sábado, 29 de dezembro de 2012

Obra-Prima.


Eu sempre tive o hábito de passar os domingos em casa. Nunca gostei de visitar alguém, nem de ser visitado. Principalmente quando é visita surpresa. Nunca bata em minha porta e venha com essa: "Surpresa, Buenas!". Por favor. Meu humor, que não é dos melhores, vai piorar. Não gostei de ir à praia (aliás, gostava quando eu era criança e minha mãe levava a gente, eu e meu irmão, pra pescar no Farol da Barra) nem ao shopping. Praia, só no fim de tarde quando o sol está bem fraquinho e as pessoas, a maioria, já foram embora. Assim que eu gosto. De beber minha cerva sossegado em companhia de quem vale a pena. Aqueles que não se incomodam com meus hábitos pouco convencionais. Os que não me chamam de louco. Sou louco, pra uns, por fazer o que vale a pena pra ser feliz. Daí a incompreensão. Então eu gosto de ficar em casa assistindo uns documentários e ouvindo música bebendo minhas cervas. Ou vinho. Depende do tempo lá fora. O que faz a diferença aqui dentro. Depende. Tudo depende. Dos discos que eu gosto de ouvir quando a cerva sobe pro juízo é o primeiro do Barão Vermelho. Um disco de rock tosco gravado em quatro canais. Ou será oito? Não me lembro. É nesse que tem Down em mim, Billy negão, Por aí, Rock em geral, Ponto fraco, Todo amor que houver nessa vida, entre outras loucuras com Cajú berrando poesia crua. Visceral. Intensa. Muito foda esse "filhinho-de-papai da zona sul". É assim que os detratores de Cazuza o chamam para denegrir a sua imagem. Seu talento. Deve ser mesmo um incômodo pros babacas ser rico, rocker e poeta talentoso com muita grana pra gastar. Nunca entendi por quê o poeta tem que ser o pobre fodido de bolso. O que vaga por aí trabalhando em troca de comida e bebida. De um lugar pra dormir (essas coisas que falam sobre o poeta marginal). Um poeta marginal pode morar na cobertura do Leblon. Frequentar grandes festas nos endereços mais quentes e não ser babaca como Lobão, que é só blá blá blá. Só discurso. Marcelo Nova é filho de médico e nem por isso cantou em cima de trio elétrico "vamos sair do chão, galera". Bem, a história desse cara você conhece. De Raul Seixas e Renato Russo, também. O primeiro disco do Barão é uma obra-prima. Isto se deve em boa parte ao talentoso poeta Cajú e seu canto escrachado. Rebelde. Mais um filhinho-de-papai a deixar sua marca indelével em nossas vidas. Em nossa história. Sempre tardão da noite esse disco toca em meus domingos encharcado de cervas e amor. Muito amor.

Até a próxima.
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