terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Melhores do Ano (2ª parte).



Nacionais.

Banda - Fábrica de Animais.
Banda Revelação - The Gins!

Clip.

The Gins! - The couple.
Saco de Ratos - Vulgar.

Capa.

The Gins! - Meet The Gins!

Shows.

The Honkers em Salvador (maio).
The Gins! em Cruz das Almas (junho).

Músicas.

5) Os Elefantes Elegantes - O dia mais triste do ano.
4) Renato Godá - Jogo.
3) The Gins! - But if she leaves me.
2) Wander Wildner - Mocochinchi.
1) Eron Falbo - You don't know your interest lies.

Discos.

5) Marcelo Nova - 12 fêmeas.
CH Straatman - Efecto vertigo.
4) Nei Lisboa - A vida inteira.
3) Wander Wildner y sus Comancheros - Mocochinchi folksom.
2) Eron Falbo - 73.
1) The Gins! - Meet The Gins! (Para audição: https://soundcloud.com/the-gins).

Internacionais.

Banda - The Strokes.
Banda Revelação - Foxygen.

Cilp.

Elephant - Skyscrapper.
Nick Cave - Jubilee street.

Capa.

House of Love - She paints words in red.

Shows.

Lee Ranaldo no SESC Pompéia.
Bob Mould no SESC Pompéia.
Mão Morta na Av. São João (Virada Cultural).

Músicas.

5) Nick Cave - We no who UR.
4) Kings of Leon - Don't matter.
3) Foxygen - No destruction.
2) Dean Wareham - Love is colder than death.
1) Queens of The Stone Age - I sat by the ocean.

Discos.

10) Charles Bradley - Victim of love.
09) The Hillbilly Moon Explosion - Damn right honey!
08) Mark Lanegan - Imitations.
07) David Bowie - The next day.
06) Foxygen - We are the 21st century ambassadors of peace and magic.
05) Chelsea Light Moving.
04) Queens of The Stone Age - ... Like a clockwork.
03) House of Love - She paints words in red.
02) Nick Cave - Push the sky away.
01) Mazzy Star - Seasons of your day.

Desejo a todos um Feliz Ano Novo.

Até a próxima.




segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Galeria.


Uma prévia do Melhores do Ano (2ª parte).


Todo final de ano quando sento pra preparar a lista com os melhores do ano pro On The Rocks tenho sempre a mesma dificuldade: escolher os melhores discos nacionais. Dessa vez tá um pouco diferente -- é que eu tenho certeza dos escolhidos pros dois primeiros lugares. Rock cantado em inglês soa melhor e o eixo Rio-São Paulo pouco me disse neste ano. Bahia e Goiás despontaram na frente com os melhores discos. Sim, na Bahia tem muito rock dos bons e você não sabe (me orgulho de ter a honra de ser brother dos meus conterrâneos que fizeram as melhores canções de um ano que está prestes a cair fora). Dos veteranos, Nei Lisboa mandou muito bem (de novo) e é claro que tá na lista. Ando sem paciência pra ouvir hypes -- as bandas da vez. O M B V, do My Bloody Valentine, é um disco morno. Não me empolgou. Quem voltou em grande estilo mesmo foi o Mazzy Star -- banda da bela Hope Sandoval.

Com o sol batendo forte em minhas costas e essa sensação terrível que as ressacas me dão (somente elas são responsáveis por momentos como esses), fico por aqui tentando terminar essa lista que sai amanhã em meio a um clima quente e insuportável e aquela pequena dose de otimismo esperando pelo frio. Quase em vão.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Dangerous Glitter.

(Edie Sedgwick).

"Edie e Warhol brigaram no final de 1965, e ela exigiu que as cenas que filmara para Chelsea Girls fossem cortadas (as cenas foram substituídas por outra, estrelada por Nico). Na sequência ela começou a se relacionar com Bob Dylan, que fez para Edie as canções "Just like a woman", "Leopard-Skin pill-box hat" e, segundo alguns pesquisadores, "Like a rolling stone". A relação foi bem até ela descobrir, através de Andy Warhol, que Dylan se casaria, em segredo, com Sara Lownds. Depois disso, Edie afundou numa triste sucessão de problemas com drogas, polícia, álcool e internações em hospitais psiquiátricos. Morreu em 16 de novembro de 1971, vítima de uma combinação de barbitúricos e bebida alcoólica".

Do livro Dangerous Glitter - Como David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop foram ao inferno e salvaram o rock 'n' roll. Escrito por Dave Thompson.

Até a próxima.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

cana na mesa de tapete verde.


A revista virtual "mallarmargens" postou hoje meu texto "cana na mesa de tapete verde". Este, está no meu livro "18 de maio, quanto tens por dizer..." que será lançado em um futuro não muito distante daqui. Eis o link:

http://www.mallarmargens.com/2013/12/cana-na-mesa-de-tapete-verde.html

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Melhores do Ano (1ª parte).


Eis os melhores livros que eu li em 2013 (independente do ano de lançamento).

10) Márcio Américo - Meninos de kichute;

09) Sérgio Melo - Inimigo em testamento;

08) Daniel Lopes - Pianista boxeador;

07) Roberto Bolaño - Putas assassinas;

06) João Antônio - Leão-de-chácara;

05) Edward Bunker - Nem os mais ferozes;

04) Charles Bukowski - Amor é tudo aquilo que nós dissemos que não era;

03) Dave Thompson - Dangerous glitter: como David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop foram ao inferno e salvaram o rock 'n' roll;

02) Jack Kerouac - Visões de Gerard;

01) Geoff Dyer - Todo aquele jazz.

* * * 

Desses, tem três livros que ainda não terminei e o Dangerous glitter, um dos poucos presentes de Natal que ganhei até agora, nem bem comecei; mas pelo pouco que li, não tenho dúvida de que o planeta viu nascer há pouco mais uma obra-prima sobre música. Sempre achei que esses caras (Bowie, Reed e Pop) foram determinantes no que diz respeito a revolução no rock. A leitura é prazerosa e as fotos são demais. Ótimo.

Só mais uma coisa: se você é amante (como diria o reverendo Massari) dos bons sons, leia Todo aquele jazz, uma mescla de ensaio e ficção do Geoff Dyer -- outra obra-prima que o planeta viu nascer recentemente.

No mais, felicidades.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Keith, 70 anos!


Keith Richards, meu guitarrista preferido, o cara que empurra Mick Jagger pra mostrar ao mundo o maior espetáculo da terra, está completando hoje setenta anos. Se você já assistiu um show desses caras (eu já) sabe do que estou falando. E o maior espetáculo é deles com Keith empurrando Mick pra fazer a cabeça de milhares de fãs espalhados pelo planeta.

Observe neste video como as coisas funcionam: Keith dá o start e o resto você deve saber. Fodástico!

Acesse: http://www.youtube.com/watch?v=heKG-qS-Xtg&hd=1.

sábado, 14 de dezembro de 2013

On The Rocks Recomenda.


O álbum Innocence & Despair do Langley Schools Music Project foi gravado por crianças do coral de uma igreja da zona rural do Canadá em 1976 com relançamento em 2001. No repertório, clássicos dos Beatles, Beach Boys, David Bowie e Paul McCartney, entre outros. O resultado é tocante -- destaque para as versões de Space oddity e Band on the run.


Até a próxima.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

(Cartaz: Guilherme "Sugar" Junqueira).

Rumble fish (peixe de briga), do livro da Susan Hinton, com direção de Francis Ford Coppola, é a atração de hoje do Cinetério. Começa 23:15h. A pipoca é por conta da casa e a entrada é franca.

O selvagem da motocicleta, como é conhecido no Brasil, é um dos meus filmes predileto. Me lembro de quando eu era adolescente e vivia defendendo meu irmão que é mais novo do que eu. O moleque não podia chegar em casa apanhado que eu imediatamente partia pra cima dos caras. Derrubei vários e não me arrependo. Até um namorado que minha mãe tinha sobrou uma vez: é que eu quase arranco o dedo dele quando este tentou me enforcar em seu escritório. Você deve tá pensando que eu sou valente ou fodão (coisas desse tipo) -- não sou. Hoje, não. Mas até os meus dezesseis/dezessete anos de idade eu era o capeta. Saía pra mão facilmente. Era só mexerem com meus entes queridos que este ser que vos escreve virava um fera. Imagine um taurino com lua em leão furioso. É por aí. Acontece que o tempo passou e eu não sou mais o mesmo. E nem é só por isso que eu tenho este filme como dos maiores que já assisti. Tem o lance da interpretação do Mickey Rourke, e do Matt Dillon em começo de carreira. Quando comecei minha infrutífera carreira de ator, meu amigo Nelsinho Magalhães costumava dizer que eu parecia com o Dillon (eu nunca achei que fôssemos parecidos), mas eu gostava e sabia que ele tava de sacanagem. Devia está -- e tem também o clima noir (o filme é em preto e branco).

Clássico cult dos anos oitenta, este filme é a grande pedida pra hoje à noite. Já assisti três vezes. E vou assistir de novo. Atentamente. E devo dizer que o final é de cortar o coração.

Até a próxima.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Buenas Radio - nº 14.

Buenas Radio - n° 14. by Tarcísio Buenas. on Grooveshark

08 de dezembro de 1980.


08 de dezembro de 1980. eu tava em frente à tv assistindo o jornal nacional quando o repórter falou sobre a morte de Lennon. então, com oito anos de idade, perguntei às pessoas que estavam na sala quem era o cara: "ah, é aquele cantor dos Beatles". "Beatles!? Beatles!?" aquele nome reverberou em minha mente durante longos dias. longas semanas. minha curiosidade só deu por vencida quando meu padrasto chegou em casa com a coletânea Beatles forever. aí sim: eu soube quem era o artista que, ao lado de mais três seres iluminados, mexeram com a cabeça de muitos jovens espalhados pelo planeta. e eu, um guri com apenas oito anos, sentado na almofada da casa de minha mãe achando tudo aquilo lindo. ouvindo atentamente cada canção com os olhos rasos d´água. "oh, minha estrela amiga, por que você não fez a bala parar?". sim, estrela amiga: por que? o idiota continua preso até hoje. eu, sinceramente, não tenho pena. desejo que ele pague por tudo -- mesmo assim ainda será pouco. mas quem sou eu pra julgar? que os deuses intervenham. julgue-o. e se tiver de ser absolvido, que assim seja. sob o olhar de uma criança, aquele momento foi um divisor de águas. daquele momento em diante, eu não seria mais o mesmo. as canções, reportagens e entrevistas que acompanhei ao longo da minha vida, fizeram a diferença e eu nunca mais fui o mesmo.

fico por aqui tentando terminar esse texto preguiçoso e desajeitado. descoordenado. desses que a emoção quer predominar, mas falta técnica pra torná-lo preciso e enxuto.

enxugando as lágrimas na manga da velha camiseta estampando o rosto de quatro caras, não me resta mais nada a fazer.

Até a próxima.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sinatra é Deus.


No mundo da música só existe um Deus. E este chama-se: Frank Sinatra. Deus, este ser onipresente, costuma ser o nome dos ídolos de muitos dos meus amigos. Tem até amigo sendo chamado de Deus. Mas no meu mundo, que é de um autista por opção, Sinatra é um ser supremo. Pra falar a verdade, eu nem sei muito sobre sua vida. Suas manias, vícios e costumes -- coisas desse tipo. Simplesmente sinto um troço estranho quando ouço sua impecável voz em um estilo único de cantar. Sublime é a palavra. Voz e estilo. Admirável. Devo está ganhando no Natal a sua biografia. De posse do livro, vou adentrar o universo desse cara que admiro há muitos anos. Sinatra me faz lembrar Nelson Gonçalves e das manhãs em que meu avós o ouviam sentados em suas confortáveis poltronas antes do almoço. Naquele tempo, os casais ouviam músicas juntos e se dedicavam muito ao outro. Ao contrário dos dias que escorrem.

Em 2008, em um dos meus primeiros posts no blog La Verga Del Buenas, escrevi um texto e ilustrei o post com a capa do ótimo In the wee small hours, disco este que está a caminho da minha coleção em uma edição remasterizada.

Cada um tem o seu Deus. Discutir este assunto é o mesmo que discutir religião; ou seja, não dá em nada. Talvez, em inimizades. Como no futebol. Ou política, até. O fim.

O meu In the wee small hours está a caminho. A biografia, também (assim espero). E o meus Deus é único. Este chama-se: Frank Sinatra.

Até a próxima.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Obra-Prima.


Serge Gainsbourg - Histoire de Melody Nelson (1971).

Nunca mais escrevi pra Jane Birkin. Tava pensando nisso ontem à noite na porta do teatro encostado na parede e bebendo vinho. Voltei a beber vinho. Tinto. É que com o "sangue de jesus" correndo livre em minhas veias, eu consigo ter uma noção melhor das coisas e evito uma ressaca moral no dia seguinte. Ressaca moral é a pior; e as minhas são violentas. Ou como diria Reinaldo Moraes: "Não tenho mais ressaca. Eu morro mesmo".

É verdade que ela não tá merecendo um texto dos que eu costumava escrever pra ela. Então, bebendo um vinho depois de ter assistido a peça Borrasca, com texto e direção do meu amigo Mário Bortolotto, à meia-noite (hoje tem mais), me lembrei quando um dos personagens disse um troço mais ou menos assim: "Não existe ciúme. O ciúme nada mais é do que a sensação de perda que fica. A derrota". Acho que é isso. E deve ser esta sensação de derrota que me acomete quando penso em Jane. E por isso mesmo não escrevo mais pra ela.

Até a próxima.

sábado, 16 de novembro de 2013

Tião, o cara dos filmes.


Esse cara é o responsável pelos filmes que tenho assistido nas últimas semanas. É que eu não me lembro mais do roteiro de muitos filmes que assisti há mais de 15 anos atrás; então, encomendo com o Tião. Ele tem uma banquinha na Praça Roosevelt em frente à Tabacaria. Sempre sorridente, de uma simpatia fora do comum, Tião é o cara que tá me fazendo voltar no tempo em que eu assistia filmes no cinema ou na TV durante a madrugada (foi nessa época que minha mãe colocou meu apelido de "Corujão da madrugada"). Adoro assistir filmes na madruga. Ler livros e ouvir música, também. É o melhor horário. Eu divido meu tempo, assim: fazer essas coisas que citei acima na madruga; beber à noite, quando não tô lendo ou escrevendo - nunca escrevo bebendo - salvo raras exceções, bebo durante o dia. Ler de manhã depois do café é quase como uma obrigação. Mas não é isso que quero falar. Eu tô falando do Tião, o cara que tá me fazendo voltar no tempo em que eu assistia as grandes películas no cinema ou na TV durante a madruga. Ontem, passei lá de noite pra pegar O Balconista, primeiro filme do Kevin Smith. Aproveitei pra comprar o doc. Geração Beat, a história dos Beatniks (este eu vi a turma compartilhando no facebook, mas é que prefiro ter o DVD comigo). Sou colecionador de discos desde os treze anos de idade e tudo indica que agora serei colecionador de filmes que fizeram minha cabeça no passado. Filmes que não consigo lembrar de nada. O Balconista é um deles. Com o Tião, já comprei: Último tango em Paris, Bird, One plus one, Ken Park, O iluminado, Amor à queima-roupa, O inquilino e Chinatown (ambos do grande Polanski), Short cuts, Expresso da meia-noite, The Runaways - garotas do rock, entre outros. Já estão encomendados: O grande Lebowski e Drugstore Cowboy.

Quando você estiver passando pela pracinha, e se lembrar desse texto, dá um pulo na banca do Tião. Ele vai conseguir o filme que você quiser. Temporadas, também. E o cara é gente fina.

Até a próxima.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Obra-Prima.


The Dead Billies - Don't mess with The Dead Billies (1996).

Quando eu falo sobre a The Dead Billies, a maior banda de rock da Bahia de todos os tempos, a turma fica parada olhando pra minha cara com um certo ar de indagação [e olhe que eu sou fã da brincando de deus]. Bem, eu fico sem jeito. Parece que eles só conhecem Camisa de Vênus e Cascadura -- bandas Ok, apenas. Mas tudo bem. O problema deve ser dos meios de comunicação da terra de Caymmi e Jorge Amado [aff... eu merecia coisa melhor]. E o Don't mess with The Dead Billies, primeiro álbum da banda, tá fazendo aniversário neste ano!

Ouça "Bloody red cadillac", minha preferida do álbum: http://www.youtube.com/watch?v=p-ZxojTw3Pg&hd=1.

Até a próxima.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A morte de Lou Reed...

(Velvet Underground).

A morte de Lou Reed me fez chegar a uma triste constatação: de agora em diante, é só descida. Só ladeira abaixo. Acho difícil que eu e toda minha geração venha ter novos ídolos. Sem mais ídolos por vir, penso que a qualquer momento a gente pode perder outros e não vai ter ninguém mais. Só ladeira abaixo. Do alto dos meus quarenta e um anos de idade, esta certeza que crava agora em minha mente é cruel como o tempo e a gente não vai ter mais ninguém. Como se não bastasse ter que suportar os moderninhos nariz em pé e os pseudo fodões, agora teremos que amargar a terrível constatação: de agora em diante, é só descida. Só ladeira abaixo.

Até a próxima.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Se eu fosse o som de uma guitarra dedilhada, seria a que sai da guitarra de Lou Reed em Harry's Circumcision.




Em Magic and Loss de Lulu Reed (apelido que Reed recebeu dos amigos ainda nos anos sessenta, época em que ele andava de roupa preta colada no corpo com um traveco a tiracolo), há Harry's Circumcision. Costumo dizer que se eu fosse o som de uma guitarra dedilhada, seria este que sai da guitarra de Lulu nesta música.

A letra fala do devaneio desvairado do jovem Harry que um dia acorda e fica indignado com sua imagem refletida no espelho. "As bochechas da mãe, os olhos do pai/À medida que os dias caíam sobre ele o futuro se revelava claro/Ele estava virando seus pais/A decepção final".

As semelhanças com seus pais eram nítidas. Indignado, Harry resolve cortar o nariz ao lembrar-se de Vincent Van Gogh - sim, o nariz. Então, em seguida, após mais algumas modificações em seu próprio corpo, Harry corta a garganta de uma orelha à outra.

Como consequência disso, acorda no leito de um hospital em frente ao médico que diz assim: "Meu filho, salvamos sua vida mas você nunca mais será o mesmo". Lulu acrescenta o final dessa história com versos hilários e chocantes, assim como o dedilhar de sua guitarra: "E quando ouviu isso, Harry não conseguiu segurar o riso/Por mais que doesse, Harry não conseguiu segurar o riso/A decepção final".

Um dedilhar com um clima soturno permeia a canção e meus olhos se enchem de lágrimas. Sozinho mais uma vez, fico perplexo com tamanha beleza que sai da guitarra desse cara que ouço há mais de vinte anos. Do cara que fez minha cabeça quando eu ainda era um guri do rock. Talvez eu ainda seja um guri. Mas é que agora não tem mais graça nenhuma, Lulu. E você se foi.

 *** 

Postado aqui em 2011. Fiz uma pequena modificação.

Até a próxima.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Guia de Drinques (4° parte).


Jack Kerouac (1922-1969).

 "Não beba para se embebedar. Beba para aproveitar a vida". 

J.K.

"Antes de cair na estrada, Kerouac correu mares. Jovem com sede de aventura, alistou-se na Marinha americana. À espera do exame de qualificação, acabou numa bebedeira em Boston. Inexplicavelmente, ingressou na Guarda Costeira e mais tarde no mesmo dia prestou juramento como fuzileiro naval. Dando-se conta de que era tecnicamente membro de três braços das Forças Armadas, Kerouac fez a única coisa sensata - bebeu mais. Acabou desmaiando num bar de marinheiros e de manhã viu-se a bordo do SS Dorchester com destino à Groenlândia. No meio de tudo isso, tinha telefonado para os pais e dito que chegaria em casa "um pouco atrasado".

Agora era um marinheiro mercante, carregando um pequeno saco de roupas e livros. Embora mais tarde a Marinha o tenha diagnosticado como uma "personalidade esquizóide" e o dispensado, continuou bebendo como um marinheiro pelo resto da vida".

Bebida preferida: Margarita. Eis a receita. 

45ml de tequila branca;
30ml de cointreau;
15ml de suco de limão taiti;
sal;
gomo de limão.

Passe o gomo de limão na boca de um copo de coquetel gelado; em seguida, pressione-se contra o sal colocado em um pires. Despeje todos os ingredientes em uma coqueteleira cheia de gelo. Bata bem. Coe para o copo de coquetel preparado. Decore com o gomo de limão. Também pode ser servido com gelo, em um copo old-fashioned.

Do livro Guia de Drinques dos grandes escritores americanos. Escrito por Mark Bailey e ilustrado por Edward Hemingway (neto de Hemingway).

Tin tin.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Obra-Prima.


Sítio do Picapau Amarelo - Trilha sonora (vários artistas - 1977).

Esse é do tempo em que eu saía correndo da escola no final da tarde pra assistir a "minha" turma. Meus olhos não piscavam em frente à TV. Acreditava que um dia pudesse encontrá-los. Então, na esperança de realizar este sonho, de vez em quando, me pegava olhando pro fundo da TV pra ver se eles estavam lá. Só queria dizer "eu sou fã de vocês". Mas eles nunca estavam lá. Via só umas luzes. Fios. Escuridão. E ficava triste. Sempre ficava triste. Lembro que uma vez chorei e ninguém pôde fazer nada. Enfim, coisas de menino besta.

Visite a La Verga Del Buenas, meu blog de textos eróticos: www.lavergadelbuenas.blogspot.com

Até a próxima.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dicas para este fim de semana.


Além do 3 Hombres, Obra-Prima do ZZ Top, quero indicar o livro Putas Assassinas do Roberto Bolãno e o filme Short Cuts do Robert Altman, que é baseado nos contos do Raymond Carver.

Eu bebo regularmente e confesso que a cerva ou o bourbon descem bem melhor quando estou envolvido com a música ou com o cinema. Não gosto de ler e beber ao mesmo tempo. Gosto de beber depois da leitura e ficar curtindo a história, pensamentos, entre outras coisas.

Vivo num mundo que é só meu. Sim, sou autista. Um autista por opção. O mundo gira em torno do meu mundo. Tudo passa pelo meu crivo e não do que as pessoas querem. Antigamente, eu era rebelde e radical em muitas coisas. Principalmente no campo da música e literatura. Futebol, também. Hoje, ao longo dos meus quarenta e um anos de idade sou um cara flexível. Compreensivo.

Ontem, eu tava no bar curtindo uma das novas músicas do Pearl Jam e gostei muito. É uma balada. Não sei o nome. Meu brother Carcarah foi quem colocou o som pra gente curtir enquanto armávamos a exposição do nosso brother Pedro Puro. Eu sempre achei o Eddie Vedder um mala. Mas uma coisa eu não posso negar: o cara tem uma "senhora" voz e canta muito bem. Tenho aprendido que o meu mundo, ao qual cuido com tanto carinho, é só meu. E isto é importante pra mim. Somente. Quanto ao seu, eu não tenho nada a ver com isso.

Link para ouvir 3 Hombres: http://www.youtube.com/watch?v=sA0sZnaDIDo&hd=1

Até a próxima.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Guia de Drinques (3ª parte).


Charles Bukowski (1920-1994).

"Um dos poucos escritores a ser talvez tão famoso por seus porres quanto por sua produção, Bukowski era um bêbado que vomitava, mijava, brigava, trepava e caía. Dizia-se que era capaz de beber 30 cervejas de uma tacada, e também de escrever 30 poemas em uma semana. Durante alguns anos, chegava aos bares assim que abriam - cinco e meia, seis horas da manhã - e ia embora quando fechavam. O típico freguês de bar, Bukowski ficava sentado em seu banco, observando. Às vezes brigava, às vezes falava pelos cotovelos, mas sempre escrevia e sempre bebia".

Bebida preferida: Boilermaker. Eis a receita:

60ml de whisky tipo bourbon, rye ou standard;
250ml de cerveja tipo lager.

Coloque o whisky em um copo shot. Coloque a cerveja em uma caneca apropriada. Tome de um só gole o whisky puro e beba a cerveja logo em seguida. Gelada, ela irá perseguir o destilado quente em sua garganta.

Do livro Guia de Drinques dos grandes escritores americanos. Escrito por Mark Bailey e ilustrado por Edward Hemingway (neto de Hemingway).

Tin tin.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

1° poema de amor (Tarcísio Buenas/Nelson Magalhães Filho).

(Pintura by Nelson Magalhães Filho).

Quando a lua sangra meus pés, vomito flores ou láudanos, ou girassóis amargos em meu coração ardente

Hey babe, é só mais uma noite sem suspiros ou tremores nas mãos, o desejo é alucinante e de novo vomito versos, poemas e dores

A noite é cruel, Vejo o sol que não se alucina com minhas poesias,

Sabe babe, o deserto é azul da cor do sonho de ontem, da cor dos braços tremendo em rouquidão sem fim,

As árvores são belas nesta noite, vou embora babe, e não digo nada.

 * * *

1° poema de amor, é um dos poucos poemas que escrevi com o poeta, pintor, ator, diretor e ex-jogador de futebol, Nelson Magalhães Filho. O poema foi escrito no Bar de Girino em Cruz das Almas (BA), nossa cidade natal, há uns dez anos atrás.

Até a próxima.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Obra-Prima.


The Walkabouts - Train leaves at eight (2000).

Banda americana formada em Seattle nos anos oitenta, que tem o charme e carisma da cantora Carla Torgerson, é destaque desta vez no Obra-Prima.

Conheci o Walkabouts na seção Zona Franca da revista Bizz. O álbum mencionado foi o Satisfied mind, que é outro que eu gosto muito -- tão bom quanto esse. O critério de desempate foi a capa. A de Train leaves at eight é mais bela. Encantadora.

Um folk-country denso, atmosférico e sedutor, devido à voz da Carla e de seu parceiro de banda Cris Eckman, é o que você vai ouvir aqui. On The Rocks Recomenda.

Acesse: http://www.youtube.com/watch?v=Pk5wE-WFHAM&hd=1.

Até a próxima.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Guia de drinques (2ª parte).


 Ernest Hemingway (1899-1961).

"Hemingway não era um sujeito de se gabar à toa, e não só em matéria de literatura. Num famoso incidente no Costello's, um antro de escritores em Nova York, ele encontrou a oportunidade perfeita para tornar essa qualidade conhecida. Depois de beber nos fundos com uns amigos, passou por John O'Hara no bar. O'Hara carregava uma tradicional bengala irlandesa (shillelagh), rústica e sólida, e Hemingway começou a zombar dele por isso. Defensivamente, O'Hara afirmou que aquele era "o melhor pedaço de madeira de Nova York". Hemingway então apostou 50 dólares que seria capaz de quebrá-lo com as mãos. Ato contínuo, num movimento rápido, bateu a bengala contra a própria cabeça, quebrando-a ao meio. Os pedaços ficaram pendurados sobre o balcão de Costello's por muitos anos".

Bebida preferida: Mojito. Eis a receita:

5 folhas de hortelã mais 1 ramo de decoração;
30 ml de suco de limão;
20 ml de xarope simples;
60ml de rum leve; 
gomo de limão.

Amasse cinco folhas de hortelã no fundo de um copo highball gelado, e por cima despeje o suco de limão, o xarope simples e o rum. Complete com gelo quebrado. Decore com um gomo de limão e o ramo de hortelã. Às vezes se acrescenta uma esguichada de club soda. 

Do livro Guia de drinques dos grandes escritores americanos. Escrito por Mark Bailey e ilustrado por Edward Hemingway (neto de Hemingway).

Tin tin.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Trilha sonora para a madrugada.


Boa audição: http://www.youtube.com/watch?v=AUnAh1U85Lk&hd=1.

dormindo agora do meu lado...




dormindo agora do meu lado com um dos braços dormentes. essa dor que você sente não é maior do que esta que me acompanha insistentemente quando você passa pela pracinha atraindo vilões de uma história que não nos pertence. eles apenas estão por aí. e a gente pouco se importa com tudo isso. um filete verde de lã te esquentando nesse momento e eu aqui diante de um mundo hostil e perverso pronto pra atacar enquanto admiro seu pezinho de pão de fora. apalpo. cubro. seu corpo exala um cheiro maior do que o do bar que você frequenta [eucaliptos me fazem lembrar de uma sauna em que o meu som sempre incomodava]. meu som é foda. foda como você acolhida em meu refúgio [sem calcinha] com um coraçãozinho em punho, e o meu, aqui, pro que der e vier.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Obra-Prima.



Kraftwerk - Radio-Activity (1975).

1997. Segundo semestre do curso de teatro. Em uma das minhas visitas à Coringa -- uma loja de discos que ficava localizada no centro de Salvador --, conversando com meu brother Denival, maior conhecedor da obra de David Bowie e Tom Waits que eu conheço, sobre música, como sempre, em um determinado momento ele pegou o LP Radio-Activity pra tocar. Com uma cara safada, pra variar, perguntou-me se eu conhecia. Disse que não, mas que já conhecia outros sons dos alemães. Então ele desistiu de colocar o disco pra tocar e me emprestou. Eu morava do outro lado da rua com minha mãe. Chegando em casa, abri a janela da sala. O sol impiedoso batia forte naquela hora e o clima tava insuportável. Odeio o calor. Mas foi exatamente nesse clima contrastante com o da terra dos mestres da música eletrônica -- acho que eles são de Dusseldorf -- que eu me apaixonei por essa obra-prima da música. E aproveito pra dizer que ainda bem que eu tenho a música. Ainda bem.

Boa audição: http://www.youtube.com/watch?v=x76LnXyW_3I&hd=1.

Até a próxima.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Meu ranking de cervas (1ª edição).




5) Coruja Labareda;
4) Baden Baden (Red Ale);
3) Duff;
2) Eisenbahn (Pale Ale);
1) Colorado Appia (Weiss).

Comecei a beber cerveja cedo. Meus familiares são apreciadores da loira gelada, então, quando criança, eu costumava beber do copo de minha madrinha e minhas tias. Dava um gole e me sentia o guri mais feliz do planeta (tudo ficava melhor quando molhava a garganta com esse líquido precioso e essencial para continuar me mantendo vivo). Com o passar dos anos, já tinha meu copo, só meu, nos encontros familiares (nessa época eu tinha uns 14/15 anos de idade). Aos dezesseis, já bebia com meus amigos em festas e nos bares próximos à minha casa. Pois é, meus serviços etílicos começaram cedo. Hoje, depois de beber muitas loiras geladas tipo pilsen, resolvi expandir meus conhecimentos alcoólicos degustando as importadas de vários tipos e as queridas artesanais brasileiras. Sendo assim, tá cada vez mais difícil voltar a beber as populares pilsen nacionais -- fico sem jeito quando tô com meus amigos nos bares e eles me oferecem Skol, Brahma ou Antarctica. Educadamente, aceito copos e mais copos, mas é que eu gosto mesmo é das gringas tipo pale ale, strong ale, dunkel, stout e a weiss. Bem, das pilsen comercializadas no país, a minha preferida é a Heineken (a verdinha) e é justamente essa que costumo beber por aí. Mas aqui em casa é diferente. Só entram as artesanais brasileiras (às vezes, algumas populares) e as gringas tão queridas por mim. Selecionei algumas brasileiras para esse ranking. Na próxima semana, postarei as gringas.

P.S.: Postei este texto no facebook e meu caro Guido André me chamou atenção que a Duff é mexicana. Agradeci pela correção, claro. Mas o que me confundiu é que esta que eu bebo é produzida em Santa Catarina. Mesmo assim ela não deveria estar nesse ranking. Sorry. 

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Até a próxima.