domingo, 1 de abril de 2012

Saudade da Nau.

O primeiro disco da Nau (1987) é um tesouro esquecido da música produzida no Brasil. Essa geração que vive incensando Tulipinhas e companhia bem limitada não conhece esta obra-prima. Ou, se conhece, parece ignorar.

Quando eu comecei a escrever no On The Rocks, as minhas referências jornalísticas musicais eram a escrita de Celso Pucci e Lester Bangs. Às vezes, gosto de pensar que foi uma boa não ter entrado para a Faculdade de Comunicação. Se isto tivesse acontecido, eu, como sou fã de música, provavelmente estaria escrevendo para algum jornal, revista, ou até mesmo um site especializado e ganhando uma grana com isso; o que seria um martírio. Já pensou, se o editor vira pra mim e diz assim: "Buenas, eu quero que você faça uma matéria foda sobre a Tulipa". Ou, "Eu quero que você assista um show da Karina (acho que é Burh o sobrenome dela) que será destaque na próxima edição". Pô, eu iria tremer (certeza), para procurar argumentos e tentar cair fora de tal missão. Ou então, fingir que estes, entre outros artistas em evidência na atual pálida música pop brasileira, seja relevante sem ser - o que é pior.

Mas, quis o destino que as coisas fossem bem diferentes para mim. Escrevo sempre, claro, e só vou parar quando estiver morto. Escrevo pelo puro prazer de escrever. Escrevo para me fazer presente no mundo. Indico o que acredito que seja relevante para mim e para quem admira meus escritos, e isto é muito bom.

A consistência no som da Nau me arrebata. As guitarras choram; o baixo, pulsante, emana calor e a bateria bate forte como um coração apaixonado.

Eu assistia direto ao video de Corpo vadio em um programa local que passava aos sábados à tarde. Lembro vagamente deste video... um tom sombrio permeava as cenas... Vange Leonel, a cantora, passeando pelos escombros de um casarão. Acho que era assim.

Balada é a minha canção preferida desse único disco lançado pela banda. Há rumores que existe um segundo, gravado logo depois deste, mas que nunca viu a luz do dia devido a problemas técnicos.

Eu ando desmotivado para indicar discos aqui. Você, que me ler desde os primeiros passos do On The Rocks, deve ter percebido.

Caro leitor, pouca coisa tem mexido comigo, principalmente no que diz respeito à música produzida no Brasil. Fiquei sabendo, na semana passada, que o Arnaldo Baptista está em estúdio gravando Esphera, seu próximo disco sob produção de Fernando Catatau. Outras notícias que me animaram bastante foi a que o Renato Godá está finalizando o sucessor de Canções para embalar marujos; Luís Capucho, finalmente, irá lançar o Cinema Íris - disco gravado em 2010, mas que só sairá agora; o novo da Saco de Ratos está pronto e a Fábrica de Animais lançará ainda neste semestre seu primeiro registro fonográfico.

Para finalizar, tem uma banda nova, chamada Single Parents, que é bem legal - escrevo sobre eles depois.

No mais, sigo o meu caminho de mãos dadas com Mona ouvindo Arthur H., Bob Dylan, Leonard Cohen, Tom Waits, Rolling Stones, Serge Gainsbourg, Arnaldo Baptista, Angela Ro Ro e Lou Reed, entre outros.

Visite a La Verga, meu blog de poemas e crônicas eróticas. Acesse: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/.

Até a próxima.

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