sábado, 3 de novembro de 2012

Foi através do Rock in Rio, o primeiro, de 1985, que eu conheci o AC/DC...


Foi através do Rock in Rio, o primeiro, de 1985, que eu conheci o AC/DC e curti na hora, assim como outras bandas de rock pesado que tocaram no festival. Até então só ouvia o rock produzido no Brasil e os que tocavam no carro de Perigo, o motorista black power que levava eu e meu irmão pra escolinha Au Au -- já escrevi sobre ele aqui. Era só meus avós saírem (sim, fui criado com vó; pode rir, eu não ligo) pra gente (eu e meu amigo Fabrício Silva) botar os discos do AC/DC pra tocar junto com os de Jimi Hendrix, Led Zeppelin e Iron Maiden. A gente incendiava a casa. Era foda. Dois moleques (tínhamos 12 anos de idade), se matando pra fazer air guitar com as camisas amarradas na cabeça pra fazer de conta que nossos cabelos eram iguais aos dos caras. Let there be rock era o nosso álbum preferido. Até hoje não sei por que as caixas de som não queimaram. Lembro que era um National com a frente preta e luzinhas azuis. As tardes eram longas. Não existia Facebook, nem blogosfera. Se a gente quisesse entrar em contato com um amigo tinha que ligar pro cara ou então ir até a casa dele. Se a gente quisesse paquerar uma menina tinha que ir até a casa dela "passando sem querer" pela frente ou queixar na escola mesmo. Não foram poucos os bilhetes que escrevi pra Helena, minha paquerinha da quinta série, e devo dizer que o irmão dela era um pentelho da zorra! Pô, o cara não saía de perto da irmã e ainda iam juntos pra casa sem dar vez pro Bueninhas. Mas como tinha outras meninas tão lindas quanto Helena, eu deixava pra lá. Aliás, eu continuo o mesmo. Até hoje é assim. Quando eu tô paquerando uma menina no Facebook e ela faz doce, eu parto pra outra. Mulher que faz doce é foda e eu sou diabético, então eu era um capeta e adorava chutar o balde naquela época. Uma vez, tia Anna me botou de castigo proibindo de ir nadar no clube Laranjeiras com meu irmão e primos. Não deu outra: arrombei o portão da garagem e saí correndo mesmo sabendo que quando voltasse iria levar um puxão de orelha. Eu não pensava nas consequências -- o que não mudou muito com o passar dos anos. Devo tudo isso à perda do meu pai com vinte e três anos de idade. Acho que foi por isso que cresci revoltado. Eu tinha dois anos de idade quando ele faleceu e cresci ouvindo a história do terrível acidente de carro que tirou sua vida. Deve ser por isso que cresci sendo paparicado. Deve ser por isso que não consigo viver sem dormonid e rivotril. Deve ser por isso que não tenho paciência pra suportar o doce da mulherada. Deve ser por isso que eu não faço questão de estar aqui. 

Até a próxima.

P.S.: Tem post novo na La Verga Del Buenas, meu blog de poemas e crônicas eróticas. Acesse: www.lavergadelbuenas.blogspot.com.

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