domingo, 30 de setembro de 2012

As Dez Mais do Mês.


1. ZZ Top - Over you;
2. Saco de Ratos - Balada do velho quarteirão (Video no post abaixo);
3. Saco de Ratos - Blues;
4. ZZ Top - It's too easy mañana;
5. Raveonettes - Seductress of Bums;
6. Iggy Pop -Lowdown;
7. Charles Bradley - How long;
8. Beth Gibbons - Tom the model;
9. Alabama Shakes - I found you;
10. Bob Dylan - Soon after midnight.

Saco de Ratos - Balada do Velho Quarteirão (sem edição).

sábado, 29 de setembro de 2012

Cinquenta anos do Marião Bortolotto.



Hoje é o aniversário do Marião Bortolotto. Cinquenta anos. Cinquenta anos de estripulias, de ideias que fazem estremecer até mesmo o mais perverso que habita o nosso inferno. Foi na porta do Damis que eu o conheci pessoalmente no ano passado quando aqui cheguei a passeio. Fiquei um fim de semana antes de seguir para a casa de minha mãe em Paranaguá. Tinha muita gente pra conhecer. O tempo era curto, então eu escolhi esse pouco tempo para conhecer o Marião. Cheguei e ele me reconheceu na hora - é que fazia um tempinho que a gente vinha se falando pela blogosfera e no Facebook. Na minha mão esquerda, um exemplar do livro DJ Canções para ouvir no inferno. Ele autografou: "Para o meu amigo Tarcísio Buenas, que no seu inferno não tenha axé". Então, eu disse "Sempre o axé". "Claro, se tu é baiano", retrucou. Brindamos. Mal sabíamos que aquele seria o primeiro de uma série que parece não acabar mais. Hoje é um dia especial. Especial porque ele tá fazendo cinquenta anos. Tenho certeza que o bar vai bombar. Vai bombar porque o cara merece. Merece a nossa presença em vê-lo realizar o sonho de cantar somente as canções do rei. Mário Bortolotto, um cara que sabe entrar e sair de qualquer lugar; sempre com sua elegância, paciência e a brodagem de sempre. Aprendi muito com ele. Com ele aprendi a ser paciente. A bater com luva de pelica. A de saber entrar e sair em qualquer lugar sem se esbarrar nas pessoas.

Parabéns, Marião. Que as letras continuem circulando livres em suas veias. E, por favor, continue andando pelo mesmo lado da calçada. Não atravesse.

Grande abraço,

Buenas.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Ok computer, você venceu (2).


Foi através do Ok Computer que o Radiohead -- nome tirado de uma música dos Talking Heads, banda ao qual Thom Yorke é fã --, mostrou ao mundo como seria a relação com a música nos anos seguintes. Eu adoro esse disco. Voltei a ouvi-lo depois que assisti o filme 2 Coelhos (altamente recomendado) e me lembrei do burburinho à época do lançamento. Eu ouvia muito Van Morrison, Neil Young, João Baez, Crosby, Stills, Nash & Young, Bob Dylan, Tracy Chapman, Roy Orbison, Nau, Arnaldo Baptista, Tom Waits, Nick Drake e o The Bends (disco anterior do Radiohead) e me surpreendi com a guinada que a banda estava dando. Um misto de rock progressivo -- leia-se King Crimson e Pink Floyd, explicitamente, Ummagumma), com Kraftwerk, só pra ficar nesses, com uma melancolia beirando ao desespero e compaixão. Ok computer, você venceu. A partir de agora a relação do consumidor com a música no formato físico já era. Acabou. Desista! Esses caras são porta-vozes de uma geração e é nessa seara que eu quero entrar. É impressionante como muita porcaria foi gravada em estúdios caseiros e lançadas para o mundo. Com o avanço da informática, qualquer moleque pode, hoje, gravar suas músicas no quintal de casa com seus amigos e em seguida disponibilizá-la para o planeta. Antigamente, existia o filtro das gravadoras e acho que por isso mesmo os amantes da música não tinham muito o que reclamar. Esses caras cantaram a pedra há quinze anos atrás. Com o anzol enfiado na garganta, os 'experts' no assunto resolveram voltar a popularizar os discos de vinil. Não acredito no sucesso dessa nova empreitada. O Radiohead enxergou como seria o futuro nos anos noventa e muito pouca gente sacou. Tá, tudo bem, continue acreditando no avanço dos bolachões e me deixe aqui quieto ouvindo OK Computer (full album) pelo Youtube. Ok? Cada um na sua.

Até a próxima.

P.S.: Eu continuo comprando discos e continuarei comprando pelo resto da minha vida. Sacou?

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

On The Rocks Recomenda.


La futura é um disco de rock. Sim, de rock, como há muito não se vê por aí. Está cada vez mais difícil encontrar um disco cru, certeiro e direto como esse. Rock na veia, caro leitor. Rock puro - mas com uma simples pitada de blues para incrementar o tempero. Melhor se permanecer fiel às suas origens do que ficar por aí gravando porcaria só pra soar moderninho. Ah, mas isso esses caras não vão fazer. Artistas do calibre desses texanos não vão dar o braço a torcer só para agradar os modernos. Está cada vez mais insuportável aturar os artistas da moda. Não vejo graça alguma em The XX, Animal Collective, Metric e similares. Eles fazem música insossa. São desprovidos de talento e fracos, assim como seu público. Não têm nada a dizer, por isso vão passar logo, logo.

Artistas como o ZZ Top já deixaram sua marca na história. Pode até parecer comentário de um blogueiro quarentão ranzinza, eu sei. Mas acredite em mim: dê um giro pelos sites e blogs sobre música que tem por aí e você vai constatar que essas bandinhas que citei, entre outras, são as que estão na crista da onda; e o pior: suas músicas são ruins, beirando ao lixo.

La futura, esse discaço - sério candidato a melhor disco de rock do ano - foi produzido por Rick Rubin e Billy Gibbons. Há nove anos que os texanos não apresentavam material inédito. Fico feliz com o seu retorno, assim como saber do segundo lançamento do Neil Young & Crazy Horse só neste ano - dessa vez com músicas inéditas. O disco é duplo e sairá em breve. Dylan já lançou o seu. Patti Smith e Leonard Cohen, também.

Jack White me parece um artista em sintonia com os mestres, pois ele é um dos poucos "novatos" que não deixam a peteca cair. Lee Ranaldo e Mark Lanegan, ok. Isto, sem falar no Alabama Shakes, a grande revelação do ano.

Só pra encerrar: postei o video de Over you, baladão que tem tirado minhas noites de sono, no Facebook, mas ninguém curtiu. Ninguém comentou. Mas eu não me incomodo. Gosto de ficar aqui ouvindo Over you no volume máximo do meu headphone nesse começo de primavera estranha. Estranha como tem sido as últimas estações do ano.

Até a próxima.

P.S: Veja o post abaixo com Over you, uma das minhas preferidas do La futura.

ZZ Top - Over you.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

À procura de uma camiseta do Iggy Pop.


Hoje à tarde, fui no correio postar o novo disco da Saco de Ratos pra minha amiga Michele que mora em Salvador. Chegando lá, me lembrei que tinha esquecido o disco em cima da cama. Ri de mim mesmo e saí à procura de uma camiseta do Iggy Pop na Galeria do Rock. Pô, entrei em várias lojas e não a encontrei. Aliás, somente uma, dos Stooges, preta, com uma estampa do iguana no palco, mas não tinha meu número. Uso P, às vezes, M. Sou magrinho. Você, meu amigo/amiga virtual, não sabe disso. Sou bem magrinho. Meu jeans samba no meu corpo. Não posso andar sem meu cinto porque corro o risco dele cair e me deixar na mão. Acontece que eu voltei pra casa sem minha camiseta. Ainda detonado de ontem, peguei A última casa do ópio de Nick Tosches, livro que comprei na Merça, e dei uma lida. É forte. Nick Tosches foi um jornalista rocker como não se faz mais (do calibre de Lester Bangs e Hunter S. Thompson). Não é impactante pra quem já leu Trópico de Câncer, mas é forte e isso me diz muito.

Quase esqueço de uma coisa: na primeira loja que entrei, perguntei se tinha a tal camiseta e o cara que estava no balcão disse "Não". "E do Lou Reed, você tem?". Então, ele veio com essa: "De gente diferente eu só tenho Zappa e Dylan". Ser diferente é foda.

Até a próxima.

P.S.: Esta crônica foi postada no Facebook, assim como as últimas postagens que fiz aqui.

sábado, 15 de setembro de 2012

Galeria.


Foi uma grata surpresa para mim conhecer o trabalho da artista plástica Françoise Nielly. Se você gostou e quiser conhecer mais o trabalho dela, acesse: http://www.francoise-nielly.com/index.php/galerie.

Até a próxima.

sábado, 8 de setembro de 2012

Pensando em você mais uma vez, Debbie.

(Debbie Harry).

Pensando em você mais uma vez, Debbie. Quero que você saiba que eu já esqueci Beatrice. Ela não bate como você. Fiquei te esperando na porta do seu prédio até tarde com o Marião. Sentido quando você passou e fingiu não me vê. Não me esnobe, Debbie, pois sei que seu coração é meu, pô. Saia dessa. Venha pro lado de cá. Esses caras com quem você anda vivem no salão de beleza fazendo as unhas, bebendo Martini com cereja pra enfeitar o copo. Eu corto minhas unhas com canivete e bebo do Jack Daniels do Marião pelos bares em companhia dos amigos fodásticos. Gabriel também estava comigo.  Meus amigos são melhores do que os seus. Eles me fizeram companhia nessa noite entre as mesas de um bar que insiste em não fechar por nossa causa. Bebendo com você na cabeça e os amigos ali comigo. Amigos são foda. Vocês, mulheres, "mentem da mesma forma como respiram", alguém escreveu antes. Concordo com o cara, eu queria ter escrito isso. As coisas ficam mais claras agora vivendo sozinho. Tenho mais tempo pra mim. Tempo pra beber mais e melhor. Tempo pra te ter aqui comigo.

Até a próxima.

domingo, 2 de setembro de 2012


Terra estrangeira é o filme do Walter Salles que eu mais gosto. Em 1995, ano em que o filme estreou, entrei para o teatro e vivia em cinemas, meu terceiro lar, ficando atrás somente da casa em que eu morava com minha mãe no Tororó, e as lojas de discos - sempre fui rato de loja de discos até mesmo quando comecei a trabalhar no ramo; mas aí frequentava algumas só por curiosidade, já que eu tinha o que quisesse nessas lojas em que trabalhei - principalmente na Flashpoint, porque a gente podia importar e ainda comprava pelo preço de custo. Pô, mas não era isso que eu queria falar. É sobre o filme. O melhor do Walter e um dos melhores do cinema nacional. Tudo funciona bem. Roteiro, interpretação, fotografia, direção e a trilha sonora. Adoro filme preto e branco. Me lembro saindo do cinema com os olhos rasos d'água. De beber uma cerva gelada no Boteco do Pedrinho que ficava em frente lá de casa. O velhinho Edgar sentado na porta sempre me recebendo com um enorme sorriso e apertando minha mão com maior prazer. Ele bebia todos os dias. Toda vez que eu voltava do colégio ele tava lá sentado sempre no mesmo lugar com a velha camisa branca de botão com bolso no lado esquerdo para guardar o cigarro. Minha mãe bebia com ele à noite quando chegava do trabalho. Os dois cuspiam grosso! Nessa época eu não bebia a quantidade que bebo hoje. A sensação que tenho é que estou bebendo cada vez mais. Mas não é verdade. O ansiolítico me faz beber menos. Com paciência, curto mais a cerva hoje do que em outros anos. Nunca gostei de misturar minha cerva com outras coisitas. Cerva forever. Quando assisti Terra estrangeira, já sabia da trilha sonora e estava ouvindo muito Gal Costa por causa da música Mãe que D. Ratão havia me apresentado em sua loja. Poucas vezes na minha vida uma música bateu com tamanha força do que esta. Caetano fez pra Gal gravar. Gravação esta tão impactante que me fez apoiar na parede da loja pra não cair. Eu, sinceramente, não me lembro de outro momento assim. Talvez, quando escutei Dylan pela primeira vez, ou o Jesus and Mary Chain, e até mesmo quando vi o video de Pretty vacant dos Sex Pistols. Paint it black dos Stones na abertura do filme Combate no Vietnã (acho que era esse o filme), também. Momentos raros e único. Mãe me arrebatou, e junto com Vapor barato, serviu de trilha sonora para uma época que deixou muita saudade em meu coração. Neste mesmo ano fui ao Rio assistir ao show dos Rolling Stones em companhia de Gil Bad Boy. Viajamos de ônibus. Uma vez na cidade maravilhosa, ele me levou pra conhecer o morro do Jacarezinho onde a irmã mais nova dele morava. Foi lá que mantive meu primeiro contato com dois traficantes de pó barra pesada e o seu produto não foi mero acaso. Não gosto de escrever sobre esse assunto. Não é bom. Já foi. Agora, não é mais. Bebi cachaça no balcão de um bar com os caras. Paguei a conta. Deixei claro que sou de paz e tava de passagem. Eles sacaram. Às vezes eu fico pensando nas coisas que já fiz na minha vida e tenho a ligeira impressão que não faria hoje o que fiz há muitos anos atrás. Não tenho mais pique, nem coragem. Que maluquice. Não à toa meus familiares dizem que não tenho juízo. Eles estão certo. Acho. Mas eu queria falar sobre o filme.

Até a próxima.