terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Quem me dera tê-la morando ao meu lado.

(Foto: Mônica Montone)

Gostei do formato que a poeta Adriana Zapparoli deu para "Quem me dera tê-la morando ao meu lado", prosa poética  que eu escrevi e postei na La Verga em 2009.

Quem me dera tê-la morando ao meu lado, imaginar os seus afazeres é tão prazeroso quanto deitar-me em seu tapete perfumado pelo cheiro que exala dos seus cabelos. Afago-os, contemplo teu semblante meigo... Ouço teus cochichos que me envolvem como uma canção do Antony and The Jonhsons - Lembra que foi você quem me apresentou naquele outono em que colhemos os sapotis no quintal de tia Lucy? Gargalhamos muito em frente aos cães que trepavam na posição que você mais gosta. Quero te apresentar uma banda que ando ouvindo, chama-se: Band of Horses - The great salt lake é a tua cara! Me incomodo quando ouço os toques do teu celular, estremeço! Aumento o som - o canto cortante da Hope Sandoval invade o quarto adormecido pela tua ausência. Teu ficante é um canalha escroto! O sol impiedoso esmurra minha cara de réu, não consigo suportá-lo. Devolva-me aquele bilhete em que você confidenciava tua admiração pelo meu caralho rígido e belo (só você sabe acariciá-lo como eu mais gosto). Adorei a plaquinha pregada em tua porta: "Fui catar sonhos, não demoro". Passo a mão ao meu lado, não te sinto, lembro: "Ela foi catar sonhos!" Partiu inesperadamente talvez seja um sonho, talvez. Assim como as mágoas, essas marcas indeléveis ferem meus sentimentos mais sinceros, me extenua. Meus dramas são como teu sexo - encharcados e corrosivos, cortante. O carteiro joga o jornal na varanda fria como meus pés, minhas mãos dormentes estão. Junto com o jornal o bilhetinho amassado, uma flor, um aviso: "Já posso sonhar sozinha".
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