segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Você não precisa entender.


Ainda resta um gole do Jack do gordinho. Fiz questão te trazer comigo a passos lentos do Marajá onde você não está mais. Senti um alívio dos seus colegas de trabalho ao comunicar seu afastamento. Minha paciência está se esgotando. Nunca fiquei tanto tempo atrás de uma mulher. Nunca. Lá se vão dois meses que você prometeu o encontro dos nossos sonhos sorrindo na minha cara com esses bracinhos abertos em cima do Itália. Eu tava lá nesta madrugada felina à sua procura. Por pouco não beijei Beatrice na boca. Senti sua saliva no cantinho como aquela menina, a loirinha, me confundindo. Eu enxergo Kerouac melhor hoje do que quando tinha dezessete anos de idade. Vejo ternura em sua escrita que naquela época passou despercebido porque eu era selvagem e o que importa é o que sai de dentro e não como elas são. A minha percepção de mundo é diferente da sua que imagino seja esperançosa. Eu não tenho esperança de nada. Esse papo das coisas se arrumarem não é comigo. Eu tô quase desistindo de você. Só mais hoje e amanhã, talvez, e nunca mais olharei nos seus olhos. Prometo. Dois meses é muito pra mim e minha paciência está se esgotando. Minha paquerinha pisa porque ela sabe que é única. Perdi o show da Angela Ro Ro por incompetência. Ainda resta um gole do Jack do gordinho aqui comigo e nem quero saber mais de você. Aliás, só hoje e amanhã e nunca mais olharei nos seus olhos. Pouco me importa a peça do Antunes e nem sei se quero mais olhar em seus olhos.

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