sexta-feira, 30 de novembro de 2012

As Dez Mais do Mês.


1. Paul Banks - Summertime is coming;
2. Richard Hawley - Some candy Talking;
3. Grizzly Bear - Sleeping ute;
4. Renato Godá - Como vai você?
5. The Futchers - Go!
6. Morphine - The night;
7. John Cale - Mary;
8. Tim Maia - Sofre;
9. Pulp - Sylvia;
10. Pulp - Disco 2000.

Pulp - Disco 2000.

domingo, 25 de novembro de 2012

Doces ratinhos.


Poema de Marcolino da Anunciação Filho, poeta brasileiro nascido no Pará em 1955. Morreu afogado no oceano Atlântico em 1986.

hoje fez uma bela manhã de domingo
os ratinhos daqui do meu prédio circulavam tranquilamente pelo playground se esbarrando docemente nas crianças com seus gatinhos encoleirados e angustiados

na hora da merenda, os ratinhos serviram os gatinhos encoleirados e angustiados com doses cavalares de suco de framboesa e veneno dentro da validade

os passarinhos engaiolados cantavam desafinados observando os urubus bicando a cabeça de um bebezinho em frente ao portão do playground onde as crianças eram devoradas por seus gatinhos encoleirados e angustiados com uma plateia repleta de ratinhos felizes e comilões

os urubus eram de uma beleza ímpar: "singular", e eu aqui espremido entre as paredes desse elevador parado bem no meio da minha cintura.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Você não precisa entender.


Ainda resta um gole do Jack do gordinho. Fiz questão te trazer comigo a passos lentos do Marajá onde você não está mais. Senti um alívio dos seus colegas de trabalho ao comunicar seu afastamento. Minha paciência está se esgotando. Nunca fiquei tanto tempo atrás de uma mulher. Nunca. Lá se vão dois meses que você prometeu o encontro dos nossos sonhos sorrindo na minha cara com esses bracinhos abertos em cima do Itália. Eu tava lá nesta madrugada felina à sua procura. Por pouco não beijei Beatrice na boca. Senti sua saliva no cantinho como aquela menina, a loirinha, me confundindo. Eu enxergo Kerouac melhor hoje do que quando tinha dezessete anos de idade. Vejo ternura em sua escrita que naquela época passou despercebido porque eu era selvagem e o que importa é o que sai de dentro e não como elas são. A minha percepção de mundo é diferente da sua que imagino seja esperançosa. Eu não tenho esperança de nada. Esse papo das coisas se arrumarem não é comigo. Eu tô quase desistindo de você. Só mais hoje e amanhã, talvez, e nunca mais olharei nos seus olhos. Prometo. Dois meses é muito pra mim e minha paciência está se esgotando. Minha paquerinha pisa porque ela sabe que é única. Perdi o show da Angela Ro Ro por incompetência. Ainda resta um gole do Jack do gordinho aqui comigo e nem quero saber mais de você. Aliás, só hoje e amanhã e nunca mais olharei nos seus olhos. Pouco me importa a peça do Antunes e nem sei se quero mais olhar em seus olhos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O poder que a música ainda exerce em minha vida.


O bardo britânico Richard Hawley, meu cantor preferido surgido no cenário mundial nos últimos quinze anos, que inclusive já tocou com o Pulp -- banda do não menos brilhante Jarvis Cocker -- antes de partir pra carreira solo, cantando Some candy talking do The Jesus and Mary Chain me levou a tomar outra decisão nesta véspera fria de feriado aqui na selva de pedra. Eu havia decidido que ia ficar em casa lendo os contos do Raymond Carver que está mexendo muito comigo ultimamente, mas antes de pegar o livro, dei uma entrada no Facebook pra olhar o feed de notícias e eis que me deparo com um video do Hawley. Daí me lembrei que ele gravou uma versão de Some candy talking dos irmãos Reid, então resolvi entrar no youtube, e lá se foi minha noite de leituras. Eu sou besta, viu? Bateu uma vontade de beber uma cerva e vasculhar mais videos por aqui. A empolgação é tanta que vou ali na Roosevelt encontrar a turma para uns brindes. Adoro Hawley, e aproveito pra dizer que essa versão ficou ótima. Matadora. É, acho que vou sair de casa nessa noite fria de uma véspera de feriado.

Até a próxima.

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Richard Hawley - Some Candy Talking.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

a desolação de Debbie.


acordei com este texto na cabeça, Debbie. tem algo estranho acontecendo: faz três dias que não tomo minha medicação e às oito da matina eu estava em pé escovando os dentes. às vezes penso que sua desolação é minha também. ontem, começou o segundo módulo do curso do Willer (desta vez só Allen Ginsberg). sempre tive a impressão de conhecer mais sobre o Ginsberg do que sobre o Kerouac, mas me enganei. eu sei muito mais sobre o rei dos beats e não sabia. terminei o Big Sur e já comecei a biografia que a Ann Charters escreveu sobre o escritor mais terno que conheço. sabe o que é, Debbie? o meu sonho é unir a escrita carregada de emoção e melancolia de John Fante com a crueza da prosa do Henry Miller em meio a espontaneidade e ternura do Jack Kerouac. isso pra mim é muito. mas sei também que o meu muito é o pouco de muitos. parece que meu livro será, finalmente, lançado no próximo ano. uma editora daqui de SP se interessou pelos meus escritos. agora, só falta a gente sentar pra conversar. 18 de maio, quanto tens por dizer... sairá no formato pocket. são textos e poemas escritos ao longo de quatro anos desde que fui deportado de Londres e, por conta disso, pra não pirar por ver meu sonho de adolescente ir por água abaixo, montei meus blogs após assistir Quase famosos e o que mais mexeu comigo foram os conselhos que o Lester Bangs dá pro jovem aspirante a jornalista. daí me lembrei que as pessoas se divertem quando digo que sou um blogueiro aspirante a escritor. pode rir, eu não ligo. no livro terá textos inéditos, também. não será apenas uma compilação. vou estender minha autobiografia em versos postada no On The Rocks em maio de 2009 e transformarei em um poema quilométrico semelhante ao do Lawrence Ferlinghetti. foi por causa dele que resolvi dar este formato à minha autobiografia e muita gente pensando que eu me inspirei na do Novos Baianos ou teria sido de Moraes Moreira? não me lembro. que derrota ter que escrever estes nomes maculando meu texto. tem uma coisa que eu queria me lembrar mas não tô conseguindo. ah, alguém me disse que minha lista com os melhores discos da minha coleção são melhores do que as da Rolling Stone e uma outra disse que eu mando cada paulada nos meus escritos que é de arrepiar. mas eu lembro quem me disse isso. foi uma gata semelhante a você. talvez ela tenha razão. quero que você saiba que eu só vou postar este texto aqui porque sou cara-de-pau e gosto de pensar que um blogueiro aspirante a escritor tem que ser, não é mesmo? às vezes sou tolo em mostrar certas coisas pros meus amigos. talvez seja pelo horário. acordar cedo não é comigo. sinto-me estranho. deve ser por isso que este texto é tão fraco. não sei. talvez. minha garganta voltou a me incomodar, mas não se preocupe, não é nada grave. acredito. vou ao médico mais tarde. vou dizer a ele que quero fazer um exame porque o xarope eu já comprei. vou parar por aqui. é que não comprei a mesinha ainda e comecei a escrever sentado na almofada ao lado da minha cama, mas como me empolgo toda vez que escrevo, fico de joelhos e estes tão começando a doer. pera aí que eu vou abrir a porta da sacada. tá começando a esquentar e o calor mexe com meu humor, que já não é dos melhores. sei que você gostou dessa.

perdi dois quilos em duas semanas. meu horário tá todo desorganizado. tenho tomado café às duas da tarde e almoçado à noite. janta? só a partir da meia-noite. assim não dá, isto sem falar que não como nada quando saio pra beber. aliás, só na volta quando a gente para no Marajá ou no Estadão. Debbie, fico por aqui. não gostei desse texto. este não sairá no meu livro. fique bem. beijo, 

Buenas.

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Como é mesmo que se bate?


Aconteceu na sexta-feira em frente a um bar que costumo frequentar aqui em SP. Um imbecil "amigo" da turma chegou em mim pedindo um gole da minha cerva e me questionou por que eu dei um gole pra minha amiga Juli e não pra ele. Eu disse "claro", sorrindo, e voltei pro meu lugar. O cara saiu de onde ele tava e, parado em minha frente com os punhos fechados, ameaçou a me bater dizendo coisas do tipo "você não tem culhões", "Você é um merda"... coisas do tipo dele. Diferente de mim que vivo cercado de amigos que gostam e me admiram (disso eu sei), mas o imbecil não tem a quantidade de amigos que eu e, pelo que percebi, não é do tipo que deixa saudade por onde passa. Diferente de mim. Então naquele exato momento, pensei aflito: "Como é mesmo que se bate?", e o cara furioso na minha frente. Lembro que a última vez que eu briguei foi nos anos oitenta pra defender meu irmão. Sempre defendendo ele. Eu devia ter uns quatorze/quinze anos de idade. Hoje, tô com quarenta e nem sei mais sair na mão com ninguém. Acontece que eu decidi me afastar desse bar por uns tempos. Vou lá a qualquer momento pagar minha conta e ficar um pouco distante. Fico sentido porque as pessoas que eu gosto e admiro frequentam este bar; inclusive o chefe dessa turma que é uma pessoa que eu admiro muito. É que o imbecil que me refiro anda lá direto e acho melhor eu ficar por aqui na minha. Minha sorte foi que meu amigo Bad boy beat tomou a frente e afastou ele de mim. Amigo este que também vou sentir falta. Como se não bastasse ficar sentido em me afastar dessas pessoas que tanto gosto, minha paquerinha anda por lá e isso talvez complique as coisas. Mas eu vou dar um jeito. Quando fico afim de uma menina, eu sempre dou um jeito.

Mas como é mesmo que se bate?

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sábado, 3 de novembro de 2012

Foi através do Rock in Rio, o primeiro, de 1985, que eu conheci o AC/DC...


Foi através do Rock in Rio, o primeiro, de 1985, que eu conheci o AC/DC e curti na hora, assim como outras bandas de rock pesado que tocaram no festival. Até então só ouvia o rock produzido no Brasil e os que tocavam no carro de Perigo, o motorista black power que levava eu e meu irmão pra escolinha Au Au -- já escrevi sobre ele aqui. Era só meus avós saírem (sim, fui criado com vó; pode rir, eu não ligo) pra gente (eu e meu amigo Fabrício Silva) botar os discos do AC/DC pra tocar junto com os de Jimi Hendrix, Led Zeppelin e Iron Maiden. A gente incendiava a casa. Era foda. Dois moleques (tínhamos 12 anos de idade), se matando pra fazer air guitar com as camisas amarradas na cabeça pra fazer de conta que nossos cabelos eram iguais aos dos caras. Let there be rock era o nosso álbum preferido. Até hoje não sei por que as caixas de som não queimaram. Lembro que era um National com a frente preta e luzinhas azuis. As tardes eram longas. Não existia Facebook, nem blogosfera. Se a gente quisesse entrar em contato com um amigo tinha que ligar pro cara ou então ir até a casa dele. Se a gente quisesse paquerar uma menina tinha que ir até a casa dela "passando sem querer" pela frente ou queixar na escola mesmo. Não foram poucos os bilhetes que escrevi pra Helena, minha paquerinha da quinta série, e devo dizer que o irmão dela era um pentelho da zorra! Pô, o cara não saía de perto da irmã e ainda iam juntos pra casa sem dar vez pro Bueninhas. Mas como tinha outras meninas tão lindas quanto Helena, eu deixava pra lá. Aliás, eu continuo o mesmo. Até hoje é assim. Quando eu tô paquerando uma menina no Facebook e ela faz doce, eu parto pra outra. Mulher que faz doce é foda e eu sou diabético, então eu era um capeta e adorava chutar o balde naquela época. Uma vez, tia Anna me botou de castigo proibindo de ir nadar no clube Laranjeiras com meu irmão e primos. Não deu outra: arrombei o portão da garagem e saí correndo mesmo sabendo que quando voltasse iria levar um puxão de orelha. Eu não pensava nas consequências -- o que não mudou muito com o passar dos anos. Devo tudo isso à perda do meu pai com vinte e três anos de idade. Acho que foi por isso que cresci revoltado. Eu tinha dois anos de idade quando ele faleceu e cresci ouvindo a história do terrível acidente de carro que tirou sua vida. Deve ser por isso que cresci sendo paparicado. Deve ser por isso que não consigo viver sem dormonid e rivotril. Deve ser por isso que não tenho paciência pra suportar o doce da mulherada. Deve ser por isso que eu não faço questão de estar aqui. 

Até a próxima.

P.S.: Tem post novo na La Verga Del Buenas, meu blog de poemas e crônicas eróticas. Acesse: www.lavergadelbuenas.blogspot.com.