domingo, 22 de julho de 2012

If you're feeling sinister.


Descobri o Belle and Sebastian em 1998 através de uma matéria publicada num jornal daqui de São Paulo. Na minha terra, as rádios insistiam em querer mostrar aos baianos que lá só tem pagode e Tchans, ou seja, só porcaria. Eu me isolava no meu apartamento, no centro da cidade, ao som do Belle, Mercury Rev, Gomez, Galaxie 500 e Radiohead. O Jesus and Mary Chain, minha banda do coração, havia lançado Munki, último registro da finíssima estirpe escocesa, só para abrilhantar ainda mais aquelas tardes perfeitas. Já ouvi muito "Você é estranho", de algumas mulheres. Acho que sou mesmo. "Sua alma é sofrida. Você não tem prazer em viver", disse-me uma amiga psicóloga. Certíssima. Não sinto mesmo e vivo fazendo de conta que está tudo bem.  Na maioria das vezes não consigo, pois as pessoas sacam e me intimam, mas acabam me deixando "na minha". Melhor assim. Meu sorriso, na maioria da vezes, é forçado. Momentos de felicidade são raros em minha existência. Não à toa, me identifico com seres como Ian Curtis, meu primeiro ídolo. Naquele ano, 1998, eu adorava beber vinho nas tardes de domingo em companhia de Tassinha, minha filha, que ficava desenhando ao meu lado, e Liquinho, meu guri que tinha vindo ao mundo recentemente, ficava no berço quietinho parecendo curti a atmosfera que emanava de dentro de casa. Mamãe Vivian com seus afazeres, não parecia se incomodar com o som. De vez em quando, ela pedia pra tocar um Robertão ou um Dylan, e eu, sem cerimônias, claro, trocava o disco para satisfazê-la. As crianças, quietas estavam, quietas ficavam. Hoje, bateu saudade e ouvi o Belle quando acordei. Que banda bacana. Suas canções beiram a perfeição. Ouvi o If you're feeling sinister. Sublime. Mas foi com The boy with the arab strap que eles me seduziram primeiro. Comprei uma edição americana na época. Pouca gente conhecia em Salvador. Evitava comentar com as pessoas, pois ouvia sempre "nunca ouvi" ou "não conheço". Normal. Conhecia pelo simples motivo de respirar música o tempo todo. De ser amante dela. Sou insaciável. Nem bem conheço uma banda, já corro atrás de outra que venha ocupar minha semana, às vezes, o mês. O ano. Os eternos ficam. Você que me lê desde os primeiros passos do blog, sabe muito bem quem são.

Até a próxima.
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