domingo, 2 de setembro de 2012


Terra estrangeira é o filme do Walter Salles que eu mais gosto. Em 1995, ano em que o filme estreou, entrei para o teatro e vivia em cinemas, meu terceiro lar, ficando atrás somente da casa em que eu morava com minha mãe no Tororó, e as lojas de discos - sempre fui rato de loja de discos até mesmo quando comecei a trabalhar no ramo; mas aí frequentava algumas só por curiosidade, já que eu tinha o que quisesse nessas lojas em que trabalhei - principalmente na Flashpoint, porque a gente podia importar e ainda comprava pelo preço de custo. Pô, mas não era isso que eu queria falar. É sobre o filme. O melhor do Walter e um dos melhores do cinema nacional. Tudo funciona bem. Roteiro, interpretação, fotografia, direção e a trilha sonora. Adoro filme preto e branco. Me lembro saindo do cinema com os olhos rasos d'água. De beber uma cerva gelada no Boteco do Pedrinho que ficava em frente lá de casa. O velhinho Edgar sentado na porta sempre me recebendo com um enorme sorriso e apertando minha mão com maior prazer. Ele bebia todos os dias. Toda vez que eu voltava do colégio ele tava lá sentado sempre no mesmo lugar com a velha camisa branca de botão com bolso no lado esquerdo para guardar o cigarro. Minha mãe bebia com ele à noite quando chegava do trabalho. Os dois cuspiam grosso! Nessa época eu não bebia a quantidade que bebo hoje. A sensação que tenho é que estou bebendo cada vez mais. Mas não é verdade. O ansiolítico me faz beber menos. Com paciência, curto mais a cerva hoje do que em outros anos. Nunca gostei de misturar minha cerva com outras coisitas. Cerva forever. Quando assisti Terra estrangeira, já sabia da trilha sonora e estava ouvindo muito Gal Costa por causa da música Mãe que D. Ratão havia me apresentado em sua loja. Poucas vezes na minha vida uma música bateu com tamanha força do que esta. Caetano fez pra Gal gravar. Gravação esta tão impactante que me fez apoiar na parede da loja pra não cair. Eu, sinceramente, não me lembro de outro momento assim. Talvez, quando escutei Dylan pela primeira vez, ou o Jesus and Mary Chain, e até mesmo quando vi o video de Pretty vacant dos Sex Pistols. Paint it black dos Stones na abertura do filme Combate no Vietnã (acho que era esse o filme), também. Momentos raros e único. Mãe me arrebatou, e junto com Vapor barato, serviu de trilha sonora para uma época que deixou muita saudade em meu coração. Neste mesmo ano fui ao Rio assistir ao show dos Rolling Stones em companhia de Gil Bad Boy. Viajamos de ônibus. Uma vez na cidade maravilhosa, ele me levou pra conhecer o morro do Jacarezinho onde a irmã mais nova dele morava. Foi lá que mantive meu primeiro contato com dois traficantes de pó barra pesada e o seu produto não foi mero acaso. Não gosto de escrever sobre esse assunto. Não é bom. Já foi. Agora, não é mais. Bebi cachaça no balcão de um bar com os caras. Paguei a conta. Deixei claro que sou de paz e tava de passagem. Eles sacaram. Às vezes eu fico pensando nas coisas que já fiz na minha vida e tenho a ligeira impressão que não faria hoje o que fiz há muitos anos atrás. Não tenho mais pique, nem coragem. Que maluquice. Não à toa meus familiares dizem que não tenho juízo. Eles estão certo. Acho. Mas eu queria falar sobre o filme.

Até a próxima.
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