domingo, 12 de fevereiro de 2012

Rua Guaianazes, o embrião da Cracolândia.


Eu moro na rua Guaianazes, o embrião da Cracolândia (centro de São Paulo). No começo, eu me assustei um pouco com a quantidade de crackeiros que aqui vivem há muitos anos - segundo os antigos moradores.

Desde o começo do ano, quando o governador Alckmin - uma espécie de Hitler, versão camuflada -, lembrando a perversidade que os moradores de Pinheirinho sofreram recentemente, desabrigou esses seres que mais parecem zumbis, do que seres humanos, da Cracolândia, que fica próximo à estação da Luz, perto daqui de casa, que a quantidade de zumbis têm aumentado.

Todos os dias, principalmente à noite, os policiais passam espantando uma corja com mais de duzentos deles; que não adianta nada, pois logo eles voltam lotando a rua e trazendo transtornos para os moradores com suas algazarras, fumando a pedra e aprontando das suas.

A polícia, acreditando que está cumprindo o seu papel, e a sociedade, fingindo acreditar que eles vão resolver este tipo de problema, transformam um trabalho que deveria ser sério em brincadeira de gato e rato.

Fico na varanda do apartamento observando tudo e analisando as coisas...

Dia desses, eu vi um policial dormindo no banco do carona quando passava espantando a corja - como eu queria ter uma câmera nesse momento! 

Também já vi um policial esticando os braços para fora da aviatura para pegar algo com um transeunte.

Eu tenho nojo de políticos e odeio bandidos fardados.

Para aumentar o meu desprezo que tenho por eles, na sexta-feira à noite, quando eu chegava do trabalho, vi dois policiais algemando um rapaz na porta de um bar - eu não sei o que aconteceu. Sei que ao lado do rapaz, tinha uma mulher segurando uma criança que estava transtornado e gritando desesperadamente para os policias "larguem meu pai moço, larguem ele!".

A criança conseguiu se separar da mãe dele e pendurou-se no pescoço de um dos policiais pedindo para que o soltasse. Aquela cena tirou minha noite de sono.

As lágrimas dele cortaram meu coração. "Gente, faz alguma coisa!". Pô, me deu vontade de intervir, mas sabia que se fizesse isto, eu iria preso e tomaria muita porrada. Fui um covarde, eu sei, e fiquei muito mal depois.

Imediatamente, oito carros da polícia invadiram a rua com seu som ridículo, e estridente, para pegarem um "marginal" que estava visivelmente irritado com tudo que estava acontecendo...

(Continua).
Postar um comentário