Banks - Summertime is coming;
2. Richard Hawley - Some candy Talking;
3. Grizzly Bear - Sleeping ute;
4. Renato Godá - Como vai você?
5. The Futchers - Go!
6. Morphine - The night;
7. John Cale - Mary;
8. Tim Maia - Sofre;
9. Pulp - Sylvia;
10. Pulp - Disco 2000.

Pulp - Disco 2000.

domingo, 25 de novembro de 2012

Doces ratinhos.


Poema de Marcolino da Anunciação Filho, poeta brasileiro nascido no Pará em 1955. Morreu afogado no oceano Atlântico em 1986.

hoje fez uma bela manhã de domingo
os ratinhos daqui do meu prédio circulavam tranquilamente pelo playground se esbarrando docemente nas crianças com seus gatinhos encoleirados e angustiados

na hora da merenda, os ratinhos serviram os gatinhos encoleirados e angustiados com doses cavalares de suco de framboesa e veneno dentro da validade

os passarinhos engaiolados cantavam desafinados observando os urubus bicando a cabeça de um bebezinho em frente ao portão do playground onde as crianças eram devoradas por seus gatinhos encoleirados e angustiados com uma plateia repleta de ratinhos felizes e comilões

os urubus eram de uma beleza ímpar: "singular", e eu aqui espremido entre as paredes desse elevador parado bem no meio da minha cintura.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Você não precisa entender.


Ainda resta um gole do Jack do gordinho. Fiz questão te trazer comigo a passos lentos do Marajá onde você não está mais. Senti um alívio dos seus colegas de trabalho ao comunicar seu afastamento. Minha paciência está se esgotando. Nunca fiquei tanto tempo atrás de uma mulher. Nunca. Lá se vão dois meses que você prometeu o encontro dos nossos sonhos sorrindo na minha cara com esses bracinhos abertos em cima do Itália. Eu tava lá nesta madrugada felina à sua procura. Por pouco não beijei Beatrice na boca. Senti sua saliva no cantinho como aquela menina, a loirinha, me confundindo. Eu enxergo Kerouac melhor hoje do que quando tinha dezessete anos de idade. Vejo ternura em sua escrita que naquela época passou despercebido porque eu era selvagem e o que importa é o que sai de dentro e não como elas são. A minha percepção de mundo é diferente da sua que imagino seja esperançosa. Eu não tenho esperança de nada. Esse papo das coisas se arrumarem não é comigo. Eu tô quase desistindo de você. Só mais hoje e amanhã, talvez, e nunca mais olharei nos seus olhos. Prometo. Dois meses é muito pra mim e minha paciência está se esgotando. Minha paquerinha pisa porque ela sabe que é única. Perdi o show da Angela Ro Ro por incompetência. Ainda resta um gole do Jack do gordinho aqui comigo e nem quero saber mais de você. Aliás, só hoje e amanhã e nunca mais olharei nos seus olhos. Pouco me importa a peça do Antunes e nem sei se quero mais olhar em seus olhos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O poder que a música ainda exerce em minha vida.


O bardo britânico Richard Hawley, meu cantor preferido surgido no cenário mundial nos últimos quinze anos, que inclusive já tocou com o Pulp -- banda do não menos brilhante Jarvis Cocker -- antes de partir pra carreira solo, cantando Some candy talking do The Jesus and Mary Chain me levou a tomar outra decisão nesta véspera fria de feriado aqui na selva de pedra. Eu havia decidido que ia ficar em casa lendo os contos do Raymond Carver que está mexendo muito comigo ultimamente, mas antes de pegar o livro, dei uma entrada no Facebook pra olhar o feed de notícias e eis que me deparo com um video do Hawley. Daí me lembrei que ele gravou uma versão de Some candy talking dos irmãos Reid, então resolvi entrar no youtube, e lá se foi minha noite de leituras. Eu sou besta, viu? Bateu uma vontade de beber uma cerva e vasculhar mais videos por aqui. A empolgação é tanta que vou ali na Roosevelt encontrar a turma para uns brindes. Adoro Hawley, e aproveito pra dizer que essa versão ficou ótima. Matadora. É, acho que vou sair de casa nessa noite fria de uma véspera de feriado.

Até a próxima.

Visite a La Verga Del Buenas, meu blog de textos eróticos. Acesse: www.lavergadelbuenas.blogspot.com.

Richard Hawley - Some Candy Talking.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

a desolação de Debbie.


acordei com este texto na cabeça, Debbie. tem algo estranho acontecendo: faz três dias que não tomo minha medicação e às oito da matina eu estava em pé escovando os dentes. às vezes penso que sua desolação é minha também. ontem, começou o segundo módulo do curso do Willer (desta vez só Allen Ginsberg). sempre tive a impressão de conhecer mais sobre o Ginsberg do que sobre o Kerouac, mas me enganei. eu sei muito mais sobre o rei dos beats e não sabia. terminei o Big Sur e já comecei a biografia que a Ann Charters escreveu sobre o escritor mais terno que conheço. sabe o que é, Debbie? o meu sonho é unir a escrita carregada de emoção e melancolia de John Fante com a crueza da prosa do Henry Miller em meio a espontaneidade e ternura do Jack Kerouac. isso pra mim é muito. mas sei também que o meu muito é o pouco de muitos. parece que meu livro será, finalmente, lançado no próximo ano. uma editora daqui de SP se interessou pelos meus escritos. agora, só falta a gente sentar pra conversar. 18 de maio, quanto tens por dizer... sairá no formato pocket. são textos e poemas escritos ao longo de quatro anos desde que fui deportado de Londres e, por conta disso, pra não pirar por ver meu sonho de adolescente ir por água abaixo, montei meus blogs após assistir Quase famosos e o que mais mexeu comigo foram os conselhos que o Lester Bangs dá pro jovem aspirante a jornalista. daí me lembrei que as pessoas se divertem quando digo que sou um blogueiro aspirante a escritor. pode rir, eu não ligo. no livro terá textos inéditos, também. não será apenas uma compilação. vou estender minha autobiografia em versos postada no On The Rocks em maio de 2009 e transformarei em um poema quilométrico semelhante ao do Lawrence Ferlinghetti. foi por causa dele que resolvi dar este formato à minha autobiografia e muita gente pensando que eu me inspirei na do Novos Baianos ou teria sido de Moraes Moreira? não me lembro. que derrota ter que escrever estes nomes maculando meu texto. tem uma coisa que eu queria me lembrar mas não tô conseguindo. ah, alguém me disse que minha lista com os melhores discos da minha coleção são melhores do que as da Rolling Stone e uma outra disse que eu mando cada paulada nos meus escritos que é de arrepiar. mas eu lembro quem me disse isso. foi uma gata semelhante a você. talvez ela tenha razão. quero que você saiba que eu só vou postar este texto aqui porque sou cara-de-pau e gosto de pensar que um blogueiro aspirante a escritor tem que ser, não é mesmo? às vezes sou tolo em mostrar certas coisas pros meus amigos. talvez seja pelo horário. acordar cedo não é comigo. sinto-me estranho. deve ser por isso que este texto é tão fraco. não sei. talvez. minha garganta voltou a me incomodar, mas não se preocupe, não é nada grave. acredito. vou ao médico mais tarde. vou dizer a ele que quero fazer um exame porque o xarope eu já comprei. vou parar por aqui. é que não comprei a mesinha ainda e comecei a escrever sentado na almofada ao lado da minha cama, mas como me empolgo toda vez que escrevo, fico de joelhos e estes tão começando a doer. pera aí que eu vou abrir a porta da sacada. tá começando a esquentar e o calor mexe com meu humor, que já não é dos melhores. sei que você gostou dessa.

perdi dois quilos em duas semanas. meu horário tá todo desorganizado. tenho tomado café às duas da tarde e almoçado à noite. janta? só a partir da meia-noite. assim não dá, isto sem falar que não como nada quando saio pra beber. aliás, só na volta quando a gente para no Marajá ou no Estadão. Debbie, fico por aqui. não gostei desse texto. este não sairá no meu livro. fique bem. beijo, 

Buenas.

* * *

Tem post novo na La Verga Del Buenas, meu blog de textos eróticos. Acesse: www.lavergadelbuenas.blogspot.com.


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Como é mesmo que se bate?


Aconteceu na sexta-feira em frente a um bar que costumo frequentar aqui em SP. Um imbecil "amigo" da turma chegou em mim pedindo um gole da minha cerva e me questionou por que eu dei um gole pra minha amiga Juli e não pra ele. Eu disse "claro", sorrindo, e voltei pro meu lugar. O cara saiu de onde ele tava e, parado em minha frente com os punhos fechados, ameaçou a me bater dizendo coisas do tipo "você não tem culhões", "Você é um merda"... coisas do tipo dele. Diferente de mim que vivo cercado de amigos que gostam e me admiram (disso eu sei), mas o imbecil não tem a quantidade de amigos que eu e, pelo que percebi, não é do tipo que deixa saudade por onde passa. Diferente de mim. Então naquele exato momento, pensei aflito: "Como é mesmo que se bate?", e o cara furioso na minha frente. Lembro que a última vez que eu briguei foi nos anos oitenta pra defender meu irmão. Sempre defendendo ele. Eu devia ter uns quatorze/quinze anos de idade. Hoje, tô com quarenta e nem sei mais sair na mão com ninguém. Acontece que eu decidi me afastar desse bar por uns tempos. Vou lá a qualquer momento pagar minha conta e ficar um pouco distante. Fico sentido porque as pessoas que eu gosto e admiro frequentam este bar; inclusive o chefe dessa turma que é uma pessoa que eu admiro muito. É que o imbecil que me refiro anda lá direto e acho melhor eu ficar por aqui na minha. Minha sorte foi que meu amigo Bad boy beat tomou a frente e afastou ele de mim. Amigo este que também vou sentir falta. Como se não bastasse ficar sentido em me afastar dessas pessoas que tanto gosto, minha paquerinha anda por lá e isso talvez complique as coisas. Mas eu vou dar um jeito. Quando fico afim de uma menina, eu sempre dou um jeito.

Mas como é mesmo que se bate?

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sábado, 3 de novembro de 2012

Foi através do Rock in Rio, o primeiro, de 1985, que eu conheci o AC/DC...


Foi através do Rock in Rio, o primeiro, de 1985, que eu conheci o AC/DC e curti na hora, assim como outras bandas de rock pesado que tocaram no festival. Até então só ouvia o rock produzido no Brasil e os que tocavam no carro de Perigo, o motorista black power que levava eu e meu irmão pra escolinha Au Au -- já escrevi sobre ele aqui. Era só meus avós saírem (sim, fui criado com vó; pode rir, eu não ligo) pra gente (eu e meu amigo Fabrício Silva) botar os discos do AC/DC pra tocar junto com os de Jimi Hendrix, Led Zeppelin e Iron Maiden. A gente incendiava a casa. Era foda. Dois moleques (tínhamos 12 anos de idade), se matando pra fazer air guitar com as camisas amarradas na cabeça pra fazer de conta que nossos cabelos eram iguais aos dos caras. Let there be rock era o nosso álbum preferido. Até hoje não sei por que as caixas de som não queimaram. Lembro que era um National com a frente preta e luzinhas azuis. As tardes eram longas. Não existia Facebook, nem blogosfera. Se a gente quisesse entrar em contato com um amigo tinha que ligar pro cara ou então ir até a casa dele. Se a gente quisesse paquerar uma menina tinha que ir até a casa dela "passando sem querer" pela frente ou queixar na escola mesmo. Não foram poucos os bilhetes que escrevi pra Helena, minha paquerinha da quinta série, e devo dizer que o irmão dela era um pentelho da zorra! Pô, o cara não saía de perto da irmã e ainda iam juntos pra casa sem dar vez pro Bueninhas. Mas como tinha outras meninas tão lindas quanto Helena, eu deixava pra lá. Aliás, eu continuo o mesmo. Até hoje é assim. Quando eu tô paquerando uma menina no Facebook e ela faz doce, eu parto pra outra. Mulher que faz doce é foda e eu sou diabético, então eu era um capeta e adorava chutar o balde naquela época. Uma vez, tia Anna me botou de castigo proibindo de ir nadar no clube Laranjeiras com meu irmão e primos. Não deu outra: arrombei o portão da garagem e saí correndo mesmo sabendo que quando voltasse iria levar um puxão de orelha. Eu não pensava nas consequências -- o que não mudou muito com o passar dos anos. Devo tudo isso à perda do meu pai com vinte e três anos de idade. Acho que foi por isso que cresci revoltado. Eu tinha dois anos de idade quando ele faleceu e cresci ouvindo a história do terrível acidente de carro que tirou sua vida. Deve ser por isso que cresci sendo paparicado. Deve ser por isso que não consigo viver sem dormonid e rivotril. Deve ser por isso que não tenho paciência pra suportar o doce da mulherada. Deve ser por isso que eu não faço questão de estar aqui. 

Até a próxima.

P.S.: Tem post novo na La Verga Del Buenas, meu blog de poemas e crônicas eróticas. Acesse: www.lavergadelbuenas.blogspot.com.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

As Dez Mais do Mês.


1. Ian McCulloch - Raindrop on the sun;
2. Fábrica de Animais - Ano novo em Bagdá;
3. Kevin Johansen + The Nada - Everybody knows;
4. Van Morrison - The healing game;
5. Itamar Assumpção - Vá cuidar da sua vida;
6. Lee Ranaldo - Stephanie says;
7. La Habitacion  Roja - Scandinavia;
8. Jason Lytle - Get up and go;
9. Reverendo T & Os Discípulos Descrentes - Muito prazer (video no post abaixo);
10. Nick Cave and Anita Lane - I love you nor do i.

REVERENDO T & Os Discípulos Descrentes - Muito Prazer

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Se o fim do mundo tivesse uma trilha sonora...


Se o fim do mundo tivesse uma trilha sonora, esta seria Fresh fruit for rotting vegetables dos Dead Kennedys ou Raw power de Iggy Pop & The Stooges (é assim que eles assinaram quando a banda se reuniu em 1973), depois do matador Fun house (o meu preferido do Iguana e seus comparsas). Não vejo outro disco melhor para ouvir no momento. Não que hoje seja sexta-feira e esse blá blá blá todo que meus amigos vivem postando reclamando da segunda-feira e desejando ansiosamente pela véspera do fim de semana. Sinceramente, não vejo diferença alguma. Não me leve a mal, mas é que eu vivo o aqui e agora e parece que essa pressa não vai acabar nunca. Daí me pego pensando: "Pra quê a pressa, Buenas?". Imagino que você não me entende quando digo que não consigo viver longe do dormonid e do rivotril; essas drogas são tão importantes pra mim quanto a cerva. Iggy urrando a mil por hora aqui no meu headphone (adoro ouvir música no headphone). Alto, de preferência. Não faço como meu viznho mala que faz questão que todos saibam que ele é fã do outro mala Eddie Vedder. Fico na minha, sempre. Até quando saio de casa é assim. Tava na sacada nesse instante tomando o meu café com pão e queijo e vi uma criança atravessando a rua com um skate na mão; inevitável não me lembrar de Jane Birkin que me disse ontem que não curtiu minha foto do perfil porque "Você é mais. Me parece cult e aquela foto não tem nada a ver". Gostei do "Você é mais". Até parece, Jane. Acho que é por isso que ela evita me conhecer pessoalmente. Aliás, aproveitando: eu tenho a impressão que tem umas pessoas por aqui que tem medo de mim. Sério mesmo. Adoram falar comigo. A bolinha verde do chat vive acendendo, mas na hora H sempre falham. Nem me preocupo mais com essas coisas.

Na última aula com o Claudio Willer, ele disse que todos nós somos bissexuais. Tensão na sala. Depois explicou o motivo dizendo que quando a gente nasce temos desejos por meninos e meninas mas com o passar dos anos por influência da nossa sociedade e criação dentro de casa, muitos optam somente por um lado e que alguns se permitem continuar sendo como criança. Ninguém disse nada na sala que, no silêncio estava, no silêncio ficou. Então me lembrei de uma passagem da biografia do Bukowski em que o autor diz que o velho safado costumava dar umas festinhas no ap. dele para os amigos e que numa dessas, todos foram embora no final e só ficou o Peter deitado nas almofadas. Acontece que o velhinho não pensou duas vezes e meteu no amigo que acordou assustado, e, olhando pra trás, disse:"Buk!? É você, Buk!?"; eis a resposta: "Peter! meu amigo Peter!? Ó meu Deus! Me perdoe; eu pensei que fosse a bunda de uma mulher".

Bem, hoje tem mais um show do Roberto Embriagado lá no  Club Noir. Este é um projeto do meu amigo Mário Bortolotto em que ele canta músicas do Rei. Em seguida, vai rolar umas músicas da Saco de Ratos. R$ 10,00. Vamos?

Até a próxima.

P.S.: Hoje não acendi vela para Kerouac. Resolvi acender para o velho safado.

P.S. 2: Mais um texto que trago do Facebook. Aos revoltadinhos com redes sociais, lamento muito; mas é que eu escrevo primeiro lá, depois, às vezes, publico aqui.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Galeria.


Meu vizinho mala continua ouvindo Eddie Vedder. Não vou interrompê-lo, prefiro deixar os malas se entenderem. Dessa vez  não tomei rivotril, nem o dormonid. Ter esperança cansa, e é exatamente por isso que não precisei tomá-los. Dormi cedo. Acordei tarde. Tô bem agora. Ao som de David Bowie, me lembrei do Guilherme Junqueira, nosso querido Sugar Gay, e resolvi homenageá-lo na seção Galeria desse mês do On the Rocks. 

Sugar é artista plástico, escritor e videomaker, fã de Tex e Rê-Bordosa. Estuda atualmente na ABRA (Academia Brasileira de Artes), e costuma fazer flyers para bandas de rock (Saco de Ratos). 

Lembro que eu o conheci em frente ao Parlapatões há uns dois/três meses atrás quando falamos sobre a Angela Ro Ro, minha cantora preferida no país. Disse a ele que tinha assistido a um show dela ano passado no Rio de Janeiro e tirado umas fotos, quando percebi, o cara não parava mais de falar na Angela. Pensei: esse é fã também.

Acho que o nosso segundo contato foi na Mercearia São Pedro (a Merça), nosso quartel-general às segundas-feiras. E foi nesse dia que fiquei sabendo que o Gui é pugilista nas horas vagas e a amizade começou justamente aí. Não que eu goste de boxe, muito pelo contrário, mas é que eu achei hilário seu jeito de ser e lembrei-me do perfil dos pugilistas e vi que não tem nada a ver com o dele. Pô, Maguila o tempo todo na minha mente e o cara ali na minha frente gesticulando. Ri a noite toda. Depois rolou Filial, lá mesmo na Vila, e seguimos pro Biru's (é que o Marião costuma jogar sinuca lá), então acompanhamos ele, mas não jogamos; ficamos no balcão do bar bebendo umas cervas e conversando. Logo depois, Sugar foi embora com a Larinha e eu desci com o Marião para as Amistosas na Martins Fontes.

Valendo lembrar que os videos da turma que rola no Facebook nos fins da balada, são filmados por ele, que está sempre com sua câmera pronta pra registrar cenas hilárias de um monte de bebuns.

Sugar, por enquanto, é isso. Melhores momentos virão, acredito. Te desejo boa sorte com o lançamento do seu próximo livro, o Black vomit blues, sexo, narcóticos e gasolina, e em todos seus trabalhos, seja como videomaker ou artista plástico, e que você continue sendo essa pessoa maravilhosa que você é. É isso.

Para conhecer mais o trabalho do cara, acesse seu blog: www.artejunqueira.blogspot.com.

Grande abraço,

Buenas.






terça-feira, 16 de outubro de 2012

Acabo de acender uma vela para Jack Kerouac...


(Beatrice Dalle).

Beatrice,

Acabo de acender uma vela para Jack Kerouac. Voltei a lê-lo depois que comecei a fazer o curso sobre a geração beat com Claudio Willer, o poeta que traduziu Uivo, Kaddish e outros poemas do Allen Ginsberg para o Brasil. Tem uma coisa que tem me preocupado muito ultimamente: eu não consigo mais escrever na janelinha dos meus blogs, nem no word; só consigo no Facebook. É sério. Então, eu copio e colo no On The Rocks, ou, quando não posto, arquivo ou mando pro meu amigo Nelsinho Magalhães por e-mail. É louco, eu sei.  Assim como escrever pra personagens que têm vida própria mas que estão longe do meu alcance, como você vivendo nesta melancólica Amsterdã sozinha sonhando em ser uma pintora reconhecida mundialmente. Ontem eu peguei emprestado na biblioteca Mário de Andrade o livro 68 contos do Raymond Carver. Já tinha ouvido falar nesse cara, mas nunca tinha lido nada dele. Foram meus amigos daqui de SP (Marião e o Bad boy beat) que me indicaram. Comecei a ler o primeiro conto, mas resolvi parar, pois só consigo pensar em Kerouac agora lendo Big sur e numa menina que tá mexendo comigo. Fiquei sabendo ontem que ela mora próxima à biblioteca; boa desculpa para fazer uma visita. A biblioteca como pretexto pra chegar nela. Eu não sou fã de clássicos da literatura, nunca fui, nem dos escritores contemporâneos que só servem pra mexer com a cabeça de estudantes universitários. A maioria são metidos a besta. Não vale a pena lê-los, por isso recorro sempre aos meus mestres John Fante, Henry Miller, Bukowski, Cortázar, Dostoiévski, Allen Ginsberg e toda beat generation. Esses caras sangraram no papel. Seus escritos urgem. Mostraram ao mundo a dor que habitavam suas almas sofridas. O que eu queria mesmo neste momento era esquecer de mim só pra ver como é. Como as coisas ficam. Imagino que deve ser bem melhor sem minha presença. Jane Birkin tá aqui em SP. Quer andar de skate (ela não trouxe o dela dessa vez). Não tenho skate e nem como conseguir um emprestado. É provável que a gente beba na Augusta (o point paulistano dos descolados). Incrível como esta cidade é enorme, mas todos só falam na Augusta, até quem vem de fora. Me divirto com tudo isso. Você está vendo como o mundo é limitado? Em Amsterdã deve ser assim também, não é? O mundo está se tornando cada vez mais um lugar desprezível. Soube que foi proibido fumar maconha nas ruas dessa cidade que você adotou como sua. É verdade, Beatrice? Imagino você tendo que se trancar em casa, forçada. Deve estar entediada, eu bem sei. Ah, eu mudei teu mapa astral.  O da Debbie, também. Debbie agora é ariana, descendente, áries; lua em áries e vênus em leão. Ou seja, o capeta de minissaia às quatro da matina na famosa Augusta. Tô prestes a me mudar. É que meu brother quer vender o apartamento. Vou sentir saudade daqui, o segundo lugar que me acolheu na selva de pedra. Não sei pra onde vou ainda. Só sei que na rua não vou ficar. Não tenho almoçado ultimamente. Acordo ao meio-dia, tomo café e abro o livro, antes, entro na Web rapidinho e mergulho embaixo do edredon. Passo horas lendo Big sur. Tá perto de acabar. Costumo ler devagar, como se estivesse saboreando cada letra, cada palavra. Tem mais uma coisa estranha acontecendo comigo: tenho sentido um ardor na garganta que tá me deixando preocupado. Nunca senti isso antes. Não tá inflamada. Não me incomoda de falar, mas arde. Fico tenso quando lembro.

Daqui a pouco tem mais uma aula com o Willer. Vou nessa. A gente se fala. Beijo no coração,

Buenas.

P.S.: esse finalzinho ficou piegas?

domingo, 14 de outubro de 2012

Da série Livros que fizeram minha cabeça.



Esta biografia de Bukowski foi o único livro sobre um ídolo que demorei pra ler. Eu explico: o livro exala álcool o tempo todo, muito mais do que em seus romances e eu só conseguia ler umas três ou quatro páginas e corria para o bar. Era sempre assim. Tentei ler uma vez no boteco do Espanha bebendo minha cerva no canto pra ver se conseguia adiantar a leitura, mas não adiantou nada, pois toda hora vinha um cara falar comigo e conforme ia bebendo e me dispersando com as intromissões, o gosto pela leitura foi passando. Uma vez, cheguei a beber água gelada, bem gelada, com limão pra cortar a vontade de beber umas cervas, mas também não adiantou nada; e toda vez que me lembro desse livro, minha boca enche d'água. 

O velho safado já tinha feito um estrago na minha cabeça em 1992 quando li Cartas na rua - o primeiro de uma série. Comprei em um sebo de Salvador, e em seguida, pedi emprestado a Nelsinho Magalhães o Crônicas de um amor louco, livro de contos que começa com o fodástico A mulher mais bela da cidade. Este foi o conto que mais li em toda minha vida, ao lado de Dama da noite, do Caio Fernando Abreu.

Já em Hollywood, romance em que narra a preparação de um roteiro para o filme Barfly - com Mick Rourke no papel de Henry Chinaski -, eu só bebia vinho, por influência da narração, em que o velho safado bebe vinho o tempo todo.

Pirei com Bukowski nessa época, e uma das coisas que mais me deu prazer foi ler Mulheres - como já disse antes, não me recordo da história -, mas o que nunca vou esquecer é que foi lendo esse livro que eu passei a me interessar mais em fazer sexo oral nas mulheres, não que eu não gostasse de fazer antes de lê-lo, mas durante a leitura e até hoje por influência dele, passei a fazer com mais intensidade e fico bem mais tempo do que antigamente; se deixar eu fico lá.

Charles Bukowski é foda.

Até a próxima.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

On The Rocks Recomenda.


Disco de rock vigoroso o primeiro da Fábrica de Animais lançado pela Baratos Afins - altamente recomendável por este ser que vos escreve. Conheci a banda no ano passado por indicação da minha amiga Fabiana Vajman após ter assistido ao primeiro show da Saco de Ratos quando aqui estive a passeio. Semanas depois pude conferir de perto um show de rock poderoso como há muito não via por aí. Quando aqui cheguei, a sensação era de ter chegado no fim da festa; mas isto mudou quando conheci a Fábrica e a Saco de Ratos. Comentei isso com a Fernanda D'Umbra e ela, gentil e educadamente, disse-me que São Paulo está cheia de bandas legais. Deve ter mesmo Fernanda, mas é que no momento estou satisfeito com a minha trilha sonora por essas plagas.

O disco começa com a pujante Ano novo em Bagdá, música daquelas que te faz apertar o repeat várias vezes. As canções têm boas letras e pegada forte. Fiquei impressionado com o vozeirão e a presença de palco da Fernanda, a vocalista da banda. Em tempos de bandinhas querendo posar de moderninho preocupados com o visual, a Fábrica de Animais tá aí pra provar que é possível fazer rock sincero e dos bons sem frescura. Despojado, direto e certeiro.

Já ouvi três vezes agora de tarde, e ouvindo no volume máximo do meu headphone, Ano novo em Bagdá me fez até esquecer de almoçar. Mas o meu prato predileto sempre foi  a música mesmo e essas coisas não me preocupam. De olho naquela garrafa de conhaque ali ao lado do meu pijama, penso que vou esticar mais um pouco essa audição e mais tarde brindar com os amigos vai ser uma ótima pedida.

Até a próxima.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Jane Birkin de skate.



dia desses eu vi Jane Birkin andando de skate na praça Roosevelt com seu vestidinho amarelo exibindo sua bela tattoo na perna esquerda. ela não me viu. ainda aturdido com a voz do Van Morrison esmurrando as paredes do meu cérebro, parei por um instante em companhia do bad boy beat e ficamos observando seu trajeto. tivemos a impressão dela querer pular de algum lugar. Jane vive reclamando da vida entediada presa em seu quarto que faz um calor dos infernos e mesmo que tome banho, não suaviza; mas noto uma certa tranquilidade em seu caminhar. 

num momento de dispersão, não percebemos ela vindo em nossa direção. é que Debbie havia acenado pra gente montada na garupa da harley de Paulão (safadinha essa Debbie). então, quando percebemos, Jane estava pedindo por um isqueiro em nossa frente segurando uma heineken  - ela adora essa cerva. eu, também. bad boy beat acendou seu cigarro e ficou na dele. ele sabe das minhas paixões por ela. a gente respeita os amigos e nunca invejamos quando algum está num lance firme com uma gata. bem, daí ela ficou olhando pra minha camiseta do Nick Cave e em seguida me perguntou se eu conhecia a versão de Je t'aime que ele fez com a Anita Lane. "claro, ouço direto". seu olhar de menina traquina e aquele sinalzinho é de deixar qualquer um louco. amor louco esse que sinto pela Jane. mas como já disse, sangrar é comigo mesmo.

Até a próxima.

sábado, 6 de outubro de 2012

Rotina de fim de semana não cansa.



É esta a sensação que fica quando saio de casa pra curtir meu fim de semana com os amigos. Ontem, pra variar, não foi diferente. Assisti a peça Uma pilha de pratos na cozinha do Marião Bortolotto. Um texto instigante contando a vida de quatro seres. Mas pouca coisa ficou. É que eu estava com cabeça nas nuvens. A sensação era de que só o meu corpo estava no teatro naquele momento. Mark Lanegan recepcionou a gente - eu e o Gabriel Oliveira (bad boy beat) e o clima denso permeiou o ambiente. Mas eu tava longe naquele momento. Ando estranho ultimamente. Até Nelson Gonçalves ando indicando na minha página do Facebook. Não que eu não goste, mas não é de costume - se é que você me entende. Fim da peça, e "de volta" ao teatro. Saímos com a música do Van Morrison esmurrando a noite. Mais uma noite que não vai cansar: disso eu sei. Bebemos com o Marião e amigos, claro. Depois descemos a Augusta com destino ao nosso quartel general, o Parlapatões, bar que não fecha, e é exatamente por isso que a gente vive lá. Isto sem falar na simpatia da dona Marcia Chiochetti e sua belíssima assistente, Luma Guimarães (Betty blue). A gente fica bebendo na porta e observando as pessoas e comentando coisas que não devo dizer aqui. Você vai tremer. Deixa isso pra lá. Mas ontem tava foda. Insuportável. Gente pra caralho. Parece que teve um discurso político ou algo do tipo. Não sei ao certo. Só sei que tinha um monte de gente pintado de rosa rindo de um monte de merda. E a gente ali na nossa...

Mas o que me intrigou mesmo foi quando Dani (Danielle Cabral), começou a falar sobre o livro Mulheres do Charles Bukowski (isto por volta das seis da matina), é que o Marião vai montar a peça no final do ano e a Dani é uma das atrizes que vai estar no elenco. Ela contou que ligou para Linda, uma das ex-mulheres do Bukowski, pra contar sobre a montagem e ainda disse que ela foi super gente fina. Massa. Mas o pior de tudo foi quando ela me perguntou se eu já tinha lido Mulheres. Disse "Sim, há muitos anos atrás" e naquele exato momento voltei ao ano de 1996, ano que li o livro, mas não consegui me lembrar de nada sobre o romance. Aliás, lembro que o livro exala sexo e bebedeira, mas se você me perguntar sobre o roteiro, não vou saber dizer absolutamente nada. Acho que está na hora de voltar a lê-lo antes que seja tarde. Problema é que estou terminando Tanto Faz do Reinaldo Moraes e prestes a começar um curso sobre a geração beat com o mestre Claudio Willer, o que quer dizer que vou voltar a ler os caras mais uma vez e devo dizer que esta retomada será com Big Sur (Jack Kerouac), que segundo minha amiga Rita Medusa, é melhor do que On The Road - veremos, Ritinha. 

Hoje é o aniversário de Batata (Walter Figueredo) um dos atores da peça. Isto quer dizer que vai começar tudo de novo. Mas rotina de fim de semana não cansa.

Até a próxima.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Para Jane Birkin.



Eu sempre sonhei em ter uma Jane Birkin na minha vida.  Minha maior musa, a mais inspiradora, vive atualmente em meu coração diariamente. Mas essa Jane atende por outro nome e devo dizer que o meu passatempo preferido nos últimos dias é ficar olhando suas fotos aqui no Facebook. Eu necessito de combustível pra viver e levar uma vida de rotina não é a minha -- bate uma angústia e me faz sentir sozinho por muito tempo, e isso não é bom. Então, fico aqui admirando as fotos da minha Jane Birkin brasileira. É louco, eu sei. Louco porque acho difícil um relacionamento. Ela é agradável, educada e atenciosa comigo, mas é louco essa minha admiração por ela. É que não vai rolar, mas como eu necessito de combustível, me entrego. Me permito. Sangrar é comigo mesmo. Imagino que existe coisas melhores pra se fazer na vida.

 (...)

Eu quero mais. Muito mais. Então, vivo escrevendo com pensamento nela. Tenho várias musas, mas tem sempre uma que bate mais forte e a Jane supera todas elas, inclusive a Debbie.

Alguém já disse que eu tenho várias facetas. As fases vivem mudando, claro, mas sem dúvida alguma, a que mais me dar prazer é essa que costumo chamar carinhosamente de "fase romântica solitária". É quando os meus melhores textos brotam. Supera a fase deprê e quero aproveitar pra dizer que quando tô namorando é a pior delas para escrever. Os textos são técnicos, sem emoção, sabe... exceto um ou outro, devido as dores e pancadas que são peculiares no meu caminho, a maioria são fracos. Ao menos, pra mim.

Agora, vou dar mais uma olhada nas fotos da Jane e tentar dormir sem o ansiolítico, o que acho bem difícil que aconteça. Mas eu tento, assim como tentarei ter a Jane comigo, nem que seja, só por uns instantes.

Até a próxima.

P.S.: Mais um texto escrito no Facebook. A turma gostou. Massa.

JANE BIRKIN & SERGE GAINSBOURG Je T'Aime (1969).

domingo, 30 de setembro de 2012

As Dez Mais do Mês.


1. ZZ Top - Over you;
2. Saco de Ratos - Balada do velho quarteirão (Video no post abaixo);
3. Saco de Ratos - Blues;
4. ZZ Top - It's too easy mañana;
5. Raveonettes - Seductress of Bums;
6. Iggy Pop -Lowdown;
7. Charles Bradley - How long;
8. Beth Gibbons - Tom the model;
9. Alabama Shakes - I found you;
10. Bob Dylan - Soon after midnight.