domingo, 13 de maio de 2012

Poema para vovó Dai.


(Neum e eu).

(Sem correção, sem nada. Ficou a emoção).

Começando a soletrar as primeiras palavras
e o seu sorriso brando
brinda meu café da manhã
entre porções de manteiga & o pão de milho da padaria da rua Direita de Santo Antônio (que você sabe que eu adoro)
suas papinhas e seu olhar vago me prostra aqui neste momento a garoa caindo nesta tarde fria, solitária e melancólica sentindo a textura de
teu pijama em que fazia você uma coelhinha (não me sai do pensamento)
e quantas mães você me deste?
(do seu ventre, tenho comigo Dinda, tia Anna, tia Fau, tia Lucinha & tia Cati) 
neste dia das mães aqui sozinho embaixo do edredon de uma tarde que insiste em não passar
inevitável não me lembrar das tardes em que vivíamos (eu e Neum) protegidos por suas asinhas 
agasalhando seus pintinhos carentes de um amor que você sabe afastado em plena juventude
& entre gargalhadas e lágrimas desse amor que se foi mas que está presente e continua em nossas vidas
(afinal, quem me protege nessas madrugadas selvagens na terra da garoa & neste embrião de zumbis que me cercam?)
Ariel sempre comigo (acho que é esse o nome dele) minha ingratidão não me permite lembrar (mesmo se eu tivesse uma boa memória)
memória de homem grande
e não de um menino que insiste em ser homem
(...)
e esta data negra se aproximando, com ela, a sensação desagradável que pesa e esmurra nossos corações
Ah, 18 de maio, não vem.

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