terça-feira, 31 de julho de 2012

As Dez Mais do Mês.



1. Charles Bradley - Lovin' you baby;
2. Lee Ranaldo - Off The wall (assista ao video no post abaixo);
3. Andrew Bird & Annie Clark - Lusitania;
4. Violeta de Outono - Dia azul;
5. Glauberovsky Orchestra - The wayfaring stranger;
6. Patti Smith - This is the girl;
7. Nei Lisboa - Baladas;
8. Declinium - Insônia;
9. Sister Vanilla - The two of us;
10. T. Rex - Ballrooms of Mars.

Até a próxima.

Lee Ranaldo - Off the wall.

sábado, 28 de julho de 2012

As baladas low-fi da Glauberovsky Orchestra.


Há exatos dezessete anos, assisti ao meu primeiro show dos Dead Billies, a melhor banda de psychobilly do Brasil e uma das maiores do planeta. As apresentações eram incendiárias e o rock baiano passava por uma de suas melhores fases.

Eu frequentava shows da brincando de deus, Cascadura, Dois Sapos e Meio, Kabo Kruz, Não, Talking Blues, Jupiter Scope e Saci Tric, entre outras que não me lembro agora.

O cantor dos Dead Billies, Glauber Guimarães (o Moscabilly) estudava em um colégio no Corredor da Vitória, onde estudei uma parte do meu segundo grau, mas a gente não se falava. Eu o reconheci depois de ter assistido um show dos caras no extinto Creole Cajun, um bar que ficava localizado no Pelourinho. Fiquei "de cara" com a performance da banda. As meninas ficavam na frente do palco vibrando com a performance do cantor o tempo todo. Achava aquilo tudo bem legal. Melhor ainda, saber que acontecia em Salvador.

Anos depois, em 2003, já trabalhando como vendedor de discos, eis que quem adentra a loja num sábado à tarde? Pois é, o Glauber. Já tínhamos batido uns papos pelos bares da cidade, portanto, não éramos mais estranhos. Eu estava bebendo um vinho, coisa que costumava fazer nas tardes de sábado, e ouvindo Tom Waits. Ofereci uma taça, ele aceitou, e ficamos por ali conversando sobre a obra do Tom. Descobrimos ser fãs do baladeiro beat. O disco que tocava era o Alice, mas comentamos mais sobre o Mule variatons - um dos cinco melhores álbuns de sua carreira. 

Falamos, também, sobre Elliott Smith, Sparklehorse, Stephen Malkmus e Kinks.

Corta para 2012 e cá estou indicando seu novo projeto: Glauberovsky Orchestra, onde ele canta, toca e produz todas as canções, seja de sua autoria, ou de outros artistas. Sensacionais, por sinal.

Mother's little helper (Rolling Stones), The wayfaring stranger (domínio público), Don't let bring you down (Neil Young), Vida (Chico Buarque), Working class hero (John Lennon), e Strange weather (Tom Waits), são apenas algumas delas. Nosso solitary man low-fi, é esta a impressão que tenho do Glauber de hoje, lançou dez Eps e duas compilações em sete meses - todas disponíveis para download.

Para conhecer mais o trabalho do artista e fazer download  de todos Eps, acesse: http://www.glauberovskyorchestra.blogspot.com.br/. Boa audição. On The Rocks garante.

Até a próxima.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

69 anos de Mick Jagger, um cara foda.

"Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa...", assim começa o célebre e genial poema do poeta beat Allen Ginsberg. Lembrei-me que hoje é o aniversário de Mick Jagger. 69 anos, é verdade. 50 deles à frente da maior banda de rock do planeta. Os primeiros versos de Uivo me fizeram lembrar de quanta gente boa partiu pra outra por não conseguir segurar a onda. Mas gente como Mick, Bowie, Iggy, Lou Reed, Dylan, John Lydon, Patti Smith, Neil Young e tantos outros saíram ileso dessa festa louca que se chama vida, onde uns conseguem sair antes do final numa boa como se nada tivesse acontecido. Já outros, não. Não conseguem. Se permitem serem engolidos e despejados no caminhão do lixo junto com garrafas, latinhas e todo o resto do que sobrou. Eu tiro meu chapéu pra gente como esse cara que completa hoje 69 anos de idade. Um cara que soube curti a festa e sair ileso pra contar a história.

Até a próxima.

domingo, 22 de julho de 2012

If you're feeling sinister.


Descobri o Belle and Sebastian em 1998 através de uma matéria publicada num jornal daqui de São Paulo. Na minha terra, as rádios insistiam em querer mostrar aos baianos que lá só tem pagode e Tchans, ou seja, só porcaria. Eu me isolava no meu apartamento, no centro da cidade, ao som do Belle, Mercury Rev, Gomez, Galaxie 500 e Radiohead. O Jesus and Mary Chain, minha banda do coração, havia lançado Munki, último registro da finíssima estirpe escocesa, só para abrilhantar ainda mais aquelas tardes perfeitas. Já ouvi muito "Você é estranho", de algumas mulheres. Acho que sou mesmo. "Sua alma é sofrida. Você não tem prazer em viver", disse-me uma amiga psicóloga. Certíssima. Não sinto mesmo e vivo fazendo de conta que está tudo bem.  Na maioria das vezes não consigo, pois as pessoas sacam e me intimam, mas acabam me deixando "na minha". Melhor assim. Meu sorriso, na maioria da vezes, é forçado. Momentos de felicidade são raros em minha existência. Não à toa, me identifico com seres como Ian Curtis, meu primeiro ídolo. Naquele ano, 1998, eu adorava beber vinho nas tardes de domingo em companhia de Tassinha, minha filha, que ficava desenhando ao meu lado, e Liquinho, meu guri que tinha vindo ao mundo recentemente, ficava no berço quietinho parecendo curti a atmosfera que emanava de dentro de casa. Mamãe Vivian com seus afazeres, não parecia se incomodar com o som. De vez em quando, ela pedia pra tocar um Robertão ou um Dylan, e eu, sem cerimônias, claro, trocava o disco para satisfazê-la. As crianças, quietas estavam, quietas ficavam. Hoje, bateu saudade e ouvi o Belle quando acordei. Que banda bacana. Suas canções beiram a perfeição. Ouvi o If you're feeling sinister. Sublime. Mas foi com The boy with the arab strap que eles me seduziram primeiro. Comprei uma edição americana na época. Pouca gente conhecia em Salvador. Evitava comentar com as pessoas, pois ouvia sempre "nunca ouvi" ou "não conheço". Normal. Conhecia pelo simples motivo de respirar música o tempo todo. De ser amante dela. Sou insaciável. Nem bem conheço uma banda, já corro atrás de outra que venha ocupar minha semana, às vezes, o mês. O ano. Os eternos ficam. Você que me lê desde os primeiros passos do blog, sabe muito bem quem são.

Até a próxima.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

On The Rocks Recomenda.


Mamãe me adora (Edições da Madrugada), terceiro livro do escritor, cantor e músico Luís Capucho, foi, por esses dias, minha companhia nas madrugadas frias da selva de pedras. Madrugadas suaves embaixo de dois edredons e uma colcha de lã. No colo, o belo livro de um amigo não muito distante daqui. Talentoso, de uma sensibilidade capaz de comover o mais bruto dos seres, esse cara, que tive o prazer em conhecer pessoalmente em 2010 quando produzi seu show em Salvador, nos presenteia com uma narração econômica, emocionante, tocante. Li devagar. É assim que costumo ler um livro quando estou curtindo muito. Não tenho pressa porque sei que sentirei falta depois; daí bate saudade, e saudade não me faz bem.

A saudade corrói como as ratazanas no estômago do autor.

No livro, Capucho permite o leitor adentrar sem cerimônias seu universo em companhia de sua mãezinha pelas estradas em direção a Aparecida do Norte. No caminho, e até mesmo instantes antes, ele se permite mostrar suas indagações, como é de costume, de coisas que estão ao seu redor, seja sozinho, ou no convívio com ela. Relatos sobre sua doença vem à tona quase sempre. O apreço, carinho e prazer em conviver com sua mamãe estão lá, também.

Adoro quando o final de um livro me surpreende. Fiquei horas deitado olhando para o teto imaginado a cena; me senti presente no momento. Me deu vonatde de intervir, de fazer algo por eles. Bateu saudade. Vou lê-lo em breve ao som do seu mais novo álbum, o muito bom Cinema Íris.

Até a próxima.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Carta de Cazuza para a atriz Denise Dumont.



Rio, 22/7/86.


a saudade é grande, mulher vermelha tiro no coração. estou escrevendo numa tarde cinzenta e fria daí resolvi bater à maquina elétrica. estou ouvindo o último disco do the smiths e me sentindo meio hemisfério norte. o cara na sala conserta o meu vídeo. estou com um da Billie Holiday lindo, filmados numa boate, ela escarrando antes de cantar com os olhos molhados boca amarga sorriso de criança baby porque nossos corações são tão atormentados?
ainda não estive com Rita pra saber novidades, eu sou tão difícil de escrever, mas aqui vão novidades que não dão no telefone. tenho trabalhado bastante, pra espantar a solidão e os maus pensamentos. hoje, pela 456° vez resolvi que preciso fazer análise, porque tenho sentido muito medo. medo de voar, de entrar no palco, de amar, de morrer, de ser feliz. medo de fazer análise e não ter mais problemas e perder a inspiração... eu fiz 28 anos e descobri um cara solitário sem vocação pra solidão. ultimamente eu passo mal quando não tem ninguém perto, chego a ter febre, é uma loucura. o menino sozinho brincando de cidades desertas cresceu e quer amar, mas é tão difícil. eu vou chegar pro analista e vou dizer: eu quero aprender a mar. estou gravando um disco, está quase pronto, e as músicas revelam muito isso que eu tô te contando, só que de um jeito sarcástico, debochado e por isso mesmo profundamente triste.
viver é bom nas curvas da estrada, solidão que nada!
viver é bom partida e chegada, solidão que nada!
esse é o refrão de uma balada blue que talvez seja a música de trabalho, e é a minha vida nesses meses, de aeroporto em aeroporto (cada aeroporto é um nome num papel, um novo rosto atrás do mesmo véu). daqui a pouco eu escrevo a letra toda! tem um blues que fala "ando apaixonado por cachorros e bichas, duques e xerifes, porque eles sabem que amar é abanar o rabo, lamber e dar a pata". forte, né?
ah, estou ficando careca, fico passando minoxidil pra fingir que é possível parar o tempo. eu queria parar o tempo e voltar e voltar pra barriga da mamãe, mas ia ficar tudo tão parado.
você vai continuar gostando de mim se eu ficar careca?
eu penso muito em você aí, menina linda tentando o grande sonho americano. eu ando muito cansado pra ir à NY, vou tirar férias depois do disco na chapada dos guimarães, onde uma amiga minha tem um sítio. às vezes eu fico pensando no porque disso tudo, ganhar dinheiro cantando as minhas aventuras de desventuras. comprar uma fazenda e fazer filhos talvez fosse uma maneira de ficar na terra pra sempre,. porque discos arranham e quebram... mas eu acho que no fundo não passa de uma grande viadagem minha esses papos.
te amo muito. do nosso jeito. beijos em Margarida. (agora botei morte em veneza na vitrola)
beijos no new american boy Diogo. e beijos pra quem é de beijos. e abraços pra quem é de abraços. ciao!


Caju.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

13 de julho, dia do rock e de Lico.

(Sex Pistols).

Esses caras meteram o pé na fechadura sem pena. Barbarizaram na terra da rainha deixando farpas de rebeldia, agonia e insatisfação, e saíram ileso; ou quase. Não foram poucas as vezes que Johnny Rotten apanhou nas ruas de Londres antes de se mudar para Nova York.

Fizeram tudo que tiveram direito. Debocharam das autoridades competentes e abalaram as estruturas com seu grito de dor e revolta reverberando por todo planeta.

Nunca uma banda tocou com tanta urgência e fúria. Felizmente, sobreviveram para contar história. 

Está sendo lançado neste semestre uma edição comemorativa do antológico Never mind the bollocks, here's The Sex Pistols. Adoro Deluxe Edition.

E por falar em edição comemorativa, tenho ouvido bastante o Slider, do T. Rex, que comprei quando era vendedor de discos -- um dos poucos que trouxe na bagagem. Adoro o cd bônus com o disco sendo tocado na versão acústica. É simplesmente arrepiante ouvir Main man e Ballrooms of Mars com Marc Bolan nos presenteando com emoção e rara beleza -- pretendo escrever em breve sobre o Slider e postar na seção Obra-Prima, merecidamente.

Dia do Rock é todo dia, eu sei. Esta pequena homenagem que estou fazendo ao menino traquino é, apenas, mais um motivo para a gente brindar e celebrar, também, mais um aniversário de Lico, meu filho. Vida longa ao meu guri do rock que está completando catorze anos de idade. Grande abraço, Liquinho!

Até a próxima.

P.S.: Hoje, eu acordei com a maior vontade de ouvir a minha banda punk preferida, ao lado dos Stooges de Iggy Pop, é claro.