sexta-feira, 22 de março de 2013

Tô sentido, Buk.


(Este texto foi postado no Facebook em 09/03 desse ano).

Tô sentido, Buk. São dezenove anos sem você. Acordei com a maior ressaca dos últimos tempos e lembrei-me que foi em nove de março de 1994 que você se foi. Soube dois dias depois. A notícia me tocou. Fiquei prostrado no sofá da casa de minha mãe. Naquela tarde eu não fiz nada. Aliás, coloquei uns discos de música erudita pra tocar. Sei que você adorava. Acho um pouco sarcástico quando meus amigos comparam meus textos da La Verga com os seus. Meu amigo MV Borgón já me comparou com o seu estilo de vida (também vejo algumas semelhanças). Pouco tempo nos empregos e o hábito de morar em quitinetes ou quartos alugado, bebendo em bares regularmente, sozinho ou acompanhado por mulheres e amigos. Amigos são bons. Mulheres, também. Ontem eu me desabafei com meu amigo Litte Beat depois do show da Saco de Ratos sentados no chão do Estrela, o bar que o Marião bebe agora no cu da madruga. Ele tava com a gente, mas no momento em que eu conversei com o Little sobre minha vida, ele ficou na mesa com outros amigos. Ficamos "na nossa" sentados na porta. No chão. Pacientemente ele me ouviu. Ouviu a nova guinada que meu coração sem esperança está dando. Por falar em coração, Jane Birkin tá morando aqui em SP. Saímos na semana passada. Bebemos e jogamos bilhar. Eu ganhei. Jane não é uma boa jogadora e foi por isso que eu venci. Mas acho que ela tá bicudinha comigo, pois não falou mais. Não sei o que aconteceu. A gordinha sexy não fala comigo há dois dias e a mais bela me excluiu dos seus. Mulheres são complicadas, Buk. Você bem sabe. Mas, por que? Por que? Eu fico triste quando minhas musas param de falar comigo. Aí eu escrevo pra mim mesmo com a maior preguiça. Mas acho que vou postar esse texto no facebook. Tem uns amigos loucos que gostam da minha prosa. Dos meus versos. Deve ser porque eles são loucos, ou então, porque são meus amigos. Tô ouvindo Beethoven agora. Buk, eu perdi mais uma vez a minha garrafinha de bolso com o bom e velho Jack dentro. Ainda tinha umas duas doses. Dessa vez é pra valer. Da última o Brum achou e me devolveu. Mas dessa vez, já era. Quase chorei descendo a Augusta em companhia do Little e do Marião (respira fundo, Buenas). Pra encerrar esse texto preguiçoso, quero que você saiba que o mundo está se tornando um lugar ruim pra se viver. Cada vez mais chato. E quero que você saiba que eu tô triste. Pra variar, uma amiga disse-me nesta semana que eu sou triste. Ela acertou. De vez quando alguém acerta a meu respeito. É que eu ando cada vez mais de saco cheio de muita coisa. De muita coisa.

Grande abraço, meu irmão. 

P.S: vou acender uma vela pra você assim que o disco acabar. Fique em paz.
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